04/11/2011

Desafio Jazzseen 2011

É com imensa satisfação que anunciamos aos nossos leitores que está iniciado o Desafio Jazzseen 2011.



Como de costume, o desafio é constituído de três perguntas, que seguem abaixo. O primeiro leitor que responder corretamente a uma das perguntas fará jus ao CD John Coltrane - The Paris Concert - Pablo 0025218678124, gravado em 1961, com McCoy Tyner (p), Jimmy Garrison (b) e Elvin Jones (d).

O primeiro leitor que responder a duas perguntas corretamente fará jus ao CD The Chronological Hazel Scott 1946-1947 - Classics 1448.

Por fim, o primeiro leitor que responder a três perguntas corretamente fará jus ao CD George Wein is Alive and Well in Mexico - Mosaic MCD-1018, gravado em 1967, com Ruby Braff (t), Pee Wee Russell (cl), Bud Freeman (ts), George Wein (p), Jack Lesberg (b) e Don Lamond (d).

Cada leitor pode fazer quantos palpites desejar, até o dia 04 de dezembro de 2011.

Os resultados do Desafio Jazzseen 2011 serão divulgados no dia 05 de dezembro de 2011.



Todos os CD's são novos, lacrados e serão enviados sem qualquer custo para o endereço indicado pelo vencedor.

Boa sorte!



Pergunta 1 - Quem está tocando saxofone na foto abaixo?





  














Pergunta 2 - Quem está tocando órgão na faixa abaixo?


Desafio Jazzseen 2011


Pergunta 3 - Quem escreveu o texto abaixo e de que livro ele foi extraído?

"Foi aí que Willie Smith, o "leão", deu um acorde no piano, olhou para o meu estojo e perguntou?
- O que você tem aí no estojo, boy?
- Um sax, respondi secamente.
Uma voz, do outro lado da mesa, gritou:
- Você não é um dos rapazes que toca com Blanche, no Teatro Lafayette?
Decididamente, respondi:
- Sim.
- Tire o seu instrumento, vamos ver o que você tem aí.
Tirei o meu instrumento, era um novo modelo King.
- Hei, Charlie, veja só isto; não é uma beleza?
Eu reconheci seu nome: Charlie Holmes. Era um dos poderosos "seis" de quem eu tinha ouvido falar. Quando se falava de sax, em mi bemol, tinha-se que se lembrar desses nomes. Os dois gigantes, naquela época, eram Johnny Hodges e Benny Carter. Dois criadores, ambos diferentes. Ambos reis do jazz, reis do "alto".
Quando se mencionava seus nomes do Harlem, recebia-se um sorriso como resposta.
Depois deles, vinham mais ou menos seis outros, considerados bons. Muito bom era Charlie Holmes, principalmente no estilo de Johnny Hodges. Ele veio até onde eu estava, pegou a sua boquilha e, sem me perguntar, tomou o meu instrumento, assim como uma mãe segura um bebê e começou a tocar algo com o "leão", lindo e muito parecido com Johnny. Eu estava maravilhado. Estava ali, com um dos grandes "seis". Tomei um gole do meu gim, olhei e escutei a Charlie Holmes por 10 minutos. Aí, ele tirou a boquilha e comentou suavemente:
- Uma ótima corneta, homem.
Eu respondi:
- Obrigado.
Ia guardá-la quando Howard Johnson, outro dos "seis", pegou a sua boquilha e o deixei tocar Sweet Georgia Brown com o "leão".
Howard disse então para Charlie:
- Escute algo novo.
Eu vi que era uma mistura de Johnny e Benny, muito interessante. Mas ele ficara repetindo os mesmos sons, de qualquer maneira me pareceu bom. Como se vê, esses "gatos" praticavam em casa, por um mês, uma passagem difícil, e guardavam para tocar em ocasiões como estas.
Quando Howard terminou, ele me devolveu o sax:
- Boa corneta, homem, nada má.
Os rapazes batiam no seu ombro e sorriam:
- Você é demais, homem.
Naquele momento, Willie, o "leão", me chamou para perto dele, e perguntou se eu sabia tocar alguma coisa. Respondi que sabia China Town. E ele:
- Prepare-se e procure não cair, porque nós vamos em alta velocidade. 
O ano que eu passara com Count Basie, em Kansas City, tinham-me dado uma supertécnica. Logo, eu estava pronto. Fechei meus olhos e toquei tudo o que sabia, e mais. O "leão" ordenou uma ou duas vezes:
- Continue soprando.
Eu continuei, minha língua estava rápida naqueles sons, eu ia seguindo. Aquela era a minha introdução no Harlem, pela maneira mais difícil. Eu nem fiquei nervoso, tudo foi muito rápido. Quando fiz uma cadência para acabar improvisando, abri os meus olhos e, para minha surpresa, o lugar estava quase cheio, os aplausos explodiram nos meus ouvidos! Eu senti, naquela hora, que tinha conseguido New York. Era o maior teste de jazz, o lugar onde os melhores vêm tocar, para ver, para aprender as coisas novas, estudar, melhorar as suas faltas, porque podia-se achar de tudo lá. Aquela era minha introdução no Harlem, pelo modo mais difícil."

02/11/2011

A capa de jazz mais feia do mundo!

Jazzseen orgulhosamente conclama seus sócios, amigos, visitantes e todos aqueles que vieram parar no blog por acaso a escolher a capa de jazz mais feia do mundo. Iniciamos com a sugestão de nossa amiga Paula Nadler: Donald Byrd – Ethiopian Knights

Dureza hein!


Veja outras sugestões enviadas por nossos leitores:


Aníbal Lemos: Terry Gibbs - The Big Cat
Naura Telles: Sonny Rollins - Way Out West
Paulo Cintra: Miles Davis - Doo Bop

31/10/2011

Dick Garcia: Message From

Há quem diga que o artista é fruto das influências que o cercam e, quanto a isso, não parece haver muita celeuma. O que angustia e aflige, sobretudo ao amigo e baterista angolano Alex Marretta, o maior especialista em congo de Copacabana, é que alguns músicos saiam tocando impunemente por aí, sem nunca terem estudado música. "Isto é um absurdo, isto é mentira, isto é impossível!" gritava Mr. Marretta diante de seus jovens e dedicados alunos de sino de igreja - sim, Mr. Marretta é também um dos últimos devotados mestres de sino de igreja do Brasil. Sua ONG Bate o Sino Pequenino tem sido responsável pela convocação de milhares de bons católicos, mediante pancadas ensurdecedoras no belo instrumento da fé. O curso de sino, devido à sua enorme complexidade, exige uma semana de aulas teóricas e ao menos dois dias úteis de prática. Já Dick Garcia, guitarrista nascido em New York no dia 11 de maio de 1931, preferiu sair tocando de ouvido seu instrumento aos nove anos de idade. Nascido numa família de músicos, Dick viveu rodeado de guitarristas, entre eles alguns tios e um dos avôs, recebendo suas primeiras aulas formais apenas aos treze anos de idade. Fortemente influenciado pelo guitarrista Charlie Christian, foi em Charlie Parker que Dick encontrou seu modelo artístico. Aos dezenove, Dick já integrava o quarteto de Tony Scott, um dos melhores clarinetistas do Bebop, estilo que quase levou o delicado instrumento à extinção.   

Ainda na década de 1950, Dick trabalhou com músicos como Charlie Parker, George Shearing, Bill Evans e Milt Buckner, entre outros, além de liderar seus próprios conjuntos. Além de trabalhar com Kai Winding e Nancy Wilson na década de 1960, pouco se sabe sobre os rumos tomados por Dick. Para os amigos deixo as faixas Have You Met Miss Jones, If I'm Lucky, Stompin' At the Savoy e Like Someon in Love, retiradas do excelente CD A Message From Garcia, lançado pela Blue Moon na série The Classic Dawn Recordings, onde memoráveis álbuns do selo Dawn estão sendo relançados. Com Dick estão Tony Scott (cl), Gene Quill (as), Bill Evans (p), John Drew (b) e Camille Morin (d). 

Garcia by Jazzland

26/10/2011

Aos Confusos, Jazzseen Recomenda Boas Cachaças


Para todos aqueles que ficaram confusos com a postagem anterior, que versava sobre o I Encontro Internacional de Blogueiros de Jazz, fica a recomendação, sem moderação, das seguintes cachaças, eleitas as melhores pela revista Playboy:


1º. lugar: Anísio Santiago/Havana(Salinas, MG), 
2º. lugar: Vale Verde (Betim, MG),
3º. lugar: Claudionor (Januária, MG),
4º. lugar: Germana (Nova união, MG),
5º. lugar: Canarinha (Salinas, MG),
6º. lugar: Serra Limpa (Duas Estradas, PB),
7º. lugar: Maria Izabel (Parati, RJ),
8º. lugar: Seleta (Salinas, MG),
9º. lugar: Sagatiba Preciosa (Ribeirão Preto, SP),
10º. lugar: Germana Heritage (Nova união, MG),
11º. lugar: Mato Dentro Prata (São Luis do Paraitinga, SP),
12º. lugar: Cachaça da Tulha Ouro (Mococa, SP),
13º. lugar: Santo Grau Coronel Xavier Chaves (Cel. Xavier, MG),
14º. lugar: Boazinha (Salinas, MG),
15º. lugar: Lua Cheia (Salinas, MG),
16º. lugar: Casa Bucco Ouro (Bento Gonçalves, RS),
17º. lugar: Nêga Fulô (Nova Friburgo, RJ),
18º. lugar: Armazém Vieira Safira (Florianópolis, SC),
19º. lugar: Weber Haus (Motim, RS),
20º. lugar: Rainha das Gerais (Curvelo, MG)

Para quem, ainda assim, continuar confuso com os textos do Jazzseen, a única solução será comprar, e se possível ler, o seguinte livro:

Mais detalhes aqui



24/10/2011

I Encontro Internacional dos Blogueiros de Jazz



O I Encontro Internacional dos Blogueiros de Jazz foi um absoluto sucesso. Idealizado pela equipa do Jazzseen e contando com o patrocínio da Casa Bonita - Arte & Objetos e com o apoio cultural da Galeria Nardelli, o evento ocorreu no Rio de Janeiro, entre os dias 30 de setembro e 20 de outubro de 2011, mesmo período em que acontecia o XL Festival de Triângulos Equiláteros de Caruaru, outro espetacular evento idealizado pelo percussionista angolano e blogueiro Alex Marretta, considerado pela crítica especializada o baterista mais sensível de Copacabana. Os dois eventos tiveram lugar no Pavilhão de São Cristóvão, espaço democrático onde rapaduras e tablets conviveram em perfeita harmonia. Ao que tudo indica, este é o primeiro encontro internacional de blogueiros de jazz. Organizado sob a esmerada direção de Frederico Bravante, Editor do Jazzseen, o evento contou com a presença de alguns dos mais importantes autores de blogs de jazz do Brasil e do exterior, como John Lester, Paula Nadler, Érico Cordeiro, Olney Figueiredo, Sérgio Sônico, Rogério Coimbra, Tobias Serralho e muitas outras personalidades do meio artístico e empresarial.

Entre os diversos temas abordados nas dezenas de conferências realizadas durante o Encontro, a que mais despertou a atenção do público e da imprensa foi a questão dos direitos autorais, objeto de profunda reflexão durante a palestra do blogueiro Sérgio Sônico. Denominada de "Sai da minha calçada!", a palestra de Sérgio Sônico baseava-se em fatos reais, acontecidos recentemente no Rio de Janeiro, onde um belo ciclista que vendia álbuns piratas de Carlos Gardel foi brutalmente assediado por seguranças da boate Milonga, em Ipanema. Como não cedesse às libidinosas propostas dos musculosos algozes, o jovem amante do tango foi proibido de vender seus álbuns em frente ao estabelecimento, ouvindo dos seguranças a frase ameaçadora: sai da minha calçada! Moral da estória, segundo o jovem ciclista: no governo Dilma, quem não paga o dízimo não engole a hóstia. Outro ponto polêmico abordado por Sérgio em sua palestra foi a questão de saber até que ponto podemos e devemos, em termos morais e legais, divulgar álbuns de tango e jazz que estão fora de catálogo. Devem os amantes dos estilos aguardar pacientemente que os detentores dos direitos autorais decidam relançar tais álbuns? E caso nunca voltem a ser relançados? Que tipo de proteção autoral estes álbuns devem ter, considerando que muitos deles foram gravados há 30 anos ou mais? Nestes casos, até que ponto a pirataria prejudica os músicos? E o que vai ser dos direitos autorais diante do poder cada vez maior da internet de divulgar música gratuitamente?

É claro que as grandes gravadoras têm tentado proteger seus ícones de vendas, como Miles Davis, Tom Jobim, Roberto Carlos e Ivete Sangalo, inserindo 'códigos' nas faixas de seus álbuns, o que tem permitido um certo controle sobre a movimentação destes arquivos pela internet, impedindo ou dificultando seu download, upload e hospedagem em sites de compartilhamento. Contudo, tais 'códigos' são quase sempre 'decifrados' por especialistas em informática, em sua maioria jovens desconfiados dos velhos conceitos de 'direito autoral', o que os leva a tornar tais arquivos acessíveis ao público, pelo menos até que sobrevenha nova proteção imposta pela indústria fonográfica.

Da esquerda: Érico Cordeiro, Olney Figueiredo, Sérgio Sônico, Rogério Coimbra e John Lester
I EIBLOJAZZ - Rio de Janeiro - Outubro de 2011


As duas outras palestras que mais chamaram a atenção dos visitantes e da crítica especializada foram as realizadas pelo baterista Alex Marretta, que discursou sobre a importância das baquetas produzidas com carvalho francês, material capaz de fornecer uma sonoridade achocolatada, e a do arquiteto e clarinetista John Lester, que refletiu sobre o quase desaparecimento do jazz gravado na década de 1970 e a importância da gravadora e selo Xanadu. Criada em New York em 1975 por Don Schlitten, experiente produtor que por diversas vezes atuou também como fotógrafo e resenhista dos álbuns, a Xanadu torna-se rapidamente uma das mais respeitadas gravadoras de jazz, especialmente do estilo Hard Bop (Bebop). Seu repertório é dividido em duas séries: a Silver, contendo gravações inéditas de músicos como Al Cohn, Barry Harris, Dolo Coker, Jimmy Raney, Sonny Criss e Dexter Gordon, além de uma série de quatro long plays sobre o Montreux International Jazz Festival de 1978, e a Gold, especializada em relançamentos de importantes gravações do Swing e do Bebop, sempre com a preocupação de que o músico ou sua família recebessem os devidos direitos auorais. São dessa série alguns álbuns memoráveis, como os de Billy Eckstine, Art Tatum, Coleman Hawkins, Bud Powell e Art Pepper, entre outros.

Após realizar algumas turnês pelo Japão e pela África nas décadas de 1970 e 1980, na década de 1990 a Xanadu para de produzir novas gravações. Em 1999, vende seu catálogo para a eMusic, que também não realiza nenhuma nova gravação, embora continue vendendo os álbuns já existentes da Xanadu. Em 2007 a Orchard compra o catálogo da Xanadu e resolve realizar novas gravações pelo selo, mantendo sua afinidade com o Hard Bop (Bebop): o primeiro novo álbum da Xanadu é Monk, lançado em 2009, onde o guitarrista Peter Bernstein presta tributo ao grande pianista.



Para os amigos, ficam as faixas 01 e 03 retiradas do álbum Xanadu at Montreux, Volume 3, gravado em 1978 com Sam Noto (t), Al Cohn, Billy Mitchell (ts), Ronnie Cuber (bs), Sam Most (f), Dolo Coker, Barry Harris (p), Ted Dunbar (g), Sam Jones (b), Frank Butler (d) e as faixas 02 e 04 retiradas do álbum Monk, gravado em 2009 pelo trio do guitarrista Peter Berenstein, com Doug Weiss (b) e Bill Stewart (d). Boa audição!


Xanadu by Jazzseen