27/07/2007

A bela e o chato

George Shearing não é um músico que me faz sair por aí comentando sobre o seu trabalho. Não consegui, ainda, digeri-lo. A gente percebe, ao ouvi-lo tocar, uma coisa meio, digamos, de branco: o suingue um pouco quadrado, arranjos ídem, mas não é nada que nos impeça de dedicar alguns momentos para apreciar suas performances. Quando ele fica na cozinha a coisa fica bem melhor - é o caso de seu trabalho com Nancy Wilson. Aí, sim, o balanço balança um pouco mais. Nos momentos em que Nancy entra em cena, no cd The swingin's mutual, George se vê obrigado a usar mais a sua potencialidade musical. As seis faixas que contam com a participação da cantora pagam o disco (o resto eu achei dispensável). Deixarei, pois, duas faixas - On green dolphin street e Let's love again - para o deleite dos navegantes.

21 comentários:

John Lester disse...

Cego por cego, fico com Lennie Tristano. Aquele que nunca acompanhou cantora nenhuma, pelo menos que eu saiba.

Danilo disse...

Não dá nem pra comparar: Tristano dá de zero no Shearing. Mas a Nancy manda muito bem.

thiago disse...

Tatum também era meio cegueta, não era?

Rogério Coimbra disse...

Meus preconceituosos amigos: Mr. Shearing tem q ser respeitado por ter criado uma escola de timbre única e q foi imitada por muitos, negros, brancos e asiáticos, na famosa harmonização com piano-guitarra-vibes. Toots Thilemans fez parte do grupo no início e um dos q mais o imitaram no Brasil foi o conjunto de Roberto Menescal.
O Chuck Wayne e Carl Tajder tb tocaram com ele. Tem um disco dele com Wes Montgomery que é um barato.
Deixem Mr. Sheraing em paz- seu estilo fez escola e ponto final.

Salsa disse...

E aí, Rogério, qual era o nome da escola? Bored Jazz Congregation?

Rogério Coimbra disse...

Mr. Salsa, nome não sei. A escola de Shearing é a escola das ruas, de se tocar, tocar, tocar para platéias que queriam ouvir, ouvir, ouvir.Ele foi popular no jazz, como King Cole, Oscar Peterson Aliás ouvi hoje um CD dele com Don Thompson, At Carlyle, q vc deve se ligar. Tem tb aquele com Peggy Lee e, o famoso com King Cole .Experimenta Salsa, experimenta, com ou sem pimenta.

Reinaldo Santos Neves disse...

Meu caro Lester, lamento informar que nosso querido Lennie Tristano desperdiçou seu enorme talento acompanhando uma cantora chamada Betty Scott.

Quanto a George Shearing, respeito a opinião de Rogério Coimbra, especialista em trios de jazz, mas também nunca vi nada no cara, e quando quis passar adiante o único disco dele que eu tinha, ninguém quis comprar.

E Shearing tem, a seu desfavor, o fato de ter incluído uma conga em alguns de seus grupos. Quarteto piano-baixo-bateria com vibrafone ou com guitarra ou até com violino pode ser altamente palatável, mas com conga! Haja mau gosto.

O fato é que não se pode comparar, no que se refere ao piano jazzístico, um cego inglês com cegos americanos (ou mesmo semicegos americanos, como Art Tatum).

Mas devemos a ele uma composição, Lullaby of Birdland, que eu acho meio chatinha mas, enfim, virou standard no jazz.

Rogério Coimbra disse...

Congas, congas,congas...Elas são aceitas em muitas plagas, queridas, disputadas,nas ruas , nos becos, nas salas,nas academias, bem como discos de cegos , surdos e gagos. O pior é tocar feio e errado e o povo aplaudir. Caro Reinaldo, não sofra em auferir qq coisa com os Cds de Shearing. Doe-os, para o Instituto Braile. E não se esqueça, um dia vc poderá tocar sua própria conga,às cegas, ou não, mas com prazer.Uma conga, é sempre uma conga. Obrigado pela lembrança de Lullaby Of Birdland. Estou ouvindo Horace Silver & Andy Bey,portanto, ácido, funky e distante dessas tolices...

F. Grijó disse...

Ouçam Live at the Cafe Carlyle primeiro.
Depois falem do velho. Espanquem-no como se ele fosse uma ratazana prenhe.
Mas ouçam. Falar mal é fácil. Pôr a culpa nas congas também.
Depois ouçam o que o ceguinho faz com MY Favorite Things. Vai fazer vc, Reinaldo, sentir saudades de Julie Andrews e de um quarto cheio de petizes.
Vai animar vc a ter uma filharada.

Nancy Wilson é uma beleza.

Salsa disse...

Prezado Gril,
Eu não conheço esse disco. Digamos que seja bom: se o cara já fez alguma coisa que presta pode parar por aí. A sua contribuição para tornar a vida mais leve já está contabilizada. Os dois ou três que eu possuo são excessivamente formais.

F. Grijó disse...

Doc, formalismo não implica, obrigatoriamnte, falta de talento.
Opção, talvez.

A inventividade aparente pode ser reflexo de altíssimo rigor formal, disciplina et alli.

Salsa disse...

Prezado Gril,
Pode ser, pode ser... Mas os gênios conseguem imprimir o ar de informalidade a esse "altíssimo rigor formal". E isso Shearing não consegue.

gide disse...

Vocês já viram duas bichas velhas brigando? Nossa, uma loucura!!!

Leitor assíduo disse...

Não percebi a briga, mas sim uma discussão civilizada - sem agreções. Bem, isso até a chegada do Gide que, pela deselegância, não deve ser parente do renomado escritor.

Leitor assíduo disse...

PS - Agressão só à língua escrita. Como é perceptível no meu post anterior: mordi a língua.

Fernando Achiamé disse...

Ontem no Clube, João Luiz Mazzi e eu estávamos nos lamentando pela falta de computador desde a semana passada (o meu retornou hoje). Então, The Pres nos relatou em linhas gerais esta polêmica sobre Sir George Shearing.
E o presidente veio ainda com esse argumento das congas... Pra cima de mim? É preciso respeitar o ouvido alheio: tem quem goste de conga e quem não goste. Eu gosto e.
Quando quiserem falar mal de Sir George, basta cantarolar Lullaby of Birdland, que foi o que fiz no Clube.
Estou com Mr. Coimbra e Mr. Grijó e não abro. Mas não conheço esse CD com a Nancy Wilson. Quem se habilita com uma cópia?

Salsa disse...

Eu comecei uma versão do tema:
Lulu foi ao birdland
ouvir jazz
e chorou
quando viu
lester young com o seu saxofone tenor (preciso resolver a métrica aqui)
Charlie parker também estava lá
e pediu
para tocar
como pode um pássaro cantar assim,
sem parar
(e por aí vai)

Anônimo disse...

teste

olmiro müller disse...

Marcus Roberts, um dos bons pianistas da atualidade, também é cego. Tocou durante cerca de 7 anos com Winton Marsalis, além de liderar seu próprio trio, tendo na maior parte das vezes Roland Guerin ao contrabaixo e Jason Marsalis à bateria.
Na minha opinião, George Shearing não pode ser comparado a Lennie Tristano, pois, enquanto o primeiro o primeiro cede facilmente ao comercialismo, o segundo dedica-se seriamente à composição experimental e ao ensino.

Olmiro V. Müller
P. Alegre -- RS

Salsa disse...

perfeita observação, Mr. Müller.

Anônimo disse...

George Shearing e o maior pianista de jazz em solo(Jimmy Rowles).O sujeito é um monstro só que extremamente descuidado na sua discografia.Tem trabalhos exuberantes de acompanhante(com Nat King Cole, Carmen Mc Rae e Mel Tormé , o de Nancy Wilson , Joe Williams e Dakotta Stanton são muitos bons.Em forma de trio ,com Ray Brown e Marvin Smitty Smith (Breakin Out) é o melhor.Fora os mais comerciais de concepções orquestrais.Sou supeito por ser fã, acho que tenho uns 30 cds desse pianista que esta ainda em atividade perto de 90 anos.Apesar disso, tenho uma impressão antipática pessoal nas duas vezês que o ví(NY e SP).Ele é muito mesquinho :só toca no máximo por 40 minutos e reclama de qualquer ruído , mesmo esse sendo de nenhuma forma intencional.Outros que eram fãs dele :Bill Evans e Luis Eça, que conheciam do riscado.Edú