10/05/2011

BMW Jazz Festival

O BMW Jazz Festival ganhou uma versão carioca nos dias 13 (segunda) e 14 (terça) de junho. Serão quatro atrações: no primeiro dia se apresentam os saxofonistas Wayne Shorter e Joshua Redman. Já na terça tocam no Rio o baixista Marcus Miller e a cantora Sharon Jones, acompanhada do The Dap Kings. Os shows acontecem no Teatro Oi Casa Grande.
Em São Paulo o festival acontece entre os dias 10 e 12 de junho, no Auditório do Ibirapuera. Além dos artistas que se apresentam no Rio, completam a escalação o saoxfonista Billy Harper, o baixista Renaud Garcia-Fons, o pianista Tord Gustavsen, o grupo de música gospel Madison Bumblebees of Winnsboro e a banda brasileira Orkestra Rumpilezz. No domingo, 12 de junho, o festival terá uma programação gratuita, que acontece na plateia externa do Auditório. Haverá shows de Sharon Jones e da Funk Off Brass Band Parade, além da exibição do filme "Jazz on a Summer’s Day".
Os ingressos para o BMW Jazz Festival começam a ser vendidos HOJE, terça-feira, 10 de maio. As entradas custam R$ 100 (meia a R$ 50) e podem ser compradas no site da Tickets For Fun, no site da Ingresso.com, pelo telefone 4003-5588, nas bilheterias dos locais dos shows e nos demais pontos de venda.
SERVIÇO

BMW Jazz Festival em São Paulo
Auditório Ibirapuera (Parque do Ibirapuera)


Sexta-feira, 10 de junho, a partir das 21h
Billy Harper Quintet
Joshua Redman Trio
Wayne Shorter Quartet
Sábado, 11 de junho, a partir das 21h
Zion Harmonizers
Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz
Sharon Jones & The Dap-Kings
Domingo, 12 de junho, a partir das 21h
Tord Gustavsen Trio
Renaud Garcia-Fons
Marcus Miller - Tutu Revisited
Platéia externa do Auditório Ibirapuera
Domingo, 12 de junho
10h – Funk Off Brass Band Parade
17h30m - Sharon Jones & The Dap-Kings
19h – "Jazz on a Summer’s Day"
BMW Jazz Festival no Rio de Janeiro
Teatro Oi Casa Grande (Avenida Afrânio de Melo Franco 290)
Segunda-feira, 13 de junho, às 21h
Joshua Redman Trio
Wayne Shorter Quartet
Terça-feira, 14 de junho, às 21h
Sharon Jones & The Dap-Kings
Marcus Miller - Tutu Revisited
  • Para os amigos fica a faixa My One and Only Love, com Joshua ao vivo no Village Vanguard:  

09/05/2011

Lenda viva - Max Bennett

São raríssimas as fontes virtuais ou escritas sobre o contrabaixista Max Bennett. Nem mesmo o excelente livro West Coast Jazz, do respeitável historiador Ted Gioia, faz qualquer referência a este músico nascido em Des Moines, Iowa, no dia 24 de maio de 1928 e, salvo prova em contrário, ainda vivo. Após tocar trombone e guitarra na adolescência, Max dedica-se ao contrabaixo. Após trabalhar com Herbie Fields, Georgie Auld, Terry Gibbs e Charlie Ventura, em 1951 alista-se nas Forças Armadas, dando baixa em 1953. Após integrar a banda de Stan kenton entre 1954 e 1955 e participar das formações que tornariam legendário o clube Lighthouse, Max fixa-se definitivamente em Los Angeles. Depois de algum tempo com a cantora Peggy Lee, em 1957 Max passa a acompanhar Ella Fitzgerald, com quem tem oportunidade de participar das famosas turnês da JATP - Jazz at the Philharmonic. Nas décadas de 1960 e 70, atua intensamente como músico de estúdio, passando a tocar principalmente o contrabaixo elétrico, além de participar de diversos projetos, trabalhando com a cantora Joan Baez, Quincy Jones, Tom Scott e seu conjunto fusion L.A. Express, o cantor pop Joni Mitchell, Frank Zappa, Crusaders e Aretha Franklin. Na década de 1980, além de participar da banda de Victor Feldman, Max forma seu próprio conjunto, o Freeway, do qual também é rara qualquer informação.

Para os amigos, ficam as faixas Jeepers Creepers, I'll Never Smile Again e Blues, retiradas do álbum Max Bennett Plays, lançado pela Bethlehem. Com Max estão Frank Rosolino (tb), Charlie Marinao (as), Claude Willamson (p) e Stan Levey (d).  



Lighthouse Café
   

07/05/2011

Jazz Movies - Parte 4

Aqueles que já nos conhecem, além de nunca descuidarem da carteira, também sabem que o Jazzseen tem afeição especial por filmes com e sobre jazz, sejam shows, curtas, longas et coetera. Dando prosseguimento à nossa série Jazz Movies (conheça aqui as Partes 1, 2 e 3), vamos prosseguir com as indicações de curtas, vídeos, documentários e shows, deixando para o final os filmes propriamente ditos, aqueles do tipo a que assistimos no cinema comendo pipoca. 061) Jazz on a Summer's Day - 1987 - New Yorker Video - Documentário sobre o Newport Jazz Festival de 1958, com qualidade de filmagem a cores surpreendente para a época. Belos cenários marinhos são entrelaçados com excelentes performances, com destaque para as apresentações de Anita O'Day, Jimmy Giuffre, Sonny Stitt, Gerry Mulligan, Louis Armstrong e Thelonious Monk, acompanhados por sidemen como Bob Brookmeyer, Jim Hall, Eric Dolphy, Roswell Rudd, Art Farmer, Wynton Kelly, Max Roach e Buck Clayton, entre outros. 062) Jazz Scene USA - Cannonball Adderley Sextet & Teddy Edwards Sextet - 1994 - Shanachie - Sem dúvida um dos melhores vídeos da série lançada pela Shanachie, que reúne em cada DVD dois programas do legendário programa Jazz Scene USA, apresentado em 1962 por Oscar Brown, Jr. Com Cannonball estão Nat Adderley (c), Yusef Lateef (f, oboé, ts), Joe Zawinul (p), Sam Jones (b) e Louis Hayes (d). Outro recomendável DVD da série é Jazz Scene USA - Frank Rosolino Quartet & Stan Kenton and His Orchestra. 063) Jazzvisions: The Many Faces of Bird - 1991 - Polygram - Um dos destaques da série Jazzvisions, este vídeo apresenta uma das mais belas homenagens já feitas a Charlie Parker. Clássicos como Billie's Bounce, Confirmation, Scrapple from the Apple e Yardbird Suite são interpretados pelos saxofonistas James Moody, Bud Shank, Lee Konitz e Richie Cole, acompanhados por Lou Levy (p), Monty Budwig (b) e John Guerin (d). Outro bom título da série é Jazzvisions: Rio Revisited, com Tom Jobin interpretando alguns clássicos da bossa nova, contando com a presença de Gal Costa (v) em alguns números.

 064) John Coltrane - The Coltrane Legacy - 1985 - VAI - Magnífico DVD, reunindo praticamente todas as apresentações televisionadas do genial saxofonista, inclusive a gravada em 1964 no programa de Ralph Gleason, constante da série Jazz Casual. Além da clássica interpretação de So What, com Miles Davis, em 1959, o vídeo apresenta ainda um show organizado por Joachim Berendt em 1961 para a televisão alemã. Destaque para a participação de Eric Dolphy (f, as), McCoy Tyner (p), Reggie Workman (b) e Elvin Jones (d). Essencial para os admiradores de Coltrane. 065) Keith Jarrett Trio: Live at Open Theatre East - 2001 - Image Entertainment - Assim como no ótimo DVD Standards, de 1985, este show foi também gravado em Tóquio, em 1993, com os mesmos Gary Peacock (b) e Jack DeJohnette (d). Diante de uma platéia sempre entusiasmada, o trio interpreta diversos clássicos do jazz, entre eles In Your Own Sweet Way, Basin Street Blues, I Fall in Love Too Easily e Bye Bye Blackbird. 066) Lady Day: The Many Faces of Billie Holiday - 1991 - Kultur - Um dos melhores documentários disponíveis sobre Billie, este vídeo integra a série Masters of American Music. Intercalando depoimentos de músicos que trabalharam com a cantora, como Harry "Sweets" Edison, Buck Clayton e Mal Waldron, com excelentes performances de Billie, o DVD só peca por não incluir sua apresentação com o septeto de Count Basie, em 1951. 067) Lee Konitz: Portrait of an Artist As Saxophonist - 1990 - Rhapsody Films - Digno documentário sobre um dos mais importantes saxofonistas do West Coast Jazz, cujo estilo e interesse musical tem sido ampliado e desenvolvido ininterruptamente há mais de cinqüenta anos. Além dos interessantes depoimentos de Konitz, são apresentados excelentes duetos com o pianista Harold Danko. 068) Les McCann & Eddie Harris: Swiss Movement - 1996 - Rhino - Até a divulgação deste vídeo, ninguém sabia que o excelente show do pianista Les McCann no Montreux Jazz Festival de 1969 havia sido filmado. Com seu trio formado por Leroy Vinnegar (b) e Donald Dean (d), mais os dois convidados de última hora Eddie Harris (ts) e Benny Bailey (t), McCann consegue aliar um soul jazz de alto nível artístico com entusiasmo e sucesso popular, como demonstram plenamente os números Compared to What e Cold Duck Time, ambos disponíveis anteriormente no álbum Swiss Movement. 

069) Louis Armstrong: 100th Anniversary - 2001 - Passport Entertainment - Documentário com poucos comentários e muitas apresentações raras de Louis, acompanhado pelos mais diversos personagens, entre eles Eddie Fisher, Frank Sinatra, Trummy Young, Edmond Hall, Tyree Glenn e Buddy Catlett. 070) Louis Jordan and His Tympany Band - 1992 - Storyville - Este vídeo reúne todas as três aparições do saxofonista em filmes entre 1946 e 1948: Beware, Reet, Petite and Gone e Look Out Sister, com 31 números musicais completos. 071)  Louis Prima: The Wildest - 1999 - Image Entertainment - Documentário com boa quantidade de excelentes números musicais e alguns comentários sobre este longevo trompetista, verdadeiro mestre dos estilos New Orleans, Swing e Retro Swing. 072) The Manhattan Transfer: Vocalese Live - 2000 - Image Entertainment - Gravado ao vivo em Tóquio, em fevereiro de 1986, este DVD apresenta um repertório que vai do jazz ao rock, passando pelo pop. O quarteto vocal, formado por Tim Hauser, Alan Paul, Janis Siegel e Cheryl Bentyne, é acompanhado por Yoran Gershovsky (key), Dan Roberts (ts), Wayne Johnson (g), Alex Blake (b) e Buddy Williams (d). Entre os números de jazz vale destacar os temas Four Brothers, Airegin, Joy Spring, Birdland e How High the Moon. 

073) The Marsalis Family: A Jazz Celebration - 2003 - Rounder - Concerto gravado em agosto de 2001, em homenagem à aposentadoria de Ellis Marsalis como professor. Em sua companhia, seus quatro filhos: Wynton (t), Delfeayo (tb), Branford (ss, ts) e Jason (d). O contrabaixista Roland Guerin completa o sexteto, que recebe os convidados Harry Connick Jr. (p) e Lucien Barbarin (tb). Além dos noventa minutos de música, o DVD apresenta ainda trinta minutos de boas entrevistas. 074) Meet the Bandleaders - 1984 - Swingtime Video - Em 1984, o selo Swingtime Video lançou a série Meet the Bandleaders, apresentando 13 VHS's que, embora em sua maioria tenham sido gravados na década de 1960, apresentam bandas inspiradas no estilo Swing. Entre elas, estão as de Count Basie, Lionel Hampton, Duke Ellington, Artie Shaw, Harry James, Charlie Barnet, Mel Lewis e vários outros. Os dois vídeos mais interessantes da série são Swingtime Video 104 (com Tex Beneke, Jerry Wald, Stan Kenton, June Christy e Gene Krupa)  e Swingtime Video 105 (Larry Clinton, Jimmy Dorsey, Ina Ray Hutton, Red Nichols e Fred Rich). 075) Memories of Duke - 1984 - A Vision - Documentário sobre a turnê de Ellington no México, em 1968. Além das interessantes entrevistas com Russell Procope (cl, as) e Cootie Williams (t), que participaram da turnê, há uma infinidade de números musicais, como Creole Love Call, Black and Tan Fantasy, It Don't Mean a Thing, I Got It Bad, Thing's Ain't What They Used to Be, Mood Indigo, Take the A Train e Do Nothing Till You Hear from Me. Entre os solistas, vale destacar as presenças de Lawrence Brown (tb), Johnny Hodges (as), Paul Gonsalves (ts) e Harry Carney (bs).

076) Miles Davis Quintet: European Tour 1967 - 2006 - Impro-Jazz - Embora algumas das faixas deste DVD já tivessem vindo a público em 2001, lançadas pela Columbia, somente agora podemos contar com a reunião das duas únicas apresentações filmadas desta turnê, as da Suécia e da Alemanha (Karisruhe). Das demais, na Bélgica, Inglaterra, Holanda, Dinamarca, Finlândia, França e Alemanha (Berlin), não se tem registro de que tenham sido filmadas. O quinteto, formado por Wayne Shorter (ts), Herbie Hancock (p), Ron Carter (b) e Tony Williams (d), é considerado o segundo melhor de Miles, sendo superado apenas pelo quinteto clássico formado por John Coltrane (ts), Wynton Kelly (p), Paul Chambers (b) e Jimmy Cobb (d). Os números musicais são Agitation, Footprints, Around Midnight e Gingerbread Boy (Suécia) e Agitation, Footprints, I Fall in Love Too Easily, Walkin' e Gingerbread Boy (Alemanha). Sem dúvida, descontadas as falhas de áudio e a qualidade da imagem, trata-se do melhor DVD de Miles disponível em sua formação acústica tradicional, antes que mergulhasse na fase eletrônica da qual nunca mais conseguiria emergir. Recomendo. 077) The Miles Davis Story - 2002 - Columbia - Este bom documentário, repleto de importantes depoimentos, inclusive do próprio Miles, peca somente por eliminar dez anos da estória do trompetista: a década de 1950. Quanto à música, há alguns bons trechos de suas apresentações entre as décadas de 1960 e 1990. 078) Monk in Oslo - 1993 - Rhapsody Films - Curiosa filmagem do quarteto de Monk em Oslo, Noruega, em 1966, sem a presença de platéia, do que resulta na expressão assustada dos músicos ao final de cada número, afinal não há aplausos nem vaias. De qualquer forma, a coisa flui bem, com música de excelente qualidade. Com Monk estão Charlie House (ts), Larry Gales (b) e Ben Riley (d). 079) One Night with Blue Note - 2003 - Blue Note - Duas horas de excelente seleção das oito horas de concerto, das 20h às 4h, realizado em fevereiro de 1985 para comemorar a ressurreição do selo Blue Note. Além da presença de alguns ícones que fizeram o sucesso do selo nos anos 1960, comparecem também novos talentos. Com pouca fala e muita música, o solo espetacular de Freddie Hubbard, em Cantaloupe Island, já prepara o expectador para o que vem pela frente. Entre os músicos presentes, não poderíamos deixar de citar Joe Henderson, Johnny Griffin (ts), Jackie McLean (as), Woody Shaw (t), Curtis Fuller (tb), Herbie Hancock, Walter Davis Jr. (p), Jimmy Smith (org), Kenny Burrell (g), Ron Carter (b) e Art Blakey, Tony Williams (d) . 

080) Oscar Peterson: The Life of a Legend - 1995 - View Video - Documentário que, embora não apresente muita música, mostra Oscar contando sua própria estória, reunido com alguns de seus músicos, como o guitarrista Herb Ellis, ou com a família, além de importantes depoimentos, como os de Ella Fitzgerald, Norman Granz, Dizzy Gillespie e Ray Brown. Este vídeo é complementado pelo Music in the Key of Oscar, lançado no mesmo ano, pelo mesmo selo e seguindo o mesmo formato. 081) Pat Metheny Group: We Live Here - Live in Japan - 2002 - Image Entertainment - Gravado em 1995, sem dúvida estamos diante de um dos melhores shows já registrados de Metheny. Embora haja franca utilização de elementos da folk music, do rock e do pop, trata-se daquilo que poderíamos denominar de fusion contemporânea, fundamental para os amantes do estilo. 082) Rahsaan Roland Kirk: In Europe 1962-1967 - 2006 - Impro-Jazz - São bastante raros os registros em filme deste que é certamente o saxofonista mais exótico do jazz, capaz de pendurar meia dúzia de instrumentos de sopro no pescoço e executar três deles simultaneamente. A par de seu lado teatral, Kirk foi um dos mais originais saxofonistas e flautistas do jazz, com um pé bem fincado na tradição e o outro na música de vanguarda, daí sua sonoridade única, pungente e, quando assim desejava, belíssima. Não bastasse sua própria figura, cego desde os dois anos de idade, neste vídeo Kirk interage com o genial pianista espanhol Tete Montoliu, também cego. Largando instrumentos em cima do piano, esbarrando nos microfones e, na primeira faixa do DVD, sem conseguir terminar o tema, pois Tete não parava de tocar, Kirk é obrigado a segurar a mão do pianista para fazê-lo sossegar. São dois os shows aqui reunidos: o primeiro gravado em Milão, em 1962, com Tete, Tommy Potter (d) e Kenny Clarke (d) e, o segundo, em Praga, em 1967, com o quarteto regular de Kirk. Indispensável.

Para os amigos fica o tal vídeo em que Tete Montoliu não queria parar de tocar.





Roland Kirk, T.Montoliu, T.Potter, K... por tagalb

05/05/2011

A IDEOLOGIA DO JAZZ


Há pouco, num exíguo espaço onde se ouvia música, junto a um montão de gente, conversava-se sobre jazz. Sou de uma geração que conheceu jazz sob restritas condições, fosse por parcas discotecas, fosse por falta de informações, fosse por rara companhia, fosse pelo reduzido tempo para saborear aquele novo som. Claro que não havia internet. Haviam sim gigantescas radiolas que nos proporcionavam a alegria de conhecer a dimensão de uma nova música através da reprodução de contados LPs ou pela difusão de um programa de rádio chamado “Jazz Time”, ou “Jazz Hours”, na estação Voz da América, transmitido por Willis Conover diariamente às 22 h 15m (20 h15m em Washington, DC). Leia mais AQUI.

02/05/2011

Sketch Jazz



Desenho e música se misturam nos traços dos ilustradores de jazz de SP - Fãs do gênero musical, eles enchem os livros de esboços durante as apresentações; algumas ilustrações vão depois para a internet, é o que nos conta Vanessa Correa, da Folha de São Paulo:

É quinta à noite, o grupo de desenhistas profissionais se reúne para assistir a um show de jazz. Depois do dia de trabalho fazendo ilustrações de livros e story boards para comerciais de TV, eles só querem saber de uma coisa: desenhar de novo. Há cerca de uma ano, ilustradores se encontram todas as semanas para o Sketch Jazz, evento em que desenham bandas que tocam nos bares de São Paulo. Em comum, além da paixão pelo desenho, eles têm o gosto pelo gênero musical nascido em Nova Orleans, nos EUA.

A 37ª reunião do grupo foi na última quinta no Paribar, no centro. Eram cinco. Mas o evento, que visita diversos bares, chega a reunir mais de 15 ilustradores. Entre copos de cerveja, munidos de aquarelas, lápis carvão, canetinhas e marcadores de texto, eles fazem diversos "sketches" da banda da noite. O suporte para os desenhos são os livros de esboços, os "sketchbooks". "Não perder o prazer de desenhar, essa é a ideia do Sketch Jazz", explica Montalvo Machado, 45, um dos criadores do evento.

Ganhar a vida desenhando não é fácil, porém. "Às vezes o cliente manda o desenho de volta porque o vermelho do rótulo da garrafa de cerveja não ficou no tom exato ou porque a gotinha não era para estar bem naquele lugar", conta Leo Gibran, 38. Durante o show, os desenhistas viram uma atração à parte, com sua mesa sempre próxima à banda. Ao final, os "sketchbooks" abertos são reunidos para uma foto, imediatamente postada no site sketchjazz.org. Depois, alguns sketches também são compartilhados na rede. "Todo mundo está vendo a mesma coisa, mas cada um tem uma linguagem diferente", diz Eduardo Bazjek, 35.