17/05/2008
Grencsó Kollektíva – Plays Monk
16/05/2008
Pula não
Outro dia encontrei John Lester prestes a se atirar do vão central da Terceira Ponte. A princípio pensei que o amigo tivesse sido exonerado da nobre função de Comendador da Barra do Jucu, porção de terra que lhe havia sido confiada pelo governo como reconhecimento ao seu incansável combate à prática do congo no Espírito Santo, sendo que, nessa luta insana, Lester conseguiu que fosse adotado nas escolas públicas o famoso berimbau de duas cordas. Mas que nada. Com seus 70 metros de altura, este é o local preferido pelos suicidas de boa reputação, que se negam terminantemente a utilizar o método heterodoxo proposto por Woddy Allen: fechar o gás e abrir as janelas. A Terceira Ponte liga a cidade de Vitória a Vila Velha e foi a maior obra já realizada no estado de Espírito Santo, e uma das maiores do Brasil, tornando-se um dos cartões-postais da cidade. Seu nome oficial é Ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça, mas o povo apelidou-a de Terceira Ponte logo que foi anunciado o projeto de sua construção, devido às duas outras pontes que já existiam anteriormente ligando Vitória a Vila Velha: Ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes) e Segunda Ponte (Ponte do Príncipe). A primeira ponte (Florentino Avidos), inaugurada em 1928, ligou o coração de Vitória com os arrabaldes de Vila Velha. A segunda, aberta em 1979, trouxe o tráfego continental para o miolo da capital, Vitória. A Terceira Ponte foi construída para desafogar essas duas primeiras e, sobremodo, para a alegria dos suicidas mais determinados. Possui pouco mais de 3km de extensão, vão principal com 70m de altura e 200m de um pilar ao outro, permitindo assim o acesso de navios de grande porte à baía de Vitória. O corpo que se lança pela última vez dos 70m bate na água como se em concreto fosse, obtendo sucesso em 100% dos lançamentos. É a principal ligação de Vitória com Vila Velha e o litoral sul do Espírito Santo. Depois de sua construção, Vila Velha passou por um intenso crescimento na construção civil, dando outra dimensão à sua então condição de cidade-dormitório passando à condição de cidade-dormitório-engarrafada. O primeiro pilar da Terceira Ponte foi concretado em 1978, durante o Governo de Élcio Álvares e foi concluída em 1989, no Governo de Max Mauro. A ponte iniciou operando com 12 mil carros por dia e em 2008 estima-se que circulem mais de 100.000 veículos/dia por sua sacolejante estrutura.Agarrado por dois argutos bombeiros, Lester acedeu entrar em meu carro, concordando que sua lambreta fosse rebocada pelo guincho que atende à Ponte. Já sentados em um dos quiosques mais imundos da orla de Itaparica, pude ouvir a confissão de Lester: resolvi me matar por não mais conseguir comprar bons álbuns de jazz por preços justos, desabafou o desiludido clarinetista, complementando: eu preciso dos encartes, entende? Eu preciso da caixa, da capa, preciso ver o rótulo do cd, preciso esmiuçar as liner notes, não posso mais suportar os downloads gratuitos, com aquelas faixas frias, virtuais, impalpáveis em formato mp3!
Verificando que o caso era grave, resolvi revelar um segredo até então mantido apenas comigo mesmo: os inconcebíveis preços de cd’s oferecidos pela Amazon através de seus ‘vendedores associados’. Esses selllers oferecem excelentes álbuns que vão de inacreditáveis US$0.01 (sim, cerca de R$0,17) até algo em torno de US$2.00 ou US$4.00, com diversas outras opções. Prelecionei então ao ex-suicida: entre no site da Amazon. No campo ‘search’ escolha a opção ‘music’. No campo ao lado digite ‘jazz’ e dê ‘enter’. Surgirão milhares de álbuns. Agora, observe no canto superior direito: você verá que há diversas opções para organização dos álbuns. A opção padrão é ‘relevance’. Clique na seta de opções e escolha ‘price: low to righ’. Pronto: surgirão milhares de álbuns, muitos deles de excelente qualidade, a preços inacreditáveis, em especial quando você verifica que são ofertados milhares de álbuns usados, mas também em excelente situação. Lester então retrucou que não confiava nesses ‘sellers’. Foi aí que intervi e assegurei ao velho clarinetista que tenho efetuado diversas compras nessas condições, sendo as entregas prontamente realizadas em tempo recorde (via aérea) e com absoluta seriedade. Álbuns novos são de fato novos, álbuns em bom estado estão de fato em bom estado. Prova disso, foi a recente aquisição do álbum From A to B, do excelente saxofonista John Greiner, um ilustre desconhecido, repleto de talento e competência. Coloquei a faixa ( ) para Lester ouvir e, até onde sei, a perda de seu título de Comendador da Barra do Jucu nunca mais o incomodou. Nem a Terceira Ponte conseguiu seduzí-lo novamente, mesmo considerando que o frete, nesses casos, costuma ser bem maior que o valor do cd, algo en torno de US$5.00. Mas vale a pena, disse Lester sorrindo. Amém! 02/05/2008
Augustus
O centro de Vitória renasce com a boa música. O Botequim Augustus, sito à Rua Gama Rosa, tem promovido noitadas musicais agradabilíssimas. Eduardo, o dono do bar, tratou de deixar a casa com um clima aconchegante (são dois pisos, com ar condicionado), com boa comida (o camarão na moranga é excelente) e bebida de boa qualidade. Os preços são acessíveis ao bolso médio. Aos sábados, a responsabilidade é de Chico Lessa (violão e voz), que, acompanhado por Salsa (sax alto, tenor e voz), interpreta suas parcerias com Márcio Borges (Clube da Esquina), muita bossa e standards da música pop norte americana. O som começa às 21:00h. PS - enquanto não chega a hora, divirtam-se com os blogs Jazzigo e MPBJazz.17/04/2008
Buscando o reavivamento
Swingin´ Swanee é uma das figuras mais estranhas que já tive oportunidade de encontrar num balcão de bar. Cultuada nos estabelecimentos mais escuros e alternativos da Alemanha, Djane, como é conhecida, tem se dedicado ao reavivamento do swing, estilo pelo qual é apaixonada, além de especialista. A DJ pode ser encontrada em casas determinadas, algumas bastante suspeitas, de cidades como Berlin e Hamburgo, disseminando os velhos clássicos do swing produzido nos anos 30’ e 40’. Com seus ternos e chapéus de gangster hermafrodito, Swingin´ Swanee é uma das responsáveis pelo resgate desse estilo do jazz, onde a preocupação principal era a dança e onde o espaço para o improviso era disputado a tapa pelos solistas mais hábeis das orquestras. Em seu site encontramos algumas coletâneas preparadas pela moça e lançadas em cds, de um dos quais retiramos a faixa Swing Man, com Jack McVea (ouça ). Jack McVea (1914-2000) começou tocando banjo em bandas de R&B, chegando a alcançar grande sucesso com o tema Open the Door, Richard. Sua contribuição para o jazz aconteceu nas bandas de swing, quando já havia trocado o banjo pelos saxofones alto, tenor e barítono, instrumentos que tocava com inusitada suavidade naqueles dias em que predominavam os roncos estrondosos dos tenores. Jack era um músico reconhecido na região de Los Angeles, até que passa a tocar com Lionel Hampton na década de 40’ e se apresenta no primeiro Jazz at the Philharmonic, atingindo reconhecimento nacional, quando resolve então liderar de suas próprias bandas. Embora tivesse competência de sobra, o que lhe possibilitou trabalhar com gente como Charlie Parker e Dizzy Gillespie, Jack terminou seus dias na Disneyland tocando clarinete numa banda de dixieland.
O primeiro cd lançado por DJane contém as seguintes faixas:1. SHOUT, SISTER, SHOUT
Lucky Millinder and his orchestra
2. LITTLE JOE FROM CHICAGO
Andy Kirk and his clouds of joy
3. UNDECIDED
Chick Web and his orchestra
4. HEY MAN! HEY MAN!
Leo "Snub" Mosley and his band
5. JUMP CHILDREN
International Sweethearts of rhythm
6. YOU CAN'T LIVE IN HARLEM
Noble Sissle and his orchestra
7. SWINGIN' AT THE COTTON CLUB
The Tree Peppers
8. SING, SING, SING
Fletcher Henderson and his orchestra
9. THE ALL-NIGHT RECORD MAN
Charlie Barnet and his orchestra
10. MISS OTIS REGRETS
Jimmie Lunceford and his orchestra
11. MINNIE THE MOOCHER
Valaida Snow
12. CRAZY 'BOUT MY BABY
"Fats" Waller
13. BEI MIR BIST DU SCHÖN
Benny Goodman Quintet
14. WILD PARTY
Ina Rae Hutton and her melodears
15. IT'S MURDER
Lil Armstrong and her swing band
16. SWINGIN' AT THE SWANEE SHORE
Sharkey Bonano and his sharks of rhythm
17. MOP! MOP!
Louis Jordan and his Tympany Five
18. SWING MAN Part I
Jack McVea and his door openers
06/04/2008
Jazz & Poesia: Vale a pena conferir

26/01/2008
27/11/2007
Anthony Wilson
Hoje o Jazzseen tem o privilégio de trazer para os amigos uma resenha do escritor Pedro Nunes. Publicada originalmente em seu Almanaque Íntimo, conseguimos permissão para publicá-la em nosso blog. É assim: "Quem assistiu ao DVD Live in Paris, de Diana Krall, pôde reparar que, além de a bela pianista apresentar-se com uma saia que batia nos tornozelos, o que só faz aumentar seus méritos num momento em que as grandes cantoras se apresentam bem menos vestidas, ela se fez acompanhar de um time de músicos de primeira: o brasileiro Paulinho da Costa, na percussão, John Clayton, no baixo, Jeff Hamilton, na bateria, e Anthony Wilson, na guitarra, além da orquestra regida por Claus Ogeman. E quem reparou melhor viu no canto esquerdo do vídeo, à direita da cantora, um sujeito com cara de nerd , com direito a óculos fundo-de-garrafa, mandando ver encurvado sobre uma Gibson. Na hora do solo, lá estava ele, debaixo dos olhos admirados da dona do show – que quase rouba. Pois é, Anthony Wilson é o nome do cara. Mas quem é Anthony Wilson? Existe vida além de Diana Krall? Felizmente sim. Bem, eu já tinha concluído, pelos motivos expostos, que estava diante de um grande músico, e, posto receasse encontrar algo diverso do que vira, resolvi arriscar um palpite. Para tentar ratificar minhas impressões, fiz chegar-me às mãos seu álbum de estréia, simplesmente Anthony Wilson, lançado em 1997. Claro que um álbum de estréia pode ser temerário, mas não me decepcionei. Muito pelo contrário. E olhe que, além de tocar, Anthony Wilson compôs sete das dez magníficas faixas do disco e é autor de todos os arranjos que executa em companhia de Carl Saunders no trompete, Ira Nepus no trombone, Louis Taylor em vários instrumentos de sopro, Pete Christlieb no tenor, Jack Nimitz no barítono, Brad Mehldau no piano, Danton Boller no baixo e Willie Jones III na bateria. Anthony Wilson tem pedigree: é filho do respeitadíssimo, embora pouco conhecido, band-leader e trompetista Gerald Wilson. Mas parece ter feito, e bem, seu próprio caminho. Claro que podia ter feito outras opções. Outros músicos bem mais velhos que ele escolheram caminhos mais fáceis, mas Anthony Wilson, felizmente, parece ter feito a escolha correta. Com os pés fincados no bebop, Anthony Wilson detém o prêmio do Thelonious Monk Institute International Composers’ pela faixa Karaoke, a terceira do CD – apesar do título, brilhante – , e já lançou cerca de meia-dúzia de trabalhos, dos quais Power of nine, lançado em 2006, foi considerado pelo The New Yorker’s como um dos dez melhores discos de jazz de 2006. Em março e abril deste ano fez diversas apresentações no Brasil com o violonista, guitarrista, compositor e arranjador Chico Pinheiro, com quem gravou o CD Nova. Existe a expectativa de que Nova renda várias apresentações no Brasil em novembro de 2007. Esperamos que ele apareça por aqui." 11/11/2007
Fusion? Só na recíproca
Aliás, a pior fusion é, sem sombra de dúvida, aquela produzida por bons músicos de jazz, como Herbie Hancock, Wayne Shorter, Joe Zawinul, Donald Byrd ou Chick Corea. Esses músicos fantásticos são formidáveis tocando jazz acústico, mas soam lamentáveis fazendo rock, elétrico por definição. A recíproca já me atrai: gosto de alguns bons músicos de rock tentando tocar jazz. Fiquemos apenas com um exemplo que eu recomendaria ao amigo visitante: Nucleus, um conjunto de rock inglês formado por Ian Carr (t), Karl Jenkins (bs, oboé, p), Brian Smith (ss, ts, f), Chris Speedding (g), Jeff Clyne (b) e John Marshall (d). Vale notar que os grupos de rock não têm problemas alguns em lidar com o poder da eletrônica, coisa tratada com certa indecisão pelos conjuntos de jazz. É para bater? Que se bata com força. E foi assim que o Nucleus saiu vitorioso do Montreux Jazz Festival de 1970, ano em que gravou seu excelente álbum Elastic Rock, cujo título diz muito. Em julho desse mesmo ano, já em New York, o grupo se apresenta no Village Gate para uma platéia estupefata, que se perguntava que música era aquela: não era jazz, não era rock. Talvez apenas Roland Kirk, que estava sentado na primeira fila, soubesse responder. Deram-lhe o nome de jazz rock. Como a maioria dos bons álbuns de jazz rock, Elastic Rock deve ser ouvido na íntegra, já que a audição de apenas uma faixa equivale à leitura de apenas um capítulo. Mas, fazer o que? Para o amigo navegante fica a faixa Torrid Zone, uma breve amostra do que é fusion: bons músicos de rock tentando tocar jazz. Boa audição e não se esqueça: evite álbuns de músicos de jazz tentando tocar rock!| 09 Torrid Zone.mp3 |
Nota: a quem se interessar pela coisa, recomendo o cd duplo Nucleus, lançado pela BGO Records, contendo os álbuns Elastic Rock e We’ll Talk About It Later.
03/11/2007
Shopping
1) Alguns álbuns antigos de jazz são verdadeiros clássicos. Por serem antigos, já pagaram com folga todos os custos de gravação, edição e editoração. Além disso, por serem clássicos, estão sempre sendo consumidos em grandes quantidades. Esses dois fatores fazem com que tais álbuns sejam encontrados a preços bastante convidativos, quase sempre na faixa que vai de US$8.00 a US$12.00. Exemplos disso são alguns álbuns célebres de selos como Blue Note, Prestige, Impulse ou Atlantic. Álbuns como Blue Train (Blue Note) e A Love Supreme (Impulse), ambos de John Coltrane, são facilmente encontrados na internet por algo em torno de US$10.00 cada. Outros álbuns clássicos são lançados a preços justos pelo selo OJC (Original Jazz Classics), que reúne gravações realizadas por selos hoje inativos, como Fantasy, Jazzland, Period, New Jazz, Pablo, entre outros. Os álbuns de Oliver Nelson, citados por nosso amigo ‘anônimo’, configuram casos afins. Nesses casos, como veremos a seguir, pode ser interessante a importação, mesmo que incida a tributação;
2) Os álbuns mais recentes e os lançamentos são, quase sempre, aqueles que oferecem preços mais elevados, algo que varia entre US$14.00 e US$18.00. Por serem produções mais atuais, exigem que o preço de venda recupere uma série de investimentos, salvo alguma promoção esporádica. Esse seria o caso dos álbuns de Gary Smulyan citados por Mr. Bravante, encontrados na CD Universe por US$13.85 (The Real Deal) e US$16.75 (Blue Suíte). Vale destacar que alguns álbuns antigos e raros, quando relançados, podem apresentar preços de venda altíssimos e injustificáveis, que giram em torno de US$40.00. Um exemplo típico são as reedições de alguns álbuns antigos por gravadoras japonesas, como é o caso do álbum Julian, de Pepper Adams, vendido por US$34.49 na Amazon. É importante alertar que muitos desses álbuns caríssimos costumam ser relançados, depois de algum tempo, a preços muito menores, em torno de US$10.00. Portanto, se não houver urgência na compra, vale a pena aguardar e acompanhar a queda do preço. Outra saída, conforme veremos adiante, pode ser a compra em sites brasileiros;
3) Alguns álbuns excelentes de jazz não se tornam clássicos. Assim, costumam ser encontrados por preços muito interessantes, muitas vezes em torno de US$5.00 ou menos. Caso crônico de bons preços é o oferecido pelo selo Collectables, onde você encontra grandes álbuns de Coleman Hawkins, Ray Bryant, James P. Johnson, Eddie Harris, Dizzy Gillespie, James Moddy, Ronnie Ross, Lars Gullin e muitos outros por menos de US$5.00. Vale conferir e arriscar ser tributado;
4) Para que o amigo possa planejar uma boa compra, o primeiro passo é estabelecer o álbum desejado, a não ser que se pretenda comprar um álbum tendo por critério o menor preço. Em seu comentário infeliz, nosso amigo alega que a boa compra recomendada por Mr. Bravante apresenta ‘preços totalmente fora da realidade’. Para provar sua tese, ‘anônimo’ apresenta os preços de dois álbuns clássicos encontrados na CDUniverse, que variam na faixa de US$9.00 e conclui que fez uma boa compra. Ora, os dois álbuns apresentados por Mr. Bravante são recentes e seus preços na CDUniverse são, respectivamente, US$13.85 e US$16.75. Somando-se o valor do frete (US$7.99), temos US$38.59. Se formos gentis e fizermos o dólar a 1,70 chegamos a R$65,00 do ‘anônimo’ contra os R$70,00 de Mr. Bravante. Estaria ‘anônimo’ correto? Vejamos:
5) É preciso considerar dois aspectos nesse processo: 6.1 – Nas encomendas por
remessa postal comum, a tributação de encomendas até US$500.00 é feita através de amostragem. Se o amigo leitor der o ‘azar’ de ser ‘sorteado’ pela fiscalização federal, terá sua encomenda tributada em 60%. Os R$65,00 recomendados pelo amigo ‘anônimo’ passam para R$104,00, contra os R$70,00 recomendados por Mr. Bravante; 6.2 – Nas encomendas por remessa postal porta a porta (courier), não há amostragem. Toda remessa feita através de courier é tributada pela fiscalização federal (Imposto de Importação de 60%) e, em seguida, pela fiscalização estadual (ICMS de 18%). Nesse caso, os R$65,00 se transformam em R$122,00. Para quem joga dados, pode ser uma boa opção. Mas para quem não joga roleta, é bom saber se sua encomenda virá em remessa comum ou courier.Conclusões: 1) Nossa política democrática de permitir qualquer comentário, por mais desarticulado que seja, não significa que concordamos ou validamos as opiniões ali apostas; 2) Não recomendamos ao amigo visitante que compre um álbum de jazz simplesmente pelo preço, mas pelo real desejo de tê-lo e ouvi-lo; 3) Escolhido o álbum, não se precipite: pesquise, aguarde o preço cair – é terrível pagar 50 dólares por um álbum japonês e depois encontrá-lo por 10 dólares numa promoção; 4) Não recomendamos que o leitor corra o risco de ser tributado quando o preço no exterior for próximo ao preço no Brasil (como é o caso da recomendação de Mr. Bravante). A não ser que o amigo aprecie o risco ou tenha dinheiro sobrando.
É simples e cristalino: você pode comprar os álbuns recomendados de Gary Smulyan no Brasil pagando R$70,00 sem qualquer risco. Ou pode importá-los por R$65,00, correndo o risco de pagar R$104,00 ou R$122,00.
Boas compras!
06/10/2007
Download de gravatas
Afinal, por definição e até onde sei, um blog deve se limitar a ser aquela coisa chata, onde pessoas chatas colam fotos chatas acompanhadas de pequenos textos chatos escritos quase sempre por terceiros. Esse Mr. Grijó adora ser diferente! Ele acredita realmente que os blogs, essas criaturas virtuais tradicionalmente chatas, possam servir de instrumentos culturalmente válidos, atrativos e com conteúdo autêntico. Mas voltemos às gravatas do rabino. O que não é perdoável, e nossa posição no Jazzseen é
muito clara a esse respeito, é ofertar álbuns gratuitamente para download enquanto não houver uma posição pacífica sobre o tema na legislação e na jurisprudência brasileira. Além de incorrermos em possível desrespeito à lei, poderíamos induzir o amigo visitante a erro. Não se trata aqui de defender os interesses de gravadoras ou de tomar posição pessoal a favor ou contra isso ou aquilo. Trata-se apenas de alertar o visitante quanto à existência de uma dúvida real do mundo virtual, dúvida essa que já tem produzido vítimas concretas, como nos informa Mr. Salsa na resenha abaixo. Não é necessário polemizar, levantar bandeiras ou erguer barricadas: basta estar atento e bem informado. A discussão nos tribunais alienígenas tem sido complexa e indefinida: França e Espanha já se posicionaram a favor dos downloads sem finalidade de lucro. Na Alemanha, alguns provedores têm sido retirados do ar por disponibilizarem álbuns para download. Os EUA são absolutamente contra todo e qualquer tipo de download. O Brasil ainda está em cima do muro. Nesse sentido é que meu exemplar do álbum Entrance! de Sam Noto foi comprado on-line no E-music - site que recomendo por funcionar adequadamente, embora não forneça as capas nem os encartes dos álbuns que disponibiliza legalmente para download. Mas, ao menos, o amigo tem o extrato do cartão de crédito para comprovar a aquisição legal da obra. Todavia, o álbum Entrance! é oferecido gratuitamente em vários sites da net. Basta jogar no Google o título do álbum seguido de 'rapidshare' ou 'megaupload' ou qualquer outro nome de algum site que hospede arquivos. Depois, é só baixar gratuitamente tantos álbuns quanto se queira, mesmo que nunca se tenha tempo suficiente para ouvi-los todos em vida. Eu só não gostaria é de estar na pele do artista idiota ou do empresário otário que gastam seu tempo, talento e esforço produzindo álbuns que não lhes trarão retorno algum. Pimenta é refresco, não é? Observação: Na época em que escrevi a resenha sobre Noto, nosso amigo João Luiz, sócio fundador do Clube das Terças, ouviu comigo o álbum Entrance! e, após acirradas discussões e severas críticas, aprovou quase sem restrições o trabalho do trompetista. Talvez daí a gentil recomendação do álbum a Mr. Salsa, esse nosso saudoso ex-redator júnior. Mas é isso. Agora preciso ir para meu outro blog, onde escrevo sobre mpb & culinária!
11/09/2007
11
Se Bin Laden fosse músico ele provavelmente faria uma música tão arrojada e visceral quanto a de John Coltrane, o maior guerrilheiro do sax tenor que o jazz já produziu. Embora a ação beligerante de Bin contra a capital mundial do jazz tenha tido êxito e tenha sido aplaudida por alguns que odeiam os EUA, eu tenho cá minhas dúvidas de que o mundo seria melhor se Bin Laden tivesse em suas mãos o poderio econômico e militar dos norte-americanos. Difícil escolha: Bin ou Júnior? Creio que, se dependesse desses dois, nem haveria mais jazz em New York, quiçá no mundo. A sequência do jazz é exatamente essa: nasce em New Orleans, engatinha até Chicago e amadurece em New York, onde tem sua primeira experiência com a deliciosa maçã. Enquanto no Minton's, o bar mais doido do Harlem, Charlie Parker retocava o bebop, John Coltrane tocava o bebop no Hawaii, com um famoso desconhecido trompetista chamado Dexter Culbertson. Era 13 de julho de 1946 e estas seriam as primeiras gravações de Coltrane, registradas em quatro bolachas 78rpm. Por uma dessas obras felizes do improvável, acabamos de aprovar o ingresso do mais novo sócio do Clube das Terças, o ilustrado mestre Francisco Grijó. Não que ele tenha se saído bem nos testes de ingresso ao Clube. Nada disso. O real motivo de sua aprovação foi possuir a coleção completa das gravações do maior guerrilheiro do jazz, John Coltrane. Perquirido quanto às gravações de Coltrane no sonolento e ensolarado Hawaii, Grijó retorquiu de pronto: possuo tudo, inclusive com os sete bônus tracks de Johnny Hodges em Los Angeles, gravados em 1954. Estupefatos e unânimes, aprovamos Francisco Grijó, entre outras coisas, autor de um dos blogs mais interessantes e bem escritos da net: IPSIS LITTERIS - BLOG DO GRIJÓ. Mas, então, que assim sejam os 11 de setembros, repletos de jazz e menos fogos de artifícios ridículos, cruéis e covardes. Para os amigos segue KO KO com John Coltrane no sax alto acompanhado por Dexter Culbertson (t), Norman Poulshock (p), Willie Stauder (b), Joe Timer (d). Cof cof cof. | 06-john_coltrane-k... |
Nota Triste: VIENA, 11 Set 2007 - O pianista de jazz austríaco Joe Zawinul, fundador do conjunto Weather Report nos anos 1970 e que gravou vários discos com Miles Davis nos anos 1960, faleceu nesta terça-feira, em Viena, aos 75 anos de idade, informou a família. Joe Zawinul, que nasceu em 7 de julho de 1932, estava hospitalizado desde 5 de agosto em uma clínica de Viena. Segundo a imprensa austríaca, sofria de câncer. Desde 2004 era proprietário de um clube de jazz em Viena e realizava freqüentes turnêds com seu novo conjunto, Zawinul Syndicate.
29/08/2007
MPB Jazz - mais um blog capixaba de qualidade

Jazz no país do improviso


Sem dúvida um dos melhores blogs em português, o Jnpdi completa 4 anos de vida, sempre repleto de informações relevantes sobre jazz. Entre as diversas entrevistas, vale destacar a de Emerson Marques, autor do Guia de Jazz (Brasil). Vale conferir AQUI.