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27/05/2009

Legends of Acid Jazz - Fred Jackson

Não, nunca escrevemos sobre ele por aqui, exceto a breve menção quando tratamos da Navalha de Ockham. Fred Jackson é um dos grandes tenoristas desaparecidos do acid jazz - leia-se soul jazz, aquele hard bop meloso, sensual, repleto de groove e funky. Injustamente esquecido com o passar dos anos, Fred gravou apenas um álbum como líder para a Blue Note em 1962, Hootin' 'N Tootin'. Com ele estavam os animados Willie Jones (g), Earl Vandyke (org) e Wilbert Hogan (d). Como se poderia esperar, seu forte não é nem a criatividade nem a transcendência. Como robusto saxofonista que é, Fred soprepõe seu fraseado com base nos velhos elementos doados pelo bebop, mas com aquela convicção sedutora que tanto caracteriza o estilo, conquistando inequivocamente mesmo o ouvido mais reticente. Antes de gravar seu álbum, Fred havia trabalhado com Little Richard e BB King, dos quais absorveu os válidos sentimentos do R&B e do blues. Em 1961 grava seu primeiro álbum de jazz com o organista Baby Face Willette. Depois disso, gravou seu álbum e sumiu. Para os amigos fica a faixa título do tal álbum, que recomendo com veemência aos apreciadores do acid jazz. Ou não?

30/01/2008

Legends of Acid Jazz - Boogaloo

Boogaloo Joe Jones nasceu Ivan Joseph Jones na New Jersey de 1940. Sabemos pouco sobre esse guitarrista autodidata que aos 16 anos ganhou uma velha guitarra do pai. Inicialmente influenciado por Tal Farlow e Billy Butler, Boogaloo construiu seu estilo misturando muito funk, soul e blues, aprendidos com os mestres que atuavam em Atlantic City, entre eles Wild Bill Davis, Willis Jackson e Charlie Ventura. Nas décadas de 1960/70 Boogaloo gravou uma série de álbuns para a Prestige, a maioria deles relançada em cd. E quem acredita que Boogaloo não passa de um excelente guitarrista de R&B, está redondamente enganado. Em seus álbuns para a Prestige – em especial na coletânea Legends of Acid Jazz, que reúne os álbuns Boogaloo Jones (1969) e Right on Brother (1970) – Boogaloo demonstra sua habilidade para improvisar numa pegada que muito se assemelha a de um Grant Green ou, em alguns momentos mais ágeis, a de Pat Martino. O cd, embora contenha dois álbuns, parece curto demais de tão bom. Sempre muito bem acompanhado por músicos da categoria de Rusty Bryant (ts), Bernard Purdie (d), Sonny Phillips ou Charles Earland (org), Boogaloo deveria ser muito mais reconhecido pela crítica e pelo público. No entanto, gravou pouco e hoje nem sabemos ao certo por onde anda. Dizem que em Vineland, New Jersey. Para os amigos visitantes fica a faixa Boogaloo Joe. Até!

19/12/2006

Legends Of Acid Jazz - Sonny Phillips

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Ele nasceu no Alabama de 1936. Durante a faculdade de Educação tocava piano em grupos de blues e jazz. Estudou com Ahmad Jamal na década de 1950 e, após ouvir Jimmy Smith, resolveu passar para o órgão. Trabalhou com gente do calibre de Eddie Harris, Lou Donaldson e Gene Ammons. No final da década de 1960 e início da de 70 Sonny Phillips gravou uma série de álbuns para a Prestige, acompanhado por vários músicos importantes do soul jazz, como Rusty Bryant, Melvin Sparks, Jimmy Lewis e Bernard Purdie. Infelizmente, por motivos de saúde, nosso amigo teve que se afastar da música, dedicando-se a partir de então à educação. No Gramophone Jazzseen - topo da página - você poderá ouvir a faixa Sure 'Nuff, Sure 'Nuff, retirada do álbum de mesmo nome, gravado em 1969. Com Sonny estão Virgil Jones (t), Houston Person (ts), Boogaloo Joe Jones (g) e Bob Bushnell (b). É fácil verificar que Sonny Phillips é mais um desses grandes mestres esquecidos do jazz. Boa audição!

15/12/2006

Butler, o chefe dos serviçais

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Nosso mordomo morreu cedo, aos 66 anos. Mas, antes disso, Billy Butler gravou bastante com sua guitarra suculenta, cuja sonoridade nos lembra o gumbo, aquela sopa encorpada de New Orleans. E essa coisa de música é como o paladar: extremamente pessoal. É claro que diante de tantos músicos importantes do acid jazz, ou melhor, do soul jazz, nossa única alternativa é recorrermos à escolha pessoal. Ok, tudo bem, eu sei que deveria falar de Wes Montgomery, Grant Green ou Kenny Burrell nessa série natalina dedicada ao Papai Noel negro. Isso seria natural e óbvio. Mas, sei lá, resolvi selecionar Billy Butler como o guitarrista desse dezembro groove. Butler é o tipo de músico que levava o sentimento às últimas conseqüências e quase nunca se deixou seduzir pelo exibicionismo técnico. O cara sabia tudo sobre a linguagem de Charlie Christian, basta você verificar suas gravações como músico de estúdio. Mas, em seus álbuns como líder, Butler constrói aquela tensão que somente os mestres do soul jazz sabiam construir. Como o amante idealizado por toda mulher, Butler parece ficar eternamente nas preliminares, com a calma digna de quem sabe que está no controle da situação. Para os amigos navegantes, deixo a faixa Cherry no Gramophone Jazzseen – acima, no topo da página. Ela foi retirada do cd Legends Of Acid Jazz, que reúne dois álbuns do moço: This Is Billy Butler (1968) e As Night Life (1970). Com Butler estão Houston Person (ts), Ernie Hayes (p), Bob Bushnell (b) e Rudy Collins (d). É só clicar e saborear…