01/02/2008

Elas também tocam jazz - Jane Bunnett

Fevereiro, mês de carnaval, e nem assim John Lester concordou que escrevêssemos sobre congas e atabaques. Mas, vencido pela tirânica democracia, Lester teve que aceitar nossa idéia: fevereiro será o mês dos tambores. Aproveitando as férias de nosso irascível Editor-Chefe, falaremos sobre cuban e latin jazz, incluindo, é claro, um pouco de bossa-nova. Para começar, uma mulher. Saxofonista, flautista, compositora e bandleader, Jane Bunnett nasceu em Toronto, em 1956. Seus estudos de piano foram interrompidos por uma tendinite, inviabilizando assim sua intenção de concertista. Seus estudos com Harry Heap no RCMT não foram em vão: aos 20 anos Jane começa a estudar flauta e, mais tarde, saxofone soprano. Entre seus professores devemos destacar figuras como Jane Fair, Barry Harris e Steve Lacy, além da forte influências de Eric Dolphy . Em 1983 forma seu quinteto, ao lado do marido, o trompetista canadense Larry Cramer. Apresentando-se em clubes e festivais no Canadá, toca também na Nova Zelândia, Austrália e Havaí, contando com excelentes músicos em sua banda, como o pianista Don Pullen e o saxofonista Dewey Redman. Seu trabalho ao lado de Pullen e Redman obteve amplo reconhecimento internacional, fato pouco comum para os músicos canadenses de sua geração. Nesse período, Bunnett conhece e se encanta por Cuba, onde toca bastante. Em 1989 participa com Don Pullen do Festival Internacional de Jazz de Havana e, desde então, mantém contato regular com a música e os músicos desse país. Sempre ativa, Bunnett trabalhou ainda em duas big bands canadenses, Banda Brava e Hemispheres, além de tocar com a saxofonista Jane Fair em dois grupos, The Ladies of Jazz e Music in Monk Time. A década de 1990 encontra uma Bunnett proprietária de um estilo extremamente pessoal, bastante distante da sonoridade padrão do saxofone soprano no jazz. Seu contato cada vez maior com a música cubana termina por definir a voz mais interessante e distinta do jazz canadense quando o assunto é sax soprano. É com seu álbum Spirits of Havana, gravado em 1991 em Cuba, que Jane se estabelece definitivamente como uma das vozes mais importantes do afro-cuban jazz, abrindo caminho para um difícil (até hoje os EUA dificultam ou proíbem certos intercâmbios, mesmo os de caráter cultural, com Cuba) e rico contato entre velhos músicos cubanos e jovens músicos norte-americanos (clássico exemplo é o trabalho Buena Vista Social Club, de Ry Cooder, gravado em 1996). Por seu Spirit of Havana, Jane recebe o prêmio Juno, além de participar do filme de mesmo nome. Infelizmente, algumas de suas turnês com músicos cubanos pelos EUA foram proibidas, o que não impediu sua ampla aceitação no Canadá e na Europa, onde é sucesso de crítica e público. Em 2001, recebe seu segundo prêmio Juno, com seu álbum Ritmo + Soul. Em 2003 foi indicada ao Grammy e hoje é artista reconhecida em veículos como Jazz Report e Downbeat. E não pense que Jane é insensível à música brasileira: ela já andou trabalhando com diversos músicos brasileiros, entre eles o violonista Filó Machado (ver o álbum Rendez-Vous Brazil Cuba, de 1995). Além da beleza de sua música, é importante destacar a beleza de suas ações, como o conserto e a recuperação de velhos instrumentos de músicos cubanos. Para os amigos fica a faixa Spirits of Havana, com Jane na flauta e no soprano, Larry Cramer (t), Hilario Duran (p), Merceditas Valdes (v) e muitos, muitos tambores africanos.

6 comentários:

pepito disse...

beleza fred!!!

plinio disse...

Gostei dos solos da moça, parabéns pela resenha Fred.

Danilo Toli disse...

até que enfim!

Rogério disse...

Cheguei aqui pelo blog Isso é Bossa Nova. A Sandra escreveu sobre vocês e ela tem razão: vocês são muito bons.
Abraços

bia disse...

Lester, volte logo! quero ouvir jazz!!

PREDADOR.- disse...

É, depois o Predador que é chato e contestador. Todo mundo quer ouvir e ler comentários sobre jazz e não este falatório sobre congas e atabaques. Mesmo no Carnaval o "sitio" não pode baixar o nível.