24/07/2006

Maestro

Às vezes descubro-me como sinal da indigência da cultura local (um entre outros, of course). Explico-me: Só em 2002, quase quarenta anos depois do êxodo do camarada, fiquei sabendo da existência do excepcional músico Moacir Santos. Foi nesse ano que eu encontrei o disco Ouro negro por um preço, à época, bastante acessível (uma bela produção em homenagem ao pernambucano, patrocinada pela Petrobrás - enfim, restou-me a dúvida: se o título do disco era uma homenagem ao Moacir ou à Petrobrás). Um colega mais rodado (creio que foi o Acir, do blog contraovento) falou-me do disco Coisas que, catapultado pela homenagem, havia sido relançado e eu rapidamente dei um jeito de adquiri-lo. Recentemente, outro festejado lançamento: Choros & alegrias. Parece que o camarada respirou música desde o seu nascimento. Como sempre acontece, o nordestino rapidamente conquistou o sudeste (deu aula pra deus e pro mundo), fez trilhas sonoras para filmes laureados e, por fim, picou a mula pra estranginávia, destino de boa parte dos nossos grandes músicos. E foi lá fora que ele gravou um disco impressionante (mantém uma sonoridade híbrida, fruto dos trópicos e do canibalismo daquelas tribos que povoavam a sua região natal acrescido da técnica erudita e do jazz ianque): Maestro, lançado pela Blue note em 1972. Um monte de músicos se alternaram na gravação das faixas (Frank Rosolino, Joe Pass, Clare Fischer, Sheyla Wilkinson [que divide os vocais com o vozeirão de Moacir em Nanã] e por aí vai - a ficha técnica não dá o nome de todos que participaram das gravações). Esse disco, até onde eu sei, mantém-se no formato LP. Consegui uma cópia através de uma boa alma e de nome estranho que freqüenta o blog: Mr. Jacyntho Pinto Souto, a quem agradeço publicamente. Como de praxe, deixarei uma faixa (difícil é escolher apenas uma) no Gramophone by Salsa.

5 comentários:

John Lester disse...

Mr. Salsa, até agora (13:00) não consegui ouvir o Moacir.

Coloca o som aí pra nós!

Salsa disse...

tá lá.

Décio disse...

Esse é o primeiro disco do Moacir em terras estrangeiras. Bom paca. Toca Nanã, a coisa n.5. É engraçado ouvi-lo explicando sua fonte de inspiração, e a mulher canta bem.

Salsa disse...

Providenciarei.

Anônimo disse...

Como faço para ouvir "Ouro Negro"?
Não conseguí achar...