20/11/2006

Toma lá, dá cá

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Por volta de 1980 tive uma das mais terríveis experiências da adolescência: ouvir as sonatas e partitas para violino solo de Bach. Era um lp bem conservado, adquirido com dificuldade num daqueles bons sebos que então existiam na região do Largo de São Francisco, no Rio de Janeiro. Violinista e selo eram excelentes: Nathan Milstein lançado pela Deutsche Grammophon. Apesar das críticas favoráveis, confesso que meus ouvidos mal suportaram o Lado A e pediram arrego na metade do Lado B do bolachão. Pensei comigo: essa coisa de violino não é para mim. Mas o pesadelo auditivo teve seu lado positivo: aprendi que deveria investir meus parcos recursos de forma menos impulsiva e decidi escolher meticulosamente cada futura compra de lp’s usados. Voltei ao sebo na manhã seguinte com cara de choro e negociei uma permuta entre Nathan e Grappelli. O álbum era Limehouse Blues, gravado em 1969 pela Black Lion. Com Grappelli estava o fantástico guitarrista Barney Kessel. Fiquei tão satisfeito com a troca que resolvi, 26 anos depois, deixar a faixa Copa Cola para os amigos navegantes, logo ali no Brazil Jazzseen. Foi assim que descobri que há violinos que agradam. E muito. Boa audição!

6 comentários:

Roberto Scardua disse...

Violino é um troço enjoado mesmo Lester.

Salsa disse...
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Salsa disse...

Também acho. Tenho alguns poucos do Grapelli (plays Cole Porter e outro gravado com Michel Petrucciani). Não parece uma muriçoca zumbindo ao pé do ouvido?

guzz disse...

Grapelli tem um som e um timbre muito particular, e o velhinho é bom de bola mesmo. John Frigo é outra frente do violino no jazz, ouvi coisas dele com o Pizzarelli pai.

Mas confeso que quem fez a cabeça de muita gente com o violino foi o Jean Luc Ponty e sua fusão até o início dos 80 ... ainda hoje, acho um som da pesada !
Sem falar da Mahavishnu e o Didier Lockwood.

Salsa disse...

Eu me lembro do Ponty. Eu não tenho mais notícias dele desde o início dos oitenta, quando eu cheguei a ter uma bolacha gravada ao vivo. O grapelli é um grande músico, só não gosto do timbre do instrumento.

guzz disse...

esse disco ao vivo do Ponty chama-se LIVE e foi lançado em 78 e relançado em CD em 2004 (acho)

De 80 pra cá, Ponty entrou na onda eletrônica e na chamada "world music" (até hoje não sei o que isso significa direito) e quem estava acostumado àquele som dos primeiros discos não suportou ... eu, pelo menos !
neste meio tempo fez um trabalho legal com Stanley Clake e Al di Meola e só !