29/10/2007

Good shop - Gary Smulyan

Não entrarei no mérito jurídico ou moral que respeita ao download de álbuns na internet. O tema é cristalino e cansativo, embora alguns parvos ainda sustentem que furtar arte via net é lícito e ético. Basta imaginar-se um artista que vive de sua arte com insana dificuldade – isso é uma constante histórica entre os músicos, escalando montanhas de dificuldades para gravar um álbum e, segundos depois, seu álbum é ofertado gratuitamente a milhões de parasitas virtuais, a maioria deles aposentados ou desempregados que odeiam as gravadoras monopolistas e os empresários gananciosos, como que tentando justificar o furto. Raciocínio tísico como o do marido traído que mata a esposa por ser adúltera. É inadmissível, portanto, que façamos downloads de álbuns em catálogo de artistas vivos. Nessa trilha, surge a questão: como pagar entre 60 e 80 reais, em média, por um álbum de jazz (utilizo aqui, como referência, os preços correntes da Amazon e da CD Point)? Para aqueles que, como eu, possuem limitados recursos financeiros destinados à aquisição de arte, o jeito é pesquisar preço. As ofertas, assim como os downloads, estão por aí, disponíveis pela rede. É o que tenho feito e, confesso, com alguns felizes resultados. Deixo para os amigos navegantes a dica de dois álbuns do saxofonista barítono Gary Smulyan, sim, ele mesmo, o baritonista que acompanhou Joe Lovano no Tim 2007. O primeiro álbum, ao custo de 35 merréis, é o excelente The Real Deal, com um time de primeira: Joe Magnarelli (t), Mike LeDonne (p), Dennis Irwin (b) e Kenny Washington (d). Trata-se de um tour primoroso de Gary pelo post bop, onde as fortes influências do hard bop são revisitadas com originalidade por seu barítono, discípulo abençoado de Pepper Adams. O outro álbum, também muito bom, é encontrado por 30 vinténs: Blue Suite, com Bill Charlap (p), Christian McBride (b), Kenny Washington (d) e mais uma afinada sessão de metais, interpretando composições de Bob Belden. Trata-se de uma viagem diagnóstica pelo blues, esse elemento tão fundamental ao jazz e, contraditoriamente, tão esquecido pelos músicos modernos. Os dois cd’s estão na CD Point, que cobra 7 pelo Sedex. Total? Menos de R$70,00. Para os curiosos, a faixa Sassy Miss, do primeiro álbum. Boa compra!

13 comentários:

abílio disse...

Mr. Bravante e suas marteladas! Beleza de dica, já comprei os dois.

Anônimo disse...

Corrigindo,em minha concepção, nenhum mérito jurídico e uma conduta amoral, sobremaneira.Inclua nesse raciocínio as "copias amigas", inimigas da sobrevivência condigna dos músicos e as legitimas pessoas q dependem de seu legado artístico . E num pequeno “tour” noturno por NY, pelo Jazz Standard,Smoke,Starry Nights,Kitano...Vc aprecia as performances de Magnarelli,Smulyan,Le Donne, Irwin a preços razoáveis na capital mundial do jazz.Edú

Anônimo disse...

Memorando ao editor-chefe: corrigir o titulo do post(sobrenome grafado errado) e advertir, verbalmente ou por escrito, o revisor.Edú

belizário disse...

esse tal de frederico é um bundao!!! viva o download!!!

marco aurélio disse...

isso mesmo! cd pirata já!!!

Anônimo disse...

os preços indicados para os cds estão totalmente fora da realidade, recebi hoje 2 cds do cduniverse the blues and the abstratc thuth e ezz-thetics

custo 9,24 + 9,58 + 7,99(entrega)=26,81 doletas, dois por menos de 50 mangos, portanto

detalhe sobre o "cristalinismo" da discusssão(o mesmo adjetivo usado na discussão sobre as cotas raciais): claro q eu tinha baixado estes cds há anos, e agora comprei os originais: download é divulgação tb.

mais: ou respeitamos a lei, pq ela é simbolo de justiça e está acima das decisões pessoais, ou mandamos as favas: o direito dos herdeiros dos músicos vale menos q o dos próprios músicos? e se o músico for rico, podemos downlodear a vontade? os empregos dos funcionários das gravadoras não depende igualmente dos lançamentos, dos discos de catálogo, dos artistas pobres e vivos e dos ricos e mortos?

não odeio as gravadoras, mas acho q falta ver que quem ama musica vai baixar e comprar e quem não ama, vai baixar e não comprar e se o download for finalmente coibido, não vai baixar nem comprar

Anônimo disse...

Por isso a existência do Download legalizado,q, naturalmente, necessita ser melhor organizado e disponibilizado. Quando a "priori" todos os direitos autorais,dos criadores, produtores, executantes e demais pessoas envolvidas na participação, condução e finalização do produto até o consumidor final são , de alguma forma, contemplados.Não é por incentivar uma pratica clandestina e a primeira vista incapaz de gerar alguma espécie de dano q devemos transferir qualquer ônus a pessoas q tem garantido seu direito de ressarcimento financeiro e tb pessoal.E vc efetuou uma excelente compra , os discos são muito bons.Principalmente do Oliver Nelson.Edú

Anônimo disse...

eu acho o download uma merda, só vale a pena de graça, me recuso a pagar por um cd sem capa, sem encarte, sem m. nenhuma, é a coisa mais sem graça do mundo

vinicius

John Lester disse...

Prezado Mr. Bravante, obrigado por mais uma resenha repleta da veemência espanhola. Concordo que o download de álbuns em catálogo de músicos vivos deva ser evitado.

Nosso amigo anônimo olvidou dos impostos que incidem sobre a importação. Porém, considerando sua atitude em relação aos downloads, creio que também seja afeito a uma sonegaçãozinha.

Concordo com o enfático amigo Vinicius: os downloads pagos ainda estão muito aquém do desejável. Capa digna e encarte completo, ainda que digitais, seriam bem-vindos.

É isso, JL.

F. Grijó disse...

Nem se discute.
Nada como o bom fetiche de possuir o disco, ler as informações, resenhas de produtores, etc.
Discos têm de ter forma e recheio. Como as mulheres.

Anônimo disse...

Entrei no cD Point e os preços dos cds do gary Smulian estão na média de R$ 63,00.

Alguma outra dica de um lugar com preços acessíveis, por favor?

Sergio disse...

É muito difícil na pesquisa musical e na presente descoberta de um grande músico dar de cara com uma postagem de texto tão deselegante e fútil. "Aposentados e desempregados" é que se fodam! Vão trabalhar vagabundos para terem o direito de consumir cultura de qualidade. E para quem escreve - aquele que é rima perfeita a deselegante - adquirir um único CD pela "bagatela" de 70 merréu, é absolutamente normal. Quem não tem que vá escutar rádio!

É por isso q vivo ironizando essa elitezinha podre que somos, aposentados, desempregados e/ou qualquer outro motivo justo que impossibilite a compra de CDs, obrigados a engolir para conhecer mais e melhores álbuns de jazz.

O único consolo aqui foi confirmar que John Lester não fez parte disso. Mas cada um com seu direito a dizer o que pensa. E eu, a meu tempo, exercendo o meu.

O importante é que o "Blue Suite" que me trouxe, pela providência divina atrasado, sobreviveu incólume ao ataque que este "parvo" que ainda sustenta que "furtar" arte via net é lícito, acaba de sofrer.

Eu sempre soube e disse, muito antes de me aprofundar no jazz, que esta era uma música de ricos e "bacanas". Ironia repleta de verdade. Por tabela, me aperfeiçôo com louvor na melhor na arte de engolir sapos. É bom pra vida!

Anônimo disse...

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