30/01/2011
O jazz morreu: Lage Lund
12/07/2009
O jazz morreu - Kelly Rossum
Além dos péssimos salários, sempre pagos com atraso, o Jazzseen agora quer nos obrigar a escrever sobre mulheres que tocam jazz. John Lester, nosso Editor-Chefe, que me perdoe, mas sobre este assunto já dei minha opinião irretratável. Sendo assim, para manter meu emprego, concordei em escrever a matéria de junho para a coluna O Jazz Morreu. E não vou falar sobre pianista, que o Jazzseen já falou de mais de 70 pianistas desde sua fundação (veja nosso índice na coluna da direita). Vamos falar é de trompetista, porque foi um deles que inventou o jazz, não é mesmo Buddy Bolden? Embora tenha o defeito de ser muito jovem – Kelly Blossum nasceu em 1970 – até que o garoto tem sabido contribuir para a evolução do jazz sem aquele absoluto divórcio com a tradição, característica de nove entre cada dez músicos de vanguarda que alegam produzir jazz. Não, Kelly sabe das coisas do sul, sabe do blues e dos spirituals. Sabe também das coisas do norte, sabe do stride e do bebop. Nascido numa família musical, com pai clarinetista e mãe pianista, Kelly estudou música no colégio e depois em algumas faculdades, bacharelando-se pela University of Nebraska, obtendo o mestrado na University of North Texas e o doutorado na University of Minnesota, nada mal para uma pessoa que usa o corte de cabelo moicano. Sem dúvida Kelly representa uma das esperanças do jazz moderno, não apenas por sua competência acadêmica, mas, como já dissemos antes, por sua vinculação irrestrita às vozes do passado, o que mantém sólida a ponte que interliga os estilos do jazz entre si. Kelly também não se mantém indiferente à universalização do jazz, compondo e tocando com gente de todo canto, como Lars Jansson e Bengt Eklund (Suécia), Denis Colin (França), Darin Pantoomkomol (Tailândia), Eric Miyashiro e Jun Miyake (Japão), Ignacio ‘Nachito’ Herrera (Cuba), Alexander Serguencko e Vyacheslav Shumilov (Rússia), Sir David Wilcox (Inglaterra), além dos compatriotas Juini Booth, Bob Mintzer, Woody Witt, Joe LoCascio, Wessell ‘Warmdaddy’ Anderson, Ted Nash, Anthony Cox, Phil Hey e liderar seu próprio quarteto. Num estilo ainda insuscetível de classificação, Kelly tem conduzido a tradição do dixieland, do swing e do bebop em direção às novas concepções e roupagens oferecidas pela música eletrônica atual, como a ambient e a trance music. Com um pé em Louis Armstrong e outro em Wynton Marsalis, Kelly tem seguido adiante, trazendo soluções bastante inteligentes e criativas para os problemas que a modernidade tem trazido ao jazz. Para os amigos fica a faixa Mr. Blueberry , retirada do álbum Family, gravado em 2008 para o selo 612 Sides. Com ele estão os competentes Bryan Nichols (p), Chris Bates (b) e JT Bates (d).23/08/2007
Un universo extenuante
The Bad Plus, formación creada en el año 2000, presenta con "These Are The Vistas" (no pw) su segundo trabajo discográfico tras un primero homónimo ("The Bad Plus", Fresh Sound, 2001). Segundo que curiosamente parece ser primero a tenor de las diversas promociones que hablan de álbum debut. Cosas de multinacional. Sea como fuere en este trabajo se recuperan un par de composiciones de la primera grabación. Una de ellas es la versión de "Smells like teen spirit" del grupo Nirvana. Quizá el reclamo de la formación de Kurt Cobain facilita el apartado promocional o quizá sea decisión revisionista del trío. Sea como fuere el disco iniciático suena ya a curiosidad de coleccionista. "The Bad Plus" es ortodoxia en formación (piano, contrabajo y batería) pero heterodoxia en sonido. No son inventores de un nuevo lenguaje pero si esponja de la música contemporánea (entendida esta como aquella música hecha en nuestros días). Conforman su modo de expresión a partir de los lenguajes melódicos del pop y del jazz y los ritmicos del rock, pop y dance. Todo ello unido crea el universo "The Bad Plus", un universo extenuante a la vez que intrigante. El repertorio del trío es también reflejo de esas influencias rítmicas y melódicas. Composiciones propias (ocho en el disco) junto a tres versiones de temas de Nirvana, Blondie y de Aphex Twin. Tres ejemplos para analizar qué hay de cierto en el ánimo "deconstructor" de la música de "The Bad Plus". Siendo sincero. Conozco a Nirvana (al menos el tema versionado), me suena Blondie y no conozco a Aphex Twin. Así que si al ejemplo de "Smells like teen spirit" me atengo la "deconstrucción" no es prácticamente tal ya que se respeta casi al completo la estructura original de la composición. Justo en el momento en que parece romperse la forma se reexpone el tema. Será cosa de las limitaciones cronométricas del disco. En directo es de esperar mayor ruptura. Una de las frases promocionales define a "The Bad Plus" como "el trío más ruidoso jamás visto", casi en contraposición a la también promocional frase de ECM "el sonido más hermoso después del silencio". Y es que con "The Bad Plus" el silencio se convierte en caos. La belleza de las armonías y melodías "amables" se va tornando en un torrente sonoro donde los ritmos se cruzan y las tres "voces" parecen caminar independientemente para terminar confluyendo al final del camino. Buen ejemplo es el tema "Silence is the question" ("el silencio es la pregunta") firma del bajista Reid Anderson donde la calma inicial se tensa hasta llegar a un caos de intensidad casi minimalista (por momentos uno parece escuchar en el piano la insistente reiteración arpegiada de, por ejemplo, un Philip Glass) para terminar confluyendo de nuevo los tres en ese silencio (sonoro) que forma parte de la pregunta. Una pregunta con respuesta en el anterior trabajor: "love is the answer" ("el amor es la respuesta"). Gracias Mr. Lester. ¡Véalo!
29/12/2006
On The Corner
Infelizmente serei obrigado a abandonar temporariamente os amigos navegantes. Volto somente dia 12 de janeiro de 2007. Mas, antes de partir, deixarei algumas faixas finais sobre o acid jazz, logo abaixo. A comparação com o álbum On The Corner, gravado em 1972 por Miles Davis, é inevitável. Trata-se do álbum Re-Animation Live, de Tim Hagans e Bob Belden, gravado ao vivo em Montreal, em 1999. Se o primeiro álbum, o de Miles, exerceu um terrível impacto sobre os ouvintes, principalmente para os tranqüilos amantes do Miles acústico dos anos 1950, o segundo álbum já não assusta muito, mas encanta com toda a parafernália eletrônica disponibilizada inteligentemente por Tim e Bob. Ao contrário dos cinco bateristas em On The Corner, aqui temos apenas Billy Kilson. Ao invés dos três tecladistas de On The Corner (Herbie Hancock, Chick Corea e Ivory Williams), aqui temos apenas Scott Kinsey. Ao contrário da batida quase hipnótica de On The Corner, aqui o contrabaixo de David Dyson pode dialogar de forma mais livre e complexa, sempre perseguido pelos apelos ácidos de DJ Kingsize, um dos melhores turntablists da atualidade. Mas, por sobre tudo, ficam os excelentes solos de Hagans (t) e Belden (ss). É isso: Feliz ano novo a todos!24/12/2006
Toshinori Kondo & DJ Krush

Quem conheceu Toshinori Kondo tocando feito um aloprado com John Zorn certamente vai estranhar o álbum Ki-Oku gravado com o DJ Krush em 1998. DJ Krush é um dos mais respeitados turntablists do mundo house e Kondo é um dos mais respeitados trompetistas do free bop. Dessa mistura resulta um álbum estranho, inusitado, mas que realmente me agrada. É inevitável a comparação de Kondo com o sopro de Miles Davis em certas passagens, embora Kondo seja proprietário de um estilo todo seu, moderno, introspectivo e bastante sedutor. Nas palavras de Rick Anderson, do All Music Guide: " Anyone who remembers trumpeter Toshinori Kondo's work with such thorny avant-gardists as John Zorn, Derek Bailey, Fred Frith, and Peter Brotzmann's Die Like a Dog Quartet may be a bit taken aback by the extreme accessibility of his collaboration with pioneering turntablist DJ Krush. Much of the music on Ki-Oku flirts with smooth-groove jazz — Kondo's muted trumpet line on "Mu-Getsu" sounds an awful lot like something Chris Botti would play, while the duo's instrumental take on the Bob Marley classic "Sun Is Shining" comes off just a little bit muzak-y. On the other hand, "Ki-Gen" and "Ko-Ku" both find Kondo using synthesized treatments in a way that evokes Jon Hassell's work with Brian Eno, while on the latter DJ Krush layers slightly menacing keyboard washes beneath Kondo's unassuming trumpet lines. This is one of those albums that reveals more with repeated listens; if it sounds too easy at first, listen again — there's lots of interesting stuff going on beneath what sometimes sounds like a merely pleasant surface." Para quem quiser conferir o experimentalismo de Kondo, basta ir até o Jazzseen Salad, logo acima, à direita.
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18/12/2006
Nils Petter Molvær
O trompetista norueguês Nils costuma ser classificado como um músico da avant garde jazz. Sua atração pelo experimentalismo já o levou por vários caminhos, entre eles o do acid jazz. Em seu álbum Khmer, lançado inusitadamente pela ECM em 1998, Nils flerta com a música eletrônica, utilizando todas aquelas armadilhas típicas do acid jazz: sampling, looping, overdubbing e programações de todo tipo. Realmente um álbum bastante distante do jazz de câmara produzido pela etérea ECM. O ouvinte mais atento poderá perceber que, apesar da batida house, o comarada sabe utilizar seu instrumento com muita perícia e, para mim, com refinada beleza. Aos amigos navegantes deixo as faixas Khmer e Song Of Sand. É logo ali, no Jazzseen Salad..
29/08/2006
Moodness
O que fazer quando sua cabeça é muito pequena para acomodar todas as suas idéias? Alguns tomam cachaça e depois batem na esposa ou conversam bêbados com seus cachorros. Outros, como Wayne Horvitz, aprendem a tocar piano, sintetizador e órgão, criam vários grupos - Pigpen, Ponga, The President, The 4 + 1 Ensemble e Zony Mash - e tentam diluir aquele emaranhado de idéias que parecem explodir em seus cérebros. Wayne é um daqueles músicos nascidos em New York na rosada década de 1950. Antenado demais para se comover com Beatles ou Stones, partiu para a música de verdade. Gravou com Billy Bang, Marty Ehrlich, Bill Frisell, Bobby Previte e John Zorn, entre tantos outros músicos inquietos. Com grande senso de organização, dividiu seus trabalhos em compartimentos: complexidade, experimentalismo e virtuosismo em algumas gavetas. Swing, groove, bom humor e informalidade em outras. Seus trabalhos com o grupo Zony Mash mostram bem o lado moodness de Wayne: composições simples no resultado, peso nos dedos e um balanço funky que me agrada bastante. Se você gosta de Hammond B-3 e de coisas como Medeski, Martin & Wood, vai gostar do som de Zony Mash. Para os argonautas carentes, segue uma faixa-petisco no Jazzseen Salad - acima, à direita. Bom apetite!06/08/2006
Pasteurização
Outro dia eu conversava com Rogério Coimbra, um dos sócios mais antenados do Clube das Terças, sobre o processo de pasteurização pelo qual o jazz tem passado nos últimos 50 anos. Assim como Louis criou em 1864 um processo através do qual podemos eliminar os microorganismos dos alimentos, muitos músicos de jazz criaram uma atmosfera elétrica através da qual toda emoção era retirada da música que produziam. Contrabaixos, pianos e outros instrumentos acústicos foram sendo eliminados. Junto com eles, as delicadas tessituras sonoras que davam tanta vida ao jazz foram sendo paulatinamente substituídas por frios sons eletrônicos. Confesso que coisas como Pat Metheny e Cia realmente nunca me atraíram sinceramente. Ok, você pode alegar a virtuosidade, a originalidade, a versatilidade mas... Sei lá, para mim falta a madeira envelhecida do baixo, falta a pancada do velcro sobre a corda esticada do piano. Não sabaria dizer exatamente o que sinto - talvez um musicólogo o saiba - mas falta emoção nessa coisa eletrônica toda que tem sido expelida no mercado sob o nome de jazz. E Rogério sempre lembra: homens como Bill Evans não precisam de energia elétrica. Dê-lhe um velho piano e relaxe. Lembrando dessas palavras tive uma grata surpresa ao ouvir um músico para o qual até então eu não dava a mínima: Lyle Mays, aquele que sempre acompanha Pat em suas aventuras etéreas e, para mim, sem sal. Ao ouvir Lyle tocando piano acústico percebi quanta coisa esse jovem músico sabe sobre timbre e sobre emoção. Na faixa que coloquei acima, no Gramophone Jazzseen, o tributo a Bill Evans é evidente não apenas em função do título da faixa (Bill Evans) mas pelo simples fato de soar como um agradecimento sincero e emocionante ao velho mestre. Para aqueles que pretendem investigar o jazz moderno feito com sensibilidade, recomendo o cd Fictionary sem restrições, mesmo aos navegantes mais desconfiados. A coisa é toda acústica, com Marc Johnson no baixo e Jack DeJohnnet na bateria. Rogério Coimbra, tenho certeza, aprovaria.
24/07/2006
Sex Mob
As brincadeiras do trompetista de vara (slide trumpet) Steven Bernstein acabaram virando coisa séria: navegando no mundo musical denominado de modern creative – onde toda e qualquer tradição do jazz pode ser remodelada com a liberdade e a imaginação que se queira – Steven e seus companheiros Briggan Krauss (as), Tony Scherr (b) e Kenny Wollesen (d) terminaram por formar o Sex Mob, sem dúvida um dos melhores grupos que já ouvi nesse tipo de contexto. Com o passar do tempo, Steven descobriu que associar temas famosos às suas próprias composições poderia lhe render sucesso junto a um público mais amplo: foi assim que fez suas releituras de Goldfinger, Macarena, Come Sunday entre outros clássicos pop. Se você aprecia aventuras musicais de bom gosto, com muito senso de humor e muita improvisação, certamente vai gostar do Sex Mob. No Jazzseen Salad oferecemos um leve petisco do grupo: House Of The Rising Sun, tema do velho bluseiro Leadbelly. Boa audição!22/07/2006
Saudades do Hermeto
Na década de 1980, quando ainda tinha meus quinze anos, costumava ir satisfeito ao Circo Voador, quando ele ainda ficava próximo às rochas do Arpoador, no Rio de Janeiro. Depois o circo musical foi para os lados dos Arcos da Lapa, sob a batuta de Perfeito Fortuna. Foi ali que vi Cássia Eller coçar a genitália ao vivo pela primeira vez. Foi também nesse espaço musical democrático que vi e ouvi pela primeira vez Hermeto Pascoal tirar sons estranhíssimos de panelas, brinquedos velhos, apitos e mangueiras de jardim. Confesso um certo atordoamento diante da imensa criatividade do mestre albino, talvez pela modernidade da coisa. Hoje, aos quarenta, percebo que meu atordoamento para esse tipo de experiência musical permanece inalterado: buscando em meus alfarrábios obras modernas para aplacar a fome dos amigos navegantes, pesquei um dvd de John Zorn, gravado em 2004 com o cantor performático Yamatsuka Eye, um japonês muito pouco ortodoxo. Não espere dele movimentos sutis e vozes milenarmente construídas em pacíficos campos de arroz. Na verdade, o pequeno trecho que disponibilizo no Cinema Jazzseen, acima à direita, é apenas um dos muitos projetos radicais desenvolvidos por John Zorn. Dessas experiências surge o Naked City, espécie de conjunto musical aberto a qualquer tribo: jazz, música judaica, rock pesado, tango e afoxé. Panelada por panelada, prefiro a do Hermeto. Contudo, havendo vodka em quantidades ilimitadas, eu até poderia encarar a panelada do Zorn. E você? Não há caos sem disciplina
A característica mais marcante do free jazz é não possuir nenhuma característica marcante. Pegue todos os músicos que criaram e produziram música nesse estilo e tente enumerar ao menos uma. Podemos tentar dizer que quase todos os músicos desse estilo pregavam a liberdade musical absoluta: na verdade isso nunca ocorreu. Toda obra do free jazz possuía e ainda possui uma cota mínima de ordem e disciplina. Somente muitos anos mais tarde, com o que veio a se denominar free improvisation, é que algo dessa natureza foi tentado. Ainda assim, alguns limites mínimos à liberdade persistem, ditando a elaboração daquilo que se costuma chamar de game rules. Ou seja, John Zorn e alguns outros concluíram que, para se atingir o caos, precisamos de severa disciplina. Apesar da aparente liberdade que a música de Julius Hemphill possa nos transmitir, há nela uma lógica rígida e bastante coerente: esse compositor e mestre do sopro conseguiu evoluir dentro do intrigante mundo da liberdade vigiada, associando ao passado recente um conjunto de propostas novas, onde as regras do jogo poderiam, elas mesmas, ser alteradas durante o desenrolar do jogo. Coisa de gênio? Sim, acredito que Julius representa uma parcela considerável daquilo que melhor se produziu na esteira do free jazz. Infelizmente nos deixou muito novo, com tanto fôlego para criar e tantas idéias por conceber. Numa singela homenagem, deixamos ali no Jazzseen Salad – acima, à direita – uma pequena mostra do trabalho original desse gigante do free. A faixa The Hard Blues, composta por Julius, foi retirada do álbum The Hard Blues: Live In Lisbon, gravado em agosto de 2003, com Marty Ehrlich (ss, as), Sam Furnace (ss, as), Andy Laster (as), Aaron Stewart (ts), Alex Harding (bs). Boa audição!
21/07/2006
Elas também tocam jazz
Aproveitando a onda de modernidade que assola o Jazzseen, nada melhor que falarmos da pianista e compositora japonesa Aki Takase. Iniciando seus estudos musicais aos três anos, aos vinte já tocava jazz profissionalmente. Extremamente versátil, Takase é capaz de ir do fado – é longa sua parceria com a cantora Maria João – ao mais abstrato free jazz – são célebres seus duetos com o pianista Alexander von Schlippenbach. Consagrada por sua apurada técnica e pelo seu espírito de experimentação, Takase convence não apenas pela sua capacidade de improvisação, mas também pela beleza de sua concepção sobre o que seja e o que deve ser o jazz. No Jazseen Salad – acima, à direita – você ouve a releitura que Takasi faz da famosa composição de W. C. Handy: St. Louis Blues, em seu álbum St. Louis Blues - Enja - 2004. A moça está muito bem acompanhada por Rudi Mahall (bcl), Nils Wogram (tb), Fred Frith (g) e Paul Lovens (d). Boa audição!Estranhas brisas
Tenho sentido um certo desejo pelo moderno entre os amigos navegantes. Mr. Salsa já tem trazido suas interessantes leituras sobre o novo, embora de forma ainda bastante comedida e quase sempre associada ao rock.
Eu também tenho lá meus momentos de aventura, procurando aqui e ali rastros daquilo que poderíamos denominar de jazz moderno. Afinal, há música mais moderna que a de um Mingus, de um Coltrane ou de um Hermeto? Será que temos, aqui e agora, o afastamento histórico necessário para dizer que tipo de música feita hoje é e qual não é jazz?
Talvez somente o tempo nos possa responder certas perguntas, separando aquilo que é apenas joio daquilo que é de fato trigo. Em minhas precárias orelhas, percebo que o grande desafio moderno do jazz é o tratamento do ritmo: já sabemos que melódica e harmonicamente o jazz não tem fronteiras – o cerne da coisa parece estar na batida, no balanço, na escova rabiscando o prato e no dedão do pé sapecando o bass drum. Que diabo de batida é essa que faz de uma coisa jazz e da outra samba? Desde o two beats marcial de New Orleans, passando pelo dançante four beats do swing e pela superposição de tempos do intelectual bebop, até a desfiguração aparente do tempo no free jazz, algo sobrevive naquelas baquetas, naqueles dedos deslizando no contrabaixo, algo que nos indica com maior ou menor segurança que estamos nos terrenos do jazz.
Depois do critério, digamos, objetivo do ritmo, parto para um critério bastante subjetivo: a beleza. O jazz moderno precisa ser terrivelmente chato e horrendo? Não podemos ter, ao mesmo tempo, aventuras e experimentos complexos e produzir música bonita? O jazz, ou a música como um todo, deve valer-se de aberrações extremamente enfadonhas e agressivas? Creio que não. Tenho encontrado músicos de jazz moderno com uma enorme capacidade de experimentação cuja criatividade não impede o nosso prazer de ouvir o novo.
Pode ser no Japão, na Noruega, pode ser um australiano, um javanês, a batida é aquela ou quase aquela, com recordações do ragtime aqui, insinuações do blues ali, algum stride acolá. E a coisa evolui. No Jazzseen Salad (acima, à direita) deixo algumas gravações de Bojan Z e do The Bad Plus. Espero que gostem. A batida está lá. Ou quase lá.
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11/06/2006
NADA
10/06/2006
Cinematographo

14/05/2006
John John John John John John John
.John Zorn tem seu espaço, é óbvio. Como falar do jazz na década de 80 e 90 sem falar do ensandecido saxofonista judeu ? Impossível.
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Mas ficar falando apenas dele não seria justo. Entendo ser necessário, entre tantos outros, falar de outro John, John Lurie, líder do excelente The Lounge Lizards. Aos menos arredios às aventuras jazzísticas dos anos 80, vale uma, duas, três, quatro, cinco, seis audições do disco Big Heart: Live In Tokyo, gravado em 1986. Blues ? Tem sim. Hard bop ? Tem sim. Baladas ? Tem sim. Psicodelia ? Tem sim. New Orleans ? Tem sim. Rock ? Tem sim. Tango ? Tem sim, e um tango de fazer Piazzola levantar do túmulo e sair tocando sua ressureita sanfona. Acompanhado de excelentes músicos, entre eles Curtis Fowkles (tb) e Marc Ribot (g), John Lurie mostra que nem tudo se resume a John Zorn no jazz moderno dos anos 80. Falando nisso, vou lá ouvir de novo.
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