18/02/2007

April In Paris, Autumn In New York

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Quem diria que um dos maiores standards da música popular norte-americana, Autumn In New York, seria composto por um russo: Vernon Duke. Nascido em 1903, aos 11 já estava no Conservatório de Kiev estudando composição e teoria. Com a Revolução Russa, fugiu primeiro para Constantinopla, seguindo depois para New York, aonde chegava em 1921. Vernon seria um dos maiores compositores populares da Grande Depressão, produzindo uma série de deliciosos standards, como April In Paris, Taking A Chance On Love e I Can’t Get Started. Embora Vernon também tenha investido em obras consideradas mais sérias, seu nome hoje é lembrado por alguma música para teatro de revista e principalmente por suas pequenas pérolas populares. No caso específico de Autumn In New York, sempre me vem a mente a interpretação de Charlie Mariano e seus Boston All Stars.
Ela está num lp da Prestige, The New Sounds From Boston, gravado em 1955. Nessa época, o tom west coast do sax alto de Mariano ainda não havia sido contaminado pela modernidade chata que o caracterizaria a partir da década de 1970. Simples, pungente, direta e, para mim, uma das melhores versões de Autumn. Com Mariano estão Roy Frazee (p), Jack Lawlor (b) e Gene Glennon (d). De quebra, deixo para nosso amigo Olney a faixa I Can’t Get Started, com James Carter (ss, ts), Johnny Griffin (ts), David Murray (ts) e Franz Jackson (ts, v). O álbum foi gravado ao vivo em 2001 no excelente clube Baker’s Keyboard Lounge, em Detroit. Tudo na Radiola Jazzseen. Agora é sonhar com Paris em abril.

5 comentários:

olney disse...

Valeu Lester, vc e o Salsa são muito atenciosos!

thiago disse...

GOSTEI!

Salsa disse...

Isso reforça o que Bernardo falou: as coisas boas dos EUA foram feitas pelo grupo minoritário que escapa ao puritanismo dominante.

carla disse...

Linda!

Reinaldo Santos Neves disse...

Concordo com você, Lester, no que se refere ao excelente músico que foi Charlie Mariano no início de sua carreira. Até o início dos anos 60, quando participou, como solista destacado, de discos importantes de Mingus, como Mingus, Mingus, Mingus e The Black Saint & the Sinner Lady, ainda ia muito bem. Depois, como tantos outros, despirocou.