Melba Liston, trombonista e arrajandora do Bebop e do Hard Bop, nasceu em Kansas City, Missouri, no dia 13 de janeiro de 1926. Aos 11 anos, muda-se com a família para Los Angeles, onde participa de uma banda de jovens, antes de iniciar sua carreira profissional como trombonista na orquestra de poço do Lincoln Theatre, aos 16 anos. Em 1943, passa a integrar a orquestra de Gerald Wilson e, sob seu incentivo, começa a escrever arranjos. Nesse período, grava como sidewoman duas faixas, Mischievous Lady e Lullaby in Rhythm, com Dexter Gordon, seu antigo colega de escola. As duas faixas fazem parte do álbum Complete Savoy and Dial Master Takes, de Gordon, e representam alguns dos melhores e raros momentos de Melba como solista competente, sobretudo nas baladas. Em 1948, quando Wilson desfaz sua banda, Melba aceita o convite para trabalhar com Dizzy Gillespie. No ano seguinte, sai em desastrosa turnê com Billie Holiday. Cansada com a vida nas estradas e desiludida com a indiferença do público, resolve colocar o jazz em segundo plano. Trabalhando como administradora escolar, toca eventualmente em alguns clubes e faz alguma renda extra participando de filmes, entre eles The Prodigal e The Ten Commandments. Em 1956 e 1957, retorna ao jazz, integrando a banda de Dizzy Gillespie que, sob os auspícios do Departamento de Estado Norte-Americano, parte em turnês pelo Oriente Médio, Ásia e América do Sul. Em 1959, vai à Europa, onde apresenta o show Free and Easy, sob a direção de Quincy Jones. Na década de 1960, Melba inicia uma longa e produtiva colaboração com Randy Weston, onde estabelece definitivamente sua grande capacidade como arranjadora, embora ignorada pelo grande público e até mesmo por boa parcela dos músicos. Nesse mesmo período, trabalharia ainda para Duke Ellington, Solomon Burke, Tony Bennett e Johnny Griffin. Na década seguinte, Melba dedica-se ao ensino, permanecendo seis anos na Jamaica, onde dirige a Escola de Música daquele país. Isso não impede que continue escrevendo para artistas importantes, como Count Basie, Abbey Lincoln e Diana Ross. No final da década de 1970, retorna aos EUA como a atração principal do primeiro Kansas City Women’s Jazz Festival, onde lidera uma formidável orquestra formada exclusivamente por mulheres. Com o passar dos anos, a banda recebe alguns componentes masculinos, o que não invalida o trabalho desenvolvido por Melba até 1985, quando sofre um derrame que a leva à cadeira-de-rodas. Nem por isso Melba desiste de trabalhar, passando a escrever seus arranjos com o auxílio do computador, até sua morte, em 23 de abril de 1999. Para os amigos, deixo a faixa Melba Blues e alguma sugestão discográfica. -------------------------------------------------------------------------------------------------
Melba Liston and Her 'Bones - 1958 - Fresh Sound FRS-CD 408 - Aqui estão as provas de que o jazz não era menos machista que qualquer outra atividade humana nas décadas de 1940 a 1960. Em apenas um cd estão todas as faixas gravadas por Melba Liston como líder. Foram apenas três sessões, uma em junho de 1956 e duas em dezembro de 1958, todas em New York. Com ela estão Frank Rehak, Bennie Green, Al Grey, Benny Powell, Jimmy Cleveland (tb), Slide Hampton (tb, tba), Marty Flax (bs), Kenny Burrell (g), Walter Davis Jr, Ray Bryant (p), Nelson Boyd, George Tucker, George Joyner (b), Charlie Persip, Frank Dunlop (d).




