30/10/2010

Você já conhece?

28/10/2010

Reflexão



Hélio Bicudo é um dos mais respeitados juristas brasileiros. Um dos fundadores do PT, desfiliou-se em 2005.

Prezado visitante, seria muito bom que assistíssemos ao vídeo acima antes de conversarmos brevemente sobre o desfecho da corrida eleitoral que se aproxima. Sinto-me à vontade para tratar do assunto uma vez que sempre fui eleitor de Lula: contra Collor, em 1989, contra FHC, em 1994, e, novamente, contra FHC, em 1998.

E, confesso, em 2002 tive sérias dúvidas acerca de qual candidato – Lula ou Serra – corresponderia melhor às necessidades do país. Vacilei em favor de Lula e o arrependimento foi imenso. Não que o neoliberalismo de FHC e Serra representasse o modelo político-econômico dos meus sonhos, não mesmo. Para mim, um jovem estudante universitário envolvido por duas vezes com o movimento estudantil - na UERJ (Matemática) e na UFRJ (Direito) –, leitor apaixonado de Os Carbonários, de Alfredo Sirkis e, mais tarde, um petroleiro engajado no movimento sindical e filiado à Convergência Socialista, um dos braços mais radicais do PT, o neoliberalismo realmente não me satisfazia.

Ao contrário, embora relativamente satisfeito com as conquistas econômicas dos oito anos do governo de FHC, meu voto em Lula no ano de 2002 foi acreditando que, diante da estabilidade econômica e institucional que vivíamos, o país já estaria suficientemente preparado para mudanças sociais mais radicais, prometidas por Lula e pelo PT havia décadas. Daí minha infeliz opção nas urnas. Acreditei, erroneamente, que Lula tornaria possíveis alterações estruturais na distribuição de cultura e renda para uma parcela mais ampla dos brasileiros. Os meus temores, desapontamentos e decepções vividos durante minha experiência no movimento estudantil, sindical e partidário tornaram-se realidade: os seres mais abjetos e corruptos que conheci durante os anos anteriores chegaram ao poder e transformaram nossos sonhos democráticos numa grande farsa, num circo de horrores político, num teatro de enriquecimento ilícito.

Nos oito anos de governo Lula, o que verifiquei, inclusive na própria pele, foi que o governo transformou-se no maior pesadelo fascista já vivido na história recente do Brasil. O populismo infantil, a manipulação das massas ignorantes e empobrecidas, mediante o fornecimento de bolsas diversas, a utilização dos órgãos públicos como escritórios de negócios particulares e de propaganda partidária, a invasão de cargos técnicos por néscios politicamente indicados, a corrupção espalhada em todos os níveis do governo, o desrespeito aos mais comezinhos princípios democráticos previstos na Constituição, o descaso para com as decisões dos poderes legislativo e judiciário, o fomento às invasões e destruições de propriedades agrícolas produtivas, as sistemáticas tentativas camufladas de censura aos meios de comunicação e muitas outras razões levaram-me a abandonar, definitivamente, qualquer tentativa de diálogo com quem quer que tente defender o governo do mensalão, da instabilidade jurídica, da mentira e da truculência. Muitos, sentindo-se traídos, abandonaram o PT, como Hélio Bicudo, Marina Silva e eu.

Para aqueles que consideram o termo 'fascista' exagerado, basta verificar que, ao lado do populismo e da corrupção, o governo tem sido sistematicamente acusado pelos meios de comunicação de intervir nos trabalhos da Polícia, do Ministério Público e do Judiciário, no sentido de proteger amigos e perseguir inimigos. O caso mais recente que me vem à mente é  o de Pedro Abramovay,  atual Secretário Nacional de Justiça que, em conversa com seu antecessor, Romeu Tuma Júnior, disse: "Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. Eu quase fui preso como um dos aloprados". (Gilberto Carvalho é o atual Chefe de Gabinete da Presidência da República). 

Causa-me espécie que pessoas de minha estima, algumas delas consideradas amigas, manifestem seu voto em Dilma, uma terrorista extremamente ignorante, oportunista e despreparada. Não quero crer em fisiologismo, demagogia, partidarismo ou mero interesse pessoal de suas partes. Algumas, pelo muito ou pelo pouco que conheço, são pessoas distintas, honestas, cultas e bem informadas. Como podem votar em pessoa e partido associados a Collor, Sarney, Jader Barbalho, José Dirceu e tantos outros tumores políticos que profundo estrago vêm causando ao já tão debilitado organismo brasileiro?

Acontecendo o pior, só espero estar errado. Espero que  o MST inicie a reforma agrária pelo improdutivo campo de futebol que Chico Buarque, eleitor de Dilma, possui em sua bela casa na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio, estado que apóia Dilma e que se encontra dominado por milicianos. Espero  também  que nossas combalidas instituições democráticas possam sobreviver a mais quatro anos de desmandos, imperícia técnica, corrupção e populismo ignóbil.

John Lester

24/10/2010

Músicos de jazz morrem cedo: fato ou ficção?

Segundo o crítico Martin Lindsay [1] a bebida, as drogas, as mulheres e o excesso de trabalho, tornavam os músicos de jazz mais expostos à morte prematura que as demais profissões. Para Gunther Schuller [2] a carreira da ODJB (Original Dixieland Jazz Band) foi tão fantástica e típica quanto a de qualquer outra banda de jazz, com vida desregrada, alcoolismo e mortes prematuras. Já Whitney Balliett [3] afirma que a carreira de Big Sid Catlett (o famoso baterista morto aos 41 anos) foi sistematicamente marcada pelo sofrimento, mesmo para um músico de jazz, profissão cercada pela pobreza, obscuridade e morte prematura. Em que dados estes respeitados críticos se basearam para afirmar que os músicos de jazz morrem cedo?

Estudos estatísticos apresentados pelo Dr. Frederick Spencer [4], da Virginia Commonwealth University, indicam que todas as afirmações acima não passam de meras opiniões, formuladas não se sabe a partir de que fonte. O estudo, realizado com 86 músicos de jazz nascidos entre 1862 e 1938, demonstrou que 82% deles ultrapassaram suas expectativas de vida, considerando-se o ano de nascimento, o sexo e a cor de cada um deles. 75% dos músicos brancos, 80% dos músicos negros e 100% das mulheres ultrapassaram suas expectativas de vida, revelando que deve haver algo muito errado com o mito tão propalado de que os músicos de jazz morrem cedo.

Embora alguns estudiosos tenham criticado o estudo apresentado pelo Dr. Spencer, alegando que a amostra não seria adequadamente representativa, o fato é que a esmagadora maioria das afirmações feitas sobre o tema não se baseia em fontes ou dados confiáveis, nem em análises estatísticas, mas tão somente em temerárias ou apaixonadas opiniões pessoais.

O fato de o jazz ter nascido nos prostíbulos de New Orleans e ter passado a juventude nos bares clandestinos de Chicago, ou seja, em meio a muita violência, mulheres contaminadas e bebidas alcoólicas de péssima qualidade, fez com que se gerassem vários mitos, como os de que todo músico de jazz era um bêbado promíscuo, ou que levava uma vida desregrada, ou que trabalhava em excesso ou que morria jovem.
  
Tais mitos, alguns deles difundidos inclusive por críticos respeitados, em sua grande maioria não passam de impressões pontuais sobre determinados casos, deturpando a realidade mais ampla ou romantizando a vida e morte desses profissionais que, em geral, enfrentavam os mesmos problemas que os demais trabalhadores de seu tempo. Com o advento da internet, observamos uma amplificação considerável do número de bobagens que são repetidas por leigos e especialistas que, sem qualquer fundamento em dados fidedignos, fortalecem velhos mitos, chegando mesmo a criar novos. Exemplos notáveis são os livros de séries como “Dummies” e “Idiots”, recheados de inexatidões, como o The Complete Idiot’s Guide to Jazz, que traz informações incorretas sobre diversos músicos, chegando ao ponto de rebaixar o major Glenn Miller ao posto de capitão.

Alguns, além de serem inexatos, chegam a ser deselegantes, como o site que descreve o grande baterista Chick Webb como um anão corcunda inválido. Outros inovam na medicina, como a Encyclopedia Britannica, quando diz que a morte de Bix Beiderbeck é atribuída tecnicamente à pneumonia, mas na verdade o que o matou foi a frustração, o abandono e o desencanto! Se assim fosse, eu morreria instantaneamente ao assistir Lula ou Dilma falando suas mentiras e asneiras.

Em seu formidável livro Jazz and Death: Medical Profiles of Jazz Greats, o Dr. Spencer identifica uma longa série de incorreções ditas a respeito de famosos músicos de jazz, esclarecendo com base em farta documentação, inclusive atestados de óbito, as verdadeiras causas de suas enfermidades e as verdadeiras condições de suas mortes. Além disso, discorre sobre diversos músicos com distúrbios psiquiátricos e dependência química, demonstrando que, ao contrário do que os padres e as mães dizem, a droga podia sim, em alguns casos, influenciar positivamente na criatividade e na performance dos músicos.

Obra essencial para o estudioso que, como diria Frank Zappa, sabe que o jazz não está morto. Ele só está com um cheiro estranho.

 

[1] Lindsay M: Teach Yourself Jazz. London: English Universities Press, 1958, página 2.
[2] Schuller G: Early Jazz. Its Roots and Musical Development. NewYork: Oxford University Press, 1968, página 176.
[3] Balliett W: The Sound of Surprise. New York: Da Capo Press, 1978, página 144.
[4] American Journal of Public Health. June 1991, Vol. 81, Nº 6, páginas 804 e 805.

Desafio Jazzseen 2010

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22/10/2010

Dilma ama literatura



Dilma antes, Dilma depois:

Erenice Guerra

11-09-2010 - "Ela tem minha confiança até hoje"
12-09-2010 - "Não posso ser julgada com base no que aconteceu com o filho de uma ex-assessora"

MST

20-04-2010 - À Rádio Jornal, do Recife, Dilma declarou que não considerava "cabível" usar um boné do MST: "Governo é governo, e movimento social é movimento social"
24-06-2010 - Discursou na convenção do PT em Sergipe com o boné do MST na cabeça

Liberdade de imprensa

05-07-2010 - Em seu programa de governo, entregue à Justiça Eleitoral, propunha o controle da imprensa por meio de conselhos e "observatórios" comandados pelo governo
21-07-2010 - "Sou rigorosamente contrária ao controle do conteúdo. O único controle que existe é o controle remoto"

Meio ambiente

13-12-2009 - Durante a Conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, classificou como "um escândalo" o fato de os países ricos cobrarem contribuições financeiras das nações em desenvolvimento para a construção de um fundo de preservação ambiental
14-12-2009 - Desautorizada por Lula, que se dispôs a contribuir com o fundo, Dilma se disse favorável à doação, desdenhando a proposta feita por Marina Silva, que sugeriu que o Brasil doasse 1 bilhão de dólares. "Não faz nem cosquinha" disse Dilma

Política monetária

09-11-2005 - Dilma classificou a política de juros do Banco Central, comandado por Henrique Meirelles, de "rudimentar" e afirmou que o BC apenas "enxugava gelo"
10-05-2010 - "Importantíssima a autonomia operacional que o Banco Central teve no governo do presidente Lula. Sempre tivemos uma relação muito tranquila com o BC"

Aborto

04-10-2010 - "Acho que tem de haver a descriminalização do aborto. Acho um absurdo que não haja"
29-09-2010 - "Eu, pessoalmente, sou contra. Não acredito que haja uma mulher que não considere o aborto uma violência"

Comentário de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos (SP): "O aborto é o mais horrendo dos homicídios. A dona Dilma tem documentos, programas dizendo que é um absurdo o Brasil não aprovar o aborto. O recuo é mero oportunismo".

A questão importante: quem é Dilma? Que idéias ela defende? Ninguém sabe. Talvez Chico Buarque, morando em Paris, possa nos dizer.