25/01/2010

São Paulo completa 456 anos hoje

Muita coisa mudou desde que São Paulo era um pequeno amontoado de casas feitas de taipa de pilão, de onde partiam os bandeirantes rumo a Minas Gerais, em busca do ouro, e onde os jesuítas encontraram um “clima fresco” semelhante ao europeu e fundaram o Real Collegio. O “pequeno amontoado” de casas é hoje uma metrópole de 10,4 milhões de habitantes, uma das mais populosas do mundo. O clima fresco de 451 anos atrás hoje está bem mais quente, graças ao concreto, aos automóveis e à escassa arborização. Até a famosa garoa, que consagrou a cidade, está se tornando coisa do passado. A cidade assistiu a uma transição da chuva fraca e contínua para aquelas intensas e rápidas, que provocam as já também famosas enchentes.

São Paulo demorou para se desenvolver. Até 1876 a população local era de 30 mil habitantes. Com a expansão da economia, graças especialmente ao café, em menos de 20 anos este número pulou para 130 mil. Mesmo pequena, a cidade pensava grande. O Viaduto do Chá foi inaugurado em 1892 e, em 1901, foi aberta a Avenida Paulista, a primeira via planejada da capital. A via, que viria a se tornar endereço dos barões do café, não tinha nenhuma casa na época, mas o engenheiro responsável pela obra, Joaquim Eugênio de Lima, profetizava que ela seria “a via que conduzirá São Paulo ao seu grande destino”.

Outras grandes obras, como a Estação da Luz e o Theatro Municipal, comemoraram a entrada no século XX e marcaram uma nova fase na vida da cidade. São Paulo se industrializava e, para atender à demanda, imigrantes de diversos países da Europa e do Japão adotaram uma nova pátria, fugindo das guerras. Entre os anos de 1870 e 1939, 2,4 milhões de imigrantes entraram no estado de São Paulo, segundo dados do Memorial do Imigrante.

Italianos, japoneses, espanhóis, libaneses, alemães, judeus. Dezenas de nacionalidades estabeleceram comunidades em São Paulo e contribuíram para que a cidade se tornasse um rico centro cultural e um exemplo de como povos com histórico de guerras e disputas podem viver em paz.

Isso sem falar dos migrantes, que ainda hoje saem de seus estados e municípios em busca da ‘terra da prosperidade’ e do trabalho, onde todos vivem com pressa. Como diz a música “Amanhecendo”, de Billy Blanco: “Todos parecem correr/ Não correm de/ Correm para/ Para São Paulo crescer”.

Muitos prosperam na cidade mais rica da América Latina, mas outros tantos engrossam a lista de desempregados, que oscila em torno de 17% da população economicamente ativa. Sem emprego ou em subempregos, essas pessoas entram também na estatística dos habitantes que vivem em favelas – mais de 1 milhão, de acordo com dados da secretaria de Habitação. O desafio de São Paulo é continuar correndo para reduzir estes números (Fonte: Prefeitura de São Paulo).

Entre os diversos eventos que acontecerão, Jazzseen destaca os seguintes:

Prêmio Especial no Jockey Club - No GP 25 de Janeiro, que ocorre no dia do aniversário da cidade de São Paulo, o visitante pode assistir à disputa de cavaleiros, além de curtir outras atrações. Háverá barracas de degustação, apresentação de jazz entre os páreos e passeios de pôneis. (Especial) - Classificação: Livre - Jockey Club de São Paulo - Av. Lineu de Paula Machado, 1.075 - Jardim Everest - Sul. Telefone: 2161-8338. Quando: Hoje, a partir das 14h - Tem área para fumantes. Aceita cheques. Não aceita reservas. Não tem ar condicionado. Grátis. Tem local para comer. Valet (R$ 18).

Patty Ascher - O compositor Burt Bacharach, que está fazendo 80 anos, recebe homenagem de Ascher, que entoa seus clássicos em ritmo de bossa. Miéle e Carlos Navas participam do show. (Bossa Nova) - Duração: 60 minutos - Classificação: Livre - Onde: 1820 - The Blue Bar - R. Gumercindo Saraiva, 289 - Jardim Europa - Oeste. Telefone: 2769-2003. Aceita os cartões Amex, Diners, MasterCard, Visa. Couvert artístico: R$ 50. Quando: Dia 28: 22h. Não aceita cheques. Aceita reservas. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficiente. Proibido fumar. 80 lugares. Valet (R$ 25).

São Paulo tem também:

- ... o Museu de Arte de São Paulo (Masp), o mais importante museu de arte ocidental da América Latina;

- ... o Instituto Butantan, que abriga uma das maiores coleções de serpentes do mundo, além de ser o mais moderno centro de produção de vacinas e soros da América Latina;

- ... a São Paulo Fashion Week, principal semana de moda da América Latina e uma das mais importantes do mundo;

- ... A Universidade de São Paulo (USP), terceira maior instituição da América Latina e colocada entre as cem mais conceituadas no mundo;

- ... a Bovespa, maior centro de negociação de ações da América Latina;

- ... a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), sexta do mundo em volume de negócios, com lances médios diários de US$1,8 bilhão;

- ... o Hospital das Clínicas (HC), maior complexo hospitalar da América Latina;

- ... 75% dos eventos realizados no País;

- ... uma frota de quase 5 milhões de automóveis, o correspondente a ¼ do total do País;

- .... 12,5 mil restaurantes e 15 mil bares de dezenas de especialidades, o que lhe rendeu a fama de capital gastronômica do mundo.

- ... mais de 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) do País.

20/01/2010

Георгий Гаранян (1934-2010)

Георгий Гаранян foi um dos primeiros músicos a chamar a atenção do ocidente para o jazz de qualidade produzido na Rússia. Tudo isso numa época em que o Partido Comunista censurava qualquer estilo musical que fugisse aos rígidos padrões oficiais. Integrante da primeira geração de músicos de jazz daquele país, destacava-se como instrumentista (saxofone alto), maestro e compositor, tendo liderado uma infinidade de importantes conjuntos, entre eles, nos últimos anos, a Moscow Big Band, uma nova formação do famoso Melodia e a Big Band Municipal de Krasnodar City, no sul da Rússia. Além disso, vinha atuando em inúmeros festivais de jazz na Finlândia, Índia, Indonésia, Cuba e Europa, entre outros, além de se apresentar em diversos países, entre eles Alemanha, EUA, Japão, Austrália, Suécia e França, sendo considerado pela crítica especializada um dos melhores músicos de jazz da Rússia, sem contar que foi o músico de jazz daquele país que mais gravou. Mais conhecido no oeste como George Garanian, nasceu no dia 15 de agosto de 1934, em Moscou. Embora o pai engenheiro insistisse que o filho seguisse seus passos, a mãe professora sempre o incentivou a seguir a carreira musical. Contudo, por volta dos vinte anos, encontrava-se matriculado no Instituto Tecnológico de Moscow. Nessa época, leva o saxofone de um amigo para reparos e, após o conserto, nunca mais o devolve. Após vários anos de prática, começa a tocar em bandas locais, até que é convidado a tocar na banda da TSDRI. Sob o comando do líder Yury Saoulsky, Garanian praticou horas diárias até tornar-se o primeiro saxofone da banda, o que sem dúvida o auxiliou a obter o segundo lugar no Moscow World Festival of Youth and Students, em 1957, chamando a atenção do público para o trabalho da banda da TSDRI e fazendo com que Garanian fosse convidado a tocar em diversos países, o que nunca aconteceu em função das proibições do governo soviético. Já com o diploma de engenheiro, Garanian passa a tocar em outras bandas, com destaque para a  banda de Oleg Lundstrem. Em meados da década de 1960, Garanian começa a se tornar popular, sobretudo em função de suas apresentações no rádio, em nível nacional, e com o auxílio do disc jockey e produtor Willis Conover que, com seu programa Jazz Hour, na Voice of America, executava as gravações de Garanian, combatendo a Guerra Fria com o som do jazz.
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Em 1973 Garanian assina com a maior gravadora da Rússia, Melodia, gravando com a banda de mesmo nome 25 álbuns, ao longo de 13 anos de vida. O grupo vendeu milhões de cópias por todo o mundo, obtendo um sucesso sem precedentes para um grupo de jazz encoberto pelas cortinas de ferro. Ao mesmo tempo, Garanian atua como líder da State Cinematic Orchestra, onde grava a música de grandes filmes da época e, em seguida, passa também a compor trilhas sonoras - mais de 30 - entre elas a do filme The recipee of her youth, recebendo o 'Oscar' russo de melhor filme musical de 1985. Ainda durante a década de 1970, Garanian 'jazzifica' uma série de composições, populares e clássicas, entre elas a Ave Maria de Schubert, os clássicos dos Beatles e do cinema, escrevendo um livro de arranjos que se tornaria modelo para os estudantes e profissionais da área, Arrangement for pop-vocal-and instrumental bands. Em 1989, Garanian recebe e aceita o inusitado convite para liderar o Circo de Moscou, apresentando-se ao redor do mundo e aproveitando a oportunidade para tocar jazz com diversos músicos de outros países. Dez anos depois, Garanian enfrenta novo desafio: vivendo em Moscou, aceita liderar a pouco conhecida big band de Krasnodar, cidade situada no sul da Rússia, transformando-a na melhor banda de jazz da Rússia, segundo o jornal Argumenty i fakty, e causando sensação com suas apresentações em Moscou e em diversos concertos e festivais de jazz. Outro projeto bem sucedido de Garanian foi seu duo com o pianista Denis Matsuev, vencedor do International Tchaikovsky Competition, numa bem entrosada combinação de jazz e música clássica: entre suas interpretações contam composições de Bizet, Duke Ellington, Gershwin e Schubert, entre outros. Em 2004, Garanian revive o sucesso da banda cult Melodia, contando com Victor Gusejnov, um dos fundadores da banda, e uma constelação de jovens instrumentistas. Inicialmente projetada para ser banda de estúdio, com o sucesso começa a se apresentar em público, além de gravar álbuns de grande sucesso. Adicionando 5 integrantes à banda Melodia, transforma-a em big band, que recebe o nome de Moscow Big Band. Suas apresentações não se limitam à Rússia, mas estendem-se à Ucrânia, Donezk e China e, em algumas ocasiões, são reunidas as duas big bands, a de Moscow e a de Krasnodar. Aclamado como artista, Garanian é o único músico de jazz a se apresentar regularmente no conceituado Great Hall do Conservatório de Moscou. Entre suas inúmeras atividades bem sucedidas, vale destacar a sua participação no álbum duplo Oregon in Moscow, gravado com o grupo norte-americano ao lado da Orquestra Tchaikovsky, sob sua regência, trabalho indicado ao Grammy. Outro trabalho notável foi o álbum Jazz in tuxedos, gravado com a orquestra Virtuosos of Moscow e com o pianista Denis Matsuev, reunindo arranjos notáveis para peças de Gershwin, Ellington, Mozart e Prokofiev. No dia 14 de janeiro de 2010, milhares de admiradores foram ao Tchaikovsky Concert Hall, em Moscou, para se despedir de Garanian, morto por um ataque cardíaco aos 76 anos, em Krasnodar, onde se apresentaria com o pianista Martial Solal. Garanian foi enterrado no cemitério Vagankovskoye, em Moscou. Para os amigos, fica a faixa Lover Man, gravada ao vivo em 2001 com o trio The Jazz Accord Ensemble, formado por Alexey Kuznetsov (g), Anatole Sobolevy (b) e Alexander Goretkin (d) e retirada do excelente álbum В гостях у Джаз-Аккорда. Garanian deixa uma mulher, três filhas e muitas saudades.
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16/01/2010

Bengale thé hyménée

2010 passou bem rápido enquanto eu folheava a bonita agenda de Fabiana. Logo eu estava em fevereiro, observando uma belíssima bengale thé hyménée, foto ao lado. Ao contrário da maioria das agendas da Taschen, que normalmente nos apresentam obras de artistas plásticos consagrados ou fotografias de países, dessa vez temos uma magnífica série de aquarelas de Pierre-Joseph Redouté, um belga nascido em 1759 que viveu na França. Botânico e exímio desenhista, especializou-se em flores, 53 delas constantes da exuberante agenda. Quando dei por mim, já estava em dezembro, entre alguns espécimes de papaver somniferum, as tais danadinhas que nos fornecem o merecido ópio de cada dia. Fomos então até a Casa Bonita, onde Fabiana a havia comprado, na expectativa de encontrar uma para mim. A gentil funcionária explicou que a Casa Bonita não vende mais de uma peça de cada produto, sendo possível, no entanto, que eu escolhesse uma outra agenda da Taschen. Das opções disponíveis, titubiei entre a de Gaudí, Klimt e uma com fotografias antigas de uma Paris ainda em preto e branco, minha escolhida. Enquanto passava o cartão, notei um interessante duo de piano e contrabaixo interpretando Wave, do Tom. E, se nosso amigo Olney começou o ano ouvindo rock, que mal haveria em iniciar meu ano ouvindo bossa nova? Notando minha curiosidade, a gentil funcionária explicou. Foi gravado durante um concerto na Alemanha e lançado na Rússia em 2000, pelo selo Melodya. Boris Frumkin nasceu em Moscou, em 1944. Filho de trompetista e band leader, começou a aprender piano aos 5 anos e, embora tivesse talento e técnica para tornar-se concertista clássico, sua paixão pelo jazz determinou seu destino. Aos 22 anos, ao lado do trompetista Andrei Tovmasyan, liderou seu quinteto com sucesso durante o segundo Festival de Jazz de Moscou, chamando a atenção do público e obtendo a aprovação da crítica. Não bastasse sua competência como instrumentista, Boris também produz arranjos e compõe - sua Romantic Waltz era bastante tocada na Voice of America Jazz Hour, apresentada por Willis Conover. Apresentando-se em diversos festivais pela Europa, em 1973 passa a integrar o famoso conjunto Melodia, até sua dissolução em 1982. Entre 1988 e 1989 conduziu com grande êxito o musical da Brodway 'Sophisticated Ladies' em Moscou, Leningrado, Tbilisi e Washington, DC. Atualmente mora na Alemanha, onde produz música para o cinema e para a televisão. Antes que eu pudesse perguntar, a gentil funcionária prosseguiu: o contrabaixista, Marius Beets, nasceu em 1966, em Amsterdam. Começou a estudar piano aos 7 anos, passando mais tarde, aos 12, para o contrabaixo. Após graduar-se com honras no Royal Conservatoire de Hague, Beets tornou-se um dos mais respeitados contrabaixistas holandeses e não à toa trabalhou com músicos como Teddy Edwards, James Moody, Bud Shank, Johnny Griffin, Herb Geller e George Coleman. Desde 1999, Beets é professor do Rotterdam Conservatoire. Para os amigos deixo a faixa The Nearness of You , retirada do álbum Secret Love. Quanto às rosas de Redouté aqui postadas, creio que são suas únicas aquarelas disponíveis na internet com borboletas. Então, clique sobre a foto para apreciar os detalhes com maior nitidez.    

11/01/2010

Jazz Movies - Parte 1

Bem, enquanto nossos computadores não voltam a funcionar adequadamente, resolvemos publicar algumas resenhas sem música. Já falamos aqui sobre alguns guias, pinturas e até mesmo quadrinhos de jazz. É hora de darmos alguma atenção aos filmes. Afinal, a imagem é elemento essencial para o jazz quando adotamos a opinião de que esse tipo de música acontece ao vivo. Na impossibilidade de estarmos em todos os lugares ao mesmo tempo, resta-nos apreciar o trabalho de abnegados que capturam performances, elaboram documentários, produzem especiais ou constroem filmes com e sobre jazz. Do imenso e disperso material disponível, optamos por discorrer sobre os dvd’s que apresentam shows, documentários ou especiais para a TV. Em seguida, traçamos breve roteiro sobre os filmes propriamente ditos, daquele tipo que passa no cinema e assistimos comendo pipoca. A maioria está aí no mercado e, com alguma pesquisa e sorte, poderão ser adquiridos facilmente pela internet. Começando pelos documentários, shows e especiais para a TV, vale destacar os seguintes trabalhos: 001) After Hours/Jazz Dance – 1998 – Rhapsody – Reunião de dois curtas que não têm absolutamente nada a ver um com o outro. O primeiro, After Hours, foi realizado para a TV em 1961 e nunca foi ao ar. Temos memoráveis momentos de swing com Coleman Hawkins, Roy Eldridge, Johnny Guarnieri, Milt Hinton e Cozy Cole. O outro, Jazz Dance, é um estranhíssimo curta onde estudantes bêbados podem ouvir um bom Dixieland sob o comando de Jimmy McPartland, com Jimmy Archey, Pee Wee Russell, Willie ‘The Lion’ Smith, Pops Foster e George Wettling. 002) Alberta Hunter: My Castle’s Rockin’ – 1992 – View Video – Embora não possa ser considerada prioritariamente uma cantora de jazz, mas de blues, o presente documentário de Chris Albertson é tão bem realizado que devemos indicá-lo. Ainda que somente para verificarmos o início da carreira dessa memorável cantora que, embora menina, parte de Memphis para trabalhar com King Oliver em Chicago. 003) All Girl Bands – 1993 – Storyville – A luta das mulheres para poder tocar jazz foi grande nas décadas de 1930 e 1940. É certo que muitos grupos não passavam de mero divertimento, mas algumas bandas formadas somente por mulheres tinham realmente talento. Nesse vídeo podemos conferir a reunião de diversos curtas relevantes, com destaque para os números da International Sweethearts of Rhythm (considerada a melhor banda feminina de jazz daquele tempo), da cantora e sapateadora Ina Ray Hutton e da orquestra de Lorraine Page, entre outros. 004) Antonio Carlos Jobim: An All-Star Tribute – 1995 – View Video – Ok, bossa nova não é jazz, eu sei. Mas como negar a influência de Antonio Carlos na música popular norte-americana? Nesse bom vídeo, embora já bastante debilitado, ouvimos o maestro em sua última grande apresentação pública, na companhia de Shirley Horn, Gonzalo Rubalcaba, Joe Henderson, Herbie Hancock, entre outros.

005) Art Blakey: A Jazz Messenger – 1987 – Rhapsody Films – Excelente documentário sobre um dos maiores bateristas do jazz. Entre uma jam e outra, vários depoimentos de ex-integrantes do Jazz Messenger, entre eles Benny Golson, Curtis Fuller e Wynton Marsalis, contam um pouco da vida e da importância desse grande músico. 006) Art Blakey and the Jazz Messengers: Live at Ronnie Scott’s – 2002 – Music Video Distributors – Entrevistas curtas não incomodam as excelentes performances gravadas em 1985 no clube londrino, quando o Jazz Messengers contava com Terence Blanchard, Donald Harrison, Jean Toussaint, Mulgrew Miller e Lonnie Plaxico. Embora não haja nenhum solo de bateria, é um bom vídeo. 007) The Art Ensemble of Chicago – Live from the Jazz Showcase – 1990 – Rhapsody Films – Lester Bowie, Roscoe Mitchell, Joseph Jarman, Malachi Favors e Don Moye formaram sem dúvida um dos mais importantes grupos do free jazz. Gravado em 1981, temos aqui um Art Ensemble of Chicago em excelente forma, deliberando livremente sobre idéias musicais ancestrais, como as march bands de New Orleans, o funk, o Dixieland e o Bebop. Talvez o melhor vídeo da banda. 008) Art Pepper: Notes from a Jazz Survivor – 1999 – Shanachie – Mesmo considerando que não há nenhum número musical completo e que na maioria deles Pepper fica falando, temos um filme honesto sobre a vida tresloucada desse grande músico, talvez o melhor saxofonista alto do estilo West coast. 009) Back to Balboa Highlights: The Kenton Discussions – 1991 – GOAL Productions – Foram quatro dias de comemorações pelos cinquenta anos da banda de Stan Kenton. A dedicação e o carinho com o líder ficam claros nas imagens e nos depoimentos de seus integrantes, como Howard Rumsey, Anita O’Day, Bob Cooper, Laurindo Almeida, Shorty Rogers, Bud Shank, Lee Konitz, Marty Paich e muitos outros.

010) Ben Webster: The Brute and the Beautiful – 1992 – Shanachie – Interessante coletânea de performances esparsas de um dos maiores saxofonistas tenores do swing. Há entrevistas com diversas figuras importantes do jazz, entre eles Harry ‘Sweets’ Edson, Milt Hinton, Jimmy Rowles. E o próprio Webster fala de sua trajetória, desde o aprendizado com Lester Young em 1929, o período em que trabalhou com Duke Ellington, até sua estada na Europa. 011) The Big Chris Barber Band – 2003 – Inakustik – O selo alemão lançou alguns dvd’s de shows gravados no Porsche Hot Jazz Festival, como é o caso desse vídeo com o excelente trombonista inglês e sua competente banda de dixieland, swing e blues. Diversão garantida para os amantes do jazz tradicional. 012) Bill Evans Trio: Jazz at the Maintenance Shop 1979 – 1995 – Rhapsody Films – Embora não possam ser consideradas as melhores, temos aqui boas performances do último trio de Evans, com Marc Johnson e Joe LaBarbera. 013) Birdmen & Birdsongs: Vol. 1 e Vol. 2 – 1998 – Storyville – Na verdade esse tributo a Charlie Parker, gravado em Cannes em 1990, saiu em três volumes, sendo o último um pouco mais curto que os dois primeiros. No Vol. 1 temos Red Rodney, Frank Morgan, Monty Alexander, Rufus Reid e Roy Haynes executando clássicos do bebop, com convidados eventuais, como Phil Woods e Jon Hendricks. No Vol. 2 é o quarteto de Phil Woods que domina a cena, além de alguns números com Jon Hendricks e com o trio de Larry Goldings. 014) Bix – Ain’t None of Them Play Like Him Yet – 1994 – Playboy Home Video – Certamente o melhor documentário já realizado sobre a vida do cornetista Bix Beiderbecke. Com gravações originais, fotos raras e depoimentos de amigos – inclusive o de uma ex-namorada – e músicos como Jess Stacy e Art Shaw, Brigitte Berman quase atinge a perfeição, não fosse a pouca atenção dedicada às gravações de Bix após 1926 e à sua atuação com Frankie Trumbauer.

015) The Blues – 1991 – Storyville – Alguns guias e críticos costumam incluir as cantoras de blues clássico entre as figuras mais relevantes do primeiro jazz. Para aqueles que concordam com tal abordagem, esse vídeo é fundamental. Ele começa com a única aparição de Bessie Smith em filme, o curta St. Louis Blues, gravado em 1929. A Imperatriz do Blues é acompanhada por James P. Johnson (p) e alguns integrantes da banda de Fletcher Henderson, como o clarinetista Buster Bailey. Outros destaques são os números com Mamie Smith (a primeira cantora de blues a realizar uma gravação) com a orquestra de Lucky Millinder e Ida Cox, acompanhada ao piano por seu marido, Jesse Crump. 016) Bobby McFerrin: Spontaneous Inventions – 1986 – A Vision – Gravado ao vivo em 28 de fevereiro de 1986 no Aquarius Theatre, em Hollywood, podemos ouvir e ver a estranha arte de Bobby, capaz de construir apenas com a voz o canto, a linha harmônica e a linha do baixo, como se simultâneos fossem. Sua destreza a capela domina o show, cujo único convidado é Wayne Shorter, que o acompanha na faixa Walkin’. 017) Boogie Woogie – 1988 – Storyville – Reunião de curtas memoráveis, o primeiro deles contando com ninguém menos que Albert Ammons, Pete Johnson, Lena Horne e o sexteto de Teddy Wilson, com Emmett Berry (t), Benny Morton (tb), Jimmy Hamilton (cl), Johnny Williams (b) e J. C. Heard (d). Os outros números são, em sua maioria, vídeos da década de 1940 e 1950, com destaque para os números com Meade Lux Lewis, Lionel Hampton e Count Basie, onde podemos ver Wardell Gray e Buddy DeFranco em ação. 018) Buck Clayton All-Stars – 1993 – Shanachie – Reunião de dois shows gravados na Suíça, em 1961, num total de onze números e uma hora de duração. Com Buck estão alguns veteranos da orquestra de Count Basie, o formidável pianista Sir Charles Thompson e, em alguns números, o cantor Jimmy Witherspoon. Indispensável para os amantes do swing. 019) Buddy Rich: At The Top – 2002 – Hudson – Trata-se de um dos melhores concertos de Buddy, gravado no Top of the Plaza, em Rochester, New York, em 6 de fevereiro de 1973. Embora não conte com músicos muito conhecidos, Buddy apresenta ótimas performances de clássicos como Love for Sale e uma versão de dezesseis minutos para West Side Story Suite, com dois solos magníficos desse que foi, sem dúvida, um dos maiores bateristas do mundo. Felizmente, Buddy gravou diversos vídeos, quase todos de excelente qualidade. Para os fãs, outra boa recomendação é Buddy Rich: The Lost West Side Story Tapes – 2001 – Hudson, gravado em 1985. 020) Calle 54 – 2000 – Miramax – Fernando Trueba apresenta um dos melhores tributos já produzidos ao latin jazz. Com a participação de Paquito D’Rivera, Eliane Elias, Chano Dominguez, Jerry Gonzalez, Gato Barbieri e Tito Puente, entre outros. Não bastassem os excelentes números musicais e a fotografia impecável, o dvd ainda traz como bônus o documentário History of Latin Jazz, com uma hora de duração. Essencial. Bem, é isso. Em breve retornaremos, com Jazz Movies - Parte 2.