02/02/2007

Jason Moran & Ray Brown & Zé Eduardo

Se você tentasse imaginar um Andrew Hill tocando como Thelonious Monk, talvez ouvisse Jason Moran, um camarada que, com seus 32 anos de idade, me impressionou pra valer. Além da técnica fantástica, do bom humor estampado em frases cínicas e sutis, o jovem pianista impressiona pela forte presença do blues, um pigmento cada vez mais esquecido pelos músicos denominados modernos. Como diz Heather Phares, do All Music Guide: The impressionistic approach of visual and musical artists like Jean-Michel Basquiat and Maurice Ravel inspire Moran's playing and writing style, on both his own compositions and his work with jazz contemporaries like Cassandra Wilson, Steve Coleman, Greg Osby, and Stefan Harris. Moran's debut album Soundtrack to Human Motion appeared in 1999; Facing Left followed a year later. In 2001 he released Black Stars, which featured his trio, comprised also of bassist Tarus Mateen and drummer Nasheet Waits, joined by saxophone legend Sam Rivers. A year later he took a much different approach on Modernistic, offering an album of solo piano recordings. Since that time, Moran released the live album The Bandwagon in 2003 and Artist In Residence in 2006. Para os argonautas, segue a faixa I'll Play The Blues For You, na Radiola Jazzseen.
E quem precisa apresentar Ray Brown para você? Não o conhece? Então deve ser novo no mundo do jazz. Brown já gravou, digamos, com todo mundo. Sim, sem exagero. Não consigo lembrar de nenhum músico importante que não tenha aproveitado o genial contrabaixo de Brown. Entretando, dessa vez trago seu trabalho junto ao cello, isso mesmo, violoncelo. Seja com arco, seja com dedadas (o tal do pizzicato), Brown foi um dos poucos músicos de jazz a flertar com esse contrabaixo nanico. E, até onde sei, a experiência foi bastante satisfatória, embora seus arranjos deixem um pouco a desejar. O negócio de Brown nunca foi muito o arranjo e a composição, mas sim o fornecimento de uma base extremamente sólida como sideman. Daí suas poucas gravações como líder, o que é uma pena. Mas, acompanhado com gente como Bob Cooper, Paul Horne e os raros Harry Bets e Med Flory, o álbum Jazz Cello, lançado pela Verve em 1960, convence.

E quem gosta de Charles Mingus, o dono do contrabaixo mais iconoclasta do jazz? Se você adora, como eu, então não deixe de conferir o contrabaixista português (não é sacanagem não) Zé Eduardo dando suas fantásticas slapadas no caixote. Suas indulgência e técnica se reúnem a um mal humor digno do mestre. Em certas passagens, temos a impressão de que Zé vai tacar o contrabaixo em nossas cabeças. Mas sossegue, o trompetista Jack Walrath está lá para nos proteger. O álbum em tela é Bad Guys, lançado em 2005 pela Clean Field, com Jesus Santandreu (ts) e Marc Miralta (d). Confira Moran, Brow e Zé na Radiola Jazzseen.

13 comentários:

thiago disse...

Até que o portuga sabe tocar o bass. Gostei.

Salsa disse...

Lester, o fundo azul está dificulatando a leitura, pelo menos para mim. Desisti no meio.

John Lester disse...

Salsa, vamos aguardar as opiniões dos amigos visitantes. Por aqui aletra branca sobre fundo azul ficou mais leve que a antiga. Qualquer coisa volto a cvolocar o fundo branco com letra preta mesmo. Valeu.

JL.

Salsa disse...

tentei limar o post a baixo, mas não tem a opção "delete" na página do blogger. E aí?

Anônimo disse...

Achei o fundo azul cansativo para ler. Ficou pesado. Prefiro o anterior.

Vinícius disse...

eu acho q cada dia devia ser uma cor...

John Lester disse...

Pensei em fundo abóbora com letra anil. Que tal Salsa?

Deodécio disse...

Ah, sei lá, sabe, eu acho que vocês poderiam passar uma demão de fucsia com uma leve pitada de purpurina dourada. Ia ar-ra-sar!

Internauta véia. disse...

Oi, tive que alugar um horário no VigNet (4 real a hora), para acessar o JAZZSEEN, MAS ESTAVA COM SAUDADE! Por aqui , não tive dificuldade para ler, tudo ok!
Continuem, está tudo muito bom!

gustavo disse...

eta sonzeira de primeira!

João Luiz disse...

Lester, menos. Vai devagar companheiro. Esse tal de Jason Moran me faz lembrar o chato do Harry Connick Jr.e a música também não ajuda.Quanto a Ray Brown sua especialidade foi sempre o contrabaixo acústico. No cello Ron Carter era muito melhor que ele. O bom mesmo é o português, escorado por um eficiente e competente Jack Walrath.

pretor disse...

Harry Connick Jr está para Jason Moran assim como Richard Clayderman está para Thelonious Monk...

internauta véia disse...

O violoncelo não é um contrabaixo nanico Lester. Ele é um violino gigante!

Véi