18/11/2008

Chet Passado a Limpo

Os amantes de jazz foram graciosamente surpreendidos com a feliz associação de imagem e som fora dos limites convencionais de um dvd ou da chamada tecnologia 3 D. Young Chet(tradução livre, Jovem Chet), livro do fotográfo William Claxton abordando os anos de 52 a 57 na vida de Chet Baker foi reeditado em edição de bolso e preço acess ível em 2006 pela Schrimer Art Books. Um cd ,de mesmo título e que celebra a edição do livro encontra-se ainda em catálogo(ambos disponíveis na Amazon).Na avaliação dos dois "produtos",temos um Chet vivendo seguramente o melhor período criativo de sua vida, seja nas películas fotográficas editadas nas páginas do livro ou nas duas sessões fonográficas, de 54 e 56, que abrangem o disco. O livro, composto de nove capítulos e que se inicia com seu encontro com Charlie Parker em 1952, mostra um pouco da personalidade que mais tarde seria revelada com cores cinzentas em biografias desoladoras. Um Chet alheio na maior parte do tempo,egoísta e que se comprometia apenas com seus carros, o trompete e ,principalmente,ás drogas.Nas fotos do livro,excepcionais,em preto e branco,porém, "surge" a imagem quase angelical, do jovem frágil, de beleza delicada e incapaz de sorrir diante de uma inconveniente timidez.Segundo Claxton, a razão dessa insegurança era ausência do dente frontal.Baker alegava que não "resolvia o problema" porque isso afetaria sua embocadura no trompete.As fotos também registram os precoces problemas legais de Baker, num capitulo chamado (tradução livre) Carisma e a Lei e que dá início às conseqüências trágicas de seu uso prolongando de narcóticos por 30 anos ininterruptos.No cd ,do selo da Pacific Jazz, temos duas sessões em forma de sexteto,a ideal pra sua musicalidade e a do jazz da "West Coast", com dois grupos diferenciados.Na primeira sessão, de 54, temos a presença dos saxofonistas Bill Perkins e Jimmy Giuffre, Russ Freeman (p), Carson Smith(b ac) e Bob Neel (bat). O ótimo pianista Bobby Timmons conduz a base ritmíca da sessão de 56, tendo Phil Urso (sax), Jimmy Bond(b ac) e Peter Littman (bat).Numa única faixa (a 7),Bill Loughborough "pilota" um curioso "tímpano cromático".Essas sessões,qua se predominantes de standarts(canções do repertório clássico popular americano dos anos 20 a inicio dos 60) eram faixas instrumentais que se encontraram fora da edição definitiva do disco vocal de Baker, o cultuado Chet Baker Sings e das sessões adicionais do Chet Baker and Crew. A sonoridade proveniente do cd coloca Baker em seu devido lugar, com um sopro límpido,de intervenções curtas e objetivas, dialogando musicalmente com seus parceiros de forma tranqüila e envolvente.Esses dois "meios"( livro e cd) ,de forma conjunta ou individualizada, recompensam o apreciadores do jazz e principalmente os de Chet. Para eles - e pra mim - essa imagem - a sadia, e a música é a que gostamos de recordar.

Para os amigos Mr. Lester cedeu a faixa How Deep Is The Ocean , resultado do único e memorável encontro entre Chet Baker e Archie Shepp durante turnê em Frankfurt e Paris, em 1988. Com Horace Parlan (p), Herman Wright (b) e Clifford Jarvis (d).

16 comentários:

John Lester disse...

Prezado Edù, obrigado por mais resenha. Espero que a faixa agrade.

Grande abraço, JL.

Mª Augusta disse...

À mim agradou muito, a resenha e a faixa...Ouvir Chet Baker é MUITO bom...texto de Mestre Edú, sempre interessante, bom ver o Jazzseen "acontecendo"!

Mª Augusta disse...

A faixa é ótima, Archie Shepp, Horace Parlan, Herman Wright e Clifford Jarvis, todos excelentes!

thiago disse...

Corrosivo o solo do Shepp.

Anônimo disse...

Queridos amigos, entre a redação final dessa resenha e sua postagem alguns fatos pertinentes surgiram.O mais triste deles:a morte de William Claxton dois dias após completar 80 anos em 14 de outubro.Segundo,sobre o custo do livro em si em relação às finanças pessoais.Afirmei q o livro em sua “edição de bolso” encontrava -se à preço acessível.O dólar na época em q escrevi, oscilava “na casa” de R$1,60 a R$1,65 .Hoje, dia 18/11, a Folha On Line informa sua cotação a R$2,31.Na Amazon, o livro custa hoje U$16,47 ( preço médio de um cd em lançamento nas lojas nos EUA).Prezado JL, novamente agradeço sua consideração e estima.Estive recentemente no lançamento paulistano do livro de meu amigo Charles Gavin sobre os 150 discos mais significativos da MPB.Quando se indaga à Charles por que ainda assume projetos de remasterização e lançamentos em cd de históricos discos,programa de televisão(Som do Vinil no Canal 66 da Net) e participação como co-autor de livros impecavelmente editados sobre música como o “150” e o livro de capas de lps da Bossa Nova - ainda encontrando tempo em administrar uma carreira de sucesso como músico pop, ele tem uma resposta pronta “na ponta da língua”.Um dos prazeres da música, pra ele, é compartilhar e conseqüentemente conhecer novas informações sobre ela.Assim, agradeço imensamente sua contribuição. Ela acrescenta destaque às minhas palavras.Abraço.Edú.

Roberto Scardua disse...

Quem diria caísse tão bem Baker e Shepp...

Anônimo disse...

Compartilhar, Edu, é palava chave.

Sergio disse...

Mas tenho uma certa bronca dos Titãs. Diria até que esse nome Os Titãs, eles deveriam ter devolvido aos deuses do olimpo a partir de uma certa fase da banda. Mudado para "Os Cordeiros", Os Reaça... Não tem os Racionais MCs? Então, "Reacionários do Mercado", que tal? Ou algo assim.

Sergio disse...

ps.: O anônimo aí de cima sou eu mesmo

Sergio disse...

"Reacionários do Ritmo" e não se fala mais nisso.

Marília disse...

O que tem Titãs a ver com a resenha?

Sergio disse...

Quando na elite, nada.

Internauta véia disse...

Titâs??

Chet Baker e Archie Shepp, perfeito!

Aliás, Chet Baker é sempre perfeito...

Anônimo disse...

Lester,
Parabéns, pelos posts. Me envie seu e-mail: o meu é olorencini@gmail.com

Osvaldo

PREDADOR.- disse...

O sr.Edú está me surpreendendo. Sempre as voltas com Brad Merdau,digo Mehldau, Eli Digibri e outras porcariadas, vem desta feita comentar sobre dois ótimos discos de Chet Baker (um do início e outro do fim de carreira). No album Young Chet a destacar as presenças do eficiente Bill Perkins no tenor e do pianista Russ Freeman (musicas gravadas em 1954) -abrindo a seleção a belissima "Look for the silver lining"- e, nas gravações de 1956 o destaque vai para Phil Urso um tenorista de primeira, muitas vezes desprezado pelos ditos críticos de jazz. Quanto ao album "In memory of", quem poderia esperar a união de Chet com o "agressivo e controvertido" Archie Shepp? Contudo, dessa parceria, originou-se um disco de primeira, muito bom mesmo, destacando-se no quinteto, além de Chet e Shepp, o pianista Horace Parlan e o baterista Clifford Jarvis. Mais uma vez dou a minha mão a palmatória e gostaria de congratular-me com o sr.Edú pela excelente postagem.Parabens!

Danilo Toli disse...

Predador, Predador, quem te viu, quem te vê...

Bom demais Chet com Shepp, valeu Edú.