20/07/2007

O contador de estórias

Nosso amigo Reinaldo Santos Neves, grande apreciador de Art Pepper e Presidente do Clube das Terças , é também o mais silencioso contador de estórias que já conheci. Seu novo livro, A Longa História, acaba de ser lançado pela Bertrand Brasil. E, embora não seja um daqueles livros finos com letras grandes que agradam mais minha preguiça, não há como negar a qualidade da obra e a verve do autor. Recomendo todas, e cada uma, das 607 páginas contidas no livro. Como dizia meu avô, Sonny Coleman: um livro de verdade deve ser capaz de ficar em pé sozinho na estante.


Sinopse: No romance A Longa História, Reinaldo Santos Neves mostra uma Idade Média pela perspectiva do próprio imaginário medieval: seus personagens são monges, marinheiros, poetas, peregrinos, prostitutas, artesãos e leprosos inspirados por crônicas obscuras, relatos de viagens, autobiografias de pessoas hoje esquecidas, coletâneas de contos morais e versos de poetas de diversas nações. É uma obra literária de um escritor brasileiro que comprova a tese formulada por Jorge Luis Borges de que os sul-americanos podem "lançar mão de todos os temas europeus e utilizá-los sem superstições, com uma irreverência que pode ter, e já tem, conseqüências afortunadas".Numa ponta da Europa, uma velha condessa em seu castelo faz o voto de ler uma história antes de morrer; em outra ponta, recolhido ao mosteiro de Broz, na Hungria, jaz imerso em voto de silêncio um velho contador de histórias. Ela deseja ler a Longa História, de Posthumus de Broz; este pretende morrer sem dizer mais uma só palavra. Caberá ao tímido noviço e jovem copista, Grim de Grimsby, a árdua missão de percorrer dois mil quilômetros de estrada, sujeito a todo tipo de perigos e tentações, e transcrever em pergaminho esta história para a condessa ler - desde que consiga convencer Posthumus a abrir sua boca e contá-la. Para tanto, Grim aceitará a ajuda e companhia de uma jovem que, ao contrário dele, fugiu de um convento para descobrir o mundo. Mas ela é também uma fonte de tentações que, ao mesmo tempo, atrai e repele o jovem noviço.Nas palavras do autor, esta é "a história da busca de uma história". Segundo ele, A Longa História "é uma viagem - sem compromisso acadêmico - pelo imaginário medieval europeu. Seu tema, como o de tantos outros, é a busca de algo especialmente sagrado ou valioso. Só que aqui esse algo que se busca não é nada de tão sagrado como o Santo Graal nem de tão valioso como as minas de Salomão ou a ilha do tesouro. Mas o que poderia ser mais sagrado e valioso, como objeto de busca, do ponto de vista da própria literatura, do que uma história?" Em A Longa História, de Reinaldo Santos Neves, apesar de todos os seus personagens fascinantes, o protagonista é, sem dúvida, a própria Longa História, com tudo o que ela representa: o fascínio que a literatura exerce sobre todos nós desde que o ser humano começou a inventar histórias. É uma obra sobre leituras e leitores, escrita de leitor para leitor.

Onde comprar? Clique aqui Saraiva ou aqui Siciliano.

16 comentários:

Jazzbund disse...

In der Literatur gibt es mehrere Hinweise auf alte Urkunden, Heberegister usw. Die mir bisher älteste Nennung entstammt dem "Sohlinger Rhentmeisterey- Heebbuch" vom Jahre 1683/84. Angeblich gibt es noch Aktennachrichten aus dem Jahre 1612. Gefunden habe ich folgende Passage:

In einem Beitrag von W. Engels, Die Rentmeistereirechnungen in: Die Heimat, 5.8.1939, S.41, geht der Autor auf das Vaßmannsche Register von 1663/84 näher ein. In einem Nebensatz erwähnt er die Burger Rechnung aus dem Jahre 1692, danach wurde am 12. Dezember 1612 einem Theiß Büestgen (Beußgen) und Johann Kullen zu Balkhausen eine Genehmigung zur Erweiterung ihres dortigen Schleifkottens erteilt.

Salsa disse...

Considero-me um dos padrinhos - por ter acompanhado de perto o parto da obra. Uma grande obra, aliás.

antonio carlos disse...

Grande, pesada e bem escrita.

sergio disse...

Um livro de verdade deve ser capaz de se sustentar sozinho é uma excelente sacada, mas um livro fica poderoso se não destoar ao lado de clássicos numa estante. Porque livros fora de estantes só se sustentam se deitados à cabeceira da cama.

Chaucer disse...

Prezado Sérgio,
Esse livro você poderá deixá-lo, sem sombra de dúvidas, ao lado dos clássicos. Aliás, conhecer os clássicos (especialmente Contos de Cantuária e Decameron, além dos tratados sobre literatura medieval) permitirá uma leitura ainda mais prazerosa.

thiago disse...

Ainda não li, mas levo fé.

sergio disse...

O Decameron, ou O Decamerão, como está escrito na capa da minha edição de 1970 da Hemus é magnânimo! Adoro e rio muito com Boccaccio e suas curtas histórias. Quem vê o calhamaço com suas 685 páginas se assusta, até rejeita. Mal sabendo o que está a perder... Este sustenta-se em pé e nem presume companhia na estante. Na minha, tem seu lugar de destaque ao lado do receiver Pioneer model SX 434 de 1974 - quase tão velho e vivo quanto a edição do Giovanni.

Já citei aqui o progressivo Gentle Giant, personagem/banda inspirado nos 'filhos' de Rabelais - que, aliás, conheci graças a banda. Me apaixonei por Rabelais e ontem mesmo reli passagens do Gargantua.

Que boa coincidência (ainda não tinha lido a sinopse) o livro do amigo dos amigos da casa tratar de uma época pela qual tenho um... eu diria até, estranho fascínio. E já tinha posto à cabeceira para reler, Jacques, o fatalista do enciclopedista Denis Diderot que é até mocinho comparado a essa galera citada, mas descreve com humor picaresco, o que deve ter sido um tempo hard de se viver e sustentar opinião própria sobre a vida. Pena os livros estarem pela hora da morte (... é verdade, eu que estou ganhando pouco...) em matéria de preço mesmo. Mas se a Longa História estiver me encarando no momento em que passar pela próxima Saraiva ou Siciliano, levo o livro para se hospedar lá em casa.

Para encerrar com chave de ouro, pois hoje me sinto inspirado, recomendo a leitura desta página em especial: http://www.revista.agulha.nom.br/ag4villon.html indicada para os adoradores dos trovadores e da música provençal nos tempos em que se inventavam os minhos.

Cândido disse...

Boa biblioteca, Sérgio.

John Lester disse...

Não sei, ainda, se Reinaldo utilizou alguma coisa do Gil, como o auto da barca do inferno. Não, não é Gilberto Gil, é Gil Vicente.

Teria, nosso presidente, se utilizado de alguma passagem do tratado do amor cortês, de André Capelão? Talvez nunca saibamos...

Como já dissera antes, em 1998, Alejo Carpentier, em seu Concierto Barroco: "De fábulas se alimenta la Gran Historia, no te olvides de ello. Fábula parece lo nuestro a las gentes de acá porque han perdido el sentido de lo fabuloso. Llaman fabuloso cuanto es remoto, irracional, situado en el ayer".

Alejo e Reinaldo fazem, talvez, as mesmas ou semelhantes viagens. Com a diferença de que, a de Alejo, une dois continentes através da música. A de Reinaldo, dois países através de estórias.

Mas concordo com Sérgio: aquele fundo azul que ilumina os velhos aparelhos Pioneer é o que, ao fim e ao cabo, conta. Mantenho o meu como manteria um livro, caso tivesse escrito um.

carla disse...

adorei a capa!

thiago disse...

em qual livraria de vitoria eu encontro o livro lester?

John Lester disse...

Prezado Thiago, na verdade não sei dizer em quais livrarias capixabas você encontra o livro. Terça próxima vou consultar o Reinaldo e passo os nomes a você.

Grande abraço.

internauta veia disse...

Na Siciliano deve ter, Thiago.

Reinaldo Santos Neves disse...

Outro dia eu disse que, se deixamos de visitar Jazzseen um só dia, no dia seguinte tem uma porção de novidades para nosso deleite. No meu caso, só hoje é que vejo esse ótimo post que dá excelente visibilidade ao meu romance. Obrigado, Lester. E se eu sou silencioso, você também é, pois estivemos juntos ontem no Clube das Terças, e você nem me disse nada a respeito.

Guzz disse...

Aqui no RJ eu vi na Livraria Argumento e tem no Submarino também !

Boa dica !

Abraço

John Lester disse...

Prezado Reinaldo, claro que a resenha não está à altura do livro, mas aí está a resenha.

Prezado Guzz, valeu pelas dicas.

JL