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O meu amigo e jazzófilo
Danilo presenteou-me com dois cds de um trompetista e falou: "repara como o som é semelhante ao de Miles". Ouvi e concordei (até fisicamente eles são parecidos). Fiquei, depois, imaginando o que se passa na cabeça de um músico quando ele é constantemente comparado com outro: "
Wallace Roney? Ah, sei, é aquele que toca parecido com Miles Davis...". O que poderia ser um elogio acaba se tornando um estigma: o cara deve ficar puto ao ouvir esse tipo de comentário diariamente. Os discos, no entanto, são agradáveis. O primeiro,
Munchin, é menos autoral, recheado por standards, e foi considerado um disco mediano pela crítica especializada (recebeu três estrelas). Acho eu que discos com essa
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proposta permitem-nos vislumbrar a potencialidade do músico - executar temas conhecidos é uma tarefa arriscada. E
Wallace inicia justamente com um tema de Miles:
Solar. É pedir para ser comparado. A meu ver, ele não se sai mal. O sopro é claro, as notas são precisas e o fraseado é convincente. Se o disco não traz nenhuma novidade estilística, pelo menos nos mostra bons músicos em performances convincentes. O segundo,
The quintet, foi mais festejado pela crítica, creio que por ser um disco autoral. Nele,
Wallace se arrisca mais e anuncia que tem algo além da semelhança com Miles para mostrar aos apreciadores de jazz. Deixarei, como sempre, alguma coisa no Gramophone by Salsa. Enjoy it.
8 comentários:
Grande Salsa,
Fico feliz por você ter apreciado os discos. Depois eu quero te mostrar outros que eu comprei em minhas vacâncias além mar.
O Wallace tem bom sopro e boa técnica, mas, admito, eu prefiro o Miles. O estigma o perseguirá até o fim dos tempos.
Miles é Miles ...
Wallace Roney esteve por aqui, tive a oportunidade de vê-lo ao vivo. Seu som tem alguma coisa de Miles, mas das últimas gerações de trompetistas todos herdaram alguma coisa, não vale a comparação.
Miles era um músico de 5a.categoria que foi endeusado pelos criticos e a patuleia foi na onda. Wallace Roney está 1000 furos acima.
Não provoca, João. Eu sei que você tem a obra completa de Miles e escuta toda noite antes de dormir.
Mas eu tb acho que o Miles não é assim "incomparável"; ele foi inovador, teve muita projeção, mas existem outros ótimos trompetistas(como é o caso) que só não tiveram tanta "badalação". E "influências" todo músico tem, não é?
Alguém aí leu "Viva Bird! - Assassinato em Tempo de Jazz" de Bill Moody?
Concordo contigo, Olney,
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