06/01/2007

Jazz Búlgaro

Estava eu na minha à-toa vida, quando, de repente, encontro um disco obscuro que não está na lista oficial de Art Pepper, nem na lista do dono da banda, o búlgaro Milcho Leviev. O cd com seis faixas longas (quase setenta minutos de música) é o Milcho Leviev Quartet - Live At Ronnie Scott's Club London 1980, que conta com a participação do icônico altoista Art Pepper. Confesso minha ignorância quanto ao jazz europeu: não conhecia o tal pianista búlgaro (e outra: não tenho o hábito de ler fichas técnicas com atenção). Em breve pesquisa, descobri que ele fez parte da furiosa (orquestra) de Don Ellis (a quem eu também não sou chegado), foi diretor da furiosa da Rádio e Televisão Búlgara (???) e fundou, na década de oitenta, o grupo Free Flight para fazer umas experimentações fusion. Ele também tocou com Roy Haynes, Billy Cobham, Dave Holland e até com João Gilberto (no disco Amoroso) entre outros menos votados. O disco que agora ouço, no entanto, é jazz, e daquele jazz com alta dose de blues. O pianista não decepciona e Pepper parece que nunca deixa a peteca cair. Vale a conferida ali no Gramophone by Salsa.

5 comentários:

velhinho disse...

Achei alguns instrumentos alto demais. A gravação deixa a desejar.

João Luiz disse...

Art Pepper será sempre Art Pepper, mas nesta gravação de 1980 já estava "despirocando" e não chega aos pés do Art Pepper dos anos 50/60. Este disco é de Milcho Leviev ? Quem é mesmo Milcho Leviev?

Reinaldo Santos Neves disse...

Gostei da faixa. Art Pepper, que eu saiba, nunca fez um solo medíocre; o pianista búlgaro, que encantou Rogério Coimbra no Donte's, em Los Angeles, tocando aliás com o próprio Pepper, está búlgaro no bom sentido; e o baterista, apesar de meio turbinado, não chega a comprometer a legibilidade do som dos solistas. O temazinho funciona legal.

Concordo com João Luiz em relação ao período áureo de Art Pepper, mas sei que é uma opinião de ouvido, porque opiniões mais abalizadas que a minha dão os últimos anos da carreira de Pepper como qualquer coisa de sublime, a ponto de um deles decretar radicalmente: quando morreu, Art Pepper era o melhor sax-altista do mundo.

Salsa disse...

Leviev também tocou com Mingus

John Lester disse...

Conforme compromisso assumido publicamente, retornei na data prevista. E, como de costume, já entro de sola: já falamos desse disco aqui Salsa. Eu até coloquei o blues do pescador para os navegantes tentarem a sorte com seus anzóis. Mas, sendo Pepper, tá valendo o repeteco.