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05/10/2009

Vinho na montanha








O Encontro acontecerá em Pedra Azul - ES entre os dias 22 e 25 de outubro. A agenda é maleável e segue o seguinte formato:

PACOTE - SETE DEGUSTAÇÕES OFICIAIS - R$ 2.500,00


SEXTA-FEIRA - 23/10/2009
9h30 - Degustação 1: Espanha: Antigo ou Novo Estilo?
15h - Degustação 2: Itália Monumental
17h30 - Degustação 3: América do Sul por Franceses

SÁBADO - 24/10/2009
9h30 - Degustação 4: Biodinâmicos: Vinho do Céu a Terra
15h - Degustação 5: As novas fronteiras do mundo do vinho
17h30 - Degustação 6: As diferenças do Terroir de Bordeaux

DOMINGO - 25/10/2009
11h - Degustação- Champagne: o segredo dos pequenos produtores

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PACOTE COM AS SETE DEGUSTAÇÕES OFICIAIS + SESSÃO PREMIUM I - R$ 2.900,00


SEXTA-FEIRA - 23/10/2009
9h30 - Degustação 1: Espanha: Antigo ou Novo Estilo?
15h - Degustação 2: Itália Monumental
17h30 - Degustação 3: América do Sul por Franceses
19h - Sessão Premium I: Vinhos de Rios

SÁBADO - 24/10/2009
9h30 - Degustação 4: Biodinâmicos: Vinho do Céu a Terra
15h - Degustação 5: As novas fronteiras do mundo do vinho
17h30 - Degustação 6: As diferenças do Terroir de Bordeaux

DOMINGO - 25/10/2009
11h - Degustação- Champagne: o segredo dos pequenos produtores

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PACOTE COM AS SETE DEGUSTAÇÕES OFICIAIS + SESSÃO PREMIUM I + SESSÃO PREMIUM II - R$ 4.400,00


SEXTA-FEIRA - 23/10/2009
9h30 - Degustação 1: Espanha: Antigo ou Novo Estilo?
15h - Degustação 2: Itália Monumental
17h30 - Degustação 3: América do Sul por Franceses
19h - Sessão Premium I: Vinhos de Rios

SÁBADO - 24/10/2009
9h30 - Degustação 4: Biodinâmicos: Vinho do Céu a Terra
15h - Degustação 5: As novas fronteiras do mundo do vinho
17h30 - Degustação 6: As diferenças do Terroir de Bordeaux
19h - Sessão Premium II: Por que 100 pontos?

DOMINGO - 25/10/2009
11h - Degustação- Champagne: o segredo dos pequenos produtores

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PACOTE COM AS SETE DEGUSTAÇÕES OFICIAIS + SESSÃO PREMIUM II - R$ 4.000,00


SEXTA-FEIRA - 23/10/2009
9h30 - Degustação 1: Espanha: Antigo ou Novo Estilo?
15h - Degustação 2: Itália Monumental
17h30 - Degustação 3: América do Sul por Franceses

SÁBADO - 24/10/2009
9h30 - Degustação 4: Biodinâmicos: Vinho do Céu a Terra
15h - Degustação 5: As novas fronteiras do mundo do vinho
17h30 - Degustação 6: As diferenças do Terroir de Bordeaux
19h - Sessão Premium II: Por que 100 pontos?

DOMINGO - 25/10/2009
11h - Degustação- Champagne: o segredo dos pequenos produtores


Informações sobre inscrições e dúvidas: (27) 3212-7905 (27) 3212-7905 ou no site
Premium

Informações sobre inscrições e dúvidas: (27) 3212-7905 (27) 3212-7905

Informações técnicas sobre programação e vinhos:
encontrointernacionaldovinho@premium.srv.br

Para reservas de hospedagem, traslados e passagens aéreas, clique aqui:
Allianza Tour.
Contato: (27) 3315-4333 (27) 3315-4333.

12/09/2009

In vino veritas

Em sua exagerada narrativa sobre nossa viagem ao Azerbaijão, Mr. Bravante omitiu detalhe bastante relevante para os apreciadores de vinho: nossa visita à Ucrânia. Quase todas as ex-repúblicas soviéticas produzem vinho, muito embora tenham sofrido uma sensível redução da área de plantio a partir da campanha antialcoolismo de Gorbatchev, na década de 1980. E, como os demais países do Leste Europeu, todas enfrentam sérias dificuldades: a instabilidade política e a infro-estrutura pouco confiável afastam os investimentos estrangeiros. Além disso, devido à enorme quantidade de pequenos proprietários e cooperativas desorganizadas, é muito difícil manter a qualidade e a consistência dos frutos, bem como a vinificação adequada: em algumas regiões, menos de 10% das uvas são vinificadas em vinícolas profissionais. Com isso, é ainda grande o número de fraudes e vendas para o mercado negro. Outros problemas recorrentes são as longas distâncias entre os vinhedos e os locais de fermentação e a falta de centros de engarrafamento eficiente, o que afeta drasticamente a qualidade final do produto. Enquanto Mr. Bravante vociferava contra a ofensiva norte-americana para incluir a Ucrânia e a Georgia em sua área de influência militar, o que vinha gerando conflitos bélicos na região desde a queda do Muro, eu e Sabina resolvemos partir de oeste para leste, visitando a Georgia, a Ucrânia e a Moldávia. Na última hora, Mr. Bravante e Nikki resolveram ir conosco. Na Georgia, verifiquei que os principais vinhedos ficam nas encostas do Cáucaso, que os protegem dos vigorosos invernos das estepes russas. A tinta mais utilizada é a local Saperavi, uva de cor profunda, com sabores de futas silvestres e frutas negras, que pode gerar vinhos de qualidade quando submetida à vinificação adequada. A principal cepa branca é a local Mtsvane, cujo vinho pode ser cítrico, fresco e apessegado. O principal investidor na Georgia é a Georgian Wines and Spirits Company, da Pernod-Ricard, proprietária também da Jacob's Creek, que, utilizando técnicas australianas, tem produzido um Saperavi rico em frutas negras que enche a boca, e um Mtsvane fresco e cítrico. Embora Sabina tenha nos alertado sobre a severa legislação local, seguimos completamente alcoolizados pelas gélidas estradas que nos levariam à Ucrânia. A paisagem era belíssima: de um lado, as montanhas do Cáucaso, do outro, as nefastas águas do Mar Negro. Chegando à península da Criméia, verifiquei que, dessa vez, quem protegia suas vinhas do inverno era o Mar Negro. Ao chegarmos, fomos direto à Magarach, onde visitamos um importante centro de pesquisas viticulturais. Em seguida, partimos para Yalta, onde se localiza a Massandra Winery, empresa que controla a maior parte da produção de vinhos da Ucrânia. Localizada numa região quente e ensolarada, produz uvas ideais para a produção de vinhos fortificados e de sobremesa.Construída em 1894 para abastecer o palácio de verão do czar, hoje a adega Massandra é utilizada para finalizar e engarrafar o vinho produzido na região, entre eles o espumante Krim e o Ruby, um corte rústico elaborado a partir das cepas Saperavi, Matrassa e Aleatika. Para se ter uma idéia da qualidade dos vinhos produzidos em Massandra, Mr. Bravante lembrou-nos de um leilão realizado pela Sotheby’s em 2001, quando uma garrafa de Sherry de la Frontera 1775, foi vendida por US$50,000.00. Graças a Nikki, filha de um antigo líder do partido comunista russo, tivemos a oportunidade de degustar um extraordinário Massandra South Coast Tokay 1948, comprado por US$300.00 na loja da histórica adega (veja foto ao lado). Seguimos, então, em direção à Odessa e descemos até chegarmos em Cahul, na Morávia, onde a vinícula Acorex tem realizado pesquisas sob a supervisão de um vinicultor italiano cujo nome esqueci. Os arqueólogs afirmam que se produz vinho na Moldávia há cerca de 5.000 anos e, de fato, os sauvignon blancs e os pinot gris que experimentamos eram espontaneamente frescos e deliciosos. Outra boa surpresa foi o Carlevana Raritet 2003, um corte de cabernet sauvignon, merlot e rara neagra, produzido pela vinícola Dionysos-Mereni. Foi com esse tinto repleto de frutas negras e taninos luxuriosos que, passando pela Ucrânia para retornar ao Azerbaijão, assistimos ao vigoroso show do contrabaixista de jazz ucraniano Igor Zakus. Um dos melhores músicos de jazz daquele país, Igor nasceu em Chervonograd e graduou-se em oboé pela Music Academy of Lviv, embora sempre praticasse o baixo elétrico. Também compositor e professor, Igor foi um dos fundadores do JazzKolo Project e lidera sua própria banda, formada por Dmitry "Bobeen" Alexandrov (ts), Rodion Ivanov (key), Volodymyr Shabaltas (g) e Olexander Lebedenko (d). Considerado o melhor baixo elétrico de jazz da ucrânia, Igor funde elementos folclóricos de seu país com o funky groove da mais alta qualidade, com uma poderosa pegada, repleta de furiosos slaps e uma noção melódica bem determinada. Para os amigos deixo a faixa Zakus Was Here , retirada do álbum Zakus Was Here Live, gravado em 2007. Uma boa safra, não é mesmo Mr. Bravante?

07/06/2009

George Auld & Ice Wine

O indecoroso bolodório havido na última reunião do Clube das Terças – o mais antigo e longevo clube de jazz capixaba – deveu-se a uma atitude aparentemente isenta de dolo: nosso amigo Chico Brahma retirou de uma belíssima sacola da Casa Bonita – simpática loja capixaba de objetos de arte e decoração – um debilitado álbum de George Auld, denominado That’s Auld. Em seguida, anotou que se tratava de um excelente disco de jazz, gravado em 1949 e que injustamente não constava no All Music Guide. Desencadeou-se, daí, alvoroço e tumulto de tão imensa amplitude que o primeiro a fugir do local foi Reinaldo, emérito presidente do Clube, e Garibaldi, seu fiel escudeiro e editor. O sócio André, sempre querendo aparecer mais do que sua estatura permite, iniciou longa dissertação sobre a excelência atual dos vinhos canadenses, sobremodo a partir de 1974, com a instalação da vinícola Inniskillin, produtora de soberbo ice wine, feito com base no Eiswein alemão a partir das uvas Vidal e Riesling, que congelam nas vinhas. João Luiz, socando a mesa e derrubando diversos cd’s piratas que por ali repousavam, perguntou que diabos tem a ver George Auld com ice wine, no que John Lester respondeu prontamente: os dois provêm do Canadá, meu nobre amigo. Do alto de sua elegância e malacia, Lester iniciou caudalosa biografia do moço, ressaltando que, nascido em Toronto, em 1919, parte para os EUA na década de 1920, fixando-se em New York, onde consegue trabalho como saxofonista alto. Em 1936, influenciado pela sonoridade de Coleman Hawkins, passa a tocar o saxofone tenor e, antes de formar seu próprio grupo, ingressa na banda de Bunny Berigan. Lembrando que no Canadá o frio necessário para a produção do ice wine ocorre com mais regularidade que na Alemanha – as uvas são colhidas tardiamente, nos anos em que a temperatura cai abaixo dos 8 graus Celsius negativos, sendo então prensadas e a água congelada é retirada do mosto que, após fermentação, produz um vinho de sobremesa extremamente concentrado e sensual – Lester fez lembrar que, por recomendação de Billie Holiday, Auld é convidado a integrar a banda de Artie Shaw, em 1939. Antes, trabalharia ainda para Jan Savitt e Benny Goodman, até que, em 1943, forma seu próprio grupo, com a presença de músicos como Serge Chaloff, Erroll Garner, Dizzy Gillespie e Stan Levey. Nisso retorna à mesa Reinaldo que, com sua presidencial figura, arremata: embora tivesse capacidade técnica para manter-se firme no mais exigente contexto bop, Auld perambula por big bands do swing, como as de Billy Eckstine e Count Basie. Inquieto, tenta, sem sucesso, a carreira de ator, ao mesmo tempo em que toca em filmes e na televisão, principalmente em Los Angeles. Nem mesmo o câncer lhe retira o fôlego, partindo Auld em inúmeras turnês, inclusive no Japão, onde alcança fragoroso sucesso. Apesar dos estalidos e ressaltos, deixo para os amigos a faixa Mr. Pepper , retirada do lp da Brunswick que Chico Brahma gentilmente nos ofertou. 

Caso ainda reste alguma dúvida sobre ser ou não Auld um tenorista do jazz, recomendo sem traumas o álbum Homage, gravado em 1959 para a Xanadu. Nele Auld presta homenagem aos seus tempos com Benny Goodman, Charlie Christian e Cootie Williams, tocando clássicos do swing na companhia de Don Fagerquist (t), Lou Levy (p), Larry Bunker (vib), Howard Roberts (g), Leroy Vinnegar (b) e Mel Lewis (d). Para os que preferem a pegada west coast, o álbum In The Land of Hi-Fi é a melhor opção. Gravado em 1955 para a EmArcy, conta com a presença brilhante de músicos como Maynard Fegurson (t), Frank Rosolino (tb) e Arnold Ross (p). Saúde!

29/05/2009

Casa Dourada


Um dia ainda descobriremos como Lester prepara aquele suculento filé embrulhado em sal grosso com molho de brassica nigra. Alguns comentam que há pitadas discretíssimas de curry, enquanto outros apostam em leves retoques de noz moscada e mel. Bem, talvez nunca saibamos exatamente o que ocorre no interior daquela pequena cozinha da Casa Bonita, uma simpática loja capixaba de objetos de arte e decoração em Vila Velha. É no quintal ventilado do velho sobrado que acolhe o estabelecimento - onde muitas plantas oferecem um aroma saboroso à brisa marinha - que Lester serve vinhos devidamente climatizados aos seus convidados. Nessa noite tivemos o privilégio de saborear a estirpe completa da vinícola Quebrada de Macul, delicada boutique que injustamente não consta do bom livro 1001 Vinhos Para Beber Antes de Morrer, lançado no Brasil pela Editora Sextante. Éramos seis, aí incluídos o pintor siciliano Nardelli e sua mais nova assistente, Lizza. Lester pensou certo que quatro garrafas dariam conta da tímida demanda. Iniciamos com o vinho básico dessa fantástica vinícola, o Peñalolen 2005, produzido com 85% de cabernet e 15% de merlot, todas colhidas à mão em gamelas de 15kg e amadurecido por ao menos 12 meses em barris de carvalho francês, alguns novos, outros de segunda mão.

Embora com caráter respeitável e preço digno, não chegou a causar nenhuma demonstração de incontrolável entusiasmo, ainda mais que, na cozinha, Lester esmurrava sem piedade algumas indefesas batatas que seriam cozidas com azeite e alho. Lizza, passado o susto inicial, disse a Nardelli, em tom de queixa, nunca ter experimentado batata ao murro. Na verdade, com tanta excitação, criou-se certa expectativa com relação à próxima garrafa, um Alba de Domus 2003. Dessa vez há 95% de cabernet, contra 5% de merlot, amadurecidos por 19 meses em barris de carvalho francês novos (80%) e de segunda mão (20%). Os sedimentos calcáreos do Maipo, devidamente irrigados pela água generosa dos Andes, começaram a determinar a atenção dos convidados, com seu terroir próprio e, podemos dizer, bastante distante e diverso do terroir europeu, tido como modelo irretorquível. Nessa etapa nossos olhares já se dividiam alegremente entre as telas de Nardelli e as lágrimas que escorriam lentas e caudalosas das taças. Praticamente não houve intervalo entre uma rolha e outra: abrimos sôfregos um Stella Aurea 2000, com seus 95% de cabernet savignon, 3% de merlot e 2% de cabernet franc, todas provenientes de vinhedos antigos, com cerca de 30 anos. O amadurecimento ocorre por 18 meses em barris de carvalho francês de diferentes volumes, provenientes de florestas distintas e com torrefação variada. Enquanto Lester discorria animadamente sobre a invenção dos barris pelos gauleses, o aroma da carne contornava nossas narinas e amordaçava os taninos delicados desse vinho espetacular, de cor viva e personalidade intensa e prolongada que, supúnhamos, não poderia ser superado facilmente pela quarta garrafa. Lester aproxima-se então com um Domus Aurea 1999.

Todo o suspense se concentrou no interior das taças, onde o vermelho profundo e brilhante já anunciava que talvez os 19 meses em barril de carvalho francês novo (80%) não tenham sido suficientes para domar os sabores desse tinto que, acredito, não se acovardaria diante do mais potente borgonha que você possa desarrolhar. Com seus 95% de cabernet savignon, 4% de cabernet franc e 1% de merlot, o Domus Aurea fez com que apenas um quadro de Nardelli em homenagem a Pollock e Roland Kirk sobrevivessem aos suspiros dos convidados. Para os amigos fica a faixa Cabin In The Sky . São todos, a exceção do primeiro, vinhos que se beneficiam e aceitam guarda, variando entre 15 e 80 dólares pagos no Chile. Já os quadros de Nardelli - clique para ampliar - esses são um pouco mais caros. É casa, é domus, é cabin, cantarolava Lester enquanto lavava os pratos.

01/05/2009

Acknowledgment

Antes de mais nada gostaria de agradecer a todos os trabalhadores do mundo, esses homens e mulheres simples, quase sempre tementes a Deus, mal pagos e mal nutridos que tornam coisas como o Jazzseen possível. Afinal, todas as iniciativas artísticas exigem ócio e tranqüilidade, além de um generoso pedaço de parmigiano reggiano e uma ou duas garrafas de Peñalolen, aquele cabernet savignon que, como o povo, finge-se de honesto na esperança de, um dia, tornar-se igualzinho ao Alma Viva, seu primo rico que, segundo dizem, nunca herdará o Reino dos Céus. Sim, nossa resenha de hoje é dedicada ao povo trabalhador, essa gente que sorri com pouco e agüenta o tranco dos trens, das epidemias e das crises, tornando viável que pessoas como nós possamos prosseguir em nossa sorridente passagem pela Terra, comendo bem, bebendo bem e ouvindo jazz. Afinal, sem povo não haveria jazz, essa música nascida nos puteiros de New Orleans, inventada por desocupados, vagabundos e sonhadores. Não estivessem quase todos na estiva ou nas lavouras, o que seria de Buddy Bolden e do jazz? O que seria da poesia de Drummond sem aquele empreguinho público que manteve o poeta? Todos nós, escritores, músicos, burocratas e malucos precisamos agradecer diariamente àqueles que abdicam do prazer em vida, vertendo cada gota de seu suor em renda alheia. Em sua simplicidade quase genética, o povo trabalhador nasce, produz e morre, num pacífico e reconfortante ciclo que tem nos permitido gozar a vida numa boa. E, ao contrário daquela estória da cigarra e da formiga, qualquer criança sabe que, no final, quem se dá bem é a cigarra.

Trata-se do famoso Paradoxo de Guinle: o povo unido jamais será vencido; mas também jamais vencerá. A vitória é um atributo essencialmente individual em seu desfecho, e não quer saber de solidariedades nem de comunidades. Mas, voltando ao assunto. Acumulados os recursos necessários, o Jazzseen pretende se tornar, em futuro próximo, mecenas de todos aqueles que, abandonando a vida proletária, têm se dedicado ao jazz, essa arte que exige grau máximo de preguiça e boas doses de scotch. Brevemente nosso projeto Bolsa-Jazzseen “estará sendo” disponibilizado gratuitamente em todos os canteiros de obras, minas de estanho e fornos de carvão. Crianças grávidas e idosos abandonados terão precedência no recebimento dos vales, desde que assumam o compromisso formal de nunca mais cometerem a besteira de trabalhar em público. Os bolsistas que se destacarem no projeto receberão instrumentos descartados pelos músicos da Osesp e religiosamente recuperados pela Oficina Jazzseen. Por fim, só nos cabe agradecer a todos esses homens e mulheres com odores tão característicos, principalmente quando dividem de forma camarada o mesmo velho vagão de trem. E agradecemos com a faixa Acknowledgment , composta por John Coltrane e aqui executada pelo Turtle Island Quartet. O álbum é A Love Supreme: The Legacy Of John Coltrane, lançado pela Telarc em 2007. E, como poderia ter dito Millôr, o trabalho dignifica o patrão.

30/12/2008

Hubbard - Repost II

Nas mãos sonolentas sustento o livro Almanaque Do Samba, do jovem historiador André Diniz, lançado ainda há pouco pela Jorge Zahar. Ele comenta, naquele tom gostoso dos almanaques, entre várias outras coisas, a vergonhosa aposentadoria forçada de Vinícius de Moraes pelo AI 5, em 13 de junho de 1965. No copo, dois bons dedos de Corralillo, um merlot com pitadas de malbec, de 2003. O amigo argonauta, chegado a tintos chilenos, pode comprar sem medo tantas garrafas quanto seu bolso permitir. Ao fundo coloquei uma excelente jam de Freddie Hubbard com Jimmy Heath, registrada clandestinamente por Vernon Welsh e seu gravador portátil. Lançada em cd pela Label M, a qualidade do som surpreende e a música é de primeira, com Gus Simms (p), Wilbur Little (b) e Bertell Knox (d). Se quiser continuar acordado, ouça What Is This Thing Called Love e Autumn Leaves. São 32 minutos de improviso gravados no Famous Ballroom, em 13 de junho de 1965. É logo ali – acima, à direita – no Jazzseen Jam Sessions. Bons sonhos!

29/09/2008

Vinho: Santa Ema Gran Reserva Merlot

Vinho: Santa Ema Gran Reserva Merlot - JL: 6 - Descrição: Ok, você já deve estar saturado dos fortes tintos chilenos, com aquela sua brutal juventude saqueando todos os sabores, sem falar do seu frescor amadeirado capaz de romper as narinas mais tenazes. Eu sei, também tenho sofrido bastante com isso. Mas, apesar de tudo indicar o contrário, não há como deixar de falar do Santa Ema Gran Reserva Merlot, um sensacional tinto a preços surpreendentemente justos. Do gargalo seu aroma já adverte para os prazeres que proporcionará escuro na taça e suave na boca, sem falar de um inusitado terroir, bastante incomum quando falamos dos quentes solos do Novo Mundo. Para os amigos que têm se voltado para as inacessíveis plagas de Borgonha ou Bordeaux, recomendo uma econômica investida nesse tinto amigável, franco e delicado com o palato. Ok, sabemos que Gran Reserva não quer dizer nada a mais que um Reserva, mas tudo bem: o vinho vale ainda que apenas pela persintência adorável. Produtor: Santa Ema - País: Chile - Região: Valle do Maipo - Safra: 2004 - Castas: 100% Merlot - Teor Alcoólico: 13,5% - Faixa de preço: R$60,00 - Vermelho rubi intenso. Aroma de muita fruta como amora e suave cassis, combinandos com caramelo,chocolate e baunilha. Complexo, com notas de baunilha, suaves taninos maduros que lhe dão uma boa estrutura, balanceado e redondo.

25/08/2008

Tigran

Mr. Lester, nós gostamos da Armênia? Claro que sim Mr. Scardua, nós gostamos muito da Armênia. Afinal, foi naquela região próxima ao Mar Negro e às montanhas do Cáucaso, a que os romanos chamavam “o fim de toda a Terra”, que encontramos os primeiros sinais da videira. Sim: caroços de vitis vinifera sativa com sete mil anos de idade foram encontrados por ali, ou seja, foi por lá que nasceu o vinho, Mr. Scardua. Veja só... E o que mais nós gostamos na Armênia, Mr. Lester? Ah, Mr. Scardua, nós gostamos dos músicos daquela terra perdida. Por exemplo: Tigran Hamasyan nasceu em Gyumri, em 1987. Aos dois anos já demonstrava um interesse incomum pela música, preferindo brincar com o piano a carrinhos e bonecos. Aos 3 anos Tigran já cantava coisas do Led Zeppelin, Deep Purple, Beatles e Queens, tentando se acompanhar ao piano. E existem mesmo vídeos dessa época que podem provar o que estou dizendo, levando os pais do garoto a concluírem que a vida de seu filho estava inseparavelmente ligada à música.
Aos sete anos Tigran descobre o jazz e passa a ouvir os clássicos, repetindo-os incansavelmente ao piano dia após dia. Aos dez anos o menino já conhece a fundo o trabalho de Duke Elington, Thelonious Monk, Charlie Parker, Art Tatum, Miles Davis, Bud Powell e outros, bagagem esta que o levaria a uma compreensão ampla e profunda do jazz e de suas técnicas de ritmo e improviso. É também dessa época sua primeira composição. Mas foi em 1998, com sua participação fulminante no First International Jazz Festival of Yerevan, que Tigran foi descoberto e aclamado, passando a receber inúmeros convites para concertos e participações com outros músicos. No segundo Yerevan Jazz Festival Tigran não apenas consolidou a ótima impressão causada no festival anterior, como também teve oportunidade de travar contato com músicos como Chick Korea, Avishai Cohen, Jeff Ballard e Ari Roland.
Através do pianista Stephane Kochoyan, Tigran é apresentado à cena jazzística francesa e européia, participando de uma série de festivais e mantendo contato com músicos como Wayne Shorter, Herbie Hancock, John McLaughlin, Joe Zawinul, Danillo Perez, John Patitucci. Em 2001 toca com os veteranos franceses Pierre Michelot e Daniel Humair. Voltando-se cada vez mais para os estudos de jazz e música folclórica armênia, em 2002 Tigran conquista o terceiro lugar no Martial Solal International Jazz Piano Competition, realizado em Paris. Em 2002 ganha o primeiro lugar no Jazz a Juan Revelations, na categoria jazz instrumental. Nos anos seguintes Tigran grava uma série de álbuns e continua participando de diversos concurso: em 2003 vence o Montreux Jazz Solo Piano Competition. Em 2005 conquista o terceiro lugar no Moscow International Jazz Piano Competition e o primeiro lugar no Monaco Jazz Soloist Competition. Em 2006, Tigran lança pelo selo francês Nocturne seu álbum World Passion, gravado em Los Angeles com Ben Wendel (ts), Francois Moutin (b), Ari Hoenig (d) e Rouben Hairapetyan (duduk, zurna). Em faixas belíssimas, como These Houses, Tigran demonstra um lirismo profundo e cerebral, nos remetendo em alguns momentos a Keith Jarrett, incluindo os desagradáveis gemidos. Em outras faixas mais enérgicas, como em sua versão do classic What Is This Thing Called Love, Tigran parece incorporar sonoridades e estilos que se mesclam, recompondo idéias que vão desde Bud Powell e Wynton Kelly até McCoy Tyner e Cecil Taylor. Outro destaque do album é o contrabaixista, excelente.
Ainda em 2006, mais precisamente no dia 17 de setembro, Tigran conquista o primeiro lugar no Thelonious Monk Jazz Competition, evento que, em minha modesta opinião, tem revelado os maiores talentos do jazz contemporâneo, responsáveis por nossas esperanças em dias melhores para o jazz. E Tigran continua estudando, agora na University of Southern California, em Los Angeles, além de gravar e participar de shows por todo o mundo inteligente da música. Para os amigos, fica a faixa-tributo ( ) Well, You Needn’t, retirada de seu álbum New Era, gravado para a Nocturne em 2007 com os irmãos François (b) e Louis Moutin (d). É fácil notar que, muito além de fazer apenas mais um dos muitos tributos já feitos a Monk, Tigran faz um tributo convincente e, ao mesmo tempo, original. Coisa reservada aos gênios somente. É Mr. Lester... Nós gostamos da Armênia!

26/07/2008

Jazz, vinho e terroir

E lá se foi Johnny Griffin. E então Mr. Lester, nós gostamos de vinho francês? Claro, Mr. Scardua, nós gostamos muito de vinho francês. Mas, Mr. Lester, é verdade que na França se produz também muito vinho de baixa qualidade? Sim, Mr. Scardua, infelizmente é verdade. Embora França e vinho ainda sejam sinônimos, França e vinho já foram mais sinônimos no passado. Ficou a tradição, a cultura, o respeito ao terroir, mas a sinonímia diversificou-se. Hoje podemos afirmar sem medo que Chile e Califórnia também são vinho. E países como Argentina, Nova Zelândia e África do Sul, também são vinho Mr. Lester? Sim, Mr. Scardua. Um fato concreto, que muito aborrece os franceses, são os inúmeros resultados das incômodas ‘degustações às cegas’, onde vinhos chilenos e californianos têm vencido vinhos franceses clássicos. Não há como refutar esta situação. Embora a França continue sendo a referência, sobretudo por sua excelência na produção de uma enorme variedade de vinhos – perdendo apenas para alguns vinhos brancos alemães e os vinhos fortificados de Portugal, o fato é que, em algumas cepas, a primazia francesa está bastante abalada. E como são essas ‘degustações às cegas’ Mr. Lester, os degustadores são vendados? Não exatamente, Mr. Scardua. O que ocorre é que os vinhos submetidos à degustação são apresentados em garrafas sem rótulos ou em taças numeradas aleatoriamente, sem a necessidade, portanto, de vendas. É célebre a degustação desse tipo promovida em 1976 pelo inglês Steven Spurrier, negociante de vinhos que reuniu em Paris alguns dos mais respeitados vinhateiros de Bordeaux e Borgonha, além do Inspetor-Chefe do Institut National dês Appellations d’Origine. Diante de garrafas sem rótulos, aos jurados, todos franceses, foram oferecidos os melhores tintos e brancos da Califórnia e da França, saindo vencedores o tinto Stag’s Leap 1973 (cabernet) e o branco Château Montelena 1973 (chardonnay), ambos do Napa Valley. Não é preciso dizer que o alvoroço foi grande, é claro. Mas, como antiguidade é posto, em qualquer lugar do mundo aonde exista a paixão pelo vinho, a referência continua sendo o vinho francês, nem que seja para considerá-lo inferior a algum outro. Imitada durante tantos anos, a qualidade do vinho francês vem sendo igualada e, em certos casos recentes, ultrapassada por vinhos de outros países.

Mas, Mr. Lester, considerando a enorme quantidade de vinhos franceses diferentes, algum país pode ser comparado à França no quesito variedade? Bem, nesse caso Mr. Scardua, não há mesmo como comparar a França a nenhum outro país, pelo menos por enquanto. Estamos diante de um problema de geografia: a extraordinária variedade de cepas francesas se deve a uma rica variedade de solos e climas que convivem naquele país, daí tanta importância dada pelos franceses ao conceito de terroir. Daí porque somente na França temos coisas como Bordeaux, Médoc, Graves, Sauternes, Saint-Émillion, Pomerol, Borgonha, Chablis, Côte d’Or, Beaujolais, Champanhe, Alsácia, Loire, Sancerre, Pouilly-sur-Loire, Vale do Rhône, Jura, Saboia, Provence, Córsega, Languedoc-Roussillon, Bergerac, Duras, Marmandais, Buzet, Gaillac, Pirineus, Marcillac e tantas outras regiões com seus climas e solos muito particulares. Então terroir é clima e solo, é isso Mr. Lester? Bem, de forma muito resumida, poderíamos dizer que sim Mr. Scardua. Mas terroir não é apenas isso, há outros elementos nesse conceito, alguns de caráter científico, outros de caráter artístico. É como no jazz: porque o trompete de Fabrizio Bosso ( ) soa tão distinto e ao mesmo tempo tão semelhante aos trompetes de Chet Baker e Chris Botti? Será o terroir italiano? E, é certo, somente nos EUA existe um terroir capaz de produzir um Lester Young, um Charlie Parker, uma Billie Holiday e um John Coltrane. Mas, Mr. Lester, antes que nosso tempo acabe, existe algum vinho francês bom e barato à venda por aqui? Bem, considerando frete e tributação, fica difícil para os vinhos franceses competirem com similares chilenos e argentinos, com frete e tributação bem inferiores. Mas, ainda assim, encontramos vez ou outra coisas com preço honesto. Veja, por exemplo, o tinto Côtes du Rhône Belleruche 2006, de M. Chapoutier, um produtor tradicional do Rhône, respeitado inclusive por Hugh Johnson, que lhe dá três estrelas em seu guia 2008. Não é varietal (feito com uma só uva) como estamos acostumados, mas segue a tradição francesa das poções mágicas dos druídas: 80% Grenache e 20% Syrah, como gostava Obelix, a partir de vinhedos selecionados na região do Rhône, cultivados da forma orgânica. A colheita é manual, na maturação ótima das uvas, o que só lhe permite 5 anos de guarda. A vinificação é tradicional, com controle de temperatura, uvas 100% desengaçadas, com 15 dias de maceração. Não há envelhecimento em barris de carvalho (também ao contrário dos vinhos chilenos e argentinos com os quais mantemos contato), mas em tanque de aço inoxidável. Tudo por razoáveis R$48,00. E para acompanhar, Mr. Lester? Alguns solos de Johnny Griffin, Mr. Scardua.

24/06/2008

Vinho: Eureka Nebbiolo

Vinho: Eureka Nebbiolo - JL: 90 - Descrição: Dessa vez nada de promover bons vinhos a baixo custo, o que sempre nos leva à escassez do produto em virtude das investidas de salteadores ensandecidos aos mercados e quitandas capixabas, como Mr. Salsa e seus aceclas. Dessa vez falaremos de um dos vinhos do homem que conseguiu realizar a quadratura do círculo apenas com régua, compasso e duas taças de um tinto espetacular. Roberto Cipresso iniciou sua carreira como enólogo em 1987 na Toscana, elaborando um excelente Brunello di Montalcino Riserva que o fez presente em importantes publicações em Chicago, Nova Iorque e Londres. Em 1992 já produzia seus próprios vinhos. Daí em diante inúmeros reconhecimentos não pararam de surgir, inclusive o de melhor enólogo da Itália com o Oscar do Vinho 2006. Sua filosofia hoje se baseia no desenvolvimento natural das vinhas e na mais pura expressão de seu terroir, refletido diretamente na personalidade de seus vinhos. Onde os terroirs se completam e se equilibram com perfeição. País: Itália - Uva: 100% Nebbiolo - Produtor: Roberto Cipresso Wines - Tipo: Tinto - Preço: De quadrados R$300,00 por circulares R$150,00 na World Wine.

19/06/2008

Vinho: Eureka Nebbiolo

Vinho: Eureka Nebbiolo - JL: 90 - Descrição: Dessa vez nada de promover bons vinhos a baixo custo, o que sempre nos leva à escassez do produto em virtude das investidas de salteadores ensandecidos aos mercados e quitandas capixabas, como Mr. Salsa e seus aceclas. Dessa vez falaremos de um dos vinhos do homem que conseguiu realizar a quadratura do círculo apenas com régua, compasso e duas taças de um tinto espetacular. Roberto Cipresso iniciou sua carreira como enólogo em 1987 na Toscana, elaborando um excelente Brunello di Montalcino Riserva que o fez presente em importantes publicações em Chicago, Nova Iorque e Londres. Em 1992 já produzia seus próprios vinhos. Daí em diante inúmeros reconhecimentos não pararam de surgir, inclusive o de melhor enólogo da Itália com o Oscar do Vinho 2006. Sua filosofia hoje se baseia no desenvolvimento natural das vinhas e na mais pura expressão de seu terroir, refletido diretamente na personalidade de seus vinhos. Onde os terroirs se completam e se equilibram com perfeição. País: Itália - Uva: 100% Nebbiolo - Produtor: Roberto Cipresso Wines - Tipo: Tinto - Preço: De quadrados R$300,00 por circulares R$150,00 na World Wine.

09/04/2008

Vinho: Chaminé Tinto 2006

O problema de promovermos bons vinhos a bons preços no Jazzseen é que Mr. Salsa logo parte aos mercados e quitandas locais, levando consigo todas as botijas que consegue abraçar. Foi assim que tivemos liquidado o estoque do chileno Porta Reserva, vendido em território capixaba por módicos R$27,00. Por precaução, então, elevaremos um pouco o preço de nosso vinho recomendado, um jovem tinto alentejano produzido pela vinícola Cortes de Cima (vale visitar o site http://www.cortesdecima.pt/) e que pode ser encontrado no Carone e no posto Moby Dick (Praia da Costa). Segundo Paula Nadler o Chaminé "revela aromas a cereja, frutos silvestres e especiarias, assim como uma agradável frescura que o torna muito atrativo e cativante. Médio de corpo. No paladar, sente-se alguma doçura e uma delicada e generosa fruta; os taninos de suporte presentes fornecem ao vinho um equilíbrio e uma estrutura assinalável. Excelentes sabores, pouco habituais num tinto deste nível de preço. Está pronto a ser bebido mas irá melhorar em garrafa nos próximos 3 anos". Seja lá como for, fica perfeito com um filé alto ao molho de mostarda. País: Portugal - Uva: Aragonez 51%, Syrah 37%, Trincadeira 4 % Touriga Nacional 4%, Cabernet 4% - Produtor: Cortes de Cima - Tipo: Tinto - Preço: Honestos R$45,00. Avaliações: WS: 85, WE: 85, RP: 86, JL: 88.

29/02/2008

Comer bem é a melhor vingança

Prezados amigos, estou repassando o e-mail que me foi enviado por Dâmaris Lorenzoni, do Restaurante Don Lorenzoni, lá em Venda Nova, onde acontecerá um jantar daqueles, na noite de 8 de março. Mr. Salsa, Bruno Venturim e Josias Pedrosa estarão encarregados da trilha sonora. Para quem acredita que comer bem é a melhor vingança, eis os detalhes do e-mail: "Queridos amigos e clientes. O inverno já chegou nas montanhas capixabas – viva! Estamos nos programando para recebê-los com todo carinho. Pra começar a temporada de delícias, e em homenagem às mulheres, vamos curtir um pouco de jazz com o trio de jazz formado por Salsa (sax e voz), Bruno Venturim (teclados) e Josias Pedros (baixo acústico), de Vitória. E o Don Lorenzoni não poderia deixar de arrasar no menu – vejam só: Entrada: Pérolas de foie gras em conchas de cereja. Bebida: Espumante brutt Toso. Primeiro Prato: Tour de trutas aos molhos de queijo de cabra com pistache, mântova e crocante de maracujá, acompanhado de purê de maçã verde. Vinho: Vinho chileno Carpe Dien – Chardonay – safra 2006. Segundo prato: Strudel de coelho com cogumelos frescos, acompanhado de risoto de grãos. Vinho: J Bouchon Chile – Carmenere/Shiraz – safra 2006. Sobremesa: Abacaxi grelhado com Nougat Glacê de hortelã e macadâmias. Vinho: Carpe Dien Ambrósia – moscatel de alexandria. Essa noite de sonhos vai lhes custar 130 reais por pessoa. O show vai começar às 9 da noite e já estamos aguardando sua reserva, por email ou por telefone (28-8114 1841). Ficaremos felizes em vê-los novamente. Vamos agora, dar uma palhinha da programação anual, ainda sujeita a mudanças, só pra deixar todo mundo de água na boca. - 5 de abril: Acústico: Wilson e Regina - Maio: Zizi Possi cantando italianos - 14 de junho: Moda de viola com Edinho Ferreira - 18 e 19 de Julho: Lucas Doro - cantor lírico apresentando Tom Jobim - 10 de Agosto: sarau literário com lançamento de audiobook da poetisa Cecília Brum - 11 de outubro: 50 anos do chef Fernando (não conte pra ele, mas é surpresa) - 22 de novembro: Thanksgiving - 6 de dezembro: Advento - violino.

17/02/2008

Vinho: Porta Reserva 2006

Vinho: Porta Reserva 2006 Cabernet Sauvignon & Carmenere - 6 pontos na John Lester Spectator - Descrição: Depois de garantir ao menos 12 botijas de cada uva, anuncio a Mr. Salsa e demais leitores esporádicos desse remediado blog que encontrei nas prateleiras do Supermercado Perin (Vila Velha - ES) uma daquelas afortunadas e raras bênçãos: um vinho de excelente qualidade, reserva até, por módicos R$25,00. Isso mesmo, duas uvas muito bem envelhecidas por 12 meses em barris de carvalho francês por apenas 25 reais. A vinícola Porta começa em 1954, quando a família espanhola Gutiérrez-Porta desembarca no Vale Alto Cachapoal, ao sul da cidade histórica de Rancagua. Inicialmente vendiam sua produção para as vinícolas chilenas tradicionais, até que, em 1991, decidiram lançar sua própria linha, sob o nome de Casa Porta, tornando-se assim uma das primeiras boutiques do Chile. Em 1997, a Viñedos y Bodegas Córpora SA compra a Casa Porta e, sob nova administração, inicia novo projeto, orientado sob o conceito de “terroir” e focando consumidores específicos, interessados em vinhos finos de pequenas vinícolas. Corra e aproveite!. Pais: Chile - Uva: Cabernet (Aconcagua) ou Carmenere (Maipo) - Produtor: Casa Porta - Tipo: Tinto - Preço: Inacreditáveis R$25,00.

13/11/2007

Bacus

Prezada Lester, no dia 21 de Novembro, 20:00h, estaremos na Aleixo com meu amiga Jacques Prieur, reconhecida enólogo french e diretora-presidente de vinícola Domaine, situado na região da Borgonha. Quero que você vá até ali para conversar comigo, que tem várias meses que não encontramo-nos. Para que essa ocasião seja igualmente agradável todos, o seu amiga Chef Juarez Campos elabora cuidadosamente um menu degustação, harmonizado pela sommelier Boris Acevedo com vinhos desta renomada região. Segue assim:

Menu

1º Prato
Timbale de Pato com Alho-porró em Duas Texturas
Louis Picamelot, Cremant de Borgonha 2004.

2º Prato
Raviole de Galinha D'Angola Trufado
Domaine Jacques Prieur, Clos Mathilde 2004.

3º Prato
Bacalhau Light Salted sobre Lentilhas de Puy
Domaine Jacques Prieur, Clos de Mazeray 2004.

4º Prato
Cordeiro ala Bourguignon sobre Mousseline de Batatas e Nabo
Domaine Jacques Prieur, Champs Pimont 2003.

Sobremesa
Pêras ao Vinho com Especiarias e Sorvete


* Valor: R$ 200,00 por pessoa. Reservas (27) 3235 9500 - Rua Aleixo Neto, 1.204 - Praia do Canto - Vitória - ES.

15/09/2007

Direto de Ouro Preto

As coisas não poderiam estar melhores por aqui. Mr. Salsa já faturou a passagem de volta para Vitória tocando à capela em frente à Catedral dos Misericordiosos Três Reis Magos, a mais antiga de Ouro Preto. Enquanto isso, no palco do Palácio Diamantina, Omer Avital detonou com seu quinteto, sem dúvida alguma o melhor show do Festival até o momento. O tempo está ótimo, com muito sol durante o dia e aquela temperatura noturna que dispensa o resfriamento do vinho. Mr. Lester descobriu uma boa safra de Carpe Diem 2005 a preços justos na quitanda do Seu Vidal. Ingrid e Madeleine, cada uma a seu modo, não nos convenceram: as duas tentam atingir um estilo próprio, desvinculando-se das primeiras influências. A linguagem repleta de bebop de Ingrid cede lugar a uma releitura confusa de Miles Davis, enquanto o blues e os ecos de Billie Holiday foram renegados por Madeleine, que mergulhou definitivamente no pop menos singular. As duas pecam, uma pelo excesso, a outra pela superficialidade. Mas, como dizem por aqui, tudo é jazz. Hoje à noite esperamos muito de Donato e Shank, além do quinteto de Castro-Neves. Grande abraço a todos e até a próxima!

27/08/2007

Aurea mediocritas

Não demorou quase nada para que Miguel Marvilla tomasse conta do bate papo que se desenrolava numa das mesas da Livraria Logos do dia 25 de agosto, na Leitão da Silva, Vix. Era dia de comemorarmos o lançamento do livro A Longa História, de Reinaldo Santos Neves. Foi um sábado daquele, devidamente ensolarado e feliz, com edição pela Bertrand Brasil. Como todo grande poeta, Marvilla apelou para um velho tema, daqueles que se guardam na manga para essas ocasiões, o da complexidade da prova negativa. Num certo ponto, exclamou: não se pode provar que algo não existe. Um silêncio incômodo invadiu toda a livraria e uma parte sem sol da calçada. Lembrei logo de que não existe nenhum álbum de John Coltrane tocando fado - e eu posso provar que tal álbum não existe, mas não quis estragar o efeito dialético da frase. Quem toca fado, como demonstra Francisco Grijó, é Chico Buarque. Como se não bastasse, e enquanto nos recuperávamos da avassaladora assertiva, Marvilla salpicou que o melhor curso de todos é o curso de História. A confusão foi geral, os debates se acaloraram e, num último lance apoteótico, o poeta, levantando-se da mesa, fez dizer: fugere urbem, carpe diem, aurea medio­cri­tas. Entre atônitos e irados, vários debatedores rumaram ao bar da casa, onde, com o garçom certo e alguma gorjeta extra, se podia obter uma honesta meia taça de Domus Aurea. Enquanto o povo corria de um lado para o outro, eu só conseguia me lembrar do terrível filme Sociedade dos Poetas Mortos, com o chatíssimo Robin Williams incitando os jovens a pularem pelas janelas. Lembrei também de Augusto, o imperador, que em seu leito de morte murmurou: acta est fabula. Verifiquei que Oscar Wilde tinha razão quando disse que o mundo é um palco onde os papéis são mal distribuídos. Miguel Marvilla e Reinaldo Santos Neves são desses atores que merecem papéis principais. Sem acesso ao Domus Aurea, compreendi que caberia a mim vagar pela rua durante algum tempo, até esbarrar na Casa do Porto, onde encontraria o bom cabernet Carpe Diem 2005 por justificáveis R$35,00. Segui então para Parnaso, onde Apolo cantava às musas: cor vermelha rubi profunda, com tons violáceos. Intenso e complexo nariz, com muito cassis e um pouco de mentol. Frutos vermelhos, com taninos suaves e delicados. Com bom corpo e boa acidez, estruturado e com persistência média. Vinho para ser consumido jovem. Excelente acompanhante de carnes de caça, peru e vitela. Conteúdo: 750ml. Claro que, por R$450,00, você leva um Domus Aurea com um poema de Marvilla. Mas isso, isso é para os mecenas.

15/12/2006

Matetic

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Pois é, o Natal chegou e com ele sempre vêm o bacalhau e o vinho. John Lester não é um especialista em vinhos, um enólogo, sommelier ou conaisseur. John acredita apenas que o bom vinho é aquele que nos agrada e que podemos comprar. Sendo assim, faço minha singela recomendação para esse Natal de 2006: trata-se de um Matetic EQ Syrah 2002 produzido no Chile pela vinícola Matetic. Localizada numa região chilena ainda pouco conhecida, essa jovem vinícola já produz alguns vinhos incríveis, alguns deles classificados entre os 100 melhores vinhos do mundo e com avaliações que chegam a 92 pontos pela Wine Espectator. Além de oferecer visitações regulares e serviços de degustação, a vinícola também dispõe de simpáticos chalés para acomodar aqueles que quiserem passar alguns dias a mais na região, onde encontrarão uma paisagem bucólica, clima agradável e um restaurante que promete. Os pacotes podem ser analisados pelo navegante no site http://www.mateticvineyards.com/ onde você encontra muita informação e fotos sobre o lugar.

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Para os navegantes que não estão dispostos a desembolsar cerca de R$300,00 por uma botella de Matetic EQ, existe outra boa opção da mesma vinícola, que é o Corralillo merlot & malbec reserva 2003, na faixa de R$100,00. Os dois vinhos são excelentes e podem ser encontrados na Casa do Porto: Rua Aleixo Neto, 1204 - Praia do Canto - Vitória - ES - Telefone: (27) 3225-3260 - E-mail: eduardo@casadoporto.com - Site: www.casadoporto.com
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Feliz Natal