23/11/2007

Del Dako, um bom marido

Como todo fumante inveterado e convicto, eu sempre defendi a tese de que exercício físico faz mal à saúde. E tenho tido um bom número de provas concretas de que minha tese está correta. Que tipo de calamidade ou desastre da natureza poderia fazer com que um excelente saxofonista barítono largasse seu instrumento e passasse a tocar o tenebroso vibrafone? Se você pensou em câncer de pulmão, ocasionado pelo tabagismo, está totalmente enganado. Del Dako, um excelente barítono canadense, foi obrigado a largar o saxofone depois de uma terrível queda de bicicleta. Estimulado por sua esposa Sylvia, uma exímia praticante de mountain bike, Dako resolveu acompanhá-la em saudáveis subidas e descidas de imensas ribanceiras enlameadas. Como era de se esperar de um exímio saxofonista, numa bela manhã, Dako foi projetado em altíssima velocidade num gigantesco precipício esburacado. O resultado foi que, no final da aprazível trajetória, seu nariz e sua boca foram parar na nuca, o que implicou em lesões severas em duas vértebras do pescoço. O prêmio? Um corpo totalmente paralisado. Depois de vários anos de tratamento, Dako recuperou boa parte de seus movimentos, embora ficasse inapto para prosseguir com sua longa e bem sucedida carreira de saxofonista (ele perdeu totalmente a embocadura). Influenciado por Charlie Parker (Dako começou tocando alto), Serge Chaloff e Earl Seymour, Dako possuía, antes de andar de bicicleta, uma pegada fluida e arisca, característica pouco comum nos saxofonistas barítonos médios, quase sempre pesados e lentos. Sua sonoridade, falsamente delicada, por vezes nos faz lembrar um Mulligan acelerado, embora seu domínio sobre o improviso ainda seja, até onde pude ouvir (apenas um álbum), limitado. Para os amigos navegantes, deixo a faixa saudosista Dick's Feelings, retirada do álbum Balancing Act, gravado em 1990 para a Sackville. Com ele estão Richard Whiteman (p), Dick Felix (b) e Mike McClelland (d). E não se esqueça: esposas e bicicletas fazem mal à saúde.

Dick's Feelings.mp...

19 comentários:

thiago disse...

sinistro...

Anônimo disse...

E motocicletas tb, veja a minha situação.Mas em 2008,espero estar retornando inteiro aos meus roteiros de final de semana.Lester , vc recebeu meu e-mail?Caso não, confirme seu endereço pra enviá-lo.Edú

Vinyl disse...

Pois é. Deixe-me quieto no meu canto. Espero continuar mergulhando no vinho e arremessando bons queijos ao estômago.

PREDADOR.- disse...

Deixando de lado as esposas, bicicletas e motocicletas, Del Dako era realmente um ótimo baritonista, mais para Pepper Adams de que para Gerry Mulligan, mas assim mesmo, apesar de não ser um mestre nos improvisos, tinha uma "pegada" muito boa. Bem acompanhado, neste disco, pelo excelente pianista, também canadense, Richard Whiteman, produziram um som de primeira, lembrando inclusive os bons e velhos tempos quando realmente se tocava jazz. Alias, o Canadá é um celeiro de ótimos músicos de jazz. Quanto ao Del Dako, devido ao acidente, tornou-se um razoável vibrafonista.

John Lester disse...

Prezado Predador, quando me referi a Mulligan eu falava em 'sonoridade' e 'timbre'. Claro que, quanto ao 'fraseado' e à 'articulação', ele está muito mais para Pepper Adams ou, aos meus ouvidos, Serge Chaloff.

Grande abraço, JL.

olney disse...

Cuidado Lester, a Fabiana leu isso aqui?

abílio disse...

Muito bom John, não conhecia. Valeu!

internauta véia, a legítima disse...

O que é uma pegada "fluida e arisca"?
Não entendo isso...

abílio disse...

Prezado visitante rancoroso, como já disseram algumas vezes por aí: se você precisa perguntar o que é uma 'pegada fluida e arisca', nunca vai saber. É impressionante como algumas almas doentes entram aqui somente para falar bobagens. Seria solidão, desequilíbrio emocional, falta de amor próprio, puro ódio ou inveja? Bem, de qualquer forma, trata-se de um desocupado, com bastante tempo para demonstrar sua infelicidade a nós. Se eu fosse o 'ladrão de nicks' me jogaria do alto de algum prédio ao invés de entrar no Jazzseen. O jazz agradeceria rs.

internauta véia disse...

É, a criatura insiste em usar meu apelido para se manifestar, e, como sempre, falando besteira...Sendo assim, sinto-me obrigada a abandonar o "internáuta véia", esta é a última postagem que faço com meu nickname, ou melhor,vou ainda colocar uma explicação na próxima postagem! Não entendo porquê essa criatura age assim, Freud talvez explique...
Até mais!

John Lester disse...

Calma amigos, já passamos por isso antes e, em parte, o problema foi resolvido. Ocorre que algumas personalidades não suportam conviver democraticamente. Tenho certeza que, em breve, nosso 'ladrão de nicks' montará um blog só para ele e nos deixará, definitivamente, em paz.

E, prezado Olney, graças aos deuses minha noiva odeia exercícios e caminhadas!

Grande abraço, JL.

Salsa, de passagem disse...

Prezados,
O Grijó mostrou que é possível descobrir o IP dos posts. Enfim, há meio para saber quem está agredindo quem.

John Lester disse...

Prezado Salsa, depois de tanto tempo ausente, pena que não tenha trazido nada sobre jazz para nós.

Mas fofoca também é um tema interessante. Caso tenha tempo, levante o IP dp 'ladrão de nicks', esse menino levado que tem azucrinado a vida de nossa amiga 'internauta véia', uma de nossas mais antigas e fiéis visitantes.

Aguardo ansioso notícias. Enquanto isso, vou lendo contigo, quer dizer, Contigo.

Grande abraço, JL

Salsa disse...

O Grijó é que sabe das coisas tecnológicas.

John Lester disse...

Prezado Salsa, há cerca de dois anos, quando começamos o Jazzseen, informei a você que o Histats (nosso contador de visitas) traz todas estas informações preciosas sobre IP's.

Contudo, sempre acreditei no bom senso e na democracia como instrumento adequado de censura, ou seja, de total liberdade por aqui no Jazzseen.

Já temos a ABIN, o MP e a Polícia Federal para nos investigar. Eu estou fora dessa de bisbilhotar quem é quem.

Mas se você identificar o 'ladrão de nicks' dê uns cascudos nele por mim rs. Só espero que ele não tenha um roteador.

Grande abraço, JL.

Salsa disse...

Tô fora.

Anônimo disse...

Grande Lester....é por essas e outras que amo vc!!!!

F. Grijó disse...

Navegando e, como sempre, aprendendo um pouco mais sobre jazz, vinho e livros, chego ao terreno e o que encontro? Meu nome, tão estampado quanto a cara do Che em camisa de universitário.
Enfim.
Claro que há como saber quem é quem. Ninguém está imune na web.
Mas realmente isso não me interessa, JL, e acredito que nem a ninguém. Fique tranqüilo todos os segredos estão seguros.
Quanto à política do blog, cabe apenas - e somente - aos donos dele dar o tom.

O Jazzseen é um ótimo blog; seus freqüentadores sabem disso. É pena que de vez em quando apareçam uns anormais para sacanear. Mas eu já disse isso.

Abraço, JL

p.s. Não pude ir ao clube, hoje.
Vestibular é coisa do demo.

p.p.s. Internauta Véia, relaxe. Essas figuras se cansam. Devolvo a vc o conselho, lembra-se?

Anônimo disse...

Lembro sim, mas preferi abandonar meu querido "internauta véia"...