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08/07/2011

A face oculta do jazz

Ingrid Jensen
A fotógrafa espanhola Lourdes Delgado inaugura nesta quinta-feira a exposição "Jazz em Nova York", que com mais de 40 retratos tenta revelar a face oculta dos músicos do gênero mostrando sua natureza mais íntima, longe dos locais onde costumam ser fotografados. "A ideia do projeto nasceu ao ver que havia muita diferença entre as casas de shows luxuosas onde se apresentam e onde frequentam, locais muito mais humildes do que se poderia imaginar", disse a fotógrafa à Agência Efe, que realizou o projeto entre 2000 até 2007. Graças a um grupo de amigos músicos, a catalã, que viveu em Nova York durante 15 anos, foi se adentrando pouco a pouco nesse "submundo" dos jazzmen nova-iorquinos, e por fim decidiu retratar em suas próprias casas, no quarto e na pose da escolha deles, para que "dessem o fundamental do que lhes importa".

Com o passar dos anos a fotógrafa foi percebendo que os estereótipos dos músicos de jazz de Nova York não estavam de acordo com a imagem que ela via, que essa ideia de "tipo boêmio e sem responsabilidades" não era sempre verdade. "Me dei conta que estava contando algo a mais com as imagens, não apenas o retrato da pessoa mas o lugar onde moram e nelas se pode ver inclusive a qualidade do material que seus móveis são feitos ou até os livros que estão lendo", explicou a autora à Efe.

A fotógrafa, que fotografou personalidades políticas como Hillary Clinton e Al Gore, e escritores como Tom Wolfe e Isabel Allende e trabalhou para publicações como "GQ", "Elle", "Newsweek" e "People", decidiu que não seria ela quem escolhesse os músicos, e sim os músicos que recomendavam outros músicos para fotografar.

Cerca de 40 dessas fotos serão expostas até 14 de julho no Instituto Cervantes de Nova York, onde os visitantes poderão percorrer a exibição escutando as criações dos próprios músicos retratados nela graças reprodutores de MP3 que serão distribuídos na entrada.

02/02/2010

Crianças e cachorros

Todos já viram alguma foto sua. Eu adoro essa aí, das três senhoras passeando no parque. Filho de imigrantes russos, Elliott Erwitt nasceu no dia 26 de julho de 1928, passando os primeiros anos de vida na Itália. Aos dez anos, muda-se para Paris e, em seguida, tranfere-se para New York, onde vive dois anos, até fixar-se em Los Angeles. Enquanto estuda na Hollywood High School, Elliott trabalha num laboratório, revelando fotografias de astros do cinema. Em uma de suas viagens exploratórias por New York, tem o privilégio de conhecer Edward Steichen, Robert Capa e Roy Stryker, que admiram seu trabalho e passam a mentores do curioso discípulo. No entanto, é em 1949 que inicia sua carreira profissional em viagens pela Itália e França. Em 1951, recrutado pelo Exército dos EUA, consegue conciliar a carreira com o serviço militar, passando por New Jersey, Alemanha e França. Em 1953, dá baixa e recebe o convite de Robert Capa para integrar a Magnum Photos, um de seus fundadores. Quinze anos depois, passa a condição de presidente da prestigiada agência, cargo que voltaria a ocupar mais duas vezes. Atuando nos mais diversos campos da fotografia, desde a artística até a publicitária, Elliott encanta pelo humor e ironia com que flagra o cotidiano, ora denunciando o absurdo humano, ora revelando a beleza da vida. Ainda na ativa, continua fotografando para a imprensa e para agências de publicidade, sem falar de seus inúmeros livros e exposições realizadas nos maiores museus e galerias do mundo. Não bastasse, Elliott arisca-se em outras áreas, elaborando uma série de documentários, tais como Beauty knows no pain (A beleza desconhece a dor) e The glassmakers of Herat (Os sopradores de vidro de Herat) e produzindo uma série de especiais para a TV. Elliott gosta de crianças e cachorros.

22/01/2009

Tirando o coelhinho da cartola

Raramente recebo ligações de Mr. Lester e, quando as recebo, emudeço de tensão. Lester e Mencken odeiam telefones e telefonemas e, sendo assim, algo terrivelmente sério forçosamente havia acontecido. Atendi e, do outro lado, ouvi um belíssimo solo à capela de Trem das Onze, com algumas citações ligeiras e bem colocadas de Paraquedista e Brasileirinho. Era Lester em mais uma de suas brincadeiras com o clarinete. Alegou que em fevereiro se apresentaria em duo com um amigo baterista no Barril 1800. O show seria em homenagem a Adoniran, mas Lester estava indeciso se a foto do cartaz deveria trazer o poeta segurando o copo com a mão esquerda ou com a mão direita. Esse Lester...

07/01/2009

Pelos olhos de Hunstein

Nosso amigo Francisco Grijó, proprietário do impoluto blog Ipsis Litteris, começa o ano com coloridíssimas fotos, emolduradas com texto ágil. Para os amigos fica o arremedo da postagem original: "Don Hunstein é um homem de sorte. Ele mesmo afirma: I have photographed the famous and the not so famous: business execs and athletes and especially musicians – jazz, classical and pop. The resulting pictures have appeared on over 200 LP and CD covers and on promotional flyers and press kits, in magazines and company reports and advertising. Sorte? Bem, o cara trabalhou para a Columbia Records e muito de seu trabalho transformou-se em capas de disco. Isso, a meu ver, não é nada, se comparado ao fato de ele ter tido o privilégio de, durante o ofício, partilhar o estúdio com figuras como Igor Stravinsky, Duke Ellington, Billie Holiday, Glenn Gould, Miles Davis, John Coltrane, Charles Mingus & outros. Aliás, foi ele - Don Hunstein - quem testemunhou (e registrou) Miles & seu escrete durante as gravações do mitológico Kind of Blue, de 1959. Assumidamente inspirado em Cartier-Bresson, Don Hunstein parece não estar por perto ao fotografar os grandes nomes da música. Sem as afetações comuns a esse universo, os músicos apresentam-se como personagens cuja artificialidade é nula. Em muitos casos, a angústia, a preocupação e a dúvida são expressas de forma tão límpida que sua eternização em fotografia torna-se obra de arte. Esse é o trabalho de um grande fotógrafo. Se quiser saber mais sobre Don Hunstein, clique aqui.

18/11/2008

Chet Passado a Limpo

Os amantes de jazz foram graciosamente surpreendidos com a feliz associação de imagem e som fora dos limites convencionais de um dvd ou da chamada tecnologia 3 D. Young Chet(tradução livre, Jovem Chet), livro do fotográfo William Claxton abordando os anos de 52 a 57 na vida de Chet Baker foi reeditado em edição de bolso e preço acess ível em 2006 pela Schrimer Art Books. Um cd ,de mesmo título e que celebra a edição do livro encontra-se ainda em catálogo(ambos disponíveis na Amazon).Na avaliação dos dois "produtos",temos um Chet vivendo seguramente o melhor período criativo de sua vida, seja nas películas fotográficas editadas nas páginas do livro ou nas duas sessões fonográficas, de 54 e 56, que abrangem o disco. O livro, composto de nove capítulos e que se inicia com seu encontro com Charlie Parker em 1952, mostra um pouco da personalidade que mais tarde seria revelada com cores cinzentas em biografias desoladoras. Um Chet alheio na maior parte do tempo,egoísta e que se comprometia apenas com seus carros, o trompete e ,principalmente,ás drogas.Nas fotos do livro,excepcionais,em preto e branco,porém, "surge" a imagem quase angelical, do jovem frágil, de beleza delicada e incapaz de sorrir diante de uma inconveniente timidez.Segundo Claxton, a razão dessa insegurança era ausência do dente frontal.Baker alegava que não "resolvia o problema" porque isso afetaria sua embocadura no trompete.As fotos também registram os precoces problemas legais de Baker, num capitulo chamado (tradução livre) Carisma e a Lei e que dá início às conseqüências trágicas de seu uso prolongando de narcóticos por 30 anos ininterruptos.No cd ,do selo da Pacific Jazz, temos duas sessões em forma de sexteto,a ideal pra sua musicalidade e a do jazz da "West Coast", com dois grupos diferenciados.Na primeira sessão, de 54, temos a presença dos saxofonistas Bill Perkins e Jimmy Giuffre, Russ Freeman (p), Carson Smith(b ac) e Bob Neel (bat). O ótimo pianista Bobby Timmons conduz a base ritmíca da sessão de 56, tendo Phil Urso (sax), Jimmy Bond(b ac) e Peter Littman (bat).Numa única faixa (a 7),Bill Loughborough "pilota" um curioso "tímpano cromático".Essas sessões,qua se predominantes de standarts(canções do repertório clássico popular americano dos anos 20 a inicio dos 60) eram faixas instrumentais que se encontraram fora da edição definitiva do disco vocal de Baker, o cultuado Chet Baker Sings e das sessões adicionais do Chet Baker and Crew. A sonoridade proveniente do cd coloca Baker em seu devido lugar, com um sopro límpido,de intervenções curtas e objetivas, dialogando musicalmente com seus parceiros de forma tranqüila e envolvente.Esses dois "meios"( livro e cd) ,de forma conjunta ou individualizada, recompensam o apreciadores do jazz e principalmente os de Chet. Para eles - e pra mim - essa imagem - a sadia, e a música é a que gostamos de recordar.

Para os amigos Mr. Lester cedeu a faixa How Deep Is The Ocean , resultado do único e memorável encontro entre Chet Baker e Archie Shepp durante turnê em Frankfurt e Paris, em 1988. Com Horace Parlan (p), Herman Wright (b) e Clifford Jarvis (d).

25/07/2008

Je vous remercie de votre visite


Foto: Art Kane, Harlem, 1958

Prezados amigos, obrigado pela atenção às minhas palavras e também tomo a dolorosa função de informar a respeito da morte do saxofonista Johnny Griffin na tarde desta sexta-feira, dia 25, na França. Griffin estava com 80 anos e radicado na França há mais de 20 .Permanecia trabalhando e resistindo como uma das últimas figuras vivas célebres das fotos de Art Kane ,“Jazz Portrait Harlem 1958”,para a revista Esquire .A ocasião acabou se tornando a reunião dos mais importantes nomes do jazz da história dividindo o mesmo espaço físico (calçada,na pose fotográfica mais famosa).Aos 17 anos, Griffin já tocava com o vibrafonista Lionel Hampton entre o período de 45-47.Em 57, toma parte numa das formações iniciais do Art Blakey Jazz Messengers .Depois, entra no grupo de Thelonius Monk em 58.No início dos anos 60, Griffin forma um quinteto dividindo liderança com o saxofonista Eddie "Lockjaw" Davis de grande popularidade no mercado jazzístico em razão do dinâmico e incandescente som produzido pelo grupo. Em 63, seguindo às pegadas de seu colega de sax e amigo,Dexter Gordon e por problemas fiscais e pessoais se “refugia” na Europa.Fixando residência entre a Holanda e França .Tornando-se ,nessa fase, membro e principal solista da Kenny Clarke –Francy Bolland Band entre 67-72.Nos anos 70 grava pra diversos selos entre eles :  Pablo, Inner City, Galaxy. 

Em 1978, retorna ao mercado americano do jazz .Nos anos 80 e 90 mantém constante atividade em turnês e gravações, inclusive na participação como protagonista de um documentário chamado “The Jazz Life Featuring Jonnhy Griffin”.Fiel a tradição de tenoristas do calibre de Coleman Hawkins,Don Byas,Ben Webster e Lester Young procurava, mesmo ao sax-tenor, proximidade à influencia de Charlie Parker na profusão de idéias, variedade rítmica e liberdade na exploração de todas as regiões do instrumento com velocidade e precisão tanto na condução lírica quanto mais livre.Tinha o apelido de “pequeno grande homem” pelo contraste de sua estatura em relação a sonoridade pessoal do saxofone. Dentre suas gravações podemos destacar : A Blowing Session (Blue Note 1957) - ao lado do trompetista de Lee Morgan e dos saxes de John Coltrane e Hank Mobley; Blowing Session Vo2 (Blue Note 1957) com Coltrane, Eddie "Lockjaw" Davis, Clifford Jordan e John Gilmore; Live in Tokyo (Inner City 1976); Return of Griffin (Galaxy 1978); Griff and Lock (Original Jazz Classics 1978). Descanse em paz. Edú.