Roland Kirk, T.Montoliu, T.Potter, K... por tagalb
07/05/2011
Jazz Movies - Parte 4
Roland Kirk, T.Montoliu, T.Potter, K... por tagalb
25/04/2011
Lenda viva - Lennie Niehaus
Nossa, mas eu paguei R$60,00 pela safra 2008 desse vinho no Supermercado Perin, aqui em Itaparica, Vila Velha! Será que há tanta diferença assim entre a safra 2008 e a 2010, perguntou Naura. Lester tranquilizou nossa amiga, afirmando que a safra 2008 está adequada para consumo, a não ser por pequenas arestas de álcool e pimenta, ainda salientes e antipáticas ao equilíbrio do vinho. Contudo, considerando o preço, recomenda-se aos amigos que pelo menos conheçam o belo trabalho desenvolvido pela RAR, ainda que o vinho, convenhamos não seja lá essas coisas. Mas, considerando o preço, vale o risco.
Nesse meio tempo, aparece Fred, ou Dr. Frederico Bravante, nosso editor de free jazz, já visivelmente amarrotado pelos 14º de álcool do vinho, com um long playing de Lennie Niehaus na mão, e diz: ei, vejam só, um álbum daquele cara que fez os arranjos para o filme Bird, do Clint! Sim, concordou Lester, emendando o segundo de seus breves comentários: Lennie ainda está vivo, sabe-se lá como. Nascido em 1929 em St. Louis, Missouri, aos 7 anos muda-se para a California, onde termina os estudos universitários. Após um breve período tocando saxofone alto no conjunto de Jerry Wald, Lennie passa a integrar a estimada banda de Stan Kenton, em 1951. Após o serviço militar (1952-1953), retorna à formação de Kenton, lá permanecendo até 1960. Durante este período, chega a gravar como líder e sideman, inclusive com Shorty Rogers. A partir da década de 1960, Lennie inicia uma longa e produtiva carreira de compositor e arranjador de música para cinema e televisão, entre os quais City Heat (1984) e Pale Rider (1985), onde o herói Clint Eastwood mata um sem número de bandidos malvados.
Em 1988, quando Clint decide produzir o filme Bird, sobre a vida de Charlie Parker, convida Lennie para equacionar o áudio, tarefa complexa que iniciava na escrita em partitura dos temas gravados originalmente e a extração dos solos de Parker, que seriam objeto de regravação com novos acompanhantes. Quem assistiu ao filme sabe que primoroso trabalho foi realizado. Embora alguns críticos apontem certa frieza em seus solos tecnicamente perfeitos, a profusão de excelentes idéias que caracteriza seu discurso é suficiente para colocá-lo entre um dos mais importantes saxofonistas alto do West Coast Jazz.
Para os amigos fica a endiabrada faixa P and L , retirada do álbum I swing for you, gravado em 1957. Com Lennie estão Bill Perkins (ts), Lou Levy (p), Red Kelly (b) e Jerry McKenzie (d), à época todos integrantes da banda de Stan Kenton. Sim, o P é de Perkins e o L é de Lennie, dois mestres em seus instrumentos. Boa audição!
10/08/2010
03/06/2010
Jazz Movies - Parte 3
Antes de prosseguirmos em nossa aventura audiovisual, seremos obrigados a efetuar pequenas retificações em nossa resenha anterior, Jazz Movies – Parte 2. Na oportunidade, havíamos olvidado de incluir três filmes na ordem alfabética correta: 033) Dynasty: The Jackie McLean Quintet - 1989 - Triloka - Memorável sessão gravada ao vivo e lançada também em CD, apresentando excelente desempenho desse vigoroso mestre do sax alto. Com Jackie estão seu filho Rene (f, ts), Hotep Idris Galeta (p), Nat Reeves (b) e Carl Allen (d). 034) Eastwood After Hours - 2001 - Warner Home Entertainment - Tributo ao ator e diretor Clint Eastwood, amante confesso do jazz. Gravado ao vivo no Carnegie Hall em 17 de outubro de 1996, sob a direção de Jon Faddis, a exclente banda conta com a presença de músicos consagrados, entre eles Roy Hargrove, Charles McPherson, Flip Phillips, James Carter e Joshua Redman. No repertório, clássicos do swing e do bebop, muitos deles utilizados em filmes de Clint, como Misty, Satin Doll, Take Five, 'Round Midnight e Cherokee. Não bastasse sua competência como ator e diretor, Clint ainda atua ao piano em dois temas, Parker's Mood e CE Blues. 035) Eddie Jefferson: Live from the Jazz Showcase - 1990 - Rhapsody - Em 7 de maio de 1979, dois dias antes de ser morto a tiros, Jefferson preservou em filme boa quantidade de temas que lhe trouxeram a fama. Considerado o fundador do vocalise no jazz, Jefferson não possuía grande voz, o que não o impediu de tornar-se um dos mais importantes cantores do jazz. Entre os músicos que o acompanharam no Jazz Showcase de Chicago, vale destacar a presença do saxofonista Richie Cole.Pois bem, citadas retificações já foram devidamente alocadas na resenha Jazz Movies – Parte 2, permitindo-nos, assim, prosseguir em nossa belíssima jornada pela arte dos irmãos Lumière. Conforme confessáramos anteriormente, estamos tratando inicialmente de curtas, vídeos, documentários e shows, deixando os filmes propriamente ditos, daquele tipo que assistimos no cinema comendo pipoca, para uma etapa final.
É isso: 044) A Great Day in Harlem & The Spitball Story – 1997 – Image Entertainment – Não serão muitos os amantes de jazz que desconhecem a clássica fotografia (clique sobre a foto para ampliá-la) que Art Kane tirou em 1958 para a revista Esquire, reunindo 57 músicos de jazz diante de um prédio de apartamentos no Harlem. Certas vezes chego a supor que mais incrível que a fotografia propriamente dita foi o terrível esforço de manter unida e imóvel aquela considerável quantidade de músicos absolutamente rebeldes e inquietos. Mas isso foi no tempo em que o cigarro não era politicamente incorreto. É justamente essa a estória contada por Jean Bach neste excelente documentário, para isso contando com a ajuda de músicos que fizeram parte dessa memorável fotografia. Já o divertido curta Spitball Story procura esclarecer o pitoresco episódio em que Dizzy Gillespie é demitido da banda de Cab Calloway por ter atirado bolinhas de papel no líder. Pura diversão. 045) GRP All-Star Big Band – 1992 – GRP Video – Curiosamente bem sucedida reunião de astros do selo GRP, sob o comando do pianista Dave Grusin, à época um dos proprietários do selo. Embora a maioria dos músicos represente estilos como o Crossover e o Latin Jazz, os resultados são excelentes números próximos ao Hard Bop dos anos 1960, com a presença de instrumentistas de primeira linha, como Randy Brecker, Arturo Sandoval, Nelson Rangell, Eddie Daniels e Kenny Kirkland.
046) Gypsy Guitar: The Legacy of Django Reinhardt – 1992 – Shanachie – Excelente tributo ao genial Django, com entrevistas, performances e participações de músicos como Bireli Lagrene, Jimmy Rosenberg e Serge Krief interpretando alguns dos grandes sucessos do mestre. 047) Harlem Roots Vol. 1: The Big Bands – 1988 – Storyville – A Storyville reuniu em sua série Harlem Roots alguns dos melhores Soundies, curtas musicais produzidos na década de 1940 pela PBS para serem veiculados através de vídeo jukeboxes denominados Panoram. Neste volume 1 temos excelentes momentos das bandas de Duke Ellington, Cab Calloway e Count Basie, onde podemos verificar as performances de músicos consagrados, como Ivie Anderson, Ben Webster, Rex Stewart, Barney Bigard, Jonah Jones, Ike Quebec, Tyree Glenn, Jimmy Rushing, Buck Clayton, Don Byas e muitos outros. 048) Harlem Roots Vol. 2: The Headliners – 1988 – Storyville – Mais uma excelente coletânea de Soundies, dessa vez com performances de Fats Waller, Louis Armstrong e Louis Jordan, todos contando com o auxílio de mestres como Al Casey, Sid Catlett ou Eddie Roane. 049) Harry Connick, Jr.: Swinging Out Live – 1991 – Sony – Embora alguns críticos de jazz o considerem apenas um bom ator, é inegável a competência de Harry como pianista, sobretudo em seus improvisos repletos de blues. Dos seus diversos vídeos disponíveis, esse é sem dúvida o melhor. Com Harry estão 16 músicos, com destaque para o guitarrista Russell Malone. 050) Herbie Hancock: Future2Future – 2002 – Columbia – Show gravado no Knitting Factory de Los Angeles, bastante recomendável para os apreciadores do estilo Fusion elaborado nas décadas de 1970 (ver Headhunters) e 1980 (ver Miles Davis). Embora Herbie toque piano acústico durante a maior parte do show, a música apresentada está repleta de funk, R&B e música eletrônica, contando inclusive com um DJ regendo alguns toca-discos (turntables). Destaque para a participação do trompetista Wallace Roney. 051) Horace Parlan by Horace Parlan – 2000 – Image Entertainment – Embora tenha tido a mão direita sinistrada por uma poliomielite na infância, Parlan tornou-se um dos melhores pianistas do Hard Bop, tocando com músicos como Charles Mingus e gravando para selos como a Blue Note. Radicado na Europa desde a década de 1970, Parlan executa uma série de duos neste interessante documentário, ao lado do contrabaixista Jimmi Pedersen. Um memorável caso de êxito proporcionado por sua generosa mão esquerda. 052) Imagine the Sound – 2000 – Janus Films – Documentário realizado em 1981 por Ron Mann e Bill Smith, a partir de entrevistas e performances de quatro relevantes músicos do estilo denominado Avant-Garde Jazz: Cecil Taylor, Archie Shepp, Bill Dixon e Paul Bley. Imperdível para os amantes do Free Jazz e do jazz de vanguarda. 053) Jaco Pastorius: Modern Electric Bass – 1985 – Embora seja um vídeo didático, qualquer admirador de Jaco poderá apreciá-lo, seja estudante de contrabaixo ou não. Entrevistado pelo contrabaixista Jerry Jemmott, Jaco explica sua forma de tocar, além de realizar algumas performances em duo e em trio, uma delas com 20 minutos de duração.
054) Jazz – A Film by Ken Burns – 2000 – PBS Home Video – Incluímos este vídeo em nossa lista não porque o consideramos recomendável, mas para alertar o ouvinte iniciante: há uma série de documentários muito mais relevantes, quer em termos históricos, quer em termos musicais, disponíveis no mercado. Em suas 19 horas de duração, permeadas com belas fotografias e filmes, observamos uma série de falhas imperdoáveis num projeto dessa envergadura. A principal delas é que não há nenhuma performance musical completa, seja porque o narrador não para de falar, seja porque Wynton Marsalis faz suas observações sobre o músico ou o estilo, ao longo de toda a longa jornada. Chegamos ao cúmulo de ver e ouvir Wynton imitar ao trompete o estilo do lendário trompetista Buddy Bolden, músico que Wynton nunca ouviu tocar, que nunca gravou e que passou os últimos 24 anos de sua vida internado num hospício. Não bastasse isso, ao longo do documentário Wynton ‘canta’ mais tempo do que Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Dinah Washington reunidas! Outra imperdoável falha do extenso documentário é não fazer nenhuma referência a músicos fundamentais do jazz, tais como Django Reinhardt, Oscar Peterson, Stan Kenton, Wes Montgomery, Albert Ayler, Woody Shaw, Chick Corea, Keith Jarrett e muitos outros. Aliás, ficamos com a impressão de que, para Ken Burns, o jazz foi construído exclusivamente por negros (ele só dá destaque para dois músicos brancos: Bix Beiderbecke e Benny Goodman), que foi feito exclusivamente por norte-americanos e que terminou com o Bebop – estilos como o Soul Jazz, o Latin Jazz, o Free Jazz e a Fusion são solenemente esquecidos por Burns. Além disso, há diversos dados incorretos, como quando Burns afirma que o primeiro encontro entre Gil Evans e Miles Davis foi em 1949, ou quando afirma que foi o sucesso de Count Basie que salvou o jazz da péssima influência de Glenn Miller, quando na verdade Basie já era famoso dois anos antes de Miller atingir o sucesso. Sendo assim, a maior utilidade deste documentário é embelezar a estante, com seu bem acabado box contendo 4 DVD’s.
055) Jazz Alley Vol. 1 – 1999 – Storyville – Em 1968 o pianista Art Hodes apresentou em Chicago uma série de programas de rádio, executando uma boa leva de standards do jazz tradicional. Acompanhado por músicos como Jimmy McPartland e Doc Evans, Hodes interpreta números como St. James Infirmary, Once in a While e Wolverine Blues. Essencial para os amantes do Dixieland. O Jazz Alley Vol. 2 é igualmente atraente e conta com a participação de grandes mestres do trad jazz, como George Brunies e Bud Freeman. 056) Jazz at the Smithsonian: Alberta Hunter – 1982 – Kultur Films – A excelente série Jazz at the Smithsonian apresenta algumas performances de importantes músicos do jazz e do blues, sempre precedidas de uma breve entrevista e intercaladas com pertinentes e concisos comentários de Willis Conover. Aos 87 anos, dois anos antes de sua morte, Alberta Hunter nos brinda com um espetacular desempenho, repleto de energia, blues e swing. Outros volumes altamente recomendáveis da série Jazz at the Smithsonian são: Bob Wilber, Joe Williams e Red Norvo. 057) Jazz at the Top: Remebering Bix Beiderbecke – 1995 – Rochester Area – Especial para a televisão produzido pela PBS em 1976. Reunião de músicos que conheceram Bix, entre eles Joe Venuti, executando uma série de números associados ao legendário trompetista. 058) Jazz Band Ball – 1993 – Sanachie – Indispensável DVD, reunindo 16 dos mais importantes clips de jazz produzidos nas décadas de 1920 e 1930. Aqui temos a oportunidade de ouvir músicos e bandas fundamentais, como a Dorsey Brothers, Duke Ellington, Boswell Sisters e Louis Armstrong.
059) Jazz Casual: Dave Brubeck – 2000 – Rhino – Dos inúmeros DVD’s da série Jazz Casual, programa televisivo originalmente apresentado por Ralph Gleason na década de 1960, este é sem dúvida um dos melhores. Com seu quarteto mais famoso, formado por Paul Desmond, Eugene Wright e Joe Morello, Brubeck executa uma boa seleção de seus sucessos, entre eles Take Five. Dos outros 12 DVD’s disponíveis da série Jazz Casual, são também altamente recomendáveis os de John Coltrane e Sonny Rollins. 060) Jazz Festival Vol. 1 – 1999 – Storyville – Em 1962 a companhia de pneus Goodyear mandou produzir uma série de curtas de jazz, para apresentação na televisão e nos cinemas. Neste volume o estilo predominante é o Dixieland, onde excelentes performances incluem músicos como Louis Armstrong, Eddie Condon, Wild Bill Davison e Bobby Hackett. Já o Volume 2 beneficia o Swing, com apresentações de Duke Ellington, incluindo Ray Nance, Paul Gonsalves, Johnny Rodges e Harry Carney, entre outros.
Para os amigos, fica um clip do preguiçoso amigo Count Basie, único músico a aparecer na fotografia de Kane sentado na calçada.
12/02/2010
Jazz Movies - Parte 2
Dando continuidade a nossos breves comentários sobre jazz movies (leia aqui a resenha Jazz Movies Parte 1), voltamos a conversar sobre os dvd’s que apresentam shows, documentários ou especiais para a TV. Conforme já havia sido dito, mais adiante traçaremos o roteiro básico sobre os filmes propriamente ditos, daquele tipo que passa no cinema e assistimos comendo pipoca. Vamos a eles: 021) Charles Mingus Sextet – 1993 – Shanachie – Gravado em 1964, na Noruega, durante sua turnê pela Europa. Com Mingus estão Eric Dolphy (f, bcl, as), Clifford Jordan (ts), Johnny Coles (t), Jaki Byard (p) e, é claro, Dannie Richmond (d). Destaque para as versões de So Long Eric e Orange Was the Color of Her Dress, then Blue Silk, com esse que foi certamente um dos melhores sextetos de Mingus. 022) Chris Barber: Music from the Land of Dreams Concert – 1986 – Storyville – O trombonista inglês Chris Barber mantém desde 1954 uma das melhores bandas de jazz tradicional daquele país, com o auxílio importante do trompetista Pat Halcox, presente desde a fundação do grupo. Nesses quinze números, gravados num concerto realizado em Stockholm, em 1986, Barber demonstra toda sua competência na execução do dixieland e do blues. Destaque para as faixas Do What Ory Says, Precious Lord Take My Hand e Buddy Bolden’s Blues. 023) Clark Terry: Live in Concert – 2001 – Eagle Entertainment – Produzido para a série BET on Jazz, este concerto do grande flugelhornista foi gravado no Santa Lucia Jazz Festival, em excelente quinteto: Donald Harrison (as), Anthony Wonsey (p), Curtis Lundy (b) e Victor Lewis (d). Destaque para as faixas All Blues e Take the A Train. Como bônus, uma entrevista de onze minutos com o mestre. 024) Count Basie: Swingin’ the Blues – 1992 – BMG Video – Não seria exagero considerar que este é o melhor documentário já realizado sobre a carreira de Count Basie, ainda mais quando consideramos os depoimentos de veteranos como Harry ‘Sweets’ Edison, Al Grey, Illinois Jacquet, Buddt Tate, Jay McShann, entre outros. Embora não seja usual em documentários, há performances praticamente integrais, como Take Me Back Baby e Airmail Special.
031) Duke Ellington: Copenhagen ’65 Parts 1 & 2 – 2004 – Eagle Entertainment – Especial gravado em 31 de janeiro de 1965 para a TV dinamarquesa, antes de sua apresentação no Falkoner Center. Ellington conta com a presença de Cootie Williams, Ray Nance, Cat Anderson, Herbie Jones, Mercer Ellington, Lawrence Brown, Buster Cooper, Chuck Connors, Johnny Hodges, Russell Procope, Jimmy Hamilton, Paul Gonsalves (que dorme em algumas passagens), Harry Carney, John Lamb, Sam Woodyard, Ellington e Billy Strayhorn, em uma de suas raras aparições em vídeo. Além dos clássicos, vale destacar as interpretações de Afro Bossa, Ad Libo on Nippon, Blow by Blow e Black, Brown and Beige. 032) The Duke Ellington Octet & The Intimate Duke Ellington – 2003 – Image Entertainment – Mais duas produções para a TV dinamarquesa, ambas gravadas em 23 de janeiro de 1967. Do octeto participam Cat Anderson com seus espantosos agudos, Lawrence Brown, Johnny Hodges, Paul Gonsalves, Harry Carney com sua impressionante respiração circular, John Lamb e Rufus Jones. No segundo filme, podemos ouvir o Ellington pianista, com números solo, em duo e trio. 033) Dynasty: The Jackie McLean Quintet - 1989 - Triloka - Memorável sessão gravada ao vivo e lançada em CD, apresentando excelente desempenho desse vigoroso mestre do sax alto. Com Jackie estão seu filho Rene (f, ts), Hotep Idris Galeta (p), Nat Reeves (b) e Carl Allen (d). 034) Eastwood After Hours - 2001 - Warner Home Entertainment - Tributo ao ator e diretor Clint Eastwood, amante confesso do jazz. Gravado ao vivo no Carnegie Hall em 17 de outubro de 1996, sob a direção de Jon Faddis, a exclente banda conta com a presença de músicos consagrados, entre eles Roy Hargrove, Charles McPherson, Flip Phillips, James Carter e Joshua Redman. No repertório, clássicos do swing e do bebop, muitos deles utilizados em filmes de Clint, como Misty, Satin Doll, Take Five, 'Round Midnight e Cherokee. Não bastasse sua competência como ator e diretor, Clint ainda atua ao piano em dois temas, Parker's Mood e CE Blues. 035) Eddie Jefferson: Live from the Jazz Showcase - 1990 - Rhapsody - Em 7 de maio de 1979, dois dias antes de ser morto a tiros, Jefferson preservou em filme boa quantidade de temas que lhe trouxeram a fama. Considerado o fundador do vocalise no jazz, Jefferson não possuía grande voz, o que não o impediu de tornar-se um dos mais importantes cantores do jazz. Entre os músicos que o acompanharam no Jazz Showcase de Chicago vale destacar a presença do saxofonista Richie Cole. 036) Eddie ‘Lockjaw’ Davis, Volume One – 1991 – Storyville – Apresentação do grande saxofonista no Jazzhus Stuketter, Copenhagen, em 1985, dois anos antes de sua morte. Acompanhado por Niels Jorgen Steen, Jesper Lundgaard e Ed Thigpen, Davis demonstra porque é considerado um dos maiores tenoristas do hard bop. O Volume Two é igualmente recomendado. 037) Ella Fitzgerald: Something to Live For – 2000 – Winstar Home Entertainment – Documentário sobre a vida daquela que é considerada a First Lady of American Song. Embora não haja nenhum número interpretado na íntegra, há excelentes trechos musicais que contam a brilhante trajetória de Ella ao longo de sua adorável carreira, entre eles, vale destacar os com Teddy Wilson, Nat King Cole, Duke Ellington, Bing Crosby, Joe Pass e Count Basie. O documentário apresenta ainda uma entrevista concedida por Ella a André Previn, além de depoimentos de amigos como Lou Levy, Oscar Peterson, Tommy Flanagan e Harry ‘Sweets’ Edison. 11/01/2010
Jazz Movies - Parte 1
Bem, enquanto nossos computadores não voltam a funcionar adequadamente, resolvemos publicar algumas resenhas sem música. Já falamos aqui sobre alguns guias, pinturas e até mesmo quadrinhos de jazz. É hora de darmos alguma atenção aos filmes. Afinal, a imagem é elemento essencial para o jazz quando adotamos a opinião de que esse tipo de música acontece ao vivo. Na impossibilidade de estarmos em todos os lugares ao mesmo tempo, resta-nos apreciar o trabalho de abnegados que capturam performances, elaboram documentários, produzem especiais ou constroem filmes com e sobre jazz. Do imenso e disperso material disponível, optamos por discorrer sobre os dvd’s que apresentam shows, documentários ou especiais para a TV. Em seguida, traçamos breve roteiro sobre os filmes propriamente ditos, daquele tipo que passa no cinema e assistimos comendo pipoca. A maioria está aí no mercado e, com alguma pesquisa e sorte, poderão ser adquiridos facilmente pela internet. Começando pelos documentários, shows e especiais para a TV, vale destacar os seguintes trabalhos: 001) After Hours/Jazz Dance – 1998 – Rhapsody – Reunião de dois curtas que não têm absolutamente nada a ver um com o outro. O primeiro, After Hours, foi realizado para a TV em 1961 e nunca foi ao ar. Temos memoráveis momentos de swing com Coleman Hawkins, Roy Eldridge, Johnny Guarnieri, Milt Hinton e Cozy Cole. O outro, Jazz Dance, é um estranhíssimo curta onde estudantes bêbados podem ouvir um bom Dixieland sob o comando de Jimmy McPartland, com Jimmy Archey, Pee Wee Russell, Willie ‘The Lion’ Smith, Pops Foster e George Wettling. 002) Alberta Hunter: My Castle’s Rockin’ – 1992 – View Video – Embora não possa ser considerada prioritariamente uma cantora de jazz, mas de blues, o presente documentário de Chris Albertson é tão bem realizado que devemos indicá-lo. Ainda que somente para verificarmos o início da carreira dessa memorável cantora que, embora menina, parte de Memphis para trabalhar com King Oliver em Chicago. 003) All Girl Bands – 1993 – Storyville – A luta das mulheres para poder tocar jazz foi grande nas décadas de 1930 e 1940. É certo que muitos grupos não passavam de mero divertimento, mas algumas bandas formadas somente por mulheres tinham realmente talento. Nesse vídeo podemos conferir a reunião de diversos curtas relevantes, com destaque para os números da International Sweethearts of Rhythm (considerada a melhor banda feminina de jazz daquele tempo), da cantora e sapateadora Ina Ray Hutton e da orquestra de Lorraine Page, entre outros. 004) Antonio Carlos Jobim: An All-Star Tribute – 1995 – View Video – Ok, bossa nova não é jazz, eu sei. Mas como negar a influência de Antonio Carlos na música popular norte-americana? Nesse bom vídeo, embora já bastante debilitado, ouvimos o maestro em sua última grande apresentação pública, na companhia de Shirley Horn, Gonzalo Rubalcaba, Joe Henderson, Herbie Hancock, entre outros. 005) Art Blakey: A Jazz Messenger – 1987 – Rhapsody Films – Excelente documentário sobre um dos maiores bateristas do jazz. Entre uma jam e outra, vários depoimentos de ex-integrantes do Jazz Messenger, entre eles Benny Golson, Curtis Fuller e Wynton Marsalis, contam um pouco da vida e da importância desse grande músico.
006) Art Blakey and the Jazz Messengers: Live at Ronnie Scott’s – 2002 – Music Video Distributors – Entrevistas curtas não incomodam as excelentes performances gravadas em 1985 no clube londrino, quando o Jazz Messengers contava com Terence Blanchard, Donald Harrison, Jean Toussaint, Mulgrew Miller e Lonnie Plaxico. Embora não haja nenhum solo de bateria, é um bom vídeo. 007) The Art Ensemble of Chicago – Live from the Jazz Showcase – 1990 – Rhapsody Films – Lester Bowie, Roscoe Mitchell, Joseph Jarman, Malachi Favors e Don Moye formaram sem dúvida um dos mais importantes grupos do free jazz. Gravado em 1981, temos aqui um Art Ensemble of Chicago em excelente forma, deliberando livremente sobre idéias musicais ancestrais, como as march bands de New Orleans, o funk, o Dixieland e o Bebop. Talvez o melhor vídeo da banda. 008) Art Pepper: Notes from a Jazz Survivor – 1999 – Shanachie – Mesmo considerando que não há nenhum número musical completo e que na maioria deles Pepper fica falando, temos um filme honesto sobre a vida tresloucada desse grande músico, talvez o melhor saxofonista alto do estilo West coast. 009) Back to Balboa Highlights: The Kenton Discussions – 1991 – GOAL Productions – Foram quatro dias de comemorações pelos cinquenta anos da banda de Stan Kenton. A dedicação e o carinho com o líder ficam claros nas imagens e nos depoimentos de seus integrantes, como Howard Rumsey, Anita O’Day, Bob Cooper, Laurindo Almeida, Shorty Rogers, Bud Shank, Lee Konitz, Marty Paich e muitos outros. 010) Ben Webster: The Brute and the Beautiful – 1992 – Shanachie – Interessante coletânea de performances esparsas de um dos maiores saxofonistas tenores do swing. Há entrevistas com diversas figuras importantes do jazz, entre eles Harry ‘Sweets’ Edson, Milt Hinton, Jimmy Rowles. E o próprio Webster fala de sua trajetória, desde o aprendizado com Lester Young em 1929, o período em que trabalhou com Duke Ellington, até sua estada na Europa.
011) The Big Chris Barber Band – 2003 – Inakustik – O selo alemão lançou alguns dvd’s de shows gravados no Porsche Hot Jazz Festival, como é o caso desse vídeo com o excelente trombonista inglês e sua competente banda de dixieland, swing e blues. Diversão garantida para os amantes do jazz tradicional. 012) Bill Evans Trio: Jazz at the Maintenance Shop 1979 – 1995 – Rhapsody Films – Embora não possam ser consideradas as melhores, temos aqui boas performances do último trio de Evans, com Marc Johnson e Joe LaBarbera. 013) Birdmen & Birdsongs: Vol. 1 e Vol. 2 – 1998 – Storyville – Na verdade esse tributo a Charlie Parker, gravado em Cannes em 1990, saiu em três volumes, sendo o último um pouco mais curto que os dois primeiros. No Vol. 1 temos Red Rodney, Frank Morgan, Monty Alexander, Rufus Reid e Roy Haynes executando clássicos do bebop, com convidados eventuais, como Phil Woods e Jon Hendricks. No Vol. 2 é o quarteto de Phil Woods que domina a cena, além de alguns números com Jon Hendricks e com o trio de Larry Goldings. 014) Bix – Ain’t None of Them Play Like Him Yet – 1994 – Playboy Home Video – Certamente o melhor documentário já realizado sobre a vida do cornetista Bix Beiderbecke. Com gravações originais, fotos raras e depoimentos de amigos – inclusive o de uma ex-namorada – e músicos como Jess Stacy e Art Shaw, Brigitte Berman quase atinge a perfeição, não fosse a pouca atenção dedicada às gravações de Bix após 1926 e à sua atuação com Frankie Trumbauer. 015) The Blues – 1991 – Storyville – Alguns guias e críticos costumam incluir as cantoras de blues clássico entre as figuras mais relevantes do primeiro jazz. Para aqueles que concordam com tal abordagem, esse vídeo é fundamental. Ele começa com a única aparição de Bessie Smith em filme, o curta St. Louis Blues, gravado em 1929. A Imperatriz do Blues é acompanhada por James P. Johnson (p) e alguns integrantes da banda de Fletcher Henderson, como o clarinetista Buster Bailey. Outros destaques são os números com Mamie Smith (a primeira cantora de blues a realizar uma gravação) com a orquestra de Lucky Millinder e Ida Cox, acompanhada ao piano por seu marido, Jesse Crump.
016) Bobby McFerrin: Spontaneous Inventions – 1986 – A Vision – Gravado ao vivo em 28 de fevereiro de 1986 no Aquarius Theatre, em Hollywood, podemos ouvir e ver a estranha arte de Bobby, capaz de construir apenas com a voz o canto, a linha harmônica e a linha do baixo, como se simultâneos fossem. Sua destreza a capela domina o show, cujo único convidado é Wayne Shorter, que o acompanha na faixa Walkin’. 017) Boogie Woogie – 1988 – Storyville – Reunião de curtas memoráveis, o primeiro deles contando com ninguém menos que Albert Ammons, Pete Johnson, Lena Horne e o sexteto de Teddy Wilson, com Emmett Berry (t), Benny Morton (tb), Jimmy Hamilton (cl), Johnny Williams (b) e J. C. Heard (d). Os outros números são, em sua maioria, vídeos da década de 1940 e 1950, com destaque para os números com Meade Lux Lewis, Lionel Hampton e Count Basie, onde podemos ver Wardell Gray e Buddy DeFranco em ação. 018) Buck Clayton All-Stars – 1993 – Shanachie – Reunião de dois shows gravados na Suíça, em 1961, num total de onze números e uma hora de duração. Com Buck estão alguns veteranos da orquestra de Count Basie, o formidável pianista Sir Charles Thompson e, em alguns números, o cantor Jimmy Witherspoon. Indispensável para os amantes do swing. 019) Buddy Rich: At The Top – 2002 – Hudson – Trata-se de um dos melhores concertos de Buddy, gravado no Top of the Plaza, em Rochester, New York, em 6 de fevereiro de 1973. Embora não conte com músicos muito conhecidos, Buddy apresenta ótimas performances de clássicos como Love for Sale e uma versão de dezesseis minutos para West Side Story Suite, com dois solos magníficos desse que foi, sem dúvida, um dos maiores bateristas do mundo. Felizmente, Buddy gravou diversos vídeos, quase todos de excelente qualidade. Para os fãs, outra boa recomendação é Buddy Rich: The Lost West Side Story Tapes – 2001 – Hudson, gravado em 1985. 020) Calle 54 – 2000 – Miramax – Fernando Trueba apresenta um dos melhores tributos já produzidos ao latin jazz. Com a participação de Paquito D’Rivera, Eliane Elias, Chano Dominguez, Jerry Gonzalez, Gato Barbieri e Tito Puente, entre outros. Não bastassem os excelentes números musicais e a fotografia impecável, o dvd ainda traz como bônus o documentário History of Latin Jazz, com uma hora de duração. Essencial. Bem, é isso. Em breve retornaremos, com Jazz Movies - Parte 2.24/06/2009
DVD - Ben Webster in Denmark (1965-1971)
São iniciativas como as da EmArcy que nos fazem continuar fora da caverna platônica. Em 24 de março de 2008 ela lançou o magnífico DVD Ben Webster in Denmark (1965-1971), reunindo pela primeira vez três “shorts” realizados pela TV-Byen, mais o famoso documentário Big Ben. O primeiro curta, Ben Webster, foi produzido em 1965 por Steen Bramsen e conta com a participação de Kenny Drew (p), Niels Pedersen (b) e Alex Riel (d). Embora o som não seja lá essas coisas, o que torna os solos de contrabaixo praticamente inaudíveis, as três faixas interpretadas pelo quarteto – In A Mellotone, Danny Boy e Mack the Knife – constituem valiosa documentação do mainstream jazz, sem contar que podemos ver Kenny fumando seu cigarrinho e o jovem Pedersen aprendendo com os mestres. O segundo curta, Ben Webster & His Music, foi produzido em 1968, também por Steen Bramsen. Embora o som aqui esteja bem melhor, temos a intervenção, em algumas das sete faixas, de duvidosa orquestra de cordas, regida por Niels Jorgen Steen, único regente que eu saiba capaz de fumar e reger ao mesmo tempo. E mais: na faixa Cotton Tail, embora não haja nenhuma referência nos créditos, eu seria capaz de jurar que vi o Dexter Gordon tocando, sentado, à esquerda do vídeo, o que não seria muito improvável, uma vez que ele andava tocando por toda a Europa naquela época. O terceiro curta traz quatro faixas gravadas no Timme Rosenkrantz Memorial Concert de 1969, produzido por Per Moller Hansen. Os solos de Teddy Wilson, para mim o melhor pianista do swing, estão exuberantes como sempre. No contrabaixo temos novamente o competente Niels Pedersen e, na discreta bateria, o adequado mas pouco conhecido sul-africano Makaya Ntshoko. Por fim, chegamos ao documentário Big Ben, produzido em 1971 por Per Moller Hansen. A coisa começa com Ben fumando seu cigarrinho em seu diminuto apartamento. Ao fundo, ouvimos sua famosa interpretação de Cotton Tail na banda de Ellington, em 1940. Colocando o chapéu e recolhendo o sax, desce no apertado elevador do edifício onde mora, em Copenhagen. Com passos irregulares, consegue entrar numa antiga Kombi, que o levará aos estúdios da TV-Byen. O resto do filme é só alegria, com destaque para Charlie Shavers bebendo ou tocando um dirty blues ao lado de Ben. Recomendo com veemência aos amantes do swing. Para os amigos, fica a faixa My Ideal . 29/06/2008
Kansas City - O Filme
Numa carreira com mais baixos ("Dr T. e suas mulheres", "Popeye") que altos ("Nashville","Mash") o diretor Robert Altman (1925-1996)aproveitou rara oportunidade, no biênio de 1995/1996, pra colocar um sonho em película. Homenagear, do seu jeito, com a câmera na mão e uma idéia na cabeça, o estilo de música que mais lhe apaixonava: o jazz. Kansas City (dvd Europa Filmes 116 min.) é a "assinatura" em fotogramas de Altman sobre esse tema é uma homenagem indireta a sua cidade natal.Situando-a como cenário e o ano especifico de 1934, a trama tem como pano de fundo as conspirações e maracutaias políticas (sugere alguma lembrança?) que a localidade respirava, pulsando ao som do melhor jazz que ebulia no planeta.Altman abriu mão de sua "persona" cinematográfica: elaborar um enredo fragmentado. Sem protagonistas, com dezenas de personagens em seu peculiar cotidiano ,que se enr edam em algum acontecimento coletivo (como a Guerra da Coréia em Mash ou a Semana da Alta Costura em Paris em Prét- à- Porter). Desta vez , ou, planejadamente, optou por uma estória linear já anunciada desde a primeira cena e que conduz todos os personagens como marionetes articulados sobre os mesmos "cordões" dramáticos. Para saciar a curiosidade e sem revelar o desfecho, a trama gira em torno do rapto da esposa de um poderoso político pela mulher de um inábil escroque - que foi, pego, quando tentava dar um passo "maior que suas curtas pernas". No elenco não figura nenhum nome de cachê de sete dígitos.Apesar de grandes atores e atrizes terem trabalhado com Altman pela tabela sindical,assim como fazem com Woody Allen. A vitima(Miranda Richardson),a seqüestradora(Jennifer Jason Leigh), o escroque (Dermot Mulroney) e, magistral, o chefão (Harry Belafonte), personagem desprovido de qualquer vestígio de escrúpulo que elabora reflexões e conjeturas que somente um indivíduo, nessa situação, tem serenidade e, até mesmo, sabedoria pra tanto, estão à frente do elenco. Mas a música, afinal, ela é a razão do filme, é o que conta. Uma banda toca no contexto ficcional no Hey Hey Club - local de fato existido em Kansas City. Músicos de todos os matizes, quase uma nata, compõem o grupo, veteranos: Ron Carter(b ac),Victor Lewis(bat), David "Fathead" Newman (mais próximo amigo e primeiro saxofonista dos grupos de Ray Charles - demonstrando sua versatilidade também no jazz)David Murray (sax), e os novatos, a época, Graig Handy, Jesse Jackson, James Carter (saxes), Joshua Redman(sax) - representando Lester Young "duelando" nos tenores com Handy numa cena, e com bom senso de não usar o chapéu de feltro de copa chata e de aba virada pra cima característico de Prez -, Nicholas Payton (tromp), Cyrus Chesnut (como Count Basie), Gerry Allen (piano), Christian Mc Bride (b ac), Don Byron (clarineta), Russel Malone e Mark Withfield (instrumentista que oscilou entre a carreira musical e a de corretor em um banco de investimentos em NY, que lhe paga, suponho, por seu "desaparecimento", ainda às contas) (guit) e Kevin Mahogany "encarnando" um saloon singer. Recheando cenas de pequenos trechos musicais com standards (Solitude, I Surrender,Dear, Moten Swing, Lullaby of the Leaves entre outros) executados de maneira respeitosa e absolutamente descontraída, como se a câmera inexistisse. Com a devida apreciação ao "repertório" que pereniza no tempo. A trilha sonora (Kansas City, selo Verve) em cd (excepcional ) - nem seria diferente - é nitidamente superior ao filme. A dica: assistir ao filme e aumentar o volume de forma generosa sempre que os trechos musicais surgirem. Neste roteiro, a essência foi escrita na pauta e empresta vida ao som das claves e notas. Para os amigos fica a faixa ( ) Ko Ko, de Charlie Parker, sob os cuidados de Christipher Hollyday (as) um dos maiores young lions da década de 80 - nessa gravação, de 1988, ele contava com 18 anos. Com ele estão Wallace Roney (t), Cedar Walton (p), David Williams (b) e Billy Higgins (d). 27/02/2008
Buena Vista
Vovó Tícia sempre queimava o bolo de abacaxi quando vovô Acácio contava suas estórias sobre Cuba. A família procurava manter em segredo o romance flamejante de vovô com a cantora Omara Portuondo nas praias tórridas da ilha azulada. Mas, nas reuniões de Natal, quando a cidra de maçã e o vinho barato de garrafão invadiam as artérias latinas de vovô, nada poderia deter suas recordações. Vovô a conheceu em Havana, em 1950, quando Omara ainda dançava em Cabarés com aquelas pernas de quem tem 20 anos. Após uma única troca de olhares durante um bolero, beijaram-se e, dizem, contaram todos os grãos de areia da Ilha numa só noite de lua cheia. Foi por essa época que Omara começou também a cantar, apresentando-se frequentemente com Frank Emilio Flynn no piano e vovô Acácio no agogô, instrumento este que vovô introduziu com sucesso em Cuba. Foi graças a vovô Acácio, que mais tarde lha enviou diversos álbuns de bossa nova, que Omara e Flynn tornaram-se alguns dos pioneiros do filin, estilo cubano fortemente influenciado pelo jazz e pela bossa nova. Foi também vovô Acácio que conseguiu uma vaga para Omara na Orquestra Anaconda, uma das mais famosas naqueles tempos e onde vovô era primeiro agogô. Com a crise da Baía dos Porcos, vovô e Omara fugiram para Miami, onde viveram durante um breve período. Mas as ondas quentes do vento, o azul revoltante das prais e o suor acre-doce da Ilha fizeram Omara retornar ao querido lar, mesmo que, com isso, mergulhasse na pobreza e no anonimato a que todo cidadão cubano tinha direito.
Vovô, inimigo figadal de Fidel, partiu para New Orleans, formando o primeiro grupo de maracatu daquela cidade. E vovô suspirava... Nesse ponto das lembranças de vovô algum parente sempre aparecia não se sabe bem de onde, anunciando a entrega dos presentes. Nós, crianças, corríamos para o quintal tentando vislumbrar o Papai Noel, num afã semelhante ao dos cubanos que nadam em direção a Miami orientados pelas estrelas. Para os amigos navegantes, segue uma homenagem que não podia faltar no mês dedicado ao latin jazz: Buena Vista Social Club, álbum gravado em apenas seis dias no estúdio Egrem de Havana. Buena Vista, na verdade, era um clube reservado a negros que existiu em Havana na década de 1940, local repleto de dança e música, fechado pela revolução. Em 1996 o guitarrista Ry Cooder inspirou-se nesse local para dar título a sua magnífica homenagem à música e aos músicos cubanos. Numa difícil escolha, ficam as faixas Chan Chan com Compay Segundo, Veinte Anos com Omara Portuondo (foto) e Eliades Ochoa com El Carretero. De quebra, a faixa De Una Manera Espantosa com o pianista mais simpático de Cuba, Rubén Gonzaléz. Beijos a todos!![]() |
25/01/2008
Lush Life, Vida Boêmia, 1993
Filmes sobre jazz geralmente satisfazem tanto o espectador comum quanto o aficcionado por música - mais ainda, claro, aquele que considera o jazz um ritmo essencial, o que é meu caso. Bird, de Clint Eastwood, e 'Round Midnight, de Bertrand Tavernier, são filmes que versam sobre artistas autodestrutivos que, sem a música, teriam pulado da ponte mais cedo, sem que o mundo tomasse deles pleno conhecimento. As vidas conturbadas de Charlie Parker e Bud Powell, respectivamente reproduzidas nos filmes citados, oscilaram entre a genialidade absoluta e o desespero existencial, o que sobrecarregou as películas de uma dramaticidade angustiante. Não é o caso de Vida Boêmia, de Michael Elias, um diretor tão apaixonado por jazz quanto Eastwood. Seu filme (originalmente feito para a tevê) também não é impactante do ponto de vista estrutural, mas a história não desagrada ao espectador mais exigente, que se vê diante de uma dupla de músicos - um saxofonista e um trompetista - que têm amor ao jazz na mesma proporção que amam viver. Ironicamente, um deles está condenado à morte por conta de um tumor cerebral. O outro, para celebrar-lhe a vida que resta, resolve fazer uma grande festa em que todos os músicos de jazz de NY comparecem - todos, sem exceção, o que causa um enorme problema para os night clubs e para os nubentes da noite.
Forrest Withaker - que já havia encarnado Parker no filme Bird cinco anos antes - interpreta o trompetista por cuja porta a morte quer entrar, mas ele se recusa a atender, de imediato. Antes, quer o jazz, e quer executá-lo tendo em mãos um trumpete que pertencera a Clifford Brown, comprado numa loja de penhores por 2.500 dólares por um talentoso garoto aspirante a músico. Assim é o jazz: quem faz leva-o a conseqüências últimas. E por falar em amor a ele, uma outra história - periférica - é retratada na película: a dificuldade de se relacionar com um artista. A mulher do canastra Jeff Goldblum (o saxofonista garanhão) é uma professora que quer ter uma vida normal ao lado do marido, quer desvencilhar-se da lush life que o companheiro leva. Não é possível. Assim é o jazz. A propósito: revi esse filme anteontem, em VHS. Busquei na internet o devedê que, acredito, não foi lançado por aqui, mas aí vai, ao lado, seu rosto. E a propósito 2: John Coltrane lançou, em 1957 - dez anos antes de morrer -, o álbum Lush Life, hard bop da melhor qualidade com um time grandioso de músicos: Don Byrd (trumpete), Red Garland (piano), Earl May (baixo), Paul Chambers (baixo), Albert Heath (bateria), Art Taylor (bateria) e Louis Hayes (bateria). Não, não estão tocando todos juntos, como na tal festa do filme. O tema Lush Life foi composto por Billy Strayhorn e já foi interpretado por uma multidão de músicos. Clique aqui para ouvi-la pelos dedos do extraordinário pianista Phineas Newborn.14/11/2007
07/11/2007
All Night Long (1962): jazz e Shakespeare
No Clube das Terças (sim, com maiúsculas) não se fala somente sobre jazz, como muitos querem fazer pensar. O jazz sublinha as conversas, é verdade, mas nem só de música vive o homem - ou os homens. No caso do clube, o número de participantes não chega a completar os dedos de duas mãos, mas são assíduos como recém-maridos: comparecem com alegria e disposição. Bem, não é isso o que eu queria dizer. Há alguns meses chegou a minhas mãos - via Chico, um dos assíduos terceiros - o filme All Night Long, de Basil Dearden. Sim, claro: o filme tem muito a ver com o jazz, mas relaciona-se também a Shakespeare, o bardo que, se vivesse nos dias de hoje, faria misérias ao piano. Macbeth é um solo de Earl Hines; Hamlet é um fraseado de McCoy Tyner nos bons tempos ao lado de Coltrane, Elvin Jones e Jimmy Garrison. Bem, voltemos ao filme. O drama Othello é transposto para um apartamento londrino no qual uma festança - cujo anfitrião é Richard Attenborough, na pele do fã de jazz Rod Hamilton - se desenrola. Uma festança à base de jazz, na qual Charles Mingus, Dave Brubeck e o inglês Johnny Dankworth dão o ar da graça ao lado de personagens que fazem as vezes de Iago, Othello e Desdemona, interpretados, respectivamente, por Patrick McGoohan (Johnny Cousin), Paul Harris (Aurelius Rex) e Marti Stevens (Delia). McGoohan está perfeito como o invejoso e ardiloso personagem que de tudo faz para que o bonzinho e digno Aurelius Rex desconfie da mulher. Usa cigarreiras e gravações em fitas de rolo para criar a infâmia. Veja o filme e você concordará comigo: além da ótima música que corre solta, os trejeitos malevolentes de Johnny Cousin/Iago são o que há de melhor no história.
Diferentemente do drama original, a película tem final feliz. Mas feliz, de verdade, ficou a rapaziada do Clube das Terças, que pôde testemunhar Dave Brubeck e Charles Mingus tocando juntos, mesmo que por pouco tempo. Outros músicos se divertem na história: Tubby Hayes (sax tenor), Keith Christie (trombone), Allan Ganley (bateria), Bert Courtley (trumpete), Ken Napper (baixo), Colin Purbrook (piano) e Johnny Scott (sax alto). Esse povo todo - mais Mingus, Brubeck e Dankworth, já citados - estão na trilha, cheia de improvisações: A propósito: favor não confundir esse disco com o All Night Long, de Don Byrd e Kenny Burrell, disco da Prestige gravado em 1956, no qual Hank Mobley põe o estúdio abaixo.Basil Dearden, o diretor, gostava mais de jazz do que de Shakespeare, embora soubesse que seu mais ilustre conterrâneo havia criado tramas que poderiam ser ajustadas em qualquer cenário moderno. Daí a sua atualidade. E se você acha que o velho dramaurgo inglês vale mais que o jazz, vai gostar do filme do mesmo jeito.31/07/2007
Oitava Arte - Parte I
As mortes recentes e quase simultâneas de dois grandes nomes do cinema, Bergman e Antonioni, me fizeram pensar sobre a relação sempre confusa e pouco satisfatória do jazz com a sétima arte. Essa relação começa bem cedo, por volta de 1910, quando o cinema ainda era mudo e precisava de músicos para dar vida à película e realçar determinados momentos – suspense, alegria, paixão, tristeza – através da atuação de músicos habilidosos e capazes de improvisar em tempo real todas as noites e a cada sessão. Eram as chamadas ‘orquestras de fosso’, muitas vezes formadas por apenas um músico, como foi o caso do pianista Fats Waller ou do violinista Stephane Grappelli, mestres capazes de tocar com originalidade horas a fio. Ainda no cinema mudo (sonoro, mas não falado), verifica-se a existência de várias ‘trilhas sonoras’ baseadas no jazz, como é o caso de alguns filmes de Charlie Chaplin, entre eles A Day’s Pleasure.
Por uma dessas tristes coincidências do destino, o primeiro filme com som e fala tratava exatamente de jazz, quer dizer, tratava daquilo que o branco entendia por jazz: The Jazz Singer, de 1927, é uma triste comédia musical de Alan Crosland, bem ao estilo vaudeville, onde o herói é um cantor branco pintado de preto – Al Jonson. Três anos depois é lançado The King of Jazz, onde o herói é o pálido Paul Whiteman, cabendo a Louis Armstrong o ridículo papel de canibal perseguidor de Betty Boop. Somente em 1931 é lançado um bom filme – apesar de ser repleto de lugares-comuns – que dava à música negra o devido valor: Hallelujah, de King Vidor, com trilha sonora de Irving Berlin, traz excelentes momentos de blues e gospel. Na próxima parte da série A Oitava Arte trataremos dos primeiros videoclips de jazz e das relações entre cinema e jazz nas décadas de 1940 e 1950.Para os amigos navegantes, deixo acima algumas faixas daquele que, para mim, foi um dos músicos de jazz mais felizes na realização de trilhas sonoras para o cinema: o pianista polonês Krzysztof Komeda. Infelizmente Komeda morreu muito jovem, aos 38 anos. Apesar disso, deixou uma obra bastante extensa e rica. Suas principais colaborações foram com Roman Polanski e Ingmar Bergman. A seguir, dois clássicos do jazz em trio e duas faixas em quarteto da trilha composta para A Knife in the Water, de Polanski. Caso o amigo goste do som de Komeda, basta clicar AQUI para baixar a trilha sonora que o polonês compôs para A Dança dos Vampiros, de Polanski.
Depois daquele beijo


Bergman (1918-2007)
“The basis for all improvisation must be preparation. If I haven't prepared, I can't improvise. If I've made careful preparations I can always improvise. Then I know I have something to fall back on. What I detest is formlessness. That terrifies me. It is seldom that mere formlessness in a work of art conveys anything vivid. More often it gives an impression of effort. But a combination of improvisation and planning — that's good.” - Ingmar Bergman





