Mostrando postagens com marcador O jazz morreu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O jazz morreu. Mostrar todas as postagens

11/09/2011

O jazz morreu: Kyle Eastwood

Não se trata do acaso: o contrabaixista ao lado é de fato muito parecido com seu pai, o ator Clint Eastwood, tipo estranho de indivíduo que comparece a todos os Monterey Jazz Festivals, desde sua inauguração, em 1958. Portanto, do pai herdou a paixão pelo jazz, quer seja através de intensas audições caseiras de músicos como Duke Ellington e Count Basie, quer seja através da presença com o pai em memoráveis versões do Monterey Jazz Festival, onde era apresentado a figuras como Sarah Vaughan e Miles Davis. Criado em Carmel, California, o contrabaixista Kyle Eastwood tem demonstrado ser mais que o filho de Clint. Em inúmeras sessões de estúdio, tem produzido uma série regular de álbuns que, se por um lado mantêm certo afastamento do blues e do Neo-Bebop tradicionalista de um Wynton Marsalis, por outro têm resgatado com competência os legados do funky, do groove, do brazilian jazz e de outros elementos da world music que hoje encontram-se irremediavelmente associados ao jazz.

Kyle foi apresentado à linha do baixo ainda criança pelo próprio pai, que lhe ensinou a tocar as teclas da mão esquerda do piano, ficando o solo com a mão direita de Clint. Após algum tempo estudando cinema, Kyle percebe que sua verdadeira paixão é a música. Depois de alguns anos atuando como contrabaixista em Los Angeles e New York, grava seu primeiro álbum em 1998, para a Sony. Já então demonstrava certa aptidão para a composição, atuando em algumas trilhas sonoras bem sucedidas para o cinema e para a televisão. Em 2004, Kyle assina com a Candid Records, um dos selos independentes de jazz mais importantes da Inglaterra, com quem grava seu segundo álbum, Paris Blues, oportunidade em que restam claras suas múltiplas influências.




Acompanhado por alguns dos melhores músicos de jazz londrinos, como o pianista Andrew McCormack, e utilizando-se de uma linguagem atraente, Kyle alcança o sucesso junto ao público jovem, sobretudo na França, país que adota como segundo lar, bem como o respeito da crítica especializada. Atualmente, quando não está em turnê pela Europa, Japão ou EUA, Kyle divide sua residência entre Los Angeles e Paris. Para os amigos deixo as faixas Marciac, Moon Over Couronneau e Down At Ronnie's, retiradas do álbum Songs From The Chateau, gravado em 2011. Com Kyle estão Andrew McCormack (p), Graeme Flowers (t, flgh), Graeme Blevins (ss, ts) e Martyn Kaine (d). 





Agora, para aqueles que não gostarem do filho de Clint, sempre haverá esperança de que apreciem sua irmã Alison Eastwood. Notem como ela também adora um Moët & Chandon...







30/05/2011

O jazz morreu - Chris Lightcap

Nascido em 1971, na cidade de Latrobe, Pennsylvania, Chris Lightcap começou a estudar o piano aos oito anos, passando para o violino aos nove e para o contrabaixo elétrico aos quatorze, agora como autodidata. Embora tocasse música clássica com seu violino, Chris atuava também no contexto do rock e do jazz com seu contrabaixo e, ainda na adolescência, passa a tocar o contrabaixo acústico. Ingressando no Williams College, recebe aulas de Cameron Brown e Milt Hinton, dois consagrados contrabaixistas de jazz. Durante um semestre, Chris estuda na Wesleyan University, onde recebe lições do baterista Edward Blackwell. Após a graduação, parte para New York, onde se estabelece e inicia uma série de colaborações com músicos locais, atuando como sideman, compositor, músico de estúdio e líder de seu próprio quarteto, o Bigmouth, cujo álbum de estréia, Lay-Up, de 2000, foi muito bem recebido pela crítica. Entre os músicos que já contaram com seus serviços, vale destacar Marc Ribot, Regina Carter, Craig Taborn, Mark Turner, John Scofield, Dave Liebman, Paquito D'Rivera, Joe Morris,  Sheila Jordan, James Carter, Butch Morris, Ben Monder e Tom Harrell.

Ben Ratliff, o respeitado crítico do New York Times, certa vez disse que Mr. Lightcap é um dos poucos músicos em atividade capazes de dividir seu trabalho entre aquilo que se denomina avant garde jazz e mainstream jazz. De fato, se toda sua habilidade técnica enfrenta facilmente qualquer desafio que lhe possa ser imposto pelo Post Bebop, sua criativa curiosidade tem mantido vivo seu interesse pelo jazz de vanguarda, daí já ter atuado também com músicos como Cecil Taylor e Archie Shepp.

Para os amigos, a faixa Platform , retirada do álbum Deluxe, lançado em 2010 pelo louvável selo Clean Feed. Com Chris estão Chris Cheek e Tony Malaby (ts), Craig Taborn (Wurlitzer electric piano) e Gerald Cleaver (d). 


30/04/2011

O jazz morreu - Matthew Halsall

Quantos jovens têm olhos na nuca? Em sua Ilíada, Homero repreendia os jovens, saudando os velhos, por em geral não terem a capacidade de olhar para trás, decorrendo daí tantos e desnecessários tropeços em direção ao futuro. Sabedoria, sim, coisa típica dos anciãos, mas não exclusiva. Nascido no dia 11 de setembro de 1983, Matthew Halsall é já um dos trompetistas mais respeitados da Inglaterra. Além de sua técnica apurada, apresenta um sonoridade expressiva e, digamos assim, transcendental, espiritual, emoldurada num modalismo que ouviu o passado recente legado por John Coltrane e Bill Evans. Após uma apresentação de jazz assistida com os pais, Matt começa a estudar o trompete, aos 6 anos de idade. Aos 14, já estava tocando na França, Itália, Espanha, Rússia, Holanda, Kuala Lumpur, Singapura, Austrália e EUA. Em 2008, grava seu primeiro álbum como líder, Sending My Love, com estusiasmada aceitação da crítica. Em 2009, desenvolve uma frutífera parceria com o saxofonista, compositor e arrannjador Nat Birchall, do que resulta o brilhante álbum Akhenaten. É também em 2009 que inicia outra colaboração bem sucedida, dessa vez com o letrista, compositor e DJ Nitin Sawhney. A consitência de seu trabalho é reconhecida por Giles Peterson, que o convida a se apresentar no renomado Ronnie Scott’s Jazz Club, em Londres.

E Matt continua insistindo em olhar mais longe, olhar para os ensinamentos do velho jazz britânico, olhar para o Bebop de Dizzy Gillespie, como fica claro na faixa Music For a Dancing Mind , retirada do álbum On The Go, lançado em 2011 pelo selo Gondwana Records. Com Matt estão Nat Birchall (ss, ts), Adam Fairhall (p), Gavin Barras (b), Gaz Hughes (d) e, apenas na faixa 4, Rachael Gladwin (harp).


Se John Coltrane tocasse trompete, como seria seu som? Ou melhor, se Miles Davis soubesse tocar trompete, como seria seu som? Matt dá uma dica.

30/01/2011

O jazz morreu: Lage Lund

Se você deseja saber o que os guitarristas de jazz andam fazendo por aí, aqui está uma boa opção. Segundo álbum como líder, apresentando composições próprias que se debruçam entre os limites do neo-bebop e da avant-garde, Unlikely Stories, lançado pela Criss Cross em 2010, certamente não é um álbum para iniciantes no jazz, nem para aqueles ouvintes mais ortodoxos que somente ouvem Barney Kessel, Wes Montgomery ou Howard Alden. Lage Lund nasceu na Noruega e, após algum tempo retirando neve das estradas, resolve partir para Berklee, a famosa escola de Boston. Mais tarde, continuaria os estudos, dessa vez na também prestigiada Juilliard, de New York, sendo então o primeiro aluno de guitarra elétrica na história dessa instituição. Aproveitando sua estadia nos EUA, Lund trabalha com músicos de primeira linha, como Wynton Marsalis, Ron Carter, Mulgrew Miller, Seamus Blake, Carmen Lundy, Aaron Parks e Marcus Strickland, além de integrar a The Mingus Band. Em 2005, vence o importante The Thelonious Monk international jazz competition, sendo imediatamente sondado por inúmeras gravadoras de jazz. Atualmente, além de atuar como líder, Lung integra o quarteto de David Sanchez. Para os amigos dispostos a quebrar a dieta de fibras e frutas, fica a suculenta faixa Swagger , temperada com ingredientes bastante calóricos. Com ele estão Ed Simon (p), Ben Street (b) e Bill Stewart (d).

17/11/2009

O jazz morreu: Antonio Faraò

Pianista do Postbop nascido em Roma, Itália, em 1965. Ainda adolescente e durante seus estudos de piano clássico, sob orientação de Adriano Della Giustina, Faraò já revelava grande atração pelo jazz, frequentando clubes destinados ao estilo em suas horas vagas. Apesar do talento nato, estuda cinco anos no Conservatório Giuseppe Verde, em Milão. A partir de 1983, dedica-se totalmente ao jazz, participando de uma série de festivais, shows em rádio e televisão e recebendo uma série de prêmios, como o New Talent Prize da XI Musical Review, em 1987, e o Four Roses Prize, em 1991, como pianista do ano. Sua colaboração com músicos do jazz é intensa, trabalhando com artistas como John Abercrombie, Gary Bartz, Billy Cobham, Ronnie Cuber, Chico Freeman, Richard Galliano, Antonio Hart, Lee Konitz, Bireli Lagrene, Didier Lockwood, Tony Scott, Buster Williams e Branford Marsalis, que muitas vezes o convidou para substituir Kenny Kirkland em seu conjunto. Embora reconheça a influência inicial de John Williams, pianista que trabalhou com músicos como Stan Getz e Phil Woods, Faraò demonstra hoje estilo próprio, virtuoso e sutil, constituindo um dos discursos mais interessantes do piano jazz atual, tanto em solo quanto em trio. Como diz o trompetista e parceiro Franco Ambrosetti, Faraò utiliza sua energia criativa para inovar, embora sempre mantendo um profundo respeito pelos grandes mestres do passado. Combinando sua sensibilidade mediterrânea com um profundo conhecimento da chamada "black piano tradition", Faraò não é apenas mais um menino prodígio que optou pelo jazz: em 1998, convidado pelo próprio Martial Solal, vence um dos mais prestigiados concursos de piano da Europa, o Concours Martial Solal, patrocinado pela cidade de Paris e do qual somente participam os melhores pianistas do mundo. Para os amigos fica a faixa Caravan , retirada do álbum Thorn, gravado em 2000 e lançado em 2001 pela Enja, com Chris Potter (ss, ts), Drew Gress (b) e Jack DeJohnette (d). Caso algum argonauta queira se aventurar nestas águas, recomendo o álbum Black Inside, lançado em 1998 pela Enja. Trata-se de seu primeiro álbum como líder, em excelente trio: o contrabaixista Ira Coleman, que já trabalhou com Branford Marsalis, Monty Alexander, Tony Williams, Mulgrew Miller e Barney Wilen e o baterista Jeff "Tain" Watts, que já atuou com gente como Wynton e Branford Marsalis, Betty Carter, Sonny Rollins, Stephen Scott, Geri Allen e McCoy Tyner. Para quem gostaria de imaginar o que Bill Evans andaria fazendo se estivesse vivo, Black Inside é uma excelente sugestão.

11/06/2009

O jazz morreu - Michael Wolff

Embora o corpo ainda não tenha sido encontrado, ouvimos alhures que o jazz está morto. O Jazzseen, cético em relação a toda questão transcendental, lançou a seção O Jazz Morreu no intuito de alertar o ouvinte que nossas fontes têm visto o jazz perambulando por aqui e acolá. É certo que, por vezes, estando maltrapilho e roto, nem mesmo especialistas como Edù, Salsa ou Érico Cordeiro o reconhecem de imediato. Mas há quem jure de pés juntos que ele passa bem, que precisa apenas fazer a barba e cortar o cabelo. Um pouco mudado com as rugas dos anos, retraído em seu canto, observando mais do que sendo observado, mas vendendo saúde, o jazz foi visto recentemente em companhia de Michael Wolff, pianista nascido em 1954 em New Orleans. Morou também em Memphis, San Francisco e Berkeley, o que certamente enriqueceu seus ouvidos judaicos. Desde cedo aprende o blues com o pai e, com oito anos de idade, começa a aprender piano clássico, absorvendo influência acadêmica que até hoje é percebida em suas digitais. Portador da Síndrome de Tourette, que nada mais é do que um tic nervoso com sobrenome bonito, Michael não deixa transparecer em suas performances quaisquer sinais do distúrbio, o que poderia obrigá-lo a tocar somente estilos como ragtime ou boogie woogie. Aos dezenove tem sua primeira experiência profissional, ao lado do vibrafonista Cal Tjader. Aos 25, realiza sua primeira gravação, com o mestre Cannonball Adderley, o saxofonista que teve Miles Davis como sideman. Daí pra frente, trabalha com diversos músicos e formações importantes, como a banda de Mel Lewis-Thad Jones, Sonny Rollins, Wayne Shorter, Tony Williams, Christian McBride e Nancy Wilson, entre outros. Em 2000, Michael forma sua própria banda, a Impure Thoughts, onde a seção rítmica é elevada à condição vital e a influência indiana é explícita. Seu álbum jazz, Jazz, jazz é fruto de despretensioso trabalho em trio, gravado em 2001 e lançado em 2007, com John B. Williams (b) e Victor Jones (d). Penso que este seja um bom álbum para quem pretende conhecer o desempenho de Michael no contexto comportado do post bop. Interpretando standards com inteligência e originalidade, o pianista dá mostras abundantes de competência técnica e madureza – ouça, por exemplo, a faixa Autumn Leaves . Mas não preciso validar a qualidade desse músico premiado por diversas instituições, compositor de belas trilhas sonoras para o cinema e arranjador consagrado. Como dizem, o jazz morreu. Não?

20/04/2009

O jazz morreu - Terell Stafford

Era já madrugada quando percebi que, ano que vem, a década termina. Antes que amanhecesse, telefonei para Lester e sugeri uma nova coluna, em homenagem aos anos 2000’. Ele estava secando o chão da cozinha, agora permanentemente alagado com a urina de sua bassê de 14 anos, Joana. A fluida incontinência urinária deve-se a um tumor inoperável na supra-renal que, explicou Lester, não bastasse em si, ainda provocava na dócil cadela a tal “fome incoercível”. Ela come qualquer coisa que se mova ou exale algum odor atraente. Outro dia comeu minha conta de luz e um pé de meia, resmungou Lester. Então, em tom seco, aprovou minha idéia e deu nome à nova coluna: “O Jazz Morreu”. Antes de desligar, disse que eu deveria começar falando sobre Terell Stafford, trompetista nascido em Miami e radicado em Chicago. Considerado por McCoy Tyner como sendo um dos melhores trompetistas da atualidade, aos treze anos conhece o instrumento e toca em bandas de colégio. Admitindo a forte influência de Clifford Brown, Terell faz estudos clássicos na University of Maryland. Mais tarde, e sob o incentivo de Wynton Marsalis, aperfeiçoa os estudos com William Fielder na Rutgers University, onde obtém o grau de mestre. É nesse período que inicia o trabalho com a banda Horizon, de Bobby Watson, um dos mais perspicazes discípulos de Art Blakey. Assim como Bobby fez no Jazz Messengers, Terell aprende no Horizon a prática de compor, fazer arranjos e liderar. Sua próxima experiência de peso seria ao lado de McCoy Tyner e sua banda Latin All-Star Band, onde conhece instrumentistas como Steve Turre e Dave Valentin. Ainda no contexto de sideman, Terell trabalha com Benny Golson, Kenny Barron, Frank Wess, Jimmy Heath, Jon Faddis, Diana Krall, Alvin Queen, Cedar Walton, Sadao Watanabe, Herbie Mann e muitos outros músicos e bandas importantes, como a Vanguard Jazz Orchestra, organizada por Mel Lewis e Thad Jones, atuante há mais de 33 anos no club Village Vanguard. Em 1995 grava para a Candid o primeiro de seus quatro álbuns como líder, sendo o último, Taking Chances: Live at The Dakota, o melhor deles. Para os amigos conferirem que o jazz morreu, fica a faixa Shake It For Me , com Tim Warfield (ss, ts), Bruce Barth (p), Derrick Hodge (b) e Dana Hall (d). O álbum foi gravado em 2005 e lançado em 2007 pelo selo Maxjazz.