04/06/2006

'Round midnite


Ontem, nada pra fazer, início de uma chata madrugada, fui ao Henriq comer língua, beber uma cachaça e uma cerveja e ouvir a última constatação de Garibaldi. Disse-me ele que, por volta da meia-noite, descobriu que o amor não existia. Se o amor existe, prosseguiu, é a maior obra abstrata criada pelo homem. Tudo isso porque a ex-futura pretensa amante não gostava de jazz. Preparou-se todo: vinho, flores e um disco do Kenny Dorham (de 1956, que ele guarda com todo o carinho) gravado ao vivo no Cafe Bohemia, ladeado por Monterose (tenor), Burrell (guitarra), Timmons (piano), Sam Jones (baixo) e Edgehill (bateria). O problema: a moça queria ouvir, no máximo, Kenny G. Isso, para o nosso herói, é mais que uma facada nas costas. Não adiantou eu dar o testemunho de outros casos (o Libutti, lá de Santos disse que, de vez em quando, é necessário fazer concessões para alcançar resultados). Garibaldi não fez concessão. Levantou-se, pegou as flores e o vinho (já abatido em duas taças) e disse adeus para a espantada jovem. Flores abandonadas numa mesa ao lado, Garibaldi, que atualmente não desgruda de um toca disco portátil, ligou a engenhoca e disse escuta aí, Salsa, o sax de Monterose em KD's Blues. É assim que se toca. Além de excelente arranjador, sabe onde colocar as notas (sem grandes presepadas). Ouça a sexta faixa do disco 1: ouvir Dorham detonando em Hill's edge seria uma boa lição para Miles. Presta atenção no Burrell, sei que você gosta do som dele, e aqui você vai gostar mais ainda. O sempre apressado Garibaldi interrompeu minha audição para tocar o disco 2. A causa da discórdia foi a interpretação de 'Round about midnight: só alguém muito insensível para não gostar dessa música, ainda mais tocada por esse grupo, disse-me Garibaldi. Antes do nosso radical membro do Clube das terças ir-se, anotei no guardanapo: providenciar uma cópia de Kenny Dorham: The complete 'Round about midnight at the Cafe Bohemia. Estou aguardando.

8 comentários:

Brincante disse...

Dizem que o chapéu de Mr. Garibaldi se transforma em sax tenor por volta de meia noite ...

Lendas dessa folclórica e brincante Vitória ?

Quem vai saber.

Other disse...

Brincadeira besta com os saxofonistas...

Salsa disse...

Lester também andou ouvindo uns discos funky (aquele do Miles e o tal do jazzmatazz ou algo equivalente) só para agradar uma menina.

Vinícius disse...

tem hora pra tudo: pega a menina e escuta o CD depois...

Garibaldi disse...

Sr. Salsa e Sr Vinícius, com Kenny G com trilha sonora, eu não funciono. Nem se fosse Vênus. Esse cara deveria ser deportado para marte.

Cretino, de Creta. disse...

Numa hora dessa Garibaldi não deveria se preocupar com o sentido audição. Fingisse. Numa hora dessa interessa o sexto sentido, o sétimo ou oitavo. Era o caso de Garibaldi fingir, cumprir o seu papel, satisfazer a dama e, se fosse o caso, mandasse as flores com o CD para o Sr.Salsa, ou para Mr. Lester. Aí sim, ficariam os três ouvindo o Kenny Dorham. Acho que esse Garibaldi não estava com vontade, isso sim, e, ainda por cima está levando uma fama pouco recomendável.Ele não pensou naquilo,mas, em Kenny Dorham.O Libuti tá certo.

Garibaldi disse...

Quem é esse cretino? Se escondendo atrás de apelido fica fácil falar.

john lester disse...

Salsa, acho que chegou a hora da gente organizar os cd's que vamos fornecer um ao outro. Vou preparar minha lista e enviar pelo e-mail. Claro que esse do Dohram eu quero. Não é à toa que esse mestre tocava até Villa-Lobos.

JL