30/01/2009

Quinteto Fantástico

O período de uma década parece ter sido insuficiente para aqueles que viveram intensamente os anos setenta. Nunca, em igual período da história recente tantas regras, normas e hábitos foram modificados, substituídos ou mesmo rompidos de forma tão brusca. Na moda, o homem recebeu coleções especificas das grandes grifes a custa da "barra boca de sino na calça xadrez" ou dos horripilantes paletós jeans. Assumiu - sem constrangimento de sua masculinidade - a bolsa a tiracolo como acessório diário repousando-a sobre o ombro ou presa ao pulso numa versão que se convencionou chamar de "capanga". A mulher, diante da variedade de métodos contraceptivos pactuou convivência intima com seu parceiro pelo espaço de horas apenas sem vestígio de culpa alguma ou obrigação de prolongar esse afeto pelo dia seguinte. Nova Iorque sofre blecaute de mais de 12 horas e transformava a longa noite de 12 de julho de 1977 numa sucessão interminável de atos de selvageria e vandalismo que à aproximaram da era pré-histórica onde inexistia - de fato - a luz. Na música se jorrava dinheiro de forma perdulária. Músicos de rock - num exercício de megalomania - compravam jatos comerciais e cruzavam o território americano em turnês de mais 365 dias. Por seu lado, o jazz vivia a melancólica experiência Fusion. Pela primeira vez o estilo definido nas enciclopédias como original e transformador sofria a submissão na mistura com algo que ninguém com pleno uso de sua capacidade mental poderia classificar. Afinal, era um excesso de artifícios eletrônicos, percussivos , teclados , sopros e pedais distorcivos onde até mesmo a voz humana era mecanicamente modificada. Provocando mais surpresas, ruídos e sustos do que simplesmente a sensação de bem-estar. Imerso nessa controversa corrente fusion "até o pescoço" - seja por oportunismo comercial ou por atender um lado mais "experimentalista" - Herbie Hancock (p) sente necessidade em auxiliar o jazz a retomar um "bom caminho", levando seu grandioso legado às novas gerações. Recruta para essa tarefa seus companheiros Ron Carter (b ac), Tony Williams (bat), Wayne Shorter(saxes) e Freddie Hubbard (tromp e flughel) pra formarem um quinteto de nome bem apropriado nessa verdadeira cruzada combativa em 1977. V.S.O.P. (very special old product - tradução livre: produto muito especial envelhecido). Essa abreviação de letras, identificável nos rótulos dos melhores conhaques, endossa procedência e origem num produto de absoluta qualidade. Poderia soar algo como bastante esnobe tamanha ousadia. Porém, os cinco eram músicos devidamente experimentados sendo o mais "caçula" deles - Tony Williams - com 31 anos na época - e Shorter o mais "sênior", com 43 anos. Examinando de forma breve seus currículos se percebia que eles não estavam pra brincadeira. Todos, excetuando Hubbard - por motivos óbvios, fizeram parte do segundo quinteto destacado de Miles Davis em meados dos anos sessenta. Williams, moleque de 17 anos na entrada do grupo, atreveu-se afirmar ainda - quando o grupo foi "desmontado" - que: "Miles aprendeu que não deveria atrapalhar demais as performances dos colegas". Hubbard , definido pelo também trompetista Dave Douglas - por ocasião de sua morte no final de dezembro de 2008 - como um desafiador da lei da física na facilidade e velocidade como alterava e desenvolvia os tempos melódicos e dos próprios limites da harmonia pela simplicidade com que brincava com as notas, já tinha passado pelo teste admissional prévio na melhor formação do Art Blakey and The Jazz Messengers na companhia do próprio Shorter em 1961. Dessa combinação de talentos e virtuosidade formou-se uma entidade coletiva sem espaço para uma batalha de egos ou reinvidicação por maiores cachês individuais. Era apenas o empenho e esforço de músicos extraordinários cientes que dando o melhor de si nessa causa quem ganharia - antes de tudo - era a própria sobrevida do jazz. O resultado dessa, infelizmente, curta experiência pode ser avaliado em dois lps duplos ( The Quintet e Tempest in the Colosseum ambos de 1977 pelo selo Columbia) que saíram em forma de cds em anos distintos. O primeiro, em 1989 e o segundo somente em 2004 para o mercado americano. São dois registros quase brutos (sem praticamente uso ou alteração de efeitos ou correções de estúdio) de concertos gravados ao vivo - para o primeiro disco - respectivamente no auditório da Universidade de Berkeley e no Centro Cívico de São Francisco. O segundo álbum, durante o Festival de Jazz de Tókio, para uma platéia quase contemplativa de mais 10 000 espectadores "hipnotizados" pela exuberância da sonoridade acústica. Se uma corrente de economistas brasileiros defende a tese que a década de 80 foi a desperdiçada, nos anos setenta - por interferência, em parte, desses músicos - no que se refere ao jazz se evitou igual destino. Para os visitantes fica a faixa Byrdlike , do primeiro cd. msn orkut facebook

29/01/2009

Amor

E lá estava ele, nascido em Cambridge em fevereiro de 1932, após estudar piano com a mãe e com a universidade, tocar em diversos bares de Chicago, em trio ou acompanhando músicos como Georg Brunis, Al Grey, Coleman Hawkins, Freddie Hubbard ou Ira Sullivan, lá estava ele. Depois de quase treze anos tocando no famoso London House da cidade-vento, muda-se para a ensolarada Florida, dividindo-se entre Cape Cod e Fort Lauderdale, demonstrando que o incompreensível idioma bop pode ajustar-se a todo tipo de estilo, desde a redonda bossa nova até o retilíneo tango, lá estava ele. Mesmo já tendo gravado com quase todos os grandes do jazz, desde Lee Morgan até Wayne Shorter e mesmo casado com a vocalista Meredith D’Ambrosio, lá continua ele, aos 76 anos, tocando e gravando sem parar. Para os amigos deixo a faixa Carinhoso , retirada do álbum Amor, do pianista Eddie Higgins.
copa mundo campeonato brasileiro carioca paulista

28/01/2009

There Is No Greater Love

E quem nunca passou uma lua-de-mel em New York ou Paris? Não? E em Parati ou Visconde de Mauá? Fale sério! Então case novamente e mãos à obra! Enquanto a bolha não sai voando nem estoura, recomendo uma lua-de-mel logo ali, em Visconde de Mauá e, se a carteira suportar, numa das suítes da Pousada Terra da Luz, logo na entrada da cidade. Além da aconchegante lareira próxima à cama, o deck da hidromassagem suporta bem a garrafa de tinto e duas taças. Em derredor, uma infinidade de plantas, milhares de insetos perigosíssimos e carradas de pássaros que, se por um lado não nos perseguem como no filme Alta Ansiedade, por outro espatifam-se nas generosas vidraças que compõem as instalações da pousada. Mesmo já tendo protestado junto ao proprietário, os acidentes continuam ocorrendo e é triste ver aqueles pássaros todos mortos ao redor da sala do café da manhã de manhã. Portanto, acorde tarde, quando já foram recolhidos num carrinho de mão por um dos atenciosos funcionários da casa. E corra porque nos dias 13 e 14 de fevereiro quem estará se apresentando por lá é Ricardo Silveira, um dos nossos melhores guitarristas. 

Segue breve histórico do músico, retirado de seu site: Ricardo Silveira é um músico brasileiro com carreira internacional. Nascido no Rio de Janeiro, sempre soube apreciar boa música e transita com facilidade pelos diversos idiomas musicais. Ainda adolescente, gostava de ouvir desde rock (Beatles, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Led Zeppelin, Cream) e blues (BB King, John Mayal) a música brasileira (João Gilberto, Chico Buarque, Mutantes, Novos Baianos, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tom Jobim, Baden Powell). Logo cedo, descobriu também o jazz: Dave Brubeck, Miles Davis, Oscar Peterson, Joe Pass, George Benson, Wes Montgomery. Ainda adolescente, Ricardo se interessou pela guitarra e pelo violão. Costumava tirar as melodias das músicas que ouvia, primeiro só numa corda e depois tentando descobrir os acordes, tendo descoberto mais tarde ser este um ótimo exercício para o ouvido e para conhecer o braço do instrumento. Tocando com amigos e em alguns festivais de colégio, decidiu que queria ser músico profissional. Teve aulas de violão clássico e teoria musical e passou no vestibular para a Escola Nacional de Música, porém não havia a cadeira de violão ou guitarra nas universidades do Rio. Nessa época, assistiu a um show de Victor Assis Brasil, que tinha estudado na Berklee College of Music, em Boston, assim como o Márcio Montarroyos, que também tocou nesse mesmo show e o incentivou a fazer na Berklee um curso de dois meses. 

Após o curso, conseguiu uma bolsa e continuou a estudar em Boston. Após um ano, voltou ao Brasil, onde ficou por dois meses participando de shows com Márcio Montarroyos. De volta a Boston, por recomendação do guitarrista Bill Frisell, começou a trabalhar com uma banda de salsa, um de seus primeiros trabalhos profissionais nos EUA. Estrelas Latinas, como se chamava o grupo, era comandada por Fox, um violinista cubano, acompanhado por músicos de Santo Domingo, EUA, Porto Rico e Brasil. Nos finais de semana, Ricardo deixava Boston a caminho de Nova York, onde tocava com o grupo brasileiro Astra Carnaval. Recomendado pelo trompetista Cláudio Roditi, Silveira foi convidado para integrar o grupo do flautista Herbie Mann, com quem excursionou por dois anos pelos Estados Unidos. Nessa época, já morando em Nova York, começou também a trabalhar em estúdio com grandes músicos como Steve Gadd, Richard Tee, Marcus Miller, Michael Brecker, Jason Miles, Naná Vasconcelos, L. Shankar. Apesar dos quatro anos trabalhando fora de seu país, Ricardo manteve o contato com a música brasileira. Aliás, grande parte dos convites para tocar no exterior surgiu por ele ser um músico brasileiro. De volta, por recomendação do produtor e músico Liminha, que havia conhecido nos Estados Unidos, Ricardo foi convidado por Elis Regina para participar da turnê pelo Brasil do disco “Essa Mulher”. Foi no mesmo período que começou a surgir, além de shows, participações em gravações, desde jingles a discos dos mais diversos artistas. Após a turnê com Elis Regina, Ricardo começou a tocar com outros grandes nomes da MPB como Hermeto Paschoal, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Milton Nascimento, João Bosco, Ivan Lins, Nana Caymmi e Ney Matogrosso para quem também fez arranjos e direção musical. Entre a participação nas gravações e nos shows dos grandes nomes da música brasileira, Ricardo começava a desenvolver seus projetos solos. Seu primeiro disco foi Bom de tocar (Polygram), lançado em 1984. A música fez tanto sucesso, que acabou virando vinheta da Rádio Globo FM, ficando no ar por 10 anos, e eternizando seus solos de guitarra na música que deu nome ao disco. 

Por conta da repercussão, o guitarrista foi convidado para tocar no primeiro Free Jazz Festival, em 1985. Para o show, convidou os talentosos amigos: o baixista Nico Assumpção, o pianista Luiz Avellar, o baterista Carlos Bala e o saxofonista Nova Yorquino Steve Slagle. O resultado no palco foi tão bom que o quarteto acabou gravando um disco, o High Life, lançado em 1986 pelo selo Elektra Musician. O segundo trabalho solo data de 1987 e teve o mesmo selo. O disco tinha como título o nome do próprio guitarrista. Nos Estados Unidos, este trabalho ganhou o nome de Long Distance, pelo selo da Verve Forecast, que além deste lançou Sky Light, Amazon Secrets e Small World. Todos estiveram entre os cinco mais executados nas rádios de jazz americana, sendo que Sky Light e Amazon Secrets chegaram ao primeiro lugar. Nos Estados Unidos, além de excursionar com Herbie Mann tocou com nomes como Sérgio Mendes, Don Grusin, Dave Grusin, Oscar Castro Neves, Dori Caymmy, Nathan East, Vanessa Williams, El Debarge, Diana Ross, Brenda Russel, Justo Almario, Toots Tiellemans, Baby Face, John Pisano, Kevin Lethau, Ronnie Foster, Harvey Mason, Paty Austin, David Sanborn, Pat Metheny, Phil Perry, Earnie Watts, Gregg Karukas e Abe Laboriel. Com Matt Bianco, Silveira esteve duas vezes na Europa e no Japão, sendo que fez mais oito viagens para este último país em concertos de Sadao Watanabe e Dom Grusin. Com um outro selo - Kokopelli, de Herbie Mann - foi gravado seu sexto CD, o Storyteller, em 1995, que também esteve entre as cinco mais tocadas. Em 2001, o CD Noite Clara saiu no Brasil pela MP,B e em 2003 nos EUA pela Adventure Music. Este trabalho foi indicado ao Grammy Latino 2004 na categoria melhor CD Instrumental. No mesmo ano da indicação, Ricardo Silveira em parceria com Luiz Avellar, ambos com experiências em turnês ao lado de Milton Nascimento, gravam ao vivo – violão e piano – o CD Milton Nascimento ao Vivo pelo selo brasileiro da Universal e pelo americano Adventure Music. No dia 10 de julho de 2007 foi lançado nos EUA Outro Rio, seu décimo trabalho, e em fevereiro de 2008 no Brasil, repetindo a dobradinha dos selos Adventure Music e MPB.

Para os amigos fica a faixa There Is No Greater Love , retirada do álbum Toots & Sivuca, gravado no Chiko's Bar em 1986, com a participação de Ricardo. O Chiko's talvez tenha sido um dos melhores bares de música da Lagoa na década de 1980. Hoje está política e corretamente instalado na Barra da Tijuca, onde a dose do doze anos custa doze reais. Mas se, no final, nada der certo, vá para o mardi gras em New Orleans.

27/01/2009

TribOz

Nosso amigo Olney já havia alertado sobre o TribOz e, agora, Mr. Coimbra, Vice-Presidente do Clube das Terças, confirma a boa impressão que vem causando o espaço. Músicos, cantores, compositores e artistas do Brasil e do mundo encontram-se no TribOz, a sede oficial do Brazilian-Australian Cultural Centre (Centro Cultural Brasil-Austrália). TribOz está localizado na Lapa, o tradicional bairro boêmio no centro do Rio de Janeiro. Esta instituição cultural está rapidamente se tornando uma referência nos meios de produção artística. Experimentações musicais contemporâneas, um mundo infinito de improvisação, samba, jazz e bossa nova são algumas das formas musicais que encontramos no TribOz. É uma proposta inovadora, encontrando eco no que chamamos de ‘Novas Expressões Brasileiras’ – New Brazilian Mult-Art Expressions. O espaço dedica-se ao desenvolvimento e apresentações das artes inovadoras. Desde a sua inauguração em 20 de junho de 2008, TribOz acolheu os sons de músicos brasileiros e internacionais como o pianista João Carlos Assis Brasil, Hélio Celso, Alberto Farah, Tomás Improta, Marvio Ciribeli, os guitarristas Dino Rangel, Bernado Ramos, Marcelo Nami, o saxofonista Marcelo Padre (Canadá/Brasil), o baterista Marcio Bahia (Hermeto Paschoal), a guitarrista Julie Bevan (Nova Zelândia), o grupo australiano ‘OzBrazilian’ The View From Madeleine's Couch, e o vocalista, violonista e 'brasilianista', Hans Limburg. O local exibe pinturas e cerâmicas da artista Denize Torbes, que enriquece a casa com sua arte altamente provocadora. TribOz é o lugar onde músicos, compositores, cantores e artistas nacionais e internacionais se encontram, produzindo um trabalho de altíssima qualidade preenchendo as suas mais altas expectativas. Além deste novo patamar para a multi-arte inovadora, você também encontra aqui conforto e qualidade. Venha sentir os ares do Rio antigo e encantar-se com inovações multi-arte. Venha experimentar esta combinação ímpar que não se encontra em nenhum outro ambiente no Rio de Janeiro - expressões brasileiras multi-arte "saídas do forno". Mais informações AQUI.

26/01/2009

Guaramiranga & Fortaleza - Fevereiro

A 10a Edição do Festival de Jazz & Blues de Guramiranga e Fortaleza acontece entre os dias 21 e 24 de fevereiro (Guaramiranga) e 26 a 28 de fevereiro (Fortaleza). Entre os músicos esperados vale destacar o guitarrista e gaitista Toots Thielemans e o baixista Arthur Maia. A seguir, texto do repórter Dawlton Moura para O Diário do Nordeste: O Festival Jazz & Blues Guaramiranga chega à 10a. edição com uma lista de grandes nomes. Entre as atrações, Toots Thielemans, Dominguinhos e César Camargo Mariano. Quando fevereiro chegar trará consigo o décimo carnaval com uma opção de trilha sonora diferenciada, para quem sobe ao Maciço de Baturité. O Festival Jazz & Blues Guaramiranga celebra seu aniversário driblando as dificuldades que marcaram os bastidores das edições mais recentes e oferecendo uma programação à altura da efeméride. O evento, que atraiu projeção nacional ao se firmar como uma das principais referências no crescente calendário de festivais do tipo, também desempenhou um papel importante no fomento à atual cena instrumental cearense. E, ao menos a julgar pelas atrações musicais, contará com motivos suficientes para atrair, de 21 a 24 de fevereiro, tanto quem ainda não conferiu o festival quanto quem já se acostumou ao carnaval na serra. Afinal, a programação confirma a vocação do evento para a diversidade - em um ecletismo saudado por muitos, mas também recorrentemente visto com ressalvas por quem preferiria um Festival Jazz & Blues menos ´free´ e mais ´strictu sensu´. Seja como for, fica clara a intenção de marcar esse primeiro decênio com uma grande edição do festival - comparável aos melhores anos do evento. Como, por exemplo, 2005, quando o público pôde assistir, entre outros, a nomes como Pedro Aznar, Hélio Delmiro, Stanley Jordan, Jorge Hélder e Naná Vasconcelos. Pra começar, o encontro, enfim concretizado, com o gaitista belga Toots Thielemans, cujo nome esteve rondando a programação em diversas edições. Festa para os fãs do instrumento, aos quais o festival sempre contemplou, com harmonicistas como Gabriel Grossi, Sérgio Duarte, Jefferson Gonçalves e J. J. Milteau. E para os quais também traz, este ano, o som do gaitista brasiliense Pablo Fagundes. Outro ´acerto de contas´ do festival é com um músico aclamado tanto pelo público quanto pelos mais virtuosos: o pernambucano Dominguinhos. Acordeonista e compositor que chegou a ser anunciado como atração principal do evento em 2007, mas acabou tendo sua participação adiada, devido a cuidados médicos. Dois anos depois, o sorriso e o talento de Dominguinhos, presença freqüente em Fortaleza nos últimos anos, se encontrarão com a platéia do festival na serra. Oportunidade também para o mais legítimo discípulo de seu Luiz mostrar um outro lado de sua musicalidade. E o mesmo evento que já trouxe ao Ceará artistas como Gilson Peranzzeta e Heraldo do Monte, que se destacam como instrumentistas e arranjadores, desta vez fará as honras da casa para o mestre César Camargo Mariano, radicado nos Estados Unidos, mas de tantos serviços prestados à música brasileira. Também na perspectiva dessa contribuição instrumental à música popular pode ser vista a presença do veterano guitarrista Lanny Gordin, um dos responsáveis pela sonoridade consagrada à época da Tropicália. Superando contingências difíceis, Lanny retornou à cena nos últimos anos, realizando shows e atraindo boa repercussão para suas releituras de clássicos tropicalistas, ao som cortante de sua guitarra. Entre os representantes do blues, o festival anuncia a participação do gaitista e vocalista Paulo Meyer, um dos fundadores da banda Expresso 2222, marcante na cena blueseira em São Paulo. Também com um pé no blues, embora passeando por vertentes como o funk e a música brasileira, o baixista Arthur Maia, presente em Fortaleza em 2008 participando do I Festival Cover Baixo, retorna ao Ceará para mostrar seu som em Guaramiranga. Um toque mais contemporâneo na programação fica por conta da presença do pianista e produtor musical paulista Benjamin Taubkin, que realiza um amplo trabalho de pesquisa de música brasileira e latino-americana. Responsável pela curadoria musical do Mercado Cultural de Salvador, Taubkin defende - e pratica - uma música aberta à pluralidade de estilos e influências, sempre favorecendo um diálogo entre diferentes referências, sejam geográficas ou artísticas. E se a história do festival é também pontuada pela presença de grandes intérpretes femininas - de Leny Andrade a Fhátima Santos, de Jane Duboc a Big Time Sarah -, a paulista Ná Ozzetti retorna ao Estado, desta vez no contexto do evento. Esta, aliás, é uma boa característica do festival, enfatizada na programação dessa décima edição: a possibilidade de se conferir por aqui shows que, de modo isolado, dificilmente despertariam o interesse de produtores locais. Enquanto a programação de artistas cearenses ainda aguarda definição, o festival já confirma a manutenção de espaços consagrados ao longo de suas nove edições até aqui. É o caso dos ensaios abertos, realizados no início da tarde, no próprio Teatro Rachel de Queiroz (que, infelizmente, chega ainda inacabado ao décimo Jazz & Blues). Além da chance de uma ´palhinha´ sem necessidade de pagamento de ingresso, trata-se de uma oportunidade para troca de idéias de modo mais descontraído entre artistas e público.Os shows realizados em espaços abertos ao final da tarde também devem continuar, segundo a organização. Assim como em anos anteriores, quando o público pôde assistir a apresentações no belo cenário da escadaria da Igreja Matriz de Guaramiranga, a idéia é abrir espaço também para jovens instrumentistas ´garimpados´ em oficinas do projeto Novos Talentos, promovido pelo evento em municípios do Interior. Por fim, as ´jam-sessions´ da madrugada, após terminadas as atividades no palco principal, prometem movimentar o público, com direito a muita improvisação e a uma espontânea interação entre os músicos. Celebrando a reunião em mais um carnaval. Mais informações:Festival Jazz & Blues 2009. De 21 a 24 de fevereiro em Guaramiranga e de 26 a 28 em Fortaleza. Realização: Via de Comunicação e Cultura. Promoção: Sistema Verdes Mares. Informações: 3262.7230 e Via de Comunicação e Cultura. FIQUE POR DENTRO - Mesmo quem não subir a serra durante o carnaval contará, também este ano, com uma oportunidade de conferir as principais atrações do Festival Jazz & Blues. Como já é de costume, o evento tem sua continuidade em Fortaleza, após a quarta-feira de cinzas. Os shows na capital acontecem no Theatro José de Alencar, entre os dias 26 e 28, quando alguns dos músicos também ministrarão oficinas, voltadas para instrumentistas e estudantes de música, mas também para o público interessado em um contato mais direto com os artistas. O espaço para os shows na capital ainda será definido pela organização. E antes do festival na serra, a programação de ´aquecimento´ ´Na Trilha do Jazz´ deverá se estender por bares e casas de show de Fortaleza, com a participação de grupos locais. As apresentações musicais acontecerão de quarta a sábado, com destaque para releituras de clássicos do jazz e do blues, em novos arranjos e formações variadas, por alguns de nossos melhores instrumentistas e intérpretes.obama lula eleições eleito