09/11/2010

Conselhos de Comunicação

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas, Omar Coêlho de Mello, se posicionou nesta segunda-feira (25/10) contra a criação de conselhos estaduais de comunicação com o objetivo de monitorar e fiscalizar a atuação da mídia. O tema foi discutido durante a reunião extraordinária do Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais da OAB, em Brasília. Por trás da idéia de criação dos conselhos, há uma possibilidade de haver uma inadmissível afronta à liberdade de imprensa. E à Ordem cabe ficar vigilante para não permitir qualquer iniciativa que imponha censura aos meios de comunicação, afirmou Omar Coêlho, que preside o Colégio de Presidentes. Para o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, a criação de conselhos estaduais de comunicação com o objetivo de monitoramento é inconstitucional. 
"Não podemos tolerar iniciativas que, ainda que de forma disfarçada, tenham como objetivo restringir a liberdade de imprensa. A OAB vai ter um papel crítico e ativo no sentido de ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade contra a criação desses conselhos". Alagoas é um dos estados ao lado do Ceará, Bahia e Piauí que se prepara para implantar conselhos de comunicação com o propósito de monitorar o trabalho da mídia. A criação dos conselhos foi uma recomendação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no ano passado por convocação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Para Ophir Cavalcante, o fato de a criação de conselhos estaduais ser recomendação da Confecom não pode ser usado como justificativa para tais iniciativas. Ainda na avaliação do presidente nacional da OAB, é "extremamente preocupante" o fato de a iniciativa vir se repetindo em vários Estados simultaneamente. "Isso aparenta ser um movimento concertado entre vários líderes políticos com o intuito de restringir o papel da imprensa", acrescentou. 
O Ceará foi o primeiro Estado a tomar a iniciativa. Na última semana, a Assembleia Legislativa cearense aprovou a criação de um conselho, vinculado à Casa Civil, com a função de "orientar", "fiscalizar", "monitorar" e "produzir relatórios" sobre a atividade dos meios de comunicação, em suas diversas modalidades.

07/11/2010

The fate of jazz

 Para quem acredita que o ser humano é um organismo único, dotado de uma totalidade complexa regida por lógicas não puramente aristotélicas e, por isso mesmo, tão suscetível a profundas contradições, o livro Red & Hot: The fate of jazz in the Soviet Union, de S. Frederick Starr, pode trazer algum alento. Como responde o próprio autor, um sujeito cheio de bom humor, de que maneira poderia o jazz ter nascido e sobrevivido num país sem saxofones? Sim, a verdade, certas vezes, de tão rude, solicita uma abordagem lúdica para que a realidade venha à tona sem que nos cegue. Toda a censura, o controle, a regulação e a manipulação estatal das manifestações artísticas na Rússia, desde a Revolução Socialista de 1917 até a glasnost no final da década de 1980, fazia parte de um sonho de sociedade comunista perfeita, constituída pelo novo homem soviético. Para a realização deste sonho comunitário e igualitário era preciso, segundo o Partido e seus burocratas, reprimir, censurar e perseguir. Homens como Lênin, Trotski e Stalin definiram um sombrio caminho para a felicidade, que somente seria atingida após uma série de assassinatos, torturas, controles, exílios e muita censura, inclusive musical. Neste processo paradoxal, resta claro que o jazz deveria ser aniquilado em nome da igualdade musical: afinal, como permitir que um estilo musical democrático, festeiro, baseado no improviso e na liberdade individual de cada músico contaminasse a formação do novo homem soviético? Nada disso. Todas as vozes deveriam soar idênticas.
    
Graças sobretudo à insistência e teimosia de intelectuais e de uma parcela mais educada da população russa, além de excêntricos como o poeta surrealista, editor e dançarino Valentin Parnakh, o jazz sobreviveu na terra vermelha. Com imensas dificuldades e sob o pesadíssimo olhar da ditadura do proletariado, músicos renitentes fizeram com que o jazz permanecesse naquele país espetacular que estava sendo asfixiado. Um desses músicos foi Роман Кунсман, conhecido no ocidente como Roman Kunsman. Embora seja citado por Starr em diversas passagens de seu livro, não encontramos por lá sua biografia. Aliás, somente encontramos sua biografia em russo, como nos sites MegabbokJazz.ru. Sabemos apenas que Kunsman nasceu em Kuybyshev, no dia 7 de dezembro de 1941. No final da década de 1940, muda-se com a família para Leningrado, onde inicia os estudos de clarinete. Mais tarde, na década de 1960, passa a trabalhar em orquestras de dança, tocando o saxofone alto, que se tornaria, ao lado da flauta, seu instrumento principal. Já integrado no mudo subversivo do jazz, Kunsman passa a trabalhar em clubes de má reputação de Leningrado. Seu quarteto, formado em 1966 com Yuri Vikharev (p), Edward Moskalev (b) e Valerie Mysovskiy (d) foi considerado um dos melhores combos do peíodo. É também dessa época sua composição Solitude, que obteve o prêmio especial da união dos compositores. Entre 1967 e 1968, Kunsman aparece como primeiro saxofone da orquestra de Oleg Lundstrem, com quem viaja em turnês e participa de festivais. Após um breve retorno a Leningrado, quando trabalha no café Noites Crepusculares, em 1971 emigra para Israel, onde forma o grupo Platina, além de integrar como flautista a Orquestra Sinfônica de Israel e participar de uma série de festivais de jazz naquele país e na Europa. Assim, além de Kunsman ter sido um dos fundadores do jazz russo, podemos considerá-lo tambem um dos fundadores do jazz em Israel. Suas gravações realizadas na década de 1970, como o álbum The Girl with the Flaxen Hairsaiu (tema de Debussy, com arranjo de Kunsman), são verdadeiros marcos da evolução do jazz israelense. Por outro lado, recebe a influência da música isralense, o que o leva a dedicar-se seriamente à klezmer music, ou seja, à música tradicional israelense. Nesse sentido são dignos de nota seus álbuns gravados com o clarinetista Moshe Berlin. 

Kunsman morreu em Israel, no dia 04 de novembro de 2002 , aos 61 anos. Para os amigos, fica a faixa 'Round About Midnight, retirada do álbum Nostalgia, gravado em 1966.


01/11/2010

Desafio Jazzseen 2010 - Segundo turno




Prezados amigos, conforme as regras de nosso edital, o Desafio Jazzseen 2010 exigirá segundo turno.

Infelizmente, nenhum dos participantes acertou as quatro perguntas abaixo e, assim, ninguém irá receber gratuitamente o espetacular Box-Set Begin the Beguine, do clarinetista e líder de orquestra Artie Shaw, com 10 CD's. Contudo, haverá um vencedor do bolsa-jazz!

Pergunta 1: Qual o nome do saxofonista que toca na faixa a seguir:
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Resposta: Francesco Cafiso (A faixa interpretada é Louisiana, retirada do álbum Happy Time, lançado em 2006 pela CamJazz).


Pergunta 2: Quais os nomes dos dois músicos acima, da esquerda para a direita?
(Caso necessário, clique aqui para ampliá-la)


Resposta: McCoy Tyner e Eubie Blake.




Pergunta 3: Qual o nome do músico acima?
(Caso necessário, clique aqui para ampliá-la)





Resposta: Jan Allan, trompetista já citado em uma de nossas resenhas. A foto foi retirada do site Norrbottensmusiken.
















































































































































































































Pergunta 4: Qual o autor do texto abaixo e qual o título do livro em que foi publicado?


[ Em 1917, o Literary Digest, ora extinto, porém então muito lido, observou que “estranho vocábulo granjeou largo uso nas fileiras dos nossos produtores de música popular; é “jazz,” empregado principalmente como adjetivo descritivo para uma banda”. Isto é um tanto vago, mas, pelo menos, prova que a palavra “jazz” se estabelecera como termo musical nos Estados Unidos antes do fim da Primeira Guerra Mundial. Ninguém sabia ao certo donde vinha a palavra, quase ninguém sabia exatamente o que significava, exceto que tinha algo que ver com orquestras de dança. Hoje, sabemos muito mais a respeito do jazz, mas ainda temos dúvidas quanto à origem da própria palavra.

Muitas teorias existem sobre a etimologia da palavra “jazz”. Quase todas são fantasiosas, sobretudo as que pretendem que “jazz” derive do nome de algum músico negro, como Jess, ou Chaz (abreviação de Charles). Mais plausível é a sua derivação do patoá negro da Luisiana, embora haja dúvidas quanto à origem francesa ou africana do radical. Uma teoria afirma que a raiz é a do verbo francês jaser, que significa tagarelar, palrar; outra sustenta que formas como jas, jass, jazz e jasz provêm de um dialeto africano. A primeira vez que a palavra “jass” (conforme então se escrevia) surgiu designando certo tipo de música foi, segundo parece, em 1915, quando no Lamb’s Café de Chicago se anunciou em cartaz uma banda de Nova Orleans como “Brown’s Dixieland Jass Band”. Contudo, segundo testemunho de Lafcadio Hearn, a palavra já era conhecida muito antes em Nova Orleans; e, certamente, a música que veio a ser chamado “jazz” existia havia vários decênios, quando do episódio de Chicago.]



Resposta: O autor é Gilbert Chase e o livro é Do salmo ao jazz: a música dos Estados Unidos. Porto Alegre: Ed. Globo, 1957.






Analisando todas as respostas enviadas pelos concorrentes, verificamos que a primeira resposta correta foi emitida por Érico Cordeiro, quando identificou McCoy Tyner e Eubie Blake (Pergunta 2). Infelizmente, logo em seguida, Érico altera sua resposta para Oscar Peterson e Eubie Blake.

A segunda resposta correta foi emitida por Takechi, identificando Francesco Cafiso (Pergunta 1).

O primeiro concorrente a emitir duas respostas corretas foi Pituco, identificando Francesco Cafiso (Pergunta 1) e McCoy Tyner e Eubie Blake (Pergunta 2).

No mais, não houve nenhuma resposta correta para as perguntas 3 e 4.

Mas algumas observações importantes devem ser feitas em relação ao nosso Desafio 2010:

1) Érico Cordeiro identificou a obra original, em inglês, que corresponde à Pergunta 4. Embora a resposta devesse ser dada em português, não podemos negar a valorosa participação do concorrente.

2) Embora Pituco tenha sido o primeiro a responder corretamente o maior número de perguntas (duas), ele manifestou a vontade de não receber seu prêmio, a bolsa-jazz, solicitando que o prêmio (álbum Lennie Niehaus Vol. 3, The Octet, novo, lacrado e sem custo de frete) fosse enviado a um dos concorrentes: Érico Cordeiro ou Takechi.

Sendo assim, diante do impasse, solicito aos amigos que definam, através do voto, para quem deve ir o bolsa-jazz: Érico Cordeiro, Takechi ou Pituco?

As votações serão encerradas na sexta-feira, dia 05/11/10, às 23:59.