09/11/2006

Adoro Ópera

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Em resposta aos numerosos e-mails enviados por nossos visitantes, alguns deles bastante veementes, resolvemos rever nossa política editorial e, atendendo aos apelos, publicar ao menos uma resenha mensal sobre vocalistas de jazz. E confesso: adoro música com letra. Soa como se eu estivesse vendo um filme com alguém do lado, ao meu ouvido, narrando os acontecimentos que se passam na tela. Quem já passou por essa situação sabe do que estou falando. Um homicídio doloso nesse tipo de ocasião seria plenamente justificável. Na verdade, nem mereceria ir a júri. Ocorre que as letras, assim como as poesias, devem ficar recolhidas em livros e, com o passar dos anos, ir gerando aquele agradável mofo sobre milhões de gorduchos ácaros. Entendo que, com raríssimas exceções, letra é letra, música é música, sobretudo quando o assunto é jazz. E não foram impressões muito diversas que levaram muitos grandes músicos de jazz a realizarem o scat, aquela coisa que parece letra, mas não é. Por isso, confesso, aqui e agora, que, quando ouço algum cantor, não estou efetivamente ouvindo música. Para mim é um outro tipo de fenômeno que acontece, um espetáculo mais amplo, mais intimista, quase um diálogo ou, melhor dizendo, um monólogo com fundo musical. Aos amantes da literatura deixo a faixa Take Five no Gramophone Jazzseen, logo acima, aos cuidados da competente Carmen McRae. A pequena peça foi gravada na década de 1960 com Dave Brubeck e Paul Desmond. Tenho certeza que Fernando Achiamé, o único sócio do Clube Das Terças que consegue ouvir Doris Day, vai aprovar nossa escolha.

12 comentários:

Rogério disse...

Mr. Lester,
Sabedor agora que vc é um inimigo da ópera/opereta, do malandro Chico ou do amor, sorriso e flor do Tom Jobim, cautelosamente declaro estar procurando esse disco com Jimmy Rushing e Dave Brubeck há uns 5 anos. Mas isso é uma coletânea. São quantas faixa scom o mestre Rushing ? Se vc pudesse conseguí-las para este pobre ouvinte, às vezes trovador,faça-o.
Em tempo: quem gosta de Doris Day é Reynaldo. Axiamé gosta da Billie.
Xico de Sammy Davis. Eu, gosto de Mel Tormé.
Tks.

PS: e o saurau com as repetitivas ?

João Luiz disse...

Lester, esse disco é sensacional e nele encontra-se a música que voce está me devendo. Esqueceu-se ? "Because all men are brothers", com Dave Brubeck Trio, Peter, Paul & Mary , música também conhecida como Bach Theme.Vou continuar te cobrando este disco e não e só Fernando que irá aprová-lo. Já foi aprovado por mim há bastante tempo.
JLM

Salsa disse...

Eu tenho essa faixa. Gosto da Carmen cantando Monk.

thiago disse...

eu nem sabia que existia take five cantada!

valeu john

John Lester disse...

Prezado Rogério, de fato Chico fica melhor bebendo vinho em Paris ou escrevendo livros do que abordando temas apelativos para uma geração perdida através de letras previsíveis sobre ditadura e jesus bambino. Quanto ao Jobim, ele calado é ótimo. Suas colagens musicais ficam perfeitas na palheta de Stan Getz. Agora, quanto ao disco do Brubeck, posso levar pra vc uma cópia em mp3.

Grande abraço, JL.

João Luiz disse...

Em tempo e corrigindo: a música "Because all men are brothers" é também conhecida
como "Bach folk theme".
JLM

John Lester disse...

Prezado Mazzi, esse cd já está em sua seleção. Em breve pretendo entregá-la a vc.

Grande abraço, JL.

John Lester disse...

Prezado Salsa, cantar Monk é como tentar melhorar uma escultura de Rodin. Mas, gosto é gosto.

Certas coisas, como a música de Monk, não precisam de adereços intelectuais. Sua música é completa em sua genial simplicidade.

JL.

Poeta disse...

Não vejo a letra como um mero adereço intelectual. Quando isso acontece fica esquisito. Acho também que letra de música não é poesia (raramente acontece). Acho eu que a música nos leva a devaneios e, em alguns casos, a letra é um efeito da música. Aproveite que a letra é em inglês, esqueça o sentido e ouça os fonemas. Desse modo você ouvirá um solista fazendo a sua versão do tema. às vezes pode acontecer de a semântica matar a música.

Rogério disse...

O resto é mar.

John Lester disse...

Monk é um oceano. O resto, são coisas que eu nem sei contar...

Anônimo disse...

Um ano e algum tempo depois.JL,Doris Day foi uma grande cantora e não fazia feio quando utilizava a voz a serviço de um standart.Edú