12/03/2007

Clube Das Terças & Sabalogos

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Ninguém sabe ao certo como certas coisas brotam, evoluem e frutificam. Quando John Lester, cidadão do mundo, fugiu de New Orleans em direção ao Novo Mundo, ele não poderia imaginar que em terras tão remotas e anônimas encontraria figuras tão extraordinárias e estranhas. Hoje, decorridos mais de dez anos de seu desembarque, Lester confessa que boa parte de sua alma é brasileira e, não há como negar, capixaba. E isso é fruto de seu contato com pessoas como Renato Pacheco (de quem John Lester foi aluno), Reinaldo Santos Neves e Pedro Nunes, todos três excelentes escritores e, como Lester, cidadãos do mundo grande. O contraste entre a visão ampla desses três amigos e o horizonte várias vezes estreito da cultura capixaba torna ainda mais importante suas existências na vida pensante desse esquecido estado brasileiro. Hoje, pelas limitações de espaço e tempo, destaco apenas três das várias contribuições dessas figuras impagáveis e insubstituíveis. A primeira é a criação do Clube das Terças, idéia original de Reinaldo e mais dois ou três asseclas, idéia essa mantida, cuidada e adubada por Reinaldo ao longo dos anos, que tem mantido esse clube dedicado ao jazz vivo e atuante nas terças-feiras do Centro da Praia por mais de dez anos. A segunda é a criação dos Sabalogos, sábados literários mantidos na livraria Logos há mais de dezoito anos por pessoas como Renato Pacheco, Reinaldo e Pedro (dizem as más línguas que, até hoje, ainda não decidiram se Ulisses, de James Joyce, é ou não é o livro mais chato do mundo). Por fim, a terceira criatura inquieta é o site Tertúlia, uma espécie virtual de ornitorrinco cultural criado por Pedro Nunes para promover, resgatar e encadernar o que há de melhor na literatura capixaba. E, vale dizer, não se trata aqui de xenofobia irracional do amigo Pedro, mas apenas de um sentimento de que cada ajuntamento humano produz suas coisas belas, entre elas os gostosos rabiscos sobre papel, deixando nas entrelinhas a marca da memória, das dores, da história e do amor que todo aglomerado assim humano produz com sotaque, tempero e aroma próprios, e únicos. Talvez seja assim, convivendo com essas estranhas criaturas que promovem a diversidade cultural, que um dia conseguiremos compreender a complexa fórmula da liberdade. Se você é como John Lester, um refugiado em sua própria casa, um apátrida com diversas nacionalidades, visite o site Tertúlia. Você vai gostar.

36 comentários:

Vinícius disse...

olha, ampliei a foto para ver com calma coisas que um olhar apressado não ve. a primeira coisa que me chamou a atenção foi a mesa, no centro da qual repousam uma garrafa de jack daniels, já pela metade e outra de absolut, aparentemente mais vazia. uma coca-cola de 600 ml, tb vazia...

tem tb um negócio parecendo uma chaleira de conteudo misterioso e, meio escondida atras do cara do violão, uma garrafa que suspeito ser vinho de garrafa azul

o violão merece um comentário: estará ali tocando standards do jazz? acho q o rapaz da camisa preta, depois de tomar o vinho da garrafa azul, tá tocando "eu sei... tudo pode acontecer..."

Vinícius disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinícius disse...

mas há mais: essa mistura de bebida boa com refrigerante não acabou ai, já que o senhor todo de branco perto da porta aparentemente está chegando com uma sprite!!! ele tb tem um pacotinho amarelo nas mãos cujo conteudo não imagino, mas certamnte não são cds.

por outro lado em cada extremo da foto um homem ergue um brinde, me parece, de café!

ao centro o cara mais novo e menos fora de forma ostenta no pescoço uma correia para sax, será q estava rolando uma jam com sax e violão?

Vinícius disse...

ficaram algumas duvidas, a caixa vermelha sobre a mesa é de chocolate? o clube só tem 4 cadeiras? onde estão os cds?

Salsa disse...

o café era café, mesmo. Batizado, em alguns copos, com o bom e velho joão daniel.
O sprite era água mineral de algum recanto do interior, que chico não abre mão.
O violeiro é violeiro, mesmo. Tocador de "modas" - é mole? Ele e Lester (o da correia) estão lançando a vertente jazz caipira.
Vinho de garrafa azul não entra nas reuniões. Creio ser uma água mineral (a confirmar).
Os cds estão na cedeteca (lester providenciará a foto)

Salsa disse...

PS - As bebidas que importam (alcoólicas) foram degustadas por dois ou três chegados. O resto só consumiu café, refrigerante, água mineral e bombons.

Guzz disse...

Inclusive o "violão" é uma viola, de 10 cordas ...
Saúde para todos !

Reinaldo Santos Neves disse...

Meu caro John Lester: Agradeço emocionado as suas palavras. E retribuo dizendo o óbvio: que sua amizade para com todos nós, sócios do clube, tem contribuído em muito para consolidar e fortalecer a nossa confraria.

thiago disse...

Gostei do clima desse clube. Vida longa!!!

Anônimo disse...

Viva o "Clube das Terças". Energia boa!!!

internauta véia disse...

Oi Lester, oi eu aqui! Saudade do Jazsseen...

olney disse...

Muito bom isso! Se eu morasse em Vitória gostaria de fazer parte dessa turma...
ps.: JL, para quem não conhece - como eu e o vinícius - vc poderia identificar, abaixo da foto, o fundador Reinaldo e os outros "asseclas" presentes.

Vinícius disse...

tava melhor naquele texto, o encontro era na praia e gostosas passavam...

José Garibaldi Magalhães disse...

Felizmente não faltei esse dia à reunião do Clube das Terças na casa do sócio remido e benemérito John Lester.
Mas o pessoal tava muito careta.
Aquele senhor da esquerda estava fazendo um brinde com licor de café Tia Maria! Devem ser argentinos, todos os dois. E aquele seu ar beatífico não esconde que ele está gordo demais.
Já o senhor de cabelos brancos ao fundo está magro demais.
O senhor de viola na mão está grisalho demais.
O senhor de camisa quadriculada de azul ao fundo parece médico, mas médico era seu pai, e seu filho é fisioterapeuta.
O senhor de barba branca já não mais existe - agora a barba está rala.
O senhor de camisa vermelha é um grande músico capixaba, e por isso ainda desconhecido.
O senhor de camiseta branca ao fundo chama-se Chico da Brahma, mas no momento é abstêmio.
Eu bati a foto e somente por isso posso afiançar que Paulinho Embratel estava perto de mim atrás da câmera.

John Lester disse...

Obrigado a todos que deram pitacos. Os nomes dos integrantes do Clube das Terças, da esquerda para a direita na foto, são: Pedro, Salsa, Rogério, André, Chico, João, Reinaldo e Fernando. Ficaram fora da foto: Celso, Paulo e Garibaldi.

É isso, JL.

Rosângela disse...

John Lester, que figura...

Roberto Scardua disse...

Quando eu for a Vitoria vou nessa reuniao do clube das terças!

Rogério Coimbra disse...

Santo Deus, precisamos providenciar uma convenção internacional. Organizem-se as vans de todo o país que os velhinhos transviados vão se encontrar. Difícil vai ser definir o tema básico do evento; provavelmente algo de Monk, a única unanimidade do Clube das terças, ou não ? Clube das Terças, de Vitória para o muuuunnndo !

Rogério Coimbra disse...

Mr. Lester: gostaria de sugerir que se " votasse" um tema que fosse carro-chefe do clube (tema de abertura imaginário das sessões), evidentemente composição de Monk, afinal, o único quem ninguém tem nada contra entre a tchurma, assim me parece. Que tal Rhythm-A-Ning, ou Brilliant Corners, ou mesmo Blue Monk ? Existiria unanimidade em alguns dos fantásticos emas monkianos ?
Com a palavra, o presidente...

John Lester disse...

Embora Rogério Coimbra seja um dos muitos sócios remidos do Clube das Terças, suas opiniões sobre jazz sempre calaram em nossas almas. Sua sensibilidade, visão e bom gosto, impediram que fosse expulso do Clube após mais de 3 anos de inadimplência. Remido foi, remido é. Não são outros motivos que me fizeram atender seu pedido, qual seja, colocar mais uma faixa do pianista francês Franck Avitabile. E, quem diria, a faixa é Round Midnite, do imperdoável Monk. Ela está logo ali, no Gramophone Jazzseen.

Espero que o amigo Rogério goste.

Rogério Coimbra disse...

Gostar, gostei, só gostei de ser execrado como remido. Faltei umas 2 sessões após quase 10 anos e ainda assim não ganhei camisas norte-americanas, apesar de ter sido sorteado(dezenas de testemunhas!!!) numa dessas reuniões.Enfim, até Monk foi defenestrado. Voto, por fim, em Round Midnite ou Blue Monk, se é que voto meu tá valendo alguma coisa, como futuro remido !Por enquanto, fico ouvindo Bill Evans ( NUNCA CITADO NESSE BLOG). Amém.

Reinaldo Santos Neves disse...

Mr.Coimbra, gostei da idéia de escolhermos um hino pro clube e também da sugestão de que seja um tema de Monk. Dos temas que você sugeriu, eu votaria em Rhythm-an-ing, que é mais animado que Blue Monk, e votaria assim apesar dos fortes laços afetivos que me ligam a Blue Monk, através do qual (no sagrado Disco de Capa Azul) travei conhecimento com a música de Monk. Mas sejamos democráticos e estendamos o direito de voto aos demais sócios, ainda que com o risco de não chegarmos a consenso algum.
Pensando bem, sejamos democráticos mas nem tanto: se escolherem um tema contaminado com o vírus da conga, eu saio do clube.
Quanto à sua condição de sócio remido, Lester, grande brincalhão, está fazendo hora com você. Afinal, o sócio remido deste clube é Paulinho da Embratel, que, depois de ficar reprovado por falta em vários semestres letivos, jubilou-se a si próprio.

Vinícius disse...

como todos, eu amo monk, mas ele é a unica unanimidade neste clube?

João Luiz disse...

Vinicius: Monk é um dos preferidos. Unanimidade acho que não. Apesar de gostar muito de seu estilo de tocar e de suas composições prefiro Gerry Mulligan. Quanto a música/carro-chefe ou hino para o clube, analisando bem as personagens dos seus participantes o tema ideal seria "MISTERIOSO".

Rogério Coimbra disse...

Que tal Just A Gigolo ?
Agora, se Monk não é unanimidade porque o Mazzi é do contra...Até Xico Brahma gosta. Unanimidade não seria Miles, nem Coltrane,NEM BILL EVANS,nem eu,nem eu,nem ninguém !
Voto em Rhymthm-A-Ning. Ah, o clube permite que eu assista ao show do Terence Blanchard hoje à noite, ou não posso ? Chama-se Flow, a apresentação. Lá vou eu, depois de Sassaricar ontem à noite.
A benção, John Lester.

MIGUEL MARVILLA disse...

Como membro de fora desse clube... Posso pedir pro hino ser da Ivete Sangallo? Ou Djavan? Que tal "Samurai"? hein? Pode? Pode?

Reinaldo Santos Neves disse...

Acho que está havendo um problema de comunicação, pra variar, entre os sócios do clube. Sr. Mazzi, atente pro fato de que o consenso não é quanto ao "melhor" músico de jazz, mas sim quanto à unanimidade de aprovação de um músico. Creio que ninguém no clube tem nada contra Monk como também não tem contra Mulligan, Art Pepper, Lester Young, Bud Powell, Dave Brubeck, Coleman Hawkins e muitos outros. Está aí uma pesquisa a ser feita por nosso arquivista, Fernando Achiamé.

John Lester disse...

Fernando Achiamé é proprietário de uma rica coleção de depoimentos dos sócios do Clube das Terças, anotados em guardanapos de segunda. Talvez daí possamos recolher algo sobre ser ou não Monk o centro geométrico do Clube. Mãos à obra Fernando!

John Lester disse...

Ah, sim, já ía esquecendo: Djavan aqui só se for para limpar meus cd's de jazz. Há mofo neles.

Rogério Coimbra disse...

Mr.Lester,
Mesmo sem a permissão do clube atrevi-me a assitir ontem a um show do Terence Blanchard. O homem é um virtuoso mas o grupo parece cumprir nota por nota pré-determinada pelo líder, aliás, um grande fominha, com longos solos. Foi o único show de jazz a que eu assisti no qual não teve solo de bateria(alô, presidente) !A turma era Brice Winston(sax)Derrick Hodge(bx)Kendrick Scott(bat) e um cubano chamado Fabiano ao piano. Tirando o aspecto burocrático, só gente grande tocando...Alguns capixabas na platéia, entre eles Marco Firmino.

Rogério Coimbra disse...

Sr.Presidente:
Não acho que Pepper,Hawkins,Powell, e os outros acima citados, sejam unanimidade.Para mim não, tenho minhas restrições,tirando Brubeck e Mulligan. Monk é único, o sábio, o Mestre, o Monge.

João Luiz disse...

Talvez tenha me expressado mal. Sim, mr Rogerio e Mr.Reinaldo, Monk é uma das unanimidades. Um dos meus pianistas preferidos. Inclusive era doido igual a mim. Não é mr. Fernando Achiamé.

John Lester disse...

Ei saudade da Sala Cecília Meireles... Uma sala tão fantástica quanto a poetisa que lhe dá nome. Fui muito ali, nos tempos de UERJ e UFRJ... Considerando que o tempo não volta, só me resta o passar d'olhos pelos dois volumes da obra completa da moça, editada em tecido pela Nova Fronteira.

Bons tempos...

Reinaldo Santos Neves disse...

Sugestão para resolver o impasse que se criou a respeito das "unanimidades" do clube: na próxima terça, que cada um faça uma lista de dez músicos de jazz dos quais GOSTE MUITO. Aqueles músicos que estiverem em todas as listas serão uma indiscutível unanimidade.
E as listas, é claro, serão entregues a Fernando Achiamé, curador do futuro Museu do Clube das Terças.

John Lester disse...

Minha lista já está pronta.

Rogério Coimbra disse...

Listar dez é muito difícil. Mais fácil citar um, o preferido, e pronto. Pra citar dez, tem que ser vinte.