28/01/2007

Quem apanhava mais?

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Grijó, nosso mais recente candidato a sócio do Clube das Terças – o clube de jazz mais famoso e mal-afamado de Vitória-ES – começou bem sua maratona de testes. Interpelado pelo sócio-proprietário André sobre Miles Davis, Grijó respondeu: Gênio! Miles foi o maior de todos! Claro que tal resposta provocou um certo rebuliço entre os sócios mais antigos do clube. Durante o quebra-quebra, alguns quase perderam a cabeça e Chico Brahma chegou até mesmo a citar Patápio Silva num momento mais acalorado da discussão. Por sorte, uma menina que passava por perto conseguiu impor um silêncio monkiano na mesa, permitindo que André prosseguisse com a sabatina: e o que você me diz, Grijó, sobre as surras homéricas que Miles Davis levava diariamente de Charlie Parker? Grijó limitou-se a dizer que Miles estava ESTUDANDO e não poderia ser condenado pelos erros e assobios desafinados que emitia de seu trompetinho. Novo alvoroço na mesa, guimbas de cigarro voando pelo ar, latas de coca-cola caindo pelo chão, novas doses generosas de café tiveram de ser servidas imediatamente, antes que João Luiz ou Garibaldi reprovassem o jovem candidato. Mas André, com aquela sua dedicada atenção aos novatos, dá nova chance ao mancebo: Grijó, quem apanhava mais de Charlie Parker: Miles Davis ou Chet Baker? Um imenso e pesado silêncio tomou conta da mesa. Todos sentimos que a resposta de Grijó seria certamente definitiva para sua aprovação ou reprovação. Enxugando a testa com as costas das mãos, depois colocando-as sobre as ancas e olhando pensativo para o teto empoeirado do shopping Centro da Praia, Grijó optou, depois de quase 3 segundos de reflexão, pelo NRA, nenhuma das respostas anteriores. Ok, se isso não permitiu sua aprovação na última terça-feira, pelo menos evitou sua reprovação sumária. André determinou então que o candidato fosse para casa ouvir o álbum Inglewood Jam - Bird & Chet Live At The Trade Winds 1952, com Charlie Parker (as), Chet Baker (t), Sonny Criss (as), Al Haig (p); Harry Babasin (b) e Larance Marable (d). Na próxima terça, se Grijó concordar com André que Miles Davis apanhou muito mais de Charlie Parker do que Chet Baker, será aprovado na primeira etapa do certame. Aliás, como o próprio Bird disse a Miles ao voltar da sua excursão pela Costa Leste: “there is a boy in California who could eat him up”. Dizem que Miles ficou calado. Para os amigos, deixo na Radiola Jazzseen a faixa The Squirrel, composta por Tad Dameron. Notem como Baker e Criss parecem dois pintinhos molhados diante de Bird, a águia. Ainda bem que Miles se safou dessa!

11 comentários:

Velhinho "ex-maconheiro" de copacabana disse...

As notas jorravam das pontas dos dedos de Parker. Humilhante!

garibaldi disse...

Grijó que se cuide!

fabricio disse...

bem, só sei que eu nao queria estar na pele do baker

João Luiz disse...

Baker e Criss podem parecer dois pintinhos, mas realmente quem deu as cartas e cantou de galo nesta "jam" foi o contrabaixista Harry Babasin, além de Parker naturalmente.

velhinho "ex-maconheiro" de copacabana disse...

Harry chegou a babar, sim, de tanto que tocou.

Vinícius disse...

miles é a figura mais dificil de entender do jazz...

John Lester disse...

E aí, João? Qual vai ser sua nota para o Grijó?

João Luiz disse...

A nota para o Grijó(Francisco), com aquela mania de endeusar Miles Davis é zero.

Internauta véia disse...

Muito bom, não sei quem apanhou mais, mas por certo, Mr. Lester está batendo bem nas tecinhas do seu computador! Resenha muito boa!

F. Grijó disse...

Eu, o serôdio, afirmo, sem medo de apanhar de Gagáribaldi e sem receio de levar uns tapas de João Luiz - que bate na mesa e até assusta Zé Gratz: Miles é o Beethoven do jazz.

Anônimo disse...

Uma ano e alguns dias depois.Miles,como ser humano vil, gostava era de bater em pessoas q estavam incapazes de reagir.Ex-amantes principalmente.Edú