13/09/2006

To be bop or to be pop?

Quando eu falei o nome do pianista, a rapaziada do Clube das Terças foi unânime: ninguém gostava. Tratava-se de Ramsey Lewis. No entanto, como eu tenho tentado não ser preconceituoso nem me deixar levar pela onda dos amigos, tecerei alguns comentários sobre o dito cujo. Faz parte do meu modo de ser, à maneira de Cândido, sempre procurar o lado bom das coisas (Voltaire já fez muita graça com esse tema). Quando se fala de Ramsey Lewis, a crítica sempre se volta para a vertente pop de suas interpretações (principalmente nos anos sessenta, com aquela pegada impregnada pleo r&b e pelo ascendente funk). No entanto, creio eu, é nessa ligação que está a maior contribuição do cara para o jazz. Não por trazer novidades para os músicos, mas, sim, por atrair o público jovem com o seu balanço. A pegada imposta por Lewis e pelos seus comparsas de palco, o baixista Eldee Young e o baterista Red Holt (depois substituídos, em algumas sessões, por Cleveland Eaton e Maurice White) botava o povaréu para dançar e para cantar, levados pelos temas populares (devidamente relidos pelo trio numa linguagem mais jazzística). As gravações ao vivo são verdadeiras festas. E não foi à toa que, em 1965, o trio papou o Grammy com o disco The In Crowd. Para quem quiser conhecer o trabalho do trio, eu indico a coletânea In person, que reune gravações de 60 a 67. Deixarei duas faixas no Gramophone by Salsa para vocês sentirem momentos diferentes de Ramsey Lewis - um puxado pro Bop e outro pro pop.

7 comentários:

bia disse...

Nada como acordar as 5 da manha e ouvir jazzseen...

Delicia!

Salsa disse...

Isso é que é trabalhadora!!! Cinco da manhã, putz! Seja bem-vinda

John Lester disse...

Sei lá. Tocando jazz, ainda fico com o pop Nat King Cole. Notadamente aquelas gravações com Lester Young.

Ramsey me passa aquela mesma sensação de uma sala discreta e serenamente decorada, com um inusitado escafandro do século XVIII sobre uma mesa de centro da Bauhaus. Desconcertante.

JL.

Salsa disse...

Prezado Lester,
A imagem do escafandrista foi surreal. Ramsey não vai tão longe. Quanto ao trio de Nat King Cole, esse é de primeira linha. Especialmente quando ele só tocava. Bem que você podia sapecar alguma coisa dessa formação (piano, baixo e guitarra).

JoFlavio disse...

Para quem no início da década de 60 ouviu o então "prodígio" Hancock ao lado de Miles davis, o Ramsey teria que ficar em segundo plano. Mas um disco (do próprio Ramsey, 1968)fez muito sucesso na turma e até hoje é lembrado com simpatia. Trata-se de "Mother Nature's Son",homenagem ao "àlbum branco" dos Beatles. Bem verdade que os arranjos de Charles Stepney
foram decisivos.

Reinaldo Santos Neves disse...

Sou conhecido como preconceituoso e reacionário em termos de jazz, e sou, mas defendi um pouquinho o Ramsey Lewis Trio numa das reuniões do Clube das Terças. Aliás, ainda guardo o único cd que tive do trio, aquela sessão gravada ao vivo que está na série Jazz Hour. E o que me agrada nele (tirando, é lógico, as faixas latinosas) é isso aí, Salsa: a capacidade de empatizar com seu público, fazendo-o rir, gritar, gingar e dançar (ouça-se a versão de "Summertime", por exemplo). Jazz também é festa, e é isso que Ramsey Lewis oferece. Um tipo de música que está em seu elemento quando feita ao vivo. Mas também um tipo de música que, no que me diz respeito, não exige mais que um único item na cedeteca.

Garibaldi Magalhães disse...

Pô, Salsa, não fala em Cândido (nem no de Voltaire) que a gente pensa logo em Cândido Camero e aí dá uma gastura...