Em primeiro lugar eu quero agradecer aos amigos e visitantes pelas centenas de e-mails enviados à nossa Redação, fato que muito nos emocionou e terminou por determinar nosso retorno antecipado ao Brasil. É que, como amplamente divulgado na imprensa, a Equipe Jazzseen saiu em férias coletivas pelo centro e leste europeu, como sempre com o duplo objetivo: ouvir jazz e verificar de perto a revitalização da vitivinicultura nessa região assolada pelo comunismo, brincadeira política que quase dizimou todas as videiras e a produção de vinhos de qualidade na Hungria, Romênia, Bulgária, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia e Croácia. Partindo da Áustria, seguimos inicialmente em direção à Hungria, terra de nosso amigo Robi Botos. Pianista consagrado, Robi nasceu na impronunciável cidade de Nyiregyhaza, oriundo de uma família de músicos ciganos de origem romena. Autodidata, Robi iniciou a carreira ainda criança, tocando bateria com o pai e os irmãos. Aos sete anos, passa a tocar o piano, instrumento no qual se destacaria com louvor.
Em 1998, Robi muda-se para o Canadá, afirmando-se como um dos mais importantes pianistas de jazz daquele país. Enquanto trabalhava com músicos como Michael Brecker, Pat Labarbera, Marcus Belgrave, Steve Gadd, Terri Lyne Carrington, James Blood Ulmer, Roberta Gambarini, Joey DeFrancesco, Toots Thielemans, Guido Basso e Avishai Cohen, entre outros, Robi recebia uma série de prêmios em competições de piano, com destaque para o primeiro lugar na International Montreux Jazz Festival's Solo Piano Competition, o terceiro na Martial Solal Piano Competition e o primeiro lugar na Great American Jazz Piano Competition, em Jacksonville, Florida.
Frederico Bravante, único integrante do grupo com fluência na língua húngara, foi nosso intérprete através da terra natal de Robi e do Tokaji, vinho doce tão importante para o país que é citado em seu hino nacional. Produzido a partir de uvas podres, atacadas pelo fungo botrytis cinerea ou botrítis para os íntimos, que promove a chamada podridão nobre ou pourriture noble em francês, o Tokaji torna-se mundialmente conhecido em meados do século XVII, sendo denominado por Luiz XIV "o vinho dos reis e o rei dos vinhos". Após 1945, o país é dividido em cooperativas estatais (sistema kolkhoz) que quase levaram à morte o famoso Tokaji. Preocupado em produzir vinho para todos, o comunismo acabou produzindo vinhos de péssima qualidade para todos - mais ou menos como a universidade para todos inventada por Lula - praticamente eliminando os bons vinhos que eram produzidos na Hungria e nos demais países do centro e do leste europeu.
Garrafas de Tokaji atacadas pelo racodium cellare
O tokaji mais nobre é o denominado Aszú*, elaborado exclusivamente a partir de uvas afetadas pela botrítis, colhidas à mão, uma a uma, e colocadas em um puttony (tina de madeira), onde se produzirá o mosto ou vinho base. As principais cepas utilizadas são a Furmint, a Hárslevelu e a Muskotály. Durante o processo, uma diminuta quantidade de vinho extremamente doce vaza das tinas, produzindo a denominada Esszencia (essência), néctar que muito raramente é fermentado separadamente, pois quase sempre é adicionado ao Aszú para ajustar a doçura desejada.
Após serem prensadas, as uvas formam uma pasta (pasta aszú) que é misturada a vinho branco ou mosto em fermentação em barris de 136 litros (gönc). A intensidade da doçura será indicada pela quantidade de tinas vertidas no barril: 3, 4, 5 ou 6 puttonyos (tinas). Após alguns dias de maceração (imersão das cascas no mosto), o líquido resultante é colocado em adegas recobertas pelo fungo racodium cellare, responsável por manter a umidade ideal para o amadurecimento adequado do Tokaji. Além do nobre Aszú, há outros tipos de Tokaji: o Szamorodni, feito a partir de cachos inteiros, podendo conter uvas que não foram beneficiadas pela podridão nobre e produzido em dois estilos: o száras, seco, semelhante ao jerez fino, e o édes, doce. Outros tipos de Tokaji são o Forditás, doce e levemente tânico, feito a partir da pasta de aszú remanescente, que é novamente misturada a mosto e fermentada, e o Máslás, vinho seco obtido a partir da borra de aszú, que é adicionada a mosto e fermentada.
Eger, terra natal do Bull's Blood
Despedindo-nos de Tokaj, primeiro local do mundo a criar um sistema de classificação de vinhedos, em 1730, antes, portanto, de Bordeaux e Borgonha, seguimos em direção a Eger, a terra do famoso Bikavér, ou seja, sangue de boi. O curto trajeto cresceu exponencialmente quando o companheiro Roberto Scardua decidiu que viajaríamos a bordo de um carro de madeira, herança tecnológica do comunismo. Colocando no possante rádio-cassete do veículo Days of wine and roses, com Robi Botos (p), partimos em direção à única cidade do mundo onde existe um Vale da Mulher Bonita, nome que pode ser compreendido pelas fotografias mais abaixo, tiradas em nossa breve visita.
A partir da década de 1990, com a queda da cortina de ferro, as pequenas e médias propriedades particulares húngaras voltaram a produzir bons vinhos. Em Eger, com seus solos de loess, tufo e argila, produz-se o robusto bikavér, vinho tinto mais famoso da Hungria. O nome é resultado do cerco à fortaleza de Eger, em 1552. Após ingerirem vários litros de vinho tinto, os soldados húngaros apresentavam-se em batalha com manchas vermelhas na barba e nos uniformes, fazendo com que os assustados turcos dessem no pé, supondo que os húngaros haviam bebido sangue de boi para ficarem mais fortes. O bikavér é um corte de pelo menos três tipos de uvas, sendo a principal delas a kadarka, de difícil cultivo, podendo ser substituída pela kèkfrankos, que é misturada a kékoportó e cabernet sauvignon ou zweigelt. Embora tenha se tornado conhecido em 1945, é a partir da década de 1960 que o bikavér torna-se um dos vinhos baratos mais consumidos na Europa ocidental. Atualmente, produtores como Tibor Gál, têm envidado saudáveis esforços no sentido de conferir qualidade ao sangue de boi, um vinho tradicionalmente simples.
* Aszú significa 'desidratado' em húngaro, termo aplicado à vinicultura para designar uvas com botrítis utilizadas para produzir o tokaji ou, aportuguesando, tócai.
A última noite da terceira edição do BMW Jazz Festival contou com uma das apresentações mais esperadas pelos amantes do gênero musical: Pat Metheny Unity Band. O guitarrista americano é um ícone da safra de novos músicos, ou contemporâneos, como preferem dizer os experts.
O músico se apresentou com a Unity Band, quarteto integrado por Chris Potter, Ben Williams e Antonio Sanchez. Pat Metheny leva o público ao delírio com suas improvisações, que já viraram marca registrada. Não é a toa que tem na estante de sua casa prêmios como Melhor Guitarrista, incluindo três discos de ouro por Still Life Talking, Letter from Home e Secret Story, além de 20 Grammy. Um luxo!
A safra do jazz contemporâneo comemora a chegada ao Brasil da terceira edição do BMW Jazz Festival, encontro de grandes nomes desta arte com o público brasileiro. Fomos ao Vivo Rio, na noite de sábado (8) conferir a apresentação de Esperanza Spalding, lançando seu Radio Music Society, e James Farm.
Esperanza Spalding toca um instrumento, o contrabaixo, que raramente é executado por mulheres. Aos 28 anos, ela tem no currículo três prêmios Grammy. Começou a carreira integrando a orquestra comunitária The Chamber Music Society of Oregon, de Portland, onde nasceu. Tinha apenas 15 anos e já demonstrava a paixão por gêneros como o blues, o funk e o hip hop. Para vocês terem uma ideia, com apenas 20 anos já era professora daBerklee College of Music, em Boston. Encantou os cariocas dominando o contrabaixo acústico e o elétrico.
Bonita também foi a apresentação do quarteto James Farm, formado em 2009 e integrado por Joshua Redman, ao saxofone, Aaron Parks (piano), Matt Penman, no contrabaixo e Eric Harland, na bateria. Segundo os especialistas do gênero, o quarteto tem por característica uma abordagem vanguardista e repleta de improvisações.
A coluna acompanhou a segunda noite do BMW JazzFestival, no Vivo Rio. E foi a vez de Joe Lovano & Dave Douglas (saxofone e trompete) unirem forças para mostrar o poder do jazz contemporâneo. Foi a vez também de Brad Mehldau e seu piano já considerado referência.
O Quintet Sound Prints de Joe Lovano & Dave Douglas foi preparado com exclusividade para esta vinda ao Brasil. O saxofonista Joe e o trompetista Dave tem feito uma dobradinha em gravações, como Fascination: Edition Two e Stolas, com uma ode aos mestres do jazz tradicional do passado.
Ficamos sabendo que, em 2008, quando estavam na S.F. Jazz Collective fizeram uma homenagem a Wayne Shorter, que tanto inspira o quinteto, integrado ainda pelo pianista Lawrence Fields, a baixista Linda Oh e o baterista Joey Baron.
O Brad Mehldau trio leva a chancela de um pianista que está colhendo os belos frutos do seu trabalho mundo afora. Para o BMW Jazz Festival, ele trouxe o seu trio completado pelo baixista Larry Grenadier e o baterista Jeff Ballard.
Em tempo: suas músicas foram tema de filmes como De olhos bem abertos, de Stanley Kubrick, e O hotel de Um Milhão de Dólares, de Wim Wenders.
Unesco junta Milton Nascimento e Herbie Hancock para celebrar o Jazz - Istambul será o centro das comemorações do Dia Internacional do Jazz 2013.
Unesco promove shows e um programa educacional com envolvimento de dezenas de estrelas internacionais.
O embaixador da Boa Vontade para o Diálogo Intercultural, Herbie Hancock, é a figura de cartaz do Dia Internacional do Jazz, marcado para 30 de abril.
As comemorações terão como centro a cidade turca de Istambul. Participa do evento também o cantor Milton Nascimento além de outras estrelas como o sul-africano Hugh Masekela, o cantor americano Al-Jarreau e o japonês, Keiko Matsui. O Dia Internacional do Jazz acontece no pátio exterior do Palácio de Topkapi.
Forma de Comunicação
A data é organizado pela Unesco. Este é o segundo ano após o lançamento com um show na Assembleia Geral, em 2012. O objetivo é celebrar as raízes do estilo musical, além de evidenciar o seu papel como forma de comunicação que supera diferenças.
A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que Istambul é um local ideal para comemorar a ampla influência do estilo.
O concerto do dia 30 de abril será no Museu Hagia Irene, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. O local é considerado um tesouro internacional para os amantes do Jazz, devido à sua atmosfera e qualidades acústicas. (Fonte: Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York).
Por quase seis décadas, o baixista Milt Hinton (1910-2000) fotografou as lendas do jazz em poses desprevenidas. "Se um músico quisesse ser retratado para divulgar o seu trabalho, teria de sorrir e fingir que tocava o instrumento", disse Hinton em 1999. "Nunca me interessei por esse tipo de imagem."
Ele se propunha a "capturar algo diferente: os jazzistas quando baixam a guarda". Em 1959, enquanto acompanhava Billie Holiday em gravações num estúdio de Nova York, o instrumentista retratou o semblante alquebrado da cantora.
"Olhando para Billie, podia ver como estava frustrada consigo mesma", relatou. "A qualidade da sua voz se fora e ela sabia disso melhor do que ninguém." Foi a última sessão de Holiday, morta em decorrência de cirrose.
Essa imagem integra "Inside Jazz: Photographs by Milt Hinton", exposição em cartaz na Saint Peter's Church. Localizada em Manhattan, a igreja luterana adota o jazz em cerimônias e abriga shows gratuitos semanais.
Trinta fotos, selecionadas entre cerca de 60 mil, mostram os jazzistas em diferentes situações -na estrada, em casa, no estúdio, em festas, no palco. "Escolhemos as imagens que ele marcava com caneta vermelha", diz David G. Berger, diretor da coleção. "Eram suas preferidas."
Hinton era admirado por seu profissionalismo e sua generosidade, segundo Berger, amigo do baixista por mais de 40 anos. "Daí ele ter acesso a cenas tão intimistas."
Em foto de 1941, o músico Cab Calloway presenteia garotos com instrumentos na Flórida
BEM À VONTADE
No livro "Playing the Changes", Hinton conta que, "sendo um músico contratado, podia fotografar à vontade". "Não me lembro de ninguém pedir para que eu parasse."
Tratado como "decano dos baixistas", Hinton ganhou o apelido "O Juiz", pois era o primeiro a chegar ao estúdio e se vestia impecavelmente.
Ele fez sua estreia profissional em 1936, quando foi contratado pelo bandleader Cab Calloway. No ano anterior ganhara de presente uma câmera Argus C3. Uma década e meia depois, parou de atuar com Calloway, considerado "um pai musical".
Um dos primeiros baixistas a solar em uma gravação, Hinton tocou com inúmeros mitos do jazz: Louis Armstrong, Duke Ellington, Benny Goodman, Dizzy Gillespie, Count Basie, Ella Fitzgerald. Durante sua carreira calcula ter participado de quase mil discos.
Ele dizia ser humilde a sua função. "Devo ficar feliz em segundo plano, tocando um instrumento que é a base para os outros." Com a mesma discrição, Hinton congelou em imagens os momentos singelos da história do jazz.
INSIDE JAZZ: PHOTOGRAPHS BY MILT HINTON
QUANDOaté 4 de março
ONDESaint Peter's Church, na intersecção da avenida Lexington com a rua 54, Manhattan
Destaques:
24 de Julho de 2012, 19:00 Horas
Amazonas Band Convida Gilson Peranzetta e Mauro Senise Gilson Peranzzetta, piano Mauro Senise, saxofones e flauta veja mais .
24 de Julho de 2012, 21:00 Horas
O Zimbo Trio, surgido no auge de um movimento de renovação da música brasileira – a bossa nova -, era veja mais .
25 de Julho de 2012, 1900 horas
Carioca da gema, a cantora, compositora, arranjadora e instrumentista, Joyce Moreno tem em sua bagagem uma extensa discografia veja mais .
25 de Julho de 2012, 21:00 Horas
Liebman figura entre os mais importantes saxofonistas da música contemporânea… um líder e artista íntegro e independente veja mais .
26 de Julho de 2012, 21:00 horas
Formado em 1979, o quinteto Pau Brasil é um dos principais pontos de referência da música instrumental brasileira veja mais .
26 de Julho de 2012, 19:00 horas
Liebman e Marcelo apresentarão em conjunto com a Amazonas Band, Rites of Passage, peça composta por Ed Sarath, originalmente gravada veja mais .
27 de Julho de 2012, 21:00 horas
Embora atuassem esporadicamente juntos em diversos projetos desde há mais de 25 anos, a parceria musical entre Roberto veja mais .
27 de Julho de 2012, 19:00 horas
Teixeira de Manaus, saxofonista amazonense, é A referência quando se fala de um gênero musical tipicamente amazônida veja mais .
28 de Julho de 2012, 21:00 horas
Ron Carter figura entre os mais originais, prolíficos e influentes baixistas da história do jazz.Com participações veja mais .
28 de Julho de 2012, 19:00 horas
Nascida em Manaus, a cantora Karine Aguiar está envolvida na música desde sua adolescência. Seus estudos vocais veja mais .
29 de Julho de 2012, 19:00 horas
Deodato começou cedo tocando acordeom e piano no Rio de Janeiro, onde nasceu. No final dos anos 50 se aproximou de músicos veja mais .
Mais informações: http://www.festivalamazonasjazz.com.br
Daniel Harding e Stefano Bollani, o primeiro é um dos maestros mais procurados; o último, um pianista de jazz que também brilha na música clássica.
Ambos foram convidados pela reconhecida Orquestra de Santa Cecília em Roma para tocarem no Auditório que já é um ponto de passagem obrigatório para as estrelas internacionais.
Uma abertura memorável: “Assim Falou Zaratrustra” de Richard Strauss. A dirigir a orquestra de Santa Cecília no Auditório de Roma esteve o britânico Daniel Harding.
Mas o destaque do concerto foi o músico italiano de jazz Stefano Bollani que maravilhou com a sua interpretação do Concerto para Piano em Sol Maior de Maurice Ravel.
“À excepção do segundo movimento, trata-se de uma peça plena de energia, repleta de acentos e pequenos detalhes – acho que Ravel chamaria a isso de ‘jazz’.
Não tanto o aspecto da improvisação mas todos estes acentos irregulares… o que soa a Big Band americana. E não é por acaso que este concerto foi composto depois de uma viagem à América e de ele ter ouvido jazz verdadeiro” afirman Bollani, “Ravel foi apelidado de ‘relojoeiro suíço’ pelo seu amigo entre aspas, Stravinsky, porque ele trabalhava muito bem os pequenos detalhes mantendo contudo uma atitude impessoal. É claro que não se deve executar esta peça de forma fria mas é possível acrescentar uma espécie de camada de gelo, o que é apropriado no caso de Ravel. Ele é frequentemente considerado como um compositor romântico mas na minha opinião, esse elemento delicodoce está ausente na música de Ravel”, conclui o músico italiano.
Mas o que é que um maestro de nível mundial como Daniel Harding sente ao ver um músico de jazz como Bollani interpretar uma peça clássica?
“O que de facto gosto é que ele toca esta peça de forma totalmente despretensiosa. Ele adora esta obra, está em harmonia com a sua infinita energia. No segundo movimento, com esta linha harmónica belíssima e extraordinária… e, claro, enquanto músico de jazz, ele tem um ouvido incrível para a harmonia… mas a sua abordagem é diferente da nossa, existe algo de muito belo na maneira de tocar que é honesta e inocente. Ele executa a peça de uma forma que me faz gostar dela, ou que me faz lembrar o gosto que sinto por ela, e isso é genial”, adianta o maestro britânico.
Nesta história pode escutar excertos de “Assim Falou Zaratrustra” de Richard Strauss e “Concerto para Piano em Sol Maior” de Maurice Ravel.
Um agradecimento especial ao Hotel de Russie em Roma que amavelmente ofereceu o local para a entrevista com o maestro Daniel Harding.
Para mais excertos da nossa entrevista (em italiano) com o pianista Stefano Bollani, por favor clique no link seguinte: Intervista (con bis) con Stefano Bollani.
Paraty se prepara para receber nesse mês de junho mais um grande evento de música - o festival de jazz Bourbon Festival Paraty. O evento espera atrair um público de 20 mil pessoas por noite e ocupar 80% dos hotéis da cidade. - Acredito que pelo fato do festival receber artistas de diversos países, isso chama a atenção dos turistas. Por isso sempre esperamos um grande movimento, e acredito que nesse ano não será diferente - afirmou o proprietário de um restaurante no centro da cidade, Luciano Borges de Almeida. O gerente de uma pousada na Praia do Pontal conta que o estabelecimento já possui 70% dos quartos reservados para as pessoas que irão prestigiar o evento. - Geralmente, os turistas estrangeiros são mais precipitados, e fazem a reserva bem antes. Mas, além deles, recebemos pessoas de várias cidades do Brasil também, principalmente de São Paulo. O festival sempre movimenta bem a cidade, e com certeza agrada os comerciantes de todos os setores. Um evento desse porte é bom porque movimenta todas as áreas da cidade, nem falar que é muito gostoso de participar - disse o gerente Mathias Alvarenga.
A quarta edição do Festival de Jazz & Blues de Paraty, entre 01 e 03 de junho, trará muitos artistas entre eles o trombonista Delfeayo Marsalis (irmão de Wynton e Branford Marsalis), o virtuose da guitarra slide Roy Rogers, o trompetista Leroy Jones (um dos melhores de New Orleans) e Zélia Duncan cantando um repetório especial de blues, folk e rock, entre outros.
Todos os shows serão gratuitos, em dois palcos ao ar livre, nas praças da Matriz e da igreja Santa Rita. Haverá artistas que atuarão como buskers (músicos de rua), em vários pontos do Centro Histórico. Estão no elenco também as cantoras Cynthia Gurtley, Yolanda Windsay, Yael Naim (da França) e Sara Pi (Espanha); o trompetista Shamarr Allen; o pianista Donny Nichilo com naipe de metais; o Duofel com seu projeto Beatles; os guitarristas André Christovam (com o violinista Cássio Poleto) e Dedeco; o flautista Vinicius Gonçalves, de apenas doze anos; os grupos São Paulo Ska Jazz (com participação de Fernanda Porto), Reverendo Franklin e Orleans Street Band.
Além dos shows, haverá exibição de filmes musicais no Cine Paraty; exposição de fotos de jazz na galeria Zoom de Fotografia, e estande de CDs ao lado do palco principal. O evento é realizado pelo ministério da Cultura e produzido pelo Bourbon Street, de São Paulo.
Confira a programação completa:
01/06
Cynthia Girtley / Delfeayo Marsalis / Reverendo Franklin - Palco da Matriz
02/06
Orleans Street Band e buskers - vários horários e locais
Donny Nichilo - Palco Santa Rita
Roy Rogers / São Paulo Ska Jazz com Fernanda Porto / Shamarr Allen - Palco da Matriz
03/06
Orleans Street Band e buskers - vários horários e locais
Duofel / André Christovam com Cássio Poletto - Palco Santa Rita
Leroy Jones featuring Yolanda Windsay / Yael Naim / Zélia Duncan - Palco da Matriz
A matéria principal da edição deste mês de junho da Jazz Times tem como título The top 50 tenor sax albums of all time. Segundo o editor da referencial revista, Evan Haga, a ideia surgiu da constatação da importância do instrumento no desenvolvimento dos diversos estilos de jazz, a partir da década de 1930, e da sua condição de “ícone cultural” desse modo de expressão musical nascido em Nova Orleans, no início do século passado, desenvolvido em Chicago e Nova York, e hoje disseminado pelo mundo todo. AJTconvidou 50 críticos e/ou músicos para a tarefa de nomear de cinco a 10 álbuns (Lps, Cds ou faixas de discos) contendo “grandes performances” que “ajudaram a formar a tradição do saxofone tenor no jazz”. Feitas as contas, não houve grandes surpresas. Dentre os 10 registros fonográficos que obtiveram mais pontos, seis foram de John Coltrane e Sonny Rollins. O primeiro encabeçou a lista comA love supreme(Impulse, 1965), chegou em terceiro comGiant steps(Atlantic, 1960) e em nono por conta deCrescent(Impulse, 1964). Os álbuns de Rollins com mais citações foram:Saxophone colossus(Prestige, 1956), 2º no cômputo geral;The Bridge(Bluebird, 1962), 7º;Way out west(Contemporary, 1957), 10º.
Os outros quatro saxofonistas tenores que mereceram o mesmo destaque (10 primeiros dos 50 top albums) foram: Coleman Hawkins (4º), por seu solo sobre Body and soul (1939), hoje constante de uma compilação da RCA, editada em 1996; Lester Young (5º), tal como registrado na antologia da Mosaic intitulada Lester Young with Count Basie, 1936-1940; Wayne Shorter (6º), pelo LP Speak no evil (Blue Note, 1965); Paul Gonsalves (8º), por seu célebre solo de 27 choruses em Diminuendo and crescendo em blue, faixa do LP Ellington at Newport (Columbia, 1954).
Na relação da JT dos top 50 álbuns de saxofonistas tenores de todos os tempos, Coltrane e Rollins aparecem também, cada um deles, em outras quatro gravações, como líderes ou em destaque. Trane por sua atuação em Kind of blue (Columbia, 1959) — a lendáriamasterpiece de Miles Davis — e ainda em John Coltrane and Johnny Hartman (Impulse, 1963), The complete 1961 Village Vanguard recordings (Impulse) e Lush life (Prestige 1961). Sonny Rollins por: A night at The Village Vanguard (Blue Note, 1957); Our man in jazz (RCA, 1962); Sonny side up (Verve, 1958), na companhia do parkeriano Sonny Stitt;Sonny meets Hawk (RCA, 1963), o encontro único em disco com o mestre Coleman Hawkins.
O grande e muitas vezes esquecido Joe Henderson (1937-2001) teve expressivo reconhecimento na eleição promovida pela JT. Cinco álbuns de sua notável discografia para o selo Blue Note foram escolhidos entre os top 50: Inner urge, 1965 (17º); Mode for Joe, 1966 (22º); In’n out, 1964 (25º); The state of the tenor/Live at The Village Vanguard, 1985 (30º); Page one, 1963 (36º).
A revista também publicou os votos dos eleitores convidados, destacando tenoristas que se notabilizaram nas últimas três décadas, como Joe Lovano e Chris Potter.
Joe Lovano votou nas seguintes performances: Coltrane’s sound (Atlantic, 1960), gravado por John Coltrane nas mesmas sessões que renderam o antológico My favorite things; Our man in jazz, Sonny Rollins; Speak no evil, Wayne Shorter; The chase (MCA, 1952), a lendária sax battle Dexter Gordon-Wardell Gray; In ’n out, Joe Henderson.
As escolhas de Potter foram: A Love supreme, John Coltrane; Newk’s time (Blue Note, 1957), Sonny Rollins; Speak no evil de Shorter, também; Lester Young trio (Mercury, 1951);Inner urge, Joe Henderson. (Fonte: Luiz Orlando Carneiro para o JB Online).
Ocorre, de 6 a 10 de junho, na Região dos Lagos, a 10ª edição do "Rio das Ostras Jazz & Blues". Ao todo, serão cinco dias de festival, com 29 shows gratuitos e mais de 60 horas de música na cidade localizada a 170 km do Rio de Janeiro.
O evento de 2012 irá reviver shows que marcaram os anos anteriores como os de Celso Blues Boy e Roy Rogers, considerado o show de blues mais eletrizante da história do festival. Além disso, esta edição também trará atrações inéditas em seus palcos, entre elas, o pianista Kenny Barron, o saxofonista David Sanborn e os brasileiros Maurício Einhorn, Hélio Delmiro e Cama de Gato.
Em dez anos foram mais de cem bandas e cerca de oitocentas horas de shows. O 1º "Rio das Ostras Jazz & Blues Festival", aconteceu no ano de 2003 com a participação de Nuno Mindelis, Blues Etílicos, Baseado em Blues, Yamandú Costa e Kenny Brown, entre outros. Hoje, ele é considerado o maior evento gratuito do gênero da América Latina.
Serviço:
Rio das Ostras Jazz & Blues Festival
Datas: de 6 a 10 de junho Horários: 11h15min (Praça de São Pedro), 14h15min (Lagoa do Iriry) 17h15min (Praia da Tartaruga) e 20h (Costazul) Informações:www.riodasostrasjazzeblues.com