22/02/2007

Don't lend your guitar to anyone

Onde está você / com meu violão... Lembram-se? É ele mesmo: Benito di Paula. Esse tema foi gravado pelo latinoso Cal Tjader e pelo guitarrista Charlie Byrd num disco morno e carregado de composições brasileiras (Jobim, Moreira e Benito) chamado Tambu. Sabemos todos que, em determinado momento, os chamados jazzistas descambaram a procurar novos elementos na tentativa de expandirem os limites de suas músicas. Muitos monstrengos brotaram dos cruzamentos entre DNAs musicais feitos de modo inapropriado, mas também rolaram algumas coisas audíveis. Esse disco, por exemplo, não me agradou, mas é curioso ouvir Benito di Paula sendo relido pelos gringos. Aproveito, então, o clima de cinzas para dedicar-lhes essa pérola do cancioneiro popular brasileiro: Don't lend your guitar to anyone (com algumas notas a mais proporcionadas pelos solos de Tjader e Byrd): está ali no Gramophone by Salsa.

5 comentários:

João Luiz disse...

Salsa, até mais ver hein! Em site de jazz voce perder tempo e comentar uma porcariada desta? Era preferível não fazer. Se está lhe faltando assuntos mais interessantes fale comigo ou com Garibaldi, que poderá lhe apresentar, por exemplo, "A aboborificação de Miles Davis", um texto sobre o "mito-mentira" do jazz americano. Garanto que é um assunto bastante interessante.Como já lhe disse anteriormente: vá caçar um bode(com Benito di Paula/Cal Tjader/Charlie Byrd). Será que vou precisar chamar o Predador para detonar este pessoal da sua Radiola?

Salsa disse...

Esse é o João: sempre intransigente. Não esqueça: é só uma pilha alcalina por dia. :-)
Aguardo a aboborificação.

minerim disse...

Uai, que é do trem? Onque tá a músga?

Reinaldo Santos Neves disse...

Concordo inteiramente, Salsa, com o que João Luiz disse, embora entenda que o Jazzseen, em sua vertente didática, também possa abrigar aberrações como esse Tambu, tipo pra mostrar a banda podre do gênero.

Cal Tjader, aliás, é pra mim um dos principais nomes a evitar no jazz, ou melhor, no que se pode chamar de subjazz, se-é-que-é-jazz ou ainda pseudojazz, de que o latin jazz é uma das "interfaces" mais conhecidas. O cara enfiou o pé no lodo do latin jazz e nunca mais tirou. E nunca foi grande coisa nem no próprio instrumento, que já não é grande coisa.

Quanto à aboborificação de Miles Devil, diz Garibaldi que está às ordens lá no site www.estacaocapixaba.com.br, seção Literatura, subseção Canteiro de Obras.

E, se alguém contestar o sobrenome Devil acima, é só lembrar que está de acordo com a imagem vendida pelo próprio MD, que tem um cd (não tem?) chamado Prince of Darkness. Cabeça de roqueiro é assim, mas se o Diabo em pessoa aparece na frente sai todo mundo correndo.

Salsa disse...

A idéia é essa, Rei e João, mostrar de tudo um pouco. Algumas coisas bem menos do que outras, mas mostramos. Eu sequer aprecio o vibrafone, e Tjader não fazia parte da minha discoteca (agora faz). O disco, como eu disse, não me agradou, mas, venhamos e convenhamos, interpretar Benito di Paula é o supra-sumo do exotic jazz e merece entrar na seção curiosidades. Lembro-me de, nos idos dos iniciais anos setenta (ou menos) Benito, no programa de Flávio Cavalcanti, tocando piano para Johnny Mathis (é assim que se escreve?), numa versão super rebuscada de "Meu amigo Charlie Brown, com glissandos e arpejos sem fim. Emocionante.