Não encontraremos nela um Clifford Brown, nem uma Billie Holiday. Talvez porque músicos assim sejam únicos, como certas cepas que produzem vinhos específicos e inigualáveis. Ou talvez porque a proposta aqui é simplesmente outra, mais destilada, aproximando-se daquela vodka no fundo de um bar. Apaixonada pela música, Michelle começou a tocar escondida o trompete do irmão quando tinha apenas sete anos. Ainda que o médico recomendasse menos esforço, em virtude da asma, a menina não apenas passou a tocar mais como também passou a cantar, retirando fôlego não se sabe de onde. Aos dezessete a moça já estava em turnê, tocando e cantando, inclusive na Europa. Seus estudos dedicados ao jazz são relativamente recentes (década de 90’), mas a base já havia sido obtida na Universidade de Illinois, onde estudou trompete e canto. Como ela mesma confessa, suas influências são múltiplas, desde Miles Davis, Hot Lips Page, Ruby Braff, Thad Jones, Chet Baker no sopro, até June Christy, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald na voz, passando também por gente como Tom Jobim, Bill Evans e Cat Stevens. Seja lá como for, aqui você encontra o álbum da artista por US$0.51, conforme nossa dica anterior. Para os amigos fica a faixa ( ). Até! 05/07/2008
Elas também tocam jazz - Michelle Latimer
Não encontraremos nela um Clifford Brown, nem uma Billie Holiday. Talvez porque músicos assim sejam únicos, como certas cepas que produzem vinhos específicos e inigualáveis. Ou talvez porque a proposta aqui é simplesmente outra, mais destilada, aproximando-se daquela vodka no fundo de um bar. Apaixonada pela música, Michelle começou a tocar escondida o trompete do irmão quando tinha apenas sete anos. Ainda que o médico recomendasse menos esforço, em virtude da asma, a menina não apenas passou a tocar mais como também passou a cantar, retirando fôlego não se sabe de onde. Aos dezessete a moça já estava em turnê, tocando e cantando, inclusive na Europa. Seus estudos dedicados ao jazz são relativamente recentes (década de 90’), mas a base já havia sido obtida na Universidade de Illinois, onde estudou trompete e canto. Como ela mesma confessa, suas influências são múltiplas, desde Miles Davis, Hot Lips Page, Ruby Braff, Thad Jones, Chet Baker no sopro, até June Christy, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald na voz, passando também por gente como Tom Jobim, Bill Evans e Cat Stevens. Seja lá como for, aqui você encontra o álbum da artista por US$0.51, conforme nossa dica anterior. Para os amigos fica a faixa ( ). Até! 04/07/2008
02/07/2008
John Coltrane também não vem
Após a resenha em forma de denúncia oferecida por nosso amigo Grijó, fiquei perplexo diante de outra atrocidade cometida contra o jazz: John Coltrane também não vem à Vitória! A eliminação gradativa da expressão individual faz parte de um amplo projeto de imbecilização das massas, da padronização das ofertas, das opções e das escolhas culturais, tornando, assim, o mercado consumidor de cultura previsível, acrítico e indefeso diante dos imensos monopólios econômicos que enlatam cultura. O fim do Estado, com a degradação crescente e acelerada das escolas, hospitais, praças, presídios, bibliotecas, museus e principalmente dos banheiros públicos, reflete bem a imagem de abandono em que vivemos. Somente alguns poucos espaços privados, reservados a um número decresente de privilegiados, funcionam satisfatoriamente. E não estamos nos referindo apenas ao Brasil ou à África: quadro idêntico vem se modelando também na Europa e nos EUA. Cultura diversificada, oportunidade de expressão, liberdade de escolha, direitos assegurados e outros bens que nossa civilização demorou séculos para estabelecer, estão sendo lentamente destinados a alguns poucos eleitos, de acordo com sua conta bancária e não com sua capacidade de ouvir jazz.Nesse quadro neo-medieval nada mais politicamente correto do que abaixar a cabeça, submeter-se à força do capital, aplaudir o rei nu e reeleger indivíduos que vendem o sonho da igualdade a uma população desvalida cultural, nutricional e economicamente. O aniquilamento do jazz, nesse cenário, é fenômeno mais do que natural e previsível, ainda mais quando reconhecemos que a expressão individual deve ceder espaço ao padrão cultural da maioria que, se analisado cuidadosamente, não constitui padrão algum, uma vez que para cada opinião individual existe uma arte, tão válida quanto qualquer outra. A questão não é essa, a questão é o aniquilamento de certas formas de arte pelo simples fato de serem mais elaboradas, mais exigentes, mais caras ou menos compreensíveis num primeiro contato.
Arte e democracia, sabemos bem, sempre tiveram uma convivência difícil. Ainda assim, mal ou bem, sempre conviveram e frutificaram. Já arte e ditadura não são compatíveis, não conseguem conviver e frutificar. Ou vence a arte, ou vence a ditadura. A arte tem dessas manias, não tolera amarras, não tolera modelos, não tolera falta de sensibilidade e emoção. No caso específico da ditadura dos imbecis, como a existente hoje no Brasil, a única arte capaz de sobreviver é aquela alimentada por clamores populares ingênuos, desinformados e pouco articulados intelectualmente. Ora, quem pode, em sã consciência, aceitar satisfeito a falência das orquestras sinfônicas Européias e aplaudir a proliferação de bandos de tocadores de tambor e de duplas caipiras plantando tomate? Bem, é verdade que o bumbo, o berimbau e a viola caipira possuem seu valor cultural incontestável, é certo. E podemos até aceitar que surja, em tese, alguns concertos para agogô e orquestra na terra do pau-brasil. Mas lamento ver que, nesse processo, o piano e o órgão, as sinfônicas e as filarmônicas, os trompetes e os saxofones estejam sendo aniquilados em nome do acesso à cultura.
E não me venham dizer que não existe cultura melhor que a outra. Essa afirmação só produz efeito ou convencimento naquele indivíduo desprovido de oportunidades, limitado a um quadro cultural pobre, míope e pouco diversificado. Quem ouviu Charlie Parker ao vivo, como Jorge Guinle, sabe do que estamos falando. Quem ouviu Pixinguinha ao vivo, como meu pai, também sabe. Eu ouvi Clementina de Jesus e sei do que estou falando. As aberrações culturais de hoje, como Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Tiririca, Djavan, Olodum, Supla, Xitãozinho e Xororó são apenas alguns dos muitos exemplos de padronização cultural baseada no mínimo, no menor, no pobre, no pouco. Artistas desse calibre são facilmente manipuláveis por organismos industriais como Rede Globo ou outras fábricas de papel higiênico. Agora eu pergunto: como domar um Sonny Rollins? Como domar um Thelonious Monk? Como domar um Egberto Gismonti? Como domar um Vitor Assis Brasil? Que o poetinha venha em nosso socorro. Ou seja, a melhor arte existe e é aquela que lhe dá prazer, que lhe causa sensações, emoções. Que produz sorriso e lágrimas.
Claro que não defendo a elitização da arte ou a eliminação de determinadas formas de arte, não mesmo. Que venham os tambores, mas que não exterminem os pianos. A elitização da arte só ocorre em virtude do miserável estado em que a maioria da população é obrigada a sobreviver, acordando de madrugada, submetendo-se a horas e horas de péssimo transporte, trabalhando muitas vezes mais de uma jornada para, ao final, retornar para seu vale-pardieiro. Obviamente essa maioria não terá acesso, quando tem, a outra arte que não seja a determinada pelas organizações globais e pelo ministro da cultura. A grande arte requer ócio, tempo, espreguiçamentos lentos, tanto em sua feitura quanto em sua apreciação.
Nesse quadro veloz do trem bala e do hamburguer com sabor de plástico, o jazz e a música clássica européia estão morrendo lentamente, acusados injustamente de elitistas quando, na verdade, expressam em seus versos séculos de evolução, estudos, experiências, alegrias e tristezas nascidos de homens como nós, saídos de ventres. A eliminação do jazz, nesse contexto amplo, é ainda mais grave, na exata medida em que enterra a mais importante expressão musical do século XX, uma expressão nascida do grito, da dor e da revolta negra ao modelo de liberdade branca imposto aos escravos africanos que foram levados à força para os EUA. A repercussão do jazz no cinema, na fotografia, nas artes plásticas, nas idéias e nos comportamentos se fez sentir primeiramente na Europa, espalhando-se depois ao redor do mundo, criando condições para que a expressão individual tivesse o seu espaço, alterando, assim, o quadro monótono da arte vendida em compotas idênticas, com sabores idênticos. A morte do jazz, antes de representar tão somente a morte de um estilo musical, remete à morte da possibilidade de cada um ter seu canto, sua voz. O desaparecimento do jazz é também o desaparecimento da felicidade, da alteridade, do inusitado e do encantamento. Perdida a hipótese da surpresa, não há mesmo espaço para Sonny Rollins. Nem para John Coltrane. Nós sabemos que aquele arrepio, só com jazz ou beijo na nuca.
Confesso: preciso das pessoas malucas que ouvem e fazem jazz. Olhe ao seu redor e veja só onde as pessoas normais nos levaram.
Vai mais uma taça Mr. Salsa?
01/07/2008
Tudo é jazz 2008
O Festival Tudo é Jazz 2008 vem aí! Acontecerá em Ouro Preto, entre os dias 11 e 14 de setembro. Segue a programação, excelente por sinal, desse que, para mim, é o melhor festival de jazz do Brasil. E não deixe de concorrer aos passaportes que serão sorteados pelo Clube de Jazz. A sétima edição do festival Tudo É Jazz de Ouro Preto apresenta novidades em relação ao evento realizado em 2007. No palco principal, no antigo Parque Metalúrgico, cada noite será dedicada a um tipo de jazz. Na quinta (11/09), que pertence ao jazz francês, haverá representantes da nova geração (Yaron Herman), do jazz mainstream (Bojan Z e Michel Portal) e da new age (Hadouk Trio). Na sexta (12/09), os grupos estão relacionados à nova safra de talentos jazzísticos, que giram em torno do jazzclub novaiorquino Small’s e do selo Anzic: Omer Avital, Anat e Avishai Cohen, Jason Lindner e mais o trio do guitarrista Kurt Rosenwinkel. No sábado (13/09), nada melhor que o bom jazz americano, com as presenças dos grupos comandados pelo contrabaixista Christian McBride, pelo trompetista de New Orleans Nicholas Payton e pelo cantora Karrin Allyson; e de quebra o jazz latino do pianista cubano Omar Sosa. No domingo (14/09), show em grande estilo para homenagear Milton Nascimento, com direito a Wayne Shorter e Ron Carter.Parque Metalúrgico
11 de setembro - Quinta-Feira
19h00 - Yaron Herman TrioYaron Herman (piano)Matt Brewer (contrabaixo)Gerald Cleaver (bateria)
20h30 - Bojan Z TrioBojan Zulfikarpasic (piano e fender rhodes)Thomas Bramerie (double bass)Martijn Vink (bateria)
22h00 - Hadouk TrioDidier Malherbe (doudouk, flautas, ocarina, sax-soprano, khen)Loy Ehrlich (hajouj, kora, sanza, gumbass, claviers)Steve Shehan-Mouflier (percussão)
24h00 - Michel PortalMichel Portal (sax e clarineta)Bojan Z (piano)Bruno Chevillon (baixo)
12 de setembro - Sexta-Feira
19h00 - The Third World LoveOmer Avital (contrabaixo)Yonatan Avishai (piano)Daniel Freedman (bateria)Avishai Cohen (trompete)
20h30 - Kurt Rosenwinkel TrioKurt Rosenwinkel (guitarra)Eric Revis (baixo)Obed Caivaire (bateria)
22h00 - The 3 CohensAvishai Cohen (trompete)Anat Cohen (sax-tenor e clarinete)Yuval Cohen (sax-soprano)Aaron Goldberg (piano)Omer Avital (contrabaixo)Jeff Ballard (bateria)
24h00 - Jason Lindner Big BandJason Lindner (piano e teclado)Omer Avital (contrabaixo)Jeff Ballard (bateria)Yosvany Terry (sax-alto e chekere)Jay Collins (sax-tenor e soprano, flauta e vocais)Anat Cohen (sax-tenor e clarinete)Chris Karlic sax-barítono)Avishai Cohen (trompete)Duane Eubanks trompete)Joe Fiedler (trombone)Joe Beatty (trombone)
Dia 13 de setembro - Sábado
19h00 - Karrin Allyson BandKarrin Allyson (vocais)Todd Strait (bateria)Rod Fleeman (guitarra)Ed Howard (contrabaixo)
20h30 - Nicholas Payton BandNicholas Payton (trompete)Marcus Gilmore (bateria)Vicente Archer (contrabaixo)Daniel Sadownick (percussão)Kevin Hays (piano e teclado)
22h00 - Omar Sosa QuartetOmar Sosa (piano)Childo Tomas (contrabaixo)Mola Sylla (vocais)Marque Gilmore (bateria)
24h00 - Christian McBride BandChristian McBride (contrabaixo)Eric Reed (piano)Carl Allen (bateria)Steve Wilson (saxofone)Warren Wolf (vibrafone, piano e teclado)
19h00 - Karrin Allyson BandKarrin Allyson (vocais)Todd Strait (bateria)Rod Fleeman (guitarra)Ed Howard (contrabaixo)
20h30 - Nicholas Payton BandNicholas Payton (trompete)Marcus Gilmore (bateria)Vicente Archer (contrabaixo)Daniel Sadownick (percussão)Kevin Hays (piano e teclado)
22h00 - Omar Sosa QuartetOmar Sosa (piano)Childo Tomas (contrabaixo)Mola Sylla (vocais)Marque Gilmore (bateria)
24h00 - Christian McBride BandChristian McBride (contrabaixo)Eric Reed (piano)Carl Allen (bateria)Steve Wilson (saxofone)Warren Wolf (vibrafone, piano e teclado)
Ingressos (Vendas a partir de 01/08/2008)
Cada dia: R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia);
Passaporte para os 3 dias: R$ 380,00 (inteira) e R$ 190,00 (meia)
Cada dia: R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia);
Passaporte para os 3 dias: R$ 380,00 (inteira) e R$ 190,00 (meia)
Obs: os meios-ingressos estão liberados para estudantes com carteira de validade nacional, menores de 18 anos com carteira de identidade e para idosos acima de 60 anos, mediante a apresentação da carteira de identidade.
Palco Largo do Rosário (Shows gratuitos)
11 de setembro - Quinta-feira
17h00 - Maria Bragança Quarteto
18h30 - Rodica e Pererê : “Rosário de Peixes”
20h00 - Dudú Lima e Banda
21h30 - BH Gypsy JazzRodolfo Padilla (violino)Nívea Raf (violão semi acústico e voz)Marcella Maranhão (contrabaixo)Marcelo Lopes (guitarra semi acústica)Geovane Paiva (violão semi acústico)
12 de setembro - Sexta-feira
17h00 - The Kholwa Brothers (África do Sul)
18h30 - Mola Sylla (Senegal) & Maurício Tizumba (Brasil)
20h00 - Hermeto Paschoal & Aline Morena (Brasil)
21h30 - Spok Frevo Orquestra (Recife)Convidados: Nivaldo Ornellas, Genaro e Armandinho
13 de setembro - Sábado
17h00 - Wild Magnolias (New Orleans)
18h30 - Free Agent Jazz Band (New Orleans)
20h00 - Charmaine Neville (New Orleans)
21h30 - Creole Zydeco Farmers (New Orleans)
Homenagem a Milton Nascimento
Dia 14 de setembro - Domingo
17h00 – Orquestra Sinfônica de Minas GeraisMaestro: Sílvio ViegasDireção Artística: Túlio MourãoArranjos: Túlio Mourão, Wagner Tiso e Nelson Ayres
18h00 - Milton Nascimento BandMilton Nascimento (vocais)Wilson Lopes (violão e guitarra)Lincoln Cheib (bateria)Kiko Continentino (piano e teclado)Gastão Villeroy (contrabaixo)Widor Santiago (saxofone)Marcos Lobo (percussão) - Convidados especiais: Wayne Shorter (sax-tenor e soprano)Ron Carter (contrabaixo)
Maiores informações: http://www.tudoejazz.com.br/
Em Vitória, não!
Era de se esperar: Vitória, capital do ES, não receberá Sonny Rollins. Não me refiro, claro, a uma visita fortuita, mas a apresentações - no TIM Festival - do mais importante saxofonista vivo, que, segundo informações, vai dar as caras apenas em SP (dois shows) e no RJ. É lamentável. Em 1985, fui ao já inexistente Free Jazz Festival, e pude assistir, de cadeira consideravelmente distante, àquilo que considerei a essência do jazz: Sonny Rollins e seu sopro musculoso, a melodia levada a conseqüências últimas, uma sonoridade inequívoca (e muito pessoal) e sem rivais em sua época. Mas o grande show, à vera - e gratuito -, foi no espaço do Parque da Catacumba, com direito a uma paisagem digna dos árcades: do mirante se podia (acredito que ainda se possa) ver o Morro Dois Irmãos, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Cristo, a Pedra da Gávea. Aplaudi como um energúmeno. Certo, certo: o TIM Festival não é um evento jazzístico - pelo menos não essencialmente. Bebel Gilberto, Amy Winehouse, Björk & outras criaturas não me dizem muita coisa, mas o saxofonista Joe Lovano (a cuja apresentação não assisti) e o pianista Herbie Hancock já tocaram por aqui. Este último - veja só! - foi menos aplaudido que o violonista careteiro Yamandú Costa. Só em Vitória. Fico imaginando (uma irônica e impossível hipótese) Sonny Rollins apresentando-se após uma banda local - Casaca, por exemplo - e sendo menos ovacionado. Por esse motivo ele não vem? Só em Vitória, mesmo.Para quem não conhece: clique aqui, aqui ou aqui. Leia mais aqui sobre o Tim 2008.
Assinar:
Postagens (Atom)