20/10/2008
14/10/2008
Só por hoje

Talvez seja só por hoje, mas o fato é que Mr. Salsa (saxes alto e tenor, clarinete, voz, cuíca e bandoneon), Afonso Abreu (contrabaixo acústico) e Pedro Alcântara (teclados) farão jazz hoje, dia 14 de outubro de 2008, no Balacobaco (Praia do Canto, próximo ao Centro da Praia, Vitória-ES). Correndo por fora, Flávio, o dono do bar, festejará o 2° lugar no concurso Roda de Boteco conquistado pelo petisco "embola rabo" que, segundo nosso criterioso provador de cachaça João Luiz, cai harmônico com a persistente e floral branquinha de Brumadinho, Segredo do Patriarca, envelhecida 12 meses em parol de concreto parafinado, mais 6 meses em tanque de inóx. Eu cá com meus botões, considerando que o petisco do Balacobaco já se mantém há três anos entre os três melhores de Vitória, recomendo uma generosa dose da suculenta Domina Suave (Gentil Senhora em latim), devidamente repousada durante 24 perfumados meses em barris de jatobá que, dizem os indígenas, é afrodisíaco. Só por hoje, ok?
10/10/2008
05/10/2008
01/10/2008
Dizzy for President
Em face do triste quadro eleitoral que se agiganta diante de nossos olhos, confirmando a História da democracia, só nos resta mesmo o bom humor. E bom humor Dizzy Gillespie, o genial trompetista que infligiu severas sunfas em Miles Davis, tinha de sobra. Foi assim que, ainda no início de sua carreira, é expulso da banda de Cab Caloway por lançar bolinhas de papel nas costas do líder. O atrevimento de Dizzy desconhecia limites, o que o levou a candidatar-se duas vezes à presidência dos EUA. A primeira delas, e a que causou maior impacto, foi divulgada na capa da Down Beat de 5 de novembro de 1964: lá estava Dizzy, de fraque e cartola, jurando sua candidatura diante de Chris White, Rudy Collins, James Moody e Shelly Manne. Estava lançada a dúvida: seria mais uma inacreditável brincadeira de Dizzy ou estaria ele se candidatando mesmo à presidência? O texto da Down Beat não esclarecia, limitando-se a informar que “o trompetista de 47 anos, nascido em Cheraw, N.C., prossegue em sua campanha política, baseada em sólidos princípios, tais como: inteligência e humor perante a vida, dedicação à defesa dos direitos dos negros e muito jazz. Na entrevista concedida à revista, Dizzy comenta que “o verdadeiro problema dos direitos civis nos EUA não é a discriminação em si mesma, mas o sistema que leva a ela. Nas escolas, por exemplo, não se ensina que todos os homens são iguais. A discriminação gerada pela escravidão teve motivação essencialmente econômica e, ainda hoje, temos discriminação gerada por motivação econômica.” Gillespie defende também a maior tributação das grandes fortunas e a menor tributação da classe média, além da legalização do jogo clandestino, tributando-o. Algumas de suas primeiras providências, caso eleito, seriam: 1) mudar o nome da Casa Branca (White House) para Casa Azul (Blues House); 2) fechar o FBI (a Polícia Federal de lá) e criar uma CPI do Senado para investigar as atividades de todos aqueles que andam cobertos por lençóis brancos (clara alusão aos integrantes da Ku-Klux-Klan); 3) todos os juízes e advogados do sul do país passariam a ser negros, de modo a recuperar um pouco do tempo perdido; 4) fazer com que o Congresso retire a nacionalidade de George Wallace (célebre e racista governador do Alabama), que será deportado para o Vietnã; 5) retirar as tropas do Vietnã; 6) eliminar o termo “Secretary”, substituindo-o por “Ministers”, uma vez que se trata de palavra de origem feminina e Dizzy não queria nenhum afeminado em seu governo (talvez hoje Dizzy tivesse sérios problemas nesse ponto de sua plataforma). Alguns deles seriam: Duke Ellington para Ministro de Negócios Estrangeiros, por sua elegância natural e sua capacidade de enganar qualquer pessoa; Charles Mingus para Ministro da Paz; Louis Armstrong para Ministro da Agricultura, pois nasceu em New Orleans e sabe tudo acerca de plantar e colher produtos do campo; Miles Davis seria o Diretor da CIA e Ray Charles o Diretor da Biblioteca do Congresso. Sobre os temas mais polêmicos da política internacional, Dizzy defendia que Cuba, como qualquer outro país, precisa ser respeitada e qualquer diferença com a Ilha deveria ser resolvida de forma diplomática. Quanto à China, também comunista, Dizzy afirmava que não há como ignorar um mercado de 700 milhões de pessoas. O ideal seria promover o maior número possível de festivais de jazz na China, onde os músicos de jazz poderiam passar uns dez anos tocando sem parar. Sem falar nas vendas de discos! Para os amigos fica a faixa ( ) retirada do álbum Sonny Side Up, com Dizzy Gillespie (t, v), Sonny Rollins (ts), Sonny Stitt (as), Ray Bryant (p), Tommy Bryant (b) e Charlie Persip (d), gravado em 1957.
Assinar:
Postagens (Atom)
