29/11/2010

Choro Jazz Jericoacoara



Inspirado em uma das regiões mais belas e exuberantes do mundo o Festival Choro e Jazz Jericoacoara em sua segunda edição traz uma mostra, não competitiva, de música contemporânea, gratuita, tendo o Choro e o Jazz como fio condutor.

Diante da rica biodiversidade composta por mangues, dunas, lagoas e restinga, Jericoacoara emprestará sua inestimável beleza como palco para a realização da segunda edição do Festival

Pela intima relação que se estabelece entre o Choro e o Jazz, sua liberdade na execução e improvisação, o Festival reúne encontros musicais à intensificar o diálogo entre as linguagens e proporcionar performances inovadoras.

Durante cinco dias será apresentado um panorama musical, com renomados músicos e compositores que estão entre os instrumentistas mais representativos da cena nacional e internacional. Entrelaçado com as apresentações O festival promove uma programação pedagógica através de oficinas e workshops que visam oferece aos alunos a possibilidade de desenvolver aspectos técnicos, interpretativos e estilísticos dos principais gêneros-base da música brasileira. As aulas terão a duração de uma semana e prevêem, além dos cursos de instrumento, práticas de conjunto para que os alunos apliquem os conceitos aprendidos em situações próximas do dia-a-dia do músico popular.

O Festival compreende, portanto um conjunto de vivências artísticas e um território propício para novas criações, em busca da extensão da produção de conhecimento e ambiência para o fluxo de informação, compromissado com a valorização e democratização da cultura. 

PROGRAMAÇÃO
 
Dia 30/11
Giuliano Eriston (CE) - 20h
Moderna Tradição (SP) - 21h.
Banda Mantiqueira (SP) - 23h
Dia 1/12
Trio Curupira (SP) - 21h
Manasses (CE) - 23h
Dia 2/12
Richard Galliano (França) - 21h
Rudy y Nini Flores com participação de Luiz Carlos Borges (Argentina/RS) - 23h
Dia 3/12
Dory Caymmi e Renato Braz (RJ/SP) - 21h
Joyce Moreno participação especial de Theo de Barros - 23h
Dia 4/12
Yamandú Costa (RS) - 21h
Hermeto Pascoal (AL) - 23h

OFICINAS/WORKSHOPS
 
Prática de Conjunto e Guitarra - Oficina com Arismar do Espírito Santo
Violão - Oficina com Maurício Carrilho
Violão - Oficina com Alessandro Penezzi
Piano - Oficina com André Marques
Composição - Oficina com Celso Viáfora
Sax - Oficina com Marcelo Bernardes
Panorama da MPB - Oficina com Pedro Aragão
Flauta - Oficina com Toninho Carrasqueira
Percussão - Oficina com Cleber Almeida
Bateria - Oficina com Márcio Bahia

Mais informações.

26/11/2010

The ukuleleist: Lyle Ritz

Lyle Ritz nasceu em Cleveland, Ohio. Já na infância, passada em Pittsburg, tem contato com a música, aprendendo violino e interessando-se também pela tuba e pelo trompete. Adolescente, passa a trabalhar numa loja de instrumentos musicais, onde conhece o ukulele, ou seja, o cavaquinho. Mais tarde, ingressa no Art Center School, de Los Angeles, onde recebe uma sólida formação artística. Em seguida, tocaria dois anos na banda do Exército, consolidando sua vocação musical. Quando Barney Kessel o ouviu tocar, recebeu imediatamente um convite para gravar pela Verve, famoso selo de jazz onde Kessel trabalhava. Acabou gravando dois álbuns: How About Uke?, em 1957 e 50th State Jazz, em 1959. Embora tenham obtido boa acolhida no Havaí, os dois álbuns não despertaram maior interesse nos fãs mais conservadores do jazz continental. Adaptando-se ao mercado, Lyle passa a tocar contrabaixo em estúdios, atuando como sideman em mais de 5.000 gravações, além de comerciais e trilhas sonoras para o cinema e para a televisão. Após 25 anos sem tocar ukulele profissionalmente, Lyle é convidado pelo músico e produtor Roy Samuka a participar de um festival no Havaí, onde descobre com satisfação que seus álbuns gravados para a Verve tornaram-se referência para o jazz feito com cavaquinho. Em 1988, muda-se com a esposa para o arquipélago, onde se apresenta e realiza gravações até hoje. Para os amigos, fica a faixa Don’t Get Around Much Anymore, retirada do álbum How About Uke? com Don Shelton (f), Red Mitchell (b) e Gene Estes (d).

21/11/2010

Professor: Clifford Jordan

Nascido em Chicago, no dia 2 de setembro de 1931, Clifford Jordan inicia ainda criança os estudos de piano. Aos 13 anos, sob forte influência de Lester Young, passa a tocar o saxofone tenor. Estudante do lendário colégio DuSable, é lá que conhece outros alunos ilustres, como os saxofonistas Johnny Griffin, John Gilmore e John Jenkins. Após algumas experiências informais em bandas locais de R&B, aos 26 anos Cliff parte para New York, onde inicia de fato sua carreira profissional: é contratado para integrar a banda de Max Roach, substituindo ninguém menos que Sonny Rollins. Ainda em 1957, substitui Hank Mobley no quinteto de Horace Silver e, com uma sonoridade menos rude que a de Sonny Rollins e com um fraseado menos complexo que o de John Coltrane, seu discurso musical chama imediata atenção das gravadoras, o que o leva a gravar três álbuns para a Blue Note. Em 1959, Cliff é contratado por J. J. Johnson, com quem permanece até 1961, quando passa a integrar a banda de Kenny Dorham. Após um novo período com Max Roach, em 1963 inicia sua colaboração com Eric Dolphy, onde realiza experiências com o saxofone soprano. Em 1964, os dois partem em turnê pela Europa, integrando um dos melhores grupos de Charles Mingus, ao lado de Johnny Coles (t), Jaki Byard (p) e Dannie Richmond (d). Em 1965, Cliff presta homenagem ao bluesman Leadbelly, gravando o pouco conhecido álbum These Are My Roots, para a Atlantic. 

Nas décadas seguintes, Clifford realiza uma série de turnês pela Europa, ao mesmo tempo em que grava regularmente, seja como líder, seja ao lado de músicos como Cedar Walton, Slide Hampton, Barry Harris e Junior Cook. Além disso, consolida sua reputação como compositor, arranjador e professor. Apesar das arriscadas aventuras musicais que experimentou com músicos do free jazz, como Don Cherry, Clifford nunca esqueceria suas sólidas origens no blues e no bebop, daí seu discurso musical ter permanecido sempre acessível e sedutor. Clifford morreu em New York, no dia 27 de março de 1993. Para os amigos, deixo  uma sugestão discográfica e a faixa  Beyond the Blue Horizon , retirada do álbum Cliff Jordan, gravado para a Blue Note em 1957. Com ele estão, na ordem dos solos, Lee Morgan (t), Curtis Fuller (tb), John Jenkins (as), Ray Bryant (p), Art Taylor (d) e, no suporte discreto e preciso, Paul Chambers (b).















Blowing in from Chicago - 1957 - Blue Note 9205 - Primeiro álbum como líder, constitui ótima introdução para aqueles que pretendem conhecer o estilo inicial de Cliff. Acompanhado pelo também excelente tenorista John Gilmore, um dedicado discípulo de Sun Ra, Cliff recebe o suporte  perfeito de Horace Silver (p), Curly Russell (b) e Max Roach (d).

Spellbound - 1960 - Riverside OJCCD-766-2 - Com quatro composições de sua autoria e ainda sem as influências de vanguarda que receberia mais tarde de Charles Mingus, Cliff apresenta nas sete faixas desse álbum um total domínio da linguagem  Hard Bop, do qual torna-se um dos estilistas mais destacados. Com ele estão Cannonball Aderley (as), Cedar Walton (p), Spanky DeBrest (b) e Albert 'Tootie' Heath (d).

Live at Ethell's - 1987 - Mapleshade 6292 - Passada a turbulência experimental dos eletrônicos anos 1970, Clifford volta ao bom e velho e acústico Hard Bop, sem abrir mão de um discurso contemporâneo, instigante e, ao mesmo tempo, equilibrado. Com ele estão Kevin O'Connell (p), Ed Howard (b) e Vernel Fournier (d). Outro excelente álbum do período seria Royall Ballads, gravado em 1986 para a Criss Cross.