29/01/2008

NY Dream

A passagem do tempo parece não trazer desconforto ao pianista David Hazeltine. Próximo de completar seus 50 anos, Hazeltine experimenta sua entrada na fase que define como “maturidade”, onde domina não apenas a técnica musical, mas suas escolhas e convicções. Nessa busca, inspirou-se num sonho: vencer na “Meca” do jazz, Nova Iorque, e perseverada por duas vezes em sua vida. Na primeira , em 1981, a conselho de Chet Baker, tentou, por dois anos e voltou resignado a sua cidade natal, Millwaukee. Na segunda , dez anos após, fincou os pés , permanecendo, até hoje. Esse predestinado ou seria obstinado, pianista, que conheceu o jazz quando sua mãe lhe deu um disco do organista Jimmy Smith, quando nem bem abandonava o leito materno pra dormir sozinho no escuro, sonhava, criança, em ser apenas um engenheiro eletricista.Porém,o fascínio e curiosidade em pilotar um órgão Hammond B-3, fez com que iniciasse, com 9 anos, estudos regulares do instrumento. Aos 13 anos já começava à apresentar-se em uma cantina. Como era atração solo, precisava tornar a sonoridade proveniente do órgão mais atraente, o jazz ,executou essa receita. Se inicia , com 15, no piano e no estudo clássico. No início dos anos 70, dividia seu tempo tocando num restaurante chamado “Fritas e Tortas” (tradução livre) e na Millwaukee Jazz Gallery. Neste local, acompanhou seu conselheiro Baker, Pepper Adams, Eddie Harris, Sonny Stitt e Al Cohn. Essa aproximação com os instrumentistas de sopro tornou-se sua predominante influência. Ele é declaradamente apaixonado pelas linhas melódicas dos sopros. “Os sopros possuem uma voz que o piano não consegue expressar”. Por isso manifesta suas maiores influências em Charlie Parker e John Coltrane. Entre os pianistas, coloca: Art Tatum, Barry Harris , McCoy Tynner e Buddy Montgomery como seus prediletos. Mas a maior virtude exibida por esse esplêndido pianista e a maneira simples, agradável e dinâmica em traduzir o vocabulário complexo e sofisticado do hard bop e do bebop . Hazeltine dedilha , em seus solos, frases melódicas curtas que ornamentam-se de forma simétrica , lírica e cristalina. Onde cada nota e preenchida de forma , ao mesmo tempo, surpreendente e lógica. Após sua segunda “aterissagem” em NY, a vida tem-lhe sido mais generosa. Mantém constante carreira com lançamento de pelo menos um , ou , até mesmo, dois discos anuais pelos selos Sharp Nine, Criss Cross e o japonês Vênus, numa variedade de formações que abrange desde trios, quartetos a sextetos. Pra quem questiona a perenidade do jazz, Hazeltine tem a resposta pronta: “considero-me feliz fazendo o que gosto. E não há vida mais prazerosa do que contribuir pra sobrevivência dessa gloriosa forma de arte”. Melhor ainda, vivendo dela, em NY.


Toca: Embraceable You com David Hazeltine (p) - Álbum: Blues Quarters Vol. 2 - Criss Cross - 2006 - Eric Alexander no tenor, Peter Washington no baixo, Joe Farnsworth na bateria e Jose Alexis Diaz numa maravilhosa conga inaudível.

9 comentários:

John Lester disse...

Prezado Edú, obrigado por mais uma generosa colaboração.

Grande abraço, JL.

augusto carlos disse...

Achei David preciso e discreto, muito bom.

bia disse...

delícia...

Danilo Toli disse...

Bela resenha Edú.

dalmácio disse...

toca muito o garoto!

Anônimo disse...

Prezado Lester e amigos, agradecido por suas opiniões.Elas sempre são de imensa valia pra mim.Bom carnaval a todos.Edú

dirce disse...

muito bom!

Anônimo disse...

maravilhoso! ouvi o eric em NY,mas não conhecia este pianista; obrigada pelo presente!
luzia

Anônimo disse...

maravilhoso! ouvi o eric em NY,mas não conhecia este pianista; obrigada pelo presente!
luzia