23/07/2011
22/07/2011
Lenda Viva - Chris Barber
Quando Vovô Acácio foi convidado por Oscar Niemeyer para projetar Brasília, pouca gente poderia imaginar que deste encontro nasceria uma das mais acirradas polêmicas da história da arquitetura brasileira. Conforme já havia demonstrado no projeto de Welwyn Garden City, inaugurada em 1920, Vovô Acácio era um entusiasta do verde, da coexistência saudável entre árvores, construções, jardins e calçadas. Tendo orientado o arquiteto Louis de Soissons na construção da Welwyn Garden City, a segunda garden city da Inglaterra, Vovô Acácio colocou em prática sua ideia fixa de unir a cidade com o campo, tornando menos inóspita a paisagem urbana, suavizando-a com a presença constante da natureza. Dito isto, claro que seu encontro com o amante brasileiro do concreto foi um desastre. Após a breve reunião, Vovô Acácio perguntava para si mesmo: como é que um comunista pode beber seis garrafas de Château Latour 1934 durante a elaboração de um projeto arquitetônico e, o que é pior, propor a construção de uma cidade totalmente desvinculada de seu entorno?
Nenhum dos apelos de Vovô Acácio junto à imprensa foram ouvidos. Suas reuniões com Juscelino foram em vão. As súplicas ao Papa deram em nada. Brasília nasceu cinza, pesada, sem verde e sem qualquer conexão com os arredores, do que resultou na favelização horizontal da vizinhança, também sem verde e sem jardins, como numa metástase. Visivelmente transtornado, Vovô caminha com dificuldade até a velha estante, de onde retira uma surrada pasta com os projetos originais de Welwyn Garden City, construída quarenta anos antes de Brasília. E cochichava: veja Paulinha, olhe aqui a primeira casa ocupada da cidade jardim, nas vésperas do natal de 1920. Depois, retirando outra foto, disse: está vendo este bebê aqui, é Chris Barber, um dos maiores músicos de jazz da Inglaterra. Sabe onde ele nasceu? Exatamente, em Welwyn Garden City!
Colocando no toca-discos um desconhecido álbum de Chris e apertando entre os dedos a rolha de um dos Château Latour 1934 abertos por Niemeyer durante aquele terrível encontro, Vovô passou a nos contar um pouco mais sobre o músico inglês. Nascido na cidade jardim em 17 de abril de 1930, Chris iniciou os estudos de violino aos sete anos, passando para o trombone aos dezoito e, em 1949, forma sua primeira banda de Dixieland. Entre 1951 e 1954, Chris frequenta a Guildhall School of Music, em Londres, onde estuda trombone e contrabaixo. Nesse período, forma um quinteto e, com a chegada do trompetista Pat Halcox, um sexteto, com o qual se apresenta no Club Creole, também na capital inglesa.
Em 1953, Pat Halcox é substituído por Ken Colyer, talvez o mais importante divulgador do jazz tradicional na Inglaterra. No ano seguinte, com a saída de Colyer, Halcox retorna ao sexteto que, em pouco tempo, alcança grande popularidade e é reconhecido pela crítica especializada como um dos melhores conjuntos de Dixieland da Inglaterra. Em 1954, a cantora Ottilie Patterson passa a integrar a banda e, em 1959, casa-se com Chris, união que duraria até 1983, quando se divorciam. Na década de 1960, com o revival do jazz tradicional na Europa, a banda de Chris tem suas forças revigoradas, além de aproximar-se de outros estilos, como o Swing, o blues e o ragtime. São memoráveis seus encontros com grandes mestres norte-americanos, como Muddy Waters, Sonny Terry, Brownie McGhee, Albert Nicholas, Sidney De Paris, Edmond Hall, Hank Duncan, Russell Procope, Wild Bill Davis e Louis Jordan.
Também o rock e a música clássica são investigados por Chris, músico que já atuou ao lado de lendas como Eric Clapton, Mark Knopfler e Dr. John, além de compor um concerto para trombone e orquestra e gravar como solista com a London Gabrieli Brass. Enfim, um músico comparável ao vinho Château Latour: quanto mais velho, melhor! Nas faixas acima você ouve C Jam Blues (com Albert Nicholas), The Sunny Side of The Street (com Jools Holland), Ragtime Piece (com Mark Knopfler) e Do Lord, Do Remember Me (com Ottilie Patterson, Sonny Terry e Howard McGhee). Quem gostar, plante uma árvore.
Nenhum dos apelos de Vovô Acácio junto à imprensa foram ouvidos. Suas reuniões com Juscelino foram em vão. As súplicas ao Papa deram em nada. Brasília nasceu cinza, pesada, sem verde e sem qualquer conexão com os arredores, do que resultou na favelização horizontal da vizinhança, também sem verde e sem jardins, como numa metástase. Visivelmente transtornado, Vovô caminha com dificuldade até a velha estante, de onde retira uma surrada pasta com os projetos originais de Welwyn Garden City, construída quarenta anos antes de Brasília. E cochichava: veja Paulinha, olhe aqui a primeira casa ocupada da cidade jardim, nas vésperas do natal de 1920. Depois, retirando outra foto, disse: está vendo este bebê aqui, é Chris Barber, um dos maiores músicos de jazz da Inglaterra. Sabe onde ele nasceu? Exatamente, em Welwyn Garden City!
Colocando no toca-discos um desconhecido álbum de Chris e apertando entre os dedos a rolha de um dos Château Latour 1934 abertos por Niemeyer durante aquele terrível encontro, Vovô passou a nos contar um pouco mais sobre o músico inglês. Nascido na cidade jardim em 17 de abril de 1930, Chris iniciou os estudos de violino aos sete anos, passando para o trombone aos dezoito e, em 1949, forma sua primeira banda de Dixieland. Entre 1951 e 1954, Chris frequenta a Guildhall School of Music, em Londres, onde estuda trombone e contrabaixo. Nesse período, forma um quinteto e, com a chegada do trompetista Pat Halcox, um sexteto, com o qual se apresenta no Club Creole, também na capital inglesa.
Em 1953, Pat Halcox é substituído por Ken Colyer, talvez o mais importante divulgador do jazz tradicional na Inglaterra. No ano seguinte, com a saída de Colyer, Halcox retorna ao sexteto que, em pouco tempo, alcança grande popularidade e é reconhecido pela crítica especializada como um dos melhores conjuntos de Dixieland da Inglaterra. Em 1954, a cantora Ottilie Patterson passa a integrar a banda e, em 1959, casa-se com Chris, união que duraria até 1983, quando se divorciam. Na década de 1960, com o revival do jazz tradicional na Europa, a banda de Chris tem suas forças revigoradas, além de aproximar-se de outros estilos, como o Swing, o blues e o ragtime. São memoráveis seus encontros com grandes mestres norte-americanos, como Muddy Waters, Sonny Terry, Brownie McGhee, Albert Nicholas, Sidney De Paris, Edmond Hall, Hank Duncan, Russell Procope, Wild Bill Davis e Louis Jordan.
Também o rock e a música clássica são investigados por Chris, músico que já atuou ao lado de lendas como Eric Clapton, Mark Knopfler e Dr. John, além de compor um concerto para trombone e orquestra e gravar como solista com a London Gabrieli Brass. Enfim, um músico comparável ao vinho Château Latour: quanto mais velho, melhor! Nas faixas acima você ouve C Jam Blues (com Albert Nicholas), The Sunny Side of The Street (com Jools Holland), Ragtime Piece (com Mark Knopfler) e Do Lord, Do Remember Me (com Ottilie Patterson, Sonny Terry e Howard McGhee). Quem gostar, plante uma árvore.
20/07/2011
Mulheres tocam jazz na Faixa de Gaza
A German Women Jazz Orchestra levou ao território palestino isolado um estilo moderno de música ocidental, com elementos de swing e blues. Um evento raro, desafiando o rigor das autoridades israelenses e os apagões.
É difícil imaginar um cenário mais perfeito para a apresentação da German Women Jazz Orchestra: a céu aberto, numa morna noite de verão e sob lua cheia. Trata-se do primeiro concerto de jazz, em muito tempo, na interditada Faixa de Gaza.
É visível o prazer de se apresentar que têm as 12 musicistas alemãs, os espectadores aplaudem entusiásticos. Para muitos deles, trata-se de um momento especial: eles estão gratos pelo fato de haver músicos de outras partes do mundo que se ocupam da região. Além disso, o concerto significa algumas horas de distração, fora da dura realidade palestina.
E, no entanto, levou um bom tempo até que se confirmasse a entrada das jazzistas alemãs em Gaza. Normalmente só atravessa a alta segurança do checkpoint Erez quem é diplomata, ou jornalista com licença especial das autoridades israelenses. Para a maioria dos palestinos, é intransponível a fronteira para Israel.
Tanto maior foi a felicidade de Angelika Niescier, diretora e regente da orquestra feminina fundada pela Deutsche Welle e pelo Conselho Alemão de Música, ao chegar ao lado palestino. "Alegro-me muito pela possibilidade de estar aqui com a música. Em Gaza com o jazz. O primeiro concerto de jazz na Faixa de Gaza... que loucura!"
Seu alívio foi compartilhado por Jörg Schumacher, diretor do Instituto Goethe em Ramallah e co-organizador do evento. "Simplesmente ainda não conseguimos acreditar que deu mesmo certo. Vimos preparando há seis semanas, coordenando, através da Agência de Representação, das autoridades, de Erez, a possibilidade de entrar com as 12 musicistas. Mas sempre precisamos manter um plano B no bolso: 'E se não der certo?!'. E agora estamos simplesmente felizes que todos se encontrem aqui."
No local de apresentação, o Café Gallery da cidade de Gaza, a notícia da chegada fatual das jazzistas alemãs se alastrou rapidamente. Em poucas horas, o café ao ar livre teve que ser transformado numa arena de concerto. Trata-se de um ponto de encontro para jovens. Aqui, a assim chamada "geração Facebook" montou seu quartel-general, criando um pequeno oásis protegido do cotidiano tantas vezes difícil.
Apesar do estresse, Jamal Abu Al Qumsan, o dono do Gallery, tem um sorriso no rosto. Além do prazer do concerto, em si, ele está satisfeito por "haver contribuído um pouco" para levar o grupo de artistas a Gaza. Pois, devido à política israelense de bloqueio, aqui as pessoas se sentem completamente isoladas do mundo, relata o empresário palestino. O intercâmbio com artistas do exterior só se dá virtualmente, através da internet.
A situação interna tampouco ajuda, já que shows de música definitivamente não constam da lista de favoritos do governo do Hamas, como explica Al Qumsan. "É bem difícil organizar um evento destes. O governo que rege Gaza não tem o menor interesse em música, ainda mais de uma banda feminina e, ainda por cima, de jazz. Honestamente, não é fácil. Mas há pequenos nichos de liberdade. Digamos assim: enquanto respeitamos certas restrições, regras e valores sociais, a coisa vai, de algum jeito."
Energia irregular
Contudo Abu Al Qumsan tem outras preocupações: durante a checagem de som, pouco antes do concerto, a energia faltou várias vezes. Apagões frequentes fazem parte do dia a dia na região, por isso toda Gaza é dependente de geradores.
As alemãs levam a coisa na esportiva: afinal, o que conta, acima tudo, é a experiência de estar aqui, lembra Stefanie Narr. A guitarrista está simplesmente encantada com o calor o humano com que foi recebida, com as pessoas "totalmente abertas". Para a regente Angelika Niescier, o intercâmbio direto com os habitantes e com os músicos do local é uma das metas principais.
E, de fato: ao fim do programa de jazz moderno com alguns elementos de swing e blues, dois rappers palestinos sobem ao palco para uma "canja". Por sorte, a eletricidade só falhou duas vezes durante o show de uma hora. O público variado, acostumado até demais com esse tipo de problema, aplaudiu com entusiasmo. Até porque, aparentemente inabaláveis, as instrumentistas da German Women Jazz Orchestra seguiram tocando, como se nada tivesse acontecido. (Fonte: Folha de São Paulo)
15/07/2011
11/07/2011
Bobby McFerrin volta ao Brasil

O cantor e compositor de jazz Bobby McFerrin vem ao Brasil para três apresentações no fim de julho. O primeiro show do norte-americano acontece no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 26 de julho. Depois, McFerrin segue para São Paulo, onde toca no Via Funchal no dia 28. Por fim, o músico volta para o Rio e se apresenta novamente no Theatro Municipal no dia 30. Os shows são parte do festival Jazz All Nights, que ainda trará Branford Marsalis, Esperanza Spalding e Candy Dulfer até o fim do ano. Para as apresentações no Rio de Janeiro, o valor dos ingressos varia entre R$ 1.800 (frisa e camarote) e R$ 60 (galeria). Em São Paulo, o preço dos bilhetes vai de R$ 150 (mezanino lateral) a R$ 400 (camarote e plateia vip).
BOBBY MCFERRIN NO RIO DE JANEIRO
Quando: 26/07, a partir das 20h30 e 30/07, a partir das 21h
Onde: Theatro Municipal (Praça Floriano)
Quanto: R$ 1.800 (frisa e camarote), R$ 300 (plateia), R$ 300 (balcão nobre), R$ 160 (balcão superior) e R$ 60 (galeria)
Ingressos: pelo site www.ingresso.com.br e nos pontos de venda credenciados
BOBBY MCFERRIN EM SÃO PAULO
Quando: 28/07, a partir das 22h
Onde: Via Funchal (Rua Funchal, 65)
Quanto: R$ 400 (camarote e plateia vip), R$ 350 (plateia premium), R$ 250 (plateia 1), R$ 200 (plateia 2), R$ 180 (mezanino central) e R$ 150 (mezanino lateral); há meia-entrada para todos os setores
Ingressos: na bilheteria da casa e pelo site www.viafunchal.com.br
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