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21/05/2008

Jucu Now

Graças à indiscreta resenha ‘Pula Não’ escrita pelo amigo Roberto Scardua, todos já foram notificados de que fui exonerado de minha condição de Comendador-Geral dos Portos da Barra do Jucu, arrabalde onde estabeleci sólido valhacouto, próximo à Ponte Madalena, cujo nome provém do título de maior sucesso da Banda de Congo da Barra do Jucu. Nesses quinze anos à frente do Porto Franco da Barra do Jucu, consegui não apenas eliminar diversas trilhas clandestinas existentes ao redor do Morro da Concha, como também impedir, com o apoio irrestrito do FCC – Fundo de Combate ao Congo, que toneladas de tambores e atabaques de procedência duvidosa fossem introduzidas irregularmente em território capixaba. Nessa luta desigual, conseguimos elevar a patamares assustadores os direitos sobre a importação de todo instrumento de percussão, excetuando, é claro, o piano e o famoso berimbau de duas cordas, instrumento hoje largamente adotado nas melhores escolas brasileiras de música. Além dessas, embora pequenas, memoráveis vitórias, eliminamos, ainda, as seculares veredas de jegue que entrecortavam todo o ressequido leito do Rio Jucu e que regularmente eram utilizadas pelos contrabandistas panamenhos de reco-reco, tornando viável, assim, a criação da Reserva Ecológica de Jacaranema, onde igualmente não são tolerados quaisquer tipos de percussão.

Hoje podemos dizer sem medo que o bucólico balneário vive em paz, embora ainda não produza o jazz, conforme tanto sonháramos. Mas a desinteligência permanece, agora com menos armamentos. A antiga vila de pescadores guarda até hoje as características de vila, onde, nos fins de tarde, a atração é a revoada branca das garças boiadeiras. Com suas inúmeras praias de ondas gigantescas, muito freqüentadas por surfistas mineiros, Barra do Jucu ainda é um lugar tranqüilo, bastante procurado por aqueles que procuram sossego e esportes radicais, como a famosa e concorrida caça à tartaruga. Suas estreitas ruas, muitas ainda sem calçamento, encantam os visitantes e à noite o lugar se torna um ponto de encontro de boêmios. Nosso único problema continua sendo o Carnaval, ocasião em que a assuada provocada pelo estrondoso rufar dos tambores costuma atingir índices indescritíveis.

E, mesmo expulso indevidamente de minhas atribuições legítimas como Comendador-Geral, persigo com sanha indomada minha luta em favor do jazz. Aproveitando a excelente dica do amigo Roberto, resolvi seguir seu alvitre a suicidas iniciantes, que transcrevo para os amigos: Entre no site da Amazon. No campo ‘search’ escolha a opção ‘music’. No campo ao lado digite ‘jazz’ e dê ‘enter’. Surgirão milhares de álbuns. Agora, observe no canto superior direito: você verá que há diversas opções para organização dos álbuns. A opção padrão é ‘relevance’. Clique na seta de opções e escolha ‘price: low to righ’. Pronto: surgirão milhares de álbuns, muitos deles de excelente qualidade, a preços inacreditáveis, em especial quando você verifica que são ofertados milhares de álbuns usados, mas também em excelente situação. Lester então retrucou que não confiava nesses ‘sellers’. Foi aí que intervi e assegurei ao velho clarinetista que tenho efetuado diversas compras nessas condições, sendo as entregas prontamente realizadas em tempo recorde (via aérea) e com absoluta seriedade. Álbuns novos são de fato novos, álbuns em bom estado estão de fato em bom estado.

Prova disso, foi a recente aquisição do álbum From A to B, do excelente saxofonista John Greiner, um ilustre desconhecido, repleto de talento e competência. Ato contínuo, comprei o excelente álbum Rare Connection (Discovery 77007 – 1995), do pianista Bill Cunliffe, por módicos US$0.39, mais US$4.50 de frete aéreo. Bill é um dos melhores pianistas do jazz atual, tendo vencido o prestigiado Thelonious Monk Competition de 1989. E para aqueles que se assustarem com os álbuns A Paul Simon Songbook e Bill In Brazil, gravados pelo pianista, não se preocupem: o álbum Rare Connection é puro post-bop, com fortes e sólidas raízes fincadas no legado dos mestres do bop. É o tipo de álbum que nos faz acreditar que o jazz continua por aí, enchendo de vida toda boa cidade portuária que se preze. Em trio com os competentes Dave Carpenter (b) e Peter Erskine (d), Bill conta ainda com a participação em algumas faixas dos excelentes Bob Sheppard (ts, bcl), Clay Jenkins (t) e Bruce Paulson (tb). Fosse gravado na Barra do Jucu, certamente o álbum não contaria com a ameaçadora presença do percussionista Kurt Rasmussen que, pelos orixás, não atrapalha em nada o desempenho dos músicos. Grande álbum, excelente preço. Confira aqui (
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15/12/2007

É hoje!

Apesar dos intensos esforços do FCC - Fundo de Combate ao Congo, criado por mim em 2006, parece inevitável que ocorra hoje, a partir das 17h na Ilha das Caieiras, uma apresentação da Banda de Congo Mirin da Ilha. Segue texto e programação enviados por Rogério Coimbra, sócio do Clube das Terças recentemente reprovado por faltas: "O Coral Cristo Rei e a Banda Mirim da Ilha unem-se para uma apresentação dia 15 próximo, sábado, no píer da Ilha das Caieiras, a partir de 17 horas. Trata-se do lançamento do CD Cantigas de Roda – Versões Capixabas, em que a interpretação das cantigas pelo Coral Infantil Cristo Rei se alia a uma apresentação da Banda de Congo Mirim da Ilha das Caieiras. Cada um desses dois grupos de crianças representa uma expressão específica do folclore capixaba: o primeiro, a partir de elementos da tradição européia; o segundo, a partir da incorporação de elementos africanos e indígenas; ambos contribuindo para a riqueza da autêntica cultura brasileira. O CD Cantigas de Roda – Versões Capixabas, baseado em pesquisa feita 60 anos atrás pelo folclorista Guilherme Santos Neves, foi viabilizado pela Lei Rubem Braga de Vitória através de recursos captados junto à Cia. Vale do Rio Doce e conta com direção musical e arranjos de Modesto Flávio, regência de Helder Trefzger e interpretação da cantora lírica Kátya Oliveira e do Coral Infantil Cristo Rei, dirigido por Ronaldo Sielemann. Nele estão presentes canções que pertencem ao imaginário dos adultos que já tiveram o privilégio de viver uma infância livre e literalmente lúdica, entre elas “Carneirinho, Carneirão”, “Terezinha de Jesus”, “Periquito Maracanã”, “Penedo Vai, Penedo Vem”, “Eu Sou Pobre”, “Bela Lilia”, e outras mais, além de uma que, curiosamente, é comum às duas manifestações: “Quebra, Quebra, Gabiroba”. A Banda de Congo Mirim da Ilha é um dos resultados do projeto Congo na Escola, supervisionado pelo Centro Cultural Caieiras – Cecaes, iniciativa do músico Fábio Carvalho, ex-Manimal. O projeto é desenvolvido na ilha das Caieiras, um dos centros mais badalados da cozinha regional de Vitória, conhecido por suas desfiadeiras de siri e acolhedores bares e restaurantes."

01/06/2006

Ora bolas, Congo Zero Orgulhosamente Apresenta: Brincantes & Quilombolas

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Mesmo diante de toda a ojeriza auditiva que o congo me traz, confesso a surpresa, boa e grande, ao ler o excelente livro Brincantes & Quilombolas, do historiador Maciel de Aguiar (foto ao lado). Obra de fôlego, fruto de árdua e longa pesquisa iniciada em 1965, considero o volume indispensável para todos aqueles que, gostem ou não de congo, queiram entender um pouco mais sobre a impenetrável cultura capixaba e, por extensão, a construção do imaginário cultural brasileiro. Importante livro, inclusive com informações sobre a música do ES. À venda na Logos, por R$75,00.

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NOTA: John Lester é o fundador e atual presidente do FCC - Fundo de Combate Ao Congo.