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09/07/2011

Voz - Luciana Souza

Como diz em seu próprio site, Luciana Souza é uma das mais expressivas e importantes cantoras de Jazz da atualidade. Vencedora do Grammy junto a Herbie Hancock em seu aclamado disco “River – The Joni Letters” em 2008, Luciana também foi nomeada ao prestigioso prêmio com quatro de seus próprios discos: "Brazilian Duos" em 2002, "North and South" em 2003, and "Duos II" em 2005, e seu ultimo disco, “Tide” de 2009. Todas as suas gravações foram aclamadas pela crítica mundial, incluindo “Neruda” de 2004, e seu famoso “The New Bossa Nova” de 2007, produzido por seu esposo, o talentoso Larry Klein, e considerado pela Billboard Magazine como “Latin Jazz Album of the Year”. Luciana Souza nasceu em São Paulo, em 1966, filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza. Cresceu num ambiente extremamente musical, e já era veterana de estúdios aos dezesseis anos, tendo participado em mais de 200 jingles.   

Premiada com bolsas de estudo, Luciana graduou-se no renomado Berklee College of Music, de Boston, em composição, e fez seu mestrado no New England Conservatory. Como professora, Luciana lecionou na Unicamp, Berklee College of Music, e na Manhattan School of Music, de New York. Seu trabalho como cantora transcende barreiras tradicionais de estilo, oferecendo sofisticação e profundidade musical tanto em Jazz, como em Música Popular Brasileira, bem como música clássica, tendo cantado com as maiores orquestras dos Estados Unidos (New York Philharmonic, Boston Symphony Orchestra, Los Angeles Philharmonic, Chicago Symphony) e do mundo, incluindo a OSESP, em repertório que inclui Manuel de Falla, Jobim, Osvaldo Golijov, entre outros.

Seu último lançamento, “Tide”, na Universal Records, apresenta Luciana como compositora e intérprete sem igual. Seu canto é considerado “perfeito” pela Billboard Magazine, que declarou que “Tide” é um dos melhores discos de 2009. Produzido por seu esposo, Larry Klein, “Tide” conta com a participação dos veteranos Romero Lubambo, Cyro Baptista, Vinnie Collaiuta, Larry Goldings, Larry Koonse, e Rebecca Pidgeon. Luciana consegue fazer definitivas interpretações de “Adeus América” e “Sorriu Para Mim”. O grande poeta Brasileiro Paulo Leminski é homenageado, bem como o Americano e.e.cumming, em belas canções musicadas por Luciana.

Luciana Souza já participou de concertos e gravou com músicos do calibre de Herbie Hancock, Paul Simon, Bobby McFerrin, Milton Nascimento, Maria Schneider, Danilo Perez, John Patitucci, Hermeto Pascoal, e Chris Potter, entre outros. Em 2005, Luciana foi premiada como Melhor Cantora De Jazz pela Jazz Journalists Association.

Para os amigos, deixo as faixas Corcovado e Chega de Saudade, retiradas do álbum Norte e Sul, lançado em 2003 pela Sunnyside. Com ela estão Fred Hersch (p), Donny McCaslin (ts), Scott Colley (b) e Clarence Penn (d).



E, aproveitando o friozinho, seguem cinco dicas de vinhos nacionais a bons preços:

Aurora Reserva Tannat 2009 - Após dez meses em barricas de carvalho francês e americano, este tinto da Serra Gaúcha surpreende com seus aromas de frutas vermelhas, embora seus taninos selvagens impressionem as bocas mais sensíveis. Na faixa de R$28,00.

Pequenas Partilhas Carmenère 2009 - Outro bom vinho da Aurora, dessa vez com taninos mais comportados e bom volume após meia hora de decantação. Por volta de R$37,00.

Merlot Reserva Pizzato 2006 - Também da Serra Gaúcha, mais precisamente do Vale dos Vinhedos, este tinto passa sete meses em barris de carvalho, o que lhe fornece bom equilíbrio, com taninos suaves e acidez correta. Na faixa de R$37,00.

Dal Pizzol Touriga Nacional 2009 - A cepa portuguesa saiu-se bem neste tinto nacional, de cor profunda, persistente na boca com seus elegantes taninos. Por volta de R$45,00.

Pizzato DNA99 2005 - Merlot de boa safra produzido em Bento Gonçalves, com especiarias e bom equilíbrio. Na faixa de R$110,00.

Bom inverno a todos!


18/11/2010

Forró também é jazz: Frank Marocco

Ele é produzido apenas nos anos em que o enólogo decide que a colheita foi boa, dizia Tobias  Serralho enquanto eu tentava ouvir o solo de Frank Marocco, um dos mais respeitados acordeonistas dos EUA. Frank nasceu em Illinois no dia 2 de janeiro de 1931 e passou a infância num subúrbio de Chicago. Foi por lá que, aos sete anos de idade, iniciou os estudos do instrumento. Durante nove anos, além de tocar na banda escolar, foi instruído por George Stefani, sua primeira importante fonte de inspiração. Mais tarde, estudaria com o consagrado acordeonista Andy Rizzo, um dos mais influentes acordeonistas norte-americanos. Com dezessete anos, Frank vence um concurso nacional de acordeão, fato que o encorajaria a dedicar-se integralmente à música. Veja só, disse Tobias assim que o solo de Frank terminou: ele é cem por cento touriga nacional! Eu nem sabia que havia uma uva brasileira Lester! Antes que pudesse a explicar a Tobias que a touriga nacional não é uma cepa nativa do Brasil, Frank voltou a solar. Pois bem, após formar seu trio, Frank passa a se apresentar no nos estados do centro-oeste, onde conhece a esposa Anne, em Indiana. Já casado, decide fixar residência em Los Angeles e, já com um novo grupo, Frank passa a se apresentar em bares, clubes e hotéis de Las Vegas e Palm Springs. Ao mesmo tempo, aproveita as boas oportunidades oferecidas pelos estúdios de cinema e televisão, produzindo uma série de trilhas sonoras importantes, além de comparecer como sideman numa infinidade de shows e gravações. Ouça aqui sua interpretação de Four Brothers, retirada do álbum Jazz Accordion, lançado em 1979 pela Discovery.


Terminado o excelente 2º Festival Internacional de Juazeiro, que durante seis dias de shows reuniu o jazz de Frank Marocco, o tango do argentino Hector Del Curto, as melodias mediterrâneas do italiano Antonio Spaccarotella com os mais populares nomes do forró brasileiro, como Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeom, Cicinho de Assis e Targino Gondim, pude finalmente verificar o estado deplorável em que se encontrava o velho amigo Tobias Serralho. Acostumado às doses homeopáticas da cachaça artesanal que produz em seu engenho em Petrolina, o poderoso organismo de Tobias não suportou adequadamente em jejum as três garrafas de Rio Sol Winemaker’s Selection Touriga Nacional. Produzido com a cepa nativa mais tradicional de Portugal, seu afinamento em madeira ocorre durante seis meses em barricas de carvalho francês. Vermelho-grená intenso e brilhante, possui aromas complexos que lembram frutas negras bem maduras, como amoras e framboesas, notas de pinheiro, chá earl grey e especiarias. Sedutor e encorpado, com taninos nobres. Fiquei absolutamente surpreso que, em pleno clima semi-árido, pudesse ser produzido um vinho tinto com tamanha qualidade, considerando seu custo: R$39,00.

Criada em 2002 pela vinícola Portuguesa Dão Sul, a Vinibrasil é um dos mais recentes e inovadores projetos da viticultura e enologia no mundo por ser a única a produzir vinhos de qualidade internacional na latitude 8° sul. Localizada no interior do Estado de Pernambuco, às margens do rio São Francisco, a Vinibrasil já conta com uma área de 200 ha de vinhas, de um total de 1.600 ha, das variedades Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouchet, predominantemente, além das variedades portuguesas Touriga Nacional e Tinta Roriz. Toda essa área está equipada com um dos mais modernos sistemas de fertilização e irrigação, que torna possível a produção em condições semi-áridas. Desde sua criação, seus vinhos têm sido distinguidos com diversos prêmios nacionais e internacionais. Atualmente exporta para mais de 15 países.

Enquanto preparava um javali com pimenta rosa para acompanhar o convincente tinto, Tobias colocou a faixa Cavaquinho , de Ernesto Nazaré, retirada do álbum Appassionato, lançado em 2008 pela Barvin. Depois ficamos ouvindo Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeom, Targino Gondim e Cicinho de Assis, interpretando respectivamente Eu Só Quero um Xodó, Lamento de Sertanejo, Vida de Viajante e Esperando na Janela. Enquanto isso, o luar do sertão abraçava a noite.