06/08/2010

Delícias da África


Por muito pouco minha aventura na África não terminou em tragédia: incentivado por alegres nativas, besuntei todo o corpo com uma mistura estimulante de casca pulverizada de akyie fofo com pimenta moída: após 16 horas ininterruptas de folguedos e cópulas, pude perceber os primeiros sintomas do vômito jamaicano, doença causada pelos peptídeos hipoglicina A e B, ambos altamente tóxicos, encontrados na akyie fofo ou, como é mais conhecida no Brasil, akee ou castanheira-da-áfrica. Logo eu, tão acostumado a preparar um bacalhau refogado em akee, gordura de porco, cebolas, pimentão e tomates, fui esquecer que apenas o arilo das sementes da castanheira-da-áfrica é comestível, sendo todas as demais partes da planta altamente tóxicas, causando queda da glicose do sangue, vômitos, lesão hepática, crises convulsivas e até mesmo a morte. Por sorte, estávamos acompanhados por Gil Felippe, Ph.D. em botânica pela Universidade de Edimburgo, Escócia, professor da Unicamp e membro titular da Academia de Ciências de São paulo: não fosse sua astúcia e agilidade, fazendo-me engolir de uma só vez 63 jenipapos selvagens, provavelmente eu teria sido abraçado por Exu.

Reabilitei-me ouvindo o saxofone barítono de Virgil Gonsalves , em companhia de Bob Enevoldsen (vtb), Buddy Wise (ts), Lou Levy (p), Harry Babasin (b) e Larry Bunker (d), álbum gentilmente cedido por Jacques enquanto viajávamos sobre confortáveis corcovas de camelos em direção ao norte da África. Minha amizade com o advogado Jacques Vergès, mais conhecido como l'avocat de la terreur, começou em minha primeira viagem ao norte da África. Através dele conheci um outro lado do ex-delinqüente Gérard Depardieu, grande ator que encontrei em meio às videiras de St. Augustin, na Argélia, onde produz um encorpado tinto.

Nem todos sabem que o narigudo francês é co-proprietário com Alain Paret de uma decente vinícola em Condrieu, norte do Rhone, onde produz um agradável branco a partir da viognier, variedade gaulesa de alta qualidade e baixo rendimento. Foi somente em minha segunda viagem ao norte da África, que descobri com Gérard que Marrocos, Tunísia e Argélia eram responsáveis, na década de 1950, por 2/3 do comércio internacional de vinhos, muito por conta da exportação para a França. A Argélia, por exemplo, chegou a ser o maior exportador de vinho do mundo por ampla margem. Após a independência, com o bloqueio francês, toda a região deteriorou-se, aniquilando a vinicultura no país. Por sorte, mais de 50 anos livres da opressão colonialista, alguns países estão conseguindo lentamente reerguer sua vocação vinícola, como é o caso do Marrocos que, após sua libertação da França, em 1956, e mesmo tendo perdido 82% de suas videiras, já consegue produzir alguns vinhos bastante honestos, como é o caso do Ksar Rouge, um corte de merlot, carignan, cabernet sauvignon e syrah, produzido pela Les Celliers de Meknès.

E assim foi. Prometo aos milhares de assíduos leitores do Jazzseen retornar em breve, assim que terminar de ler o Dicionário de Fernando Pessoa, lançado pela Leya, e após redigir uma pequena orelha de um grande livro que já está no prelo. Notícias em breve!


01/08/2010

Jazz Festival Brasil

Três atrações internacionais do jazz fazem parte do Jazz Festival Brasil, evento que acontece nesta terça (24) e quarta-feira (25) no palco do Bourbon Street (zona sul de São Paulo).Tocam nesta terça-feira o trio francês Sweet System e o quarteto americano de Los Angeles The Perfect Gentlemen, que alia performance cênica às apresentações e recria harmonias de grupos lendários como The Ink Spots e Pied Pipers.O saxofonista inglês Ray Gelato e sua banda Giants encerram o festival na quarta-feira (25). Gelato tem passagens pelos principais festivais de jazz e palcos do mundo, com shows no Carnegie Hall e no Nice Jazz Festival, mas ficou conhecido pela apresentação no casamento de Paul McCartney, em Londres.Com curadoria do mineiro Leonardo Soltz e do inglês Nik Payton, o festival, que teve a primeira edição em 2001, já passou por 11 cidades brasileiras. com nomes como Judy Carmichael, Duke Ellington Orchestra, Leroy Jones Quintet e Kristine Mills, entre outros.Bourbon Street - r. dos Chanés, 127, Moema, zona sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/5095-6100. Ter. (24) e qua. (25): 22h. Ingr.: R$ 60. 400 lugares. Não recomendado para menores de 18 anos.

30/07/2010

Clube de Jazz - Travessa Jazz Nights

O Clube de Jazz e o Café Travessa abrem espaço para o jazz e a música instrumental através do projeto "Travessa Jazz Nights". Além de oferecer música com qualidade, ela apresentará o jazz em seus vários estilos, abrindo espaços para novos talentos e para lançamentos de cds, dvds e livros.Não deixe de conferir a agenda de shows mantida pelo Clube de Jazz

26/07/2010

Turi Collura Interpreta Noel

Está marcada para setembro a gravação do novo CD de Turi Collura, dedicado ao grande poeta da Vila Isabel, Noel Rosa. A gravação contará com a participação de nomes importantes da música brasileira. Os artistas já confirmados são o compositor e produtor Paulo Malaguti e as cantoras Andréa Dutra, Cacala Carvalho, Elisa Queirós, integrantes do incrível grupo Arranco de Varsóvia. Leia mais AQUI.