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15/10/2011

Pra não dizerem que o Jazzseen não gosta de vocalistas

09/07/2011

Voz - Luciana Souza

Como diz em seu próprio site, Luciana Souza é uma das mais expressivas e importantes cantoras de Jazz da atualidade. Vencedora do Grammy junto a Herbie Hancock em seu aclamado disco “River – The Joni Letters” em 2008, Luciana também foi nomeada ao prestigioso prêmio com quatro de seus próprios discos: "Brazilian Duos" em 2002, "North and South" em 2003, and "Duos II" em 2005, e seu ultimo disco, “Tide” de 2009. Todas as suas gravações foram aclamadas pela crítica mundial, incluindo “Neruda” de 2004, e seu famoso “The New Bossa Nova” de 2007, produzido por seu esposo, o talentoso Larry Klein, e considerado pela Billboard Magazine como “Latin Jazz Album of the Year”. Luciana Souza nasceu em São Paulo, em 1966, filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza. Cresceu num ambiente extremamente musical, e já era veterana de estúdios aos dezesseis anos, tendo participado em mais de 200 jingles.   

Premiada com bolsas de estudo, Luciana graduou-se no renomado Berklee College of Music, de Boston, em composição, e fez seu mestrado no New England Conservatory. Como professora, Luciana lecionou na Unicamp, Berklee College of Music, e na Manhattan School of Music, de New York. Seu trabalho como cantora transcende barreiras tradicionais de estilo, oferecendo sofisticação e profundidade musical tanto em Jazz, como em Música Popular Brasileira, bem como música clássica, tendo cantado com as maiores orquestras dos Estados Unidos (New York Philharmonic, Boston Symphony Orchestra, Los Angeles Philharmonic, Chicago Symphony) e do mundo, incluindo a OSESP, em repertório que inclui Manuel de Falla, Jobim, Osvaldo Golijov, entre outros.

Seu último lançamento, “Tide”, na Universal Records, apresenta Luciana como compositora e intérprete sem igual. Seu canto é considerado “perfeito” pela Billboard Magazine, que declarou que “Tide” é um dos melhores discos de 2009. Produzido por seu esposo, Larry Klein, “Tide” conta com a participação dos veteranos Romero Lubambo, Cyro Baptista, Vinnie Collaiuta, Larry Goldings, Larry Koonse, e Rebecca Pidgeon. Luciana consegue fazer definitivas interpretações de “Adeus América” e “Sorriu Para Mim”. O grande poeta Brasileiro Paulo Leminski é homenageado, bem como o Americano e.e.cumming, em belas canções musicadas por Luciana.

Luciana Souza já participou de concertos e gravou com músicos do calibre de Herbie Hancock, Paul Simon, Bobby McFerrin, Milton Nascimento, Maria Schneider, Danilo Perez, John Patitucci, Hermeto Pascoal, e Chris Potter, entre outros. Em 2005, Luciana foi premiada como Melhor Cantora De Jazz pela Jazz Journalists Association.

Para os amigos, deixo as faixas Corcovado e Chega de Saudade, retiradas do álbum Norte e Sul, lançado em 2003 pela Sunnyside. Com ela estão Fred Hersch (p), Donny McCaslin (ts), Scott Colley (b) e Clarence Penn (d).



E, aproveitando o friozinho, seguem cinco dicas de vinhos nacionais a bons preços:

Aurora Reserva Tannat 2009 - Após dez meses em barricas de carvalho francês e americano, este tinto da Serra Gaúcha surpreende com seus aromas de frutas vermelhas, embora seus taninos selvagens impressionem as bocas mais sensíveis. Na faixa de R$28,00.

Pequenas Partilhas Carmenère 2009 - Outro bom vinho da Aurora, dessa vez com taninos mais comportados e bom volume após meia hora de decantação. Por volta de R$37,00.

Merlot Reserva Pizzato 2006 - Também da Serra Gaúcha, mais precisamente do Vale dos Vinhedos, este tinto passa sete meses em barris de carvalho, o que lhe fornece bom equilíbrio, com taninos suaves e acidez correta. Na faixa de R$37,00.

Dal Pizzol Touriga Nacional 2009 - A cepa portuguesa saiu-se bem neste tinto nacional, de cor profunda, persistente na boca com seus elegantes taninos. Por volta de R$45,00.

Pizzato DNA99 2005 - Merlot de boa safra produzido em Bento Gonçalves, com especiarias e bom equilíbrio. Na faixa de R$110,00.

Bom inverno a todos!


02/06/2011

Andréa Ramos canta no WunderBar

Nesta sexta-feira às 20:00h Andréa Ramos canta no WunderBar Kaffee com Jorge Tarzan violão e voz, e Mhellão na percussão.

Uma boa oportunidade de ouvir samba, bossa e jazz, num ambiente agradável.

O WunderBar Kaffee fica na av. Rio Branco, 1305 - Praia do Canto, Vitória - ES, 29055-643
Reservas: 3227-4331

18/05/2011

Voz - Dorothy Dandridge


Após longas e desgastantes discussões com John Lester, eu e Paula Nadler conseguimos convencê-lo a postar resenhas sobre vocalistas no Jazzseen. Para quem ainda não conhecia o blog, é notória a aversão de Lester à voz, instrumento que, embora tenha sido o primeiro à disposição do ser humano, não lhe agrada nem um pouquinho. Sim, eu sei que é curioso, mas Lester considera a voz uma comparsa da poesia, distraindo o ouvinte e retirando a nitidez de cada instrumento durante a execução. Como ele sempre diz em suas conferências e workshops: "letras são tinta sobre papel e, portanto, devem ficar nos livros de poesia, não em execuções de jazz" ou ainda "a voz do músico de jazz é seu trompete ou saxofone". Coisa de doido, não é? Bem, auxiliadas por algumas belas garrafas de Vega Sicilia, o mítico vinho espanhol, eu e Paula aliciamos Lester com as fotografias de Dorothy Dandridge, vocalista que, se não canta como Ella ou Sarah, foi a primeira superstar negra norte-americana, sendo também a primeira atriz negra a ser indicada para o Oscar. Chegamos a pensar que sua beleza seria suficiente para aplacar os empecimentos impostos por Lester, mas não.

Lester quis ouvir todo o álbum Smoth Operator, gravado em 1958 para a Verve. Retorcendo o nariz faixa após faixa, nosso Editor-Chefe chegou a recordar a bela trajetória dos vinhos Vega Sicilia. Disse ele: Sim, esta é a bodega mais antiga e renomada de Ribera del Duero. Fundada em 1864, lançou sua primeira garrafa apenas em 1915, época em que ninguém sabia onde ficava Ribera del Duero. Sob o comando do vinicultor basco Domingo Garramiola, construiu ao longo do século XX o nome que hoje ronda os ouvidos de qualquer admirador de tintos com uva profunda e perfumada, além de inconcebível permanência. Em seu tempo, o vinho era mantido em tonel por mais de dez anos. Em 1966, ano em que nasci, o enólogo Mariano García reduziu o tempo em madeira, atenuando sua pesada influência mas sem permitir que o vinho perdesse sua concentração e caráter.

Em 1982, David Álvarez compra a bodega e sob o comando de Xavier Ausás, o velho barril de carvalho americano foi substituído pelo francês, de qualidade comprovadamente superior. Além disso, com a redução do tempo de permanência em barril, o Vega Sicilia de hoje já não é mais aquele gigante amadeirado dos tempos de vovô Acácio, embora ainda mantenha estrutura sólida e permita um longo envelhecimento em garrafa. Com apenas 200 hectares de cepas predominantemente antigas, o Vega Sicilia tem quase sempre 80% de tempranillo, o restante cortado com alguma Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec. Este Valbuena que acabamos de beber foi envelhecido em barril durante 30 meses, depois mais 30 em garrafa. E este lendário Único que estamos abrindo foi envelhecido durante 15 anos!

Terminando de ouvir o álbum com visível contrariedade, Lester finalmente decide autorizar a publicação desta resenha, ressaltando que tal graça seria concedida apenas em função dos músicos que acompanham a bela moça: Oscar Peterson (p), Herb Ellis (g), Ray Brown (b) e Alvin Stoller (d). Para os leitores deixamos a faixa Body and Soul  .

09/12/2008

Edú é blue

Nosso amigo André Tandeta, músico e colaborador do CJUB, comparece pouco aqui no Jazzssen, mas, quando aparece, sempre traz luz e calor aos debates dos quais participa. Num de seus comentários mais recentes, André sustenta com todas as suas baquetas a valorosa colaboração de Edú, nosso correspondente Jazzseen em São Paulo. Segundo Tandeta, Edú é “um valoroso e excelente escriba” além de ser “um conhecedor de jazz” e possuir um “ótimo texto na língua pátria, simples, direto e, pelo visto, livre de certos cacoetes modernos”. Tandeta não apenas está certo, como também faz recordar imediatamente o centenário ensinamento XXVI do jesuíta espanhol Baltasar Gracián (1601-1658), que em sua obra A Arte da Prudência leciona: “Satisfazer-se mais com intenções que com extensões. A perfeição não consiste na quantidade, mas na qualidade. Tudo o que é muito bom sempre foi pouco e raro: o muito é descrédito. Mesmo entre os homens, os gigantes costumam ser os verdadeiros anões. Alguns avaliam os livros pela corpulência, como se escritos para exercitar mais os braços do que os engenhos. A extensão sozinha nunca pôde exceder a mediocridade, e essa é a praga dos homens universais: por quererem estar em tudo, estão em nada. A intensidade dá eminência, e é heróica se em matéria sublime”. Se Tandeta me lembrou Gracián, Gracián me lembra o primeiro encontro que tive com Angela Davis, professora de História da Consciência Negra na University of California, em Santa Cruz. Eu passeava com Bessie, a shar-pei negra de meu primo Juca, quando um chow-chow branco se insinuou saliente. Angela pediu desculpa levemente constrangida com a atitude viril de Daddy.
Enquanto eu sorria, Angela, confusa, deixou cair no gramado um volume de seu Blues Legacies and Black Feminism: Gertrude “Ma” Rainey, Bessie Smith and Billie Holiday. Gentilmente o recolhi e, ato contínuo, perguntei-lhe se era um bom livro, assomando que apreciava muito o blues. Entre tímida e aturdida, Angela confessou-me que era ela a autora e, assim sendo, preferia não manifestar sua opinião. Sorrimos os dois, seguindo pelo gramado do condomínio enquanto trocávamos algumas idéias acerca do blues. Angela reportou que sua releitura do blues clássico trouxe novas perspectivas para esse gênero que sempre foi considerado estéril como música de protesto. Nas páginas 95 (first Vintage Books edition, 1999) e seguintes, Angela faz uma interessante análise paralela de dois blues: Poor Man’s Blues e Washwoman’s Blues, concluindo que Bessie Smith não sofria de nenhuma apatia política como fora tantas vezes acusada, mas apresentava, sim, suas manifestações de protesto quanto às condições de vida do afro-americano e, especialmente, da mulher negra norte-americana que, após a libertação dos escravos, estava condenada a lavar roupa, cozinhar e encerar chão para patrões brancos, além de servir sexualmente a seus violentos maridos. Angela, em seu livro, não se limitou à uma análise estritamente semântica ou sintática das letras cruas, nem tampouco às melodias e aos músicos que a acompanhavam, mas demonstrou de forma inteligente e clara que o blues clássico, com toda a sua simplicidade e objetividade aparente, possuía aquele grau de ironia, conteúdo e qualidade de que nos fala Tandeta e Gracián. Enquanto o amigo Edú não compõe um blues, ficamos com I’m Wild About That Man , com Bessie Smith - a voz mais negra da noite mais profunda, Clarence Williams (p) e Eddie Lang (g), gravada em 1929. A perspicaz escritora, além de traçar com clareza a linha de continuidade entre o blues clássico, o jazz, o rhythm and blues, o funk e o hap, retirando das ingênuas entrelinhas do blues rural do sul e do blues urbano do norte os temperos de protesto, ainda traz todas as letras das canções de Gertrude e Bessie, dificilmente encontradas em outras fontes. Thank you Angela Yvonne Davis. Ou seria a voz mais profunda da noite mais negra? Só mesmo mestre Edú para nos esclarecer.