21/12/2008

The True Birth

Apaixonado por baladas, Claude Thornhill costuma ser acusado de líder de bandas de baile ou sweet band por alguns críticos de jazz. Muito ao contrário, a banda de Thornhill é uma das poucas bandas de jazz da década de 1940 com sonoridade própria e original, e uma das poucas que soube utilizar com sucesso as complexas inovações trazidas pelo bebop. Alguns poucos líderes desse período podem ser comparados a Thornhill no que se refere à capacidade de acomodar e moldar a nova linguagem do bebop às big bands, com importantes e inéditas experimentações na instrumentação e nos arranjos. Como leciona Frank Tirro em seu Jazz: A History (2nd Ed., Norton, p. 324), talvez somente Dizzy Gillespie, Wood Herman e Stan Kenton tenham tido maior importância que Thornhill no contexto das big bands do bebop. Com arranjos de Gil Evans e Gerry Mulligan, Thornhill trouxe inovações na sonoridade e na instrumentação que seriam fundamentais para o surgimento do cool jazz, tanto é que o escorregadio Miles Davis utilizaria em 1949 os arranjadores e os músicos de Thornhill para a célebre sessão denominada The Birth of The Cool, sessão que na verdade não pretendia dar a luz a coisa alguma, representando apenas mais uma das diversas experiências que Thornhill e seus músicos já vinham desenvolvendo com Evans e Mulligan desde 1942. 

Claude Thornhill (1909-1965) começou a carreira tocando piano em pequenas bandas do meio-oeste. Na década de 1930 trabalhou para Paul Whiteman, Benny Goodman e Ray Noble. Após participar de algumas sessões com Billie Holiday e Maxine Sullivan, Thornhill forma sua própria banda em 1940, utilizando trompas, tubas, trocando os saxofones por clarinetes e eliminando os vibratos gratuitos que tanto caracterizariam o swing. Sua sonoridade original, cristalina e complexa estava repleta dos elementos que, logo a seguir, permitiriam o surgimento do cool jazz. Em 1947 realizou uma das primeiras e mais bem sucedidas gravações das músicas de Charlie Parker no contexto de big band – saindo-se inclusive melhor que as gravações realizadas pela banda de Gillespie. Infelizmente Thornhill morreu praticamente esquecido e sem o reconhecimento que merece ter, talvez em parte pela incompatibilidade da dança tradicional com o estilo enlouquecido do bebop e, também, pela complexidade e agressividade deste. Daí também a efemeridade e insucesso geral das big bands do bebop. Para os amigos fica a faixa Donna Lee , gravada durante uma transmissão radiofônica de 1947. Entre os músicos que integram a banda de Thornhill vale destacar Lee Konitz (as) e Red Rodney (t). Na faixa em apreço cabe atenção aos excelentes solos de Allan Langstaff (tb) e Barry Galbraith (g).

16 comentários:

João Luiz disse...

Grande banda de Claude Thornhill que revelou craques do jazz como Barry Galbraith, Lee Konitz, Red Rodney como apontou mr.Lester

Anônimo disse...

Acho que Claude Thorhill foi o primeiro band-leader que realmente fundiu o jazz com a chamada música clássica, antes de Stan Kenton ter-se autoproclamado o criador do "progressive jazz" e de Gunther Schiller ter tentado a implantação da terceira corrente ("third stream"). Acontece que os ouvidos da época não estavam preparados para essas ousadias e, por isso, Thorhill não foi justamente reconhecido.

Olmiro Muller

Frederico Bravante disse...

Bill Barber fue uno de los primeros tubistas del jazz moderno. Formó parte de la banda de su Instituto tocando la tuba antes de iniciar sus estudios en la prestigiosa Juilliard School of Music. Tras licenciarse del Ejército, en el año 1945, encontró su primer empleo como músico profesional en la Kansas City Philharmonic Orchestra. Dos años más tarde se estrenó como músico de jazz junto al revolucionario Claude Thornhill y su orquesta, una de las primeras en rescatar el llamado "contrabajo de viento" para el jazz posbebop. Barber encabezó la primera hornada de tubistas del jazz moderno junto a Red Callender, Jay McAllister y Don Butterfield. Entre1949 y 1950 formó parte de la orquesta Birth of the Cool del trompetista Miles Davis de la que formaban parte, entre otros, los saxofonistas Gerry Mulligan y Lee Konitz y el arreglista Gil Evans, formado, como Barber, junto a Thornhill; una formación que, no por nada, fue conocida como The Tuba Band.

La relación entre Barber, Davis y Evans aún daría lugar a nuevas obras maestras del jazz orquestal como los famosos discos: Miles Ahead, Sketches of Spain y Porgy and Bess. La dificultad de ganarse la vida tocando la tuba le llevó al terreno de la educación, empleándose como profesor de música en el Instituto de Copiague, Nueva York, aunque continuó actuando de forma esporádica con la orquesta de Eddie Sauter y Bill Finegan; con John Coltrane, en el único álbum del saxofonista dirigiendo una bigband, Africa/Brass; y con la Nassau-Suffolk Symphony Orchestra prefirió pasar el testigo a las nuevas generaciones de tubistas: Howard Johnson, Joe Daley, Bob Stewart, Earl McIntyre. En el año 1992, Bill Barber fue visto por última vez pisando los grandes escenarios junto al saxofonista Gerry Mulligan y su Tenteto (sobre el repertorio original de Birth of the Cool).La actuación de la orquesta ese verano, en el Festival de Jazz de Vitoria, todavía se recuerda entre los buenos aficionados.

Falleció el pasado 18 de junio en la localidad de Bronxville, Nueva York, a causa de un fallo cardiaco. Tenía 87años. A lo largo de su dilatada carrera pudo tocar junto a los más grandes músicos del jazz.

Anônimo disse...

Na segunda associação musical bem sucedida entre um carioca ,John Lester, e um capixaba , Salsa (precedida apenas pela de Erasmo e RC, mora?) surgiu há dois anos e meio o Jazzseen q completa – hoje 21/12/2008 precisamente ás 17:06 - a invejável marca das 100 000 visitas.Invejável,sob diversos pontos de vista .Situado em Vitória, cuja população oscila entre 340 mil habitantes,registra agora numerário próximo a 1/3 da densidade populacional de seu berço geográfico .Se atermos apenas a números,nenhum outro blog brasileiro dedicado ao jazz ,agregando a literatura e enologia ,apresenta tamanho escopo de assuntos , temas ,personagens e personalidades ilustres e outras nem tanto.E,mais impressionante ainda,em seu período inicial de fundação todos os textos foram elaborados e caprichosamente redigidos apenas por dois especialistas-articulistas.John Lester, definido como “tarado por jazz” por Wilson Garzon ,dono do site www.clubedejazz.com.br e Salsa, presença onisciente na maioria ou totalidade dos eventos de música convencionado ao jazz nas extremidades continentais brasileiras.Permeado em 99,9% de material absolutamente original e redigido com finalidade especifica de abastecer o blog (exemplo quase único entre os blogs e sites de jazz brasileiros ) é defensor intransigente da livre expressão – sem censura prévia ou a abjeta instalação da moderação de comentários.Nessa incansável jornada - quase q diária, da defesa, patrocínio e alimento da fascinante chama q abriga o jazz – elemento provocador e apaixonante , Salsa partiu há um ano levando seu talento e carisma para dar inicio ao seu novo blog www.jazzigo.blogspot.com: um saudável contraponto em território vitoriense.No restante do tempo,Lester superou cansaço e madrugadas a fio produzindo a maior quantidade de resenhas dedicadas ao jazz já registrada - em curto periodo de tempo - nos domínios da Internet brasileira.Todas assumidas no seu compromisso pessoal q impera até hoje.Colocar conteúdo - associado a elegância de estilo - e melhor informação disponível aos interessados dessa nobre causa.A resposta dos 100 000 fizeram coro da aprovação.Edú.

Paula Nadler disse...

E sem falar que Mr. Lester continua tentando demonstrar o teorema das quatro cores apenas com o auxílio de régua, compasso e um velho ábaco.

Obs. O teorema das quatro cores diz: Dado um mapa plano, dividido em regiões, quatro cores chegam para o colorir, de forma a que regiões vizinhas não partilhem a mesma cor.

Beijos a todos!

Anônimo disse...

O passo seguinte será o Teorema de Fermat, Srta Nadler.Edú.

Mamãe disse...

É o meu garoto!

Internauta véia disse...

Toda vez que venho ao Jazzseen, saio enriquecida com o conteúdo das resenhas, encantada com as músicas, e divertida com os comentários dos visitantes, sendo que alguns, até parece que a gente conhece...afinal, depois de mais de 100.000 visitas, ficamos um pouquinho (quase) íntimos...
Parabéns, Mr. Lester, continue nos presenteando com Jazz, vinho e livros finos com letras grandes...e até mesmo com livros volumosos com letras pequenas!

Internauta véia disse...

E a banda de Thorhill é uma delícia de ouvir...

Salsa disse...

Lester é f***! Seu trabalho é hercúleo e sem segundo interesse. O que está em pauta é o jazz, sem reticências. Tem-me apresentado, em sua insaciável busca de elementos que fundamentam o percurso do jazz, uma série de músicos que eu jamais tomaria conhecimento se não fossem devidamente laureados nessa filial musical do Olimpo. Agradeço a citação do Edú, mas o trabalho de pesquisa é, sempre foi, do Lester. Ele sempre deu as coordenadas sobre a formação, influências e os detalhes sobre os estilos dos grandes e/ou obscuros jazzistas que povoam esse nosso mundinho cão. Eu restringia-me à sonoridade, à impressão causada pelas performances dos jazzistas (o que ainda faço lá no meu quintal). Parabéns para o Lester e para o Jazzseen.

Leandra Postay disse...

Encontrei o blog por meio de um comentário da Paula.
Muito bom, ótimo conteúdo. (:

Vagner Pitta disse...

...


interessante, curta e direta essa resenha, John Lester !


Posso dizer que tu é um cara lúcido pelo fato de procurar saber de onde as origens das revoluções surgiram, ao invés de ficar fazendo coro aquela falsa afirmação "Miles Davis criou o Cool", "Miles Davis criou isso e aquilo", "Miles Davis criou o universo do Jazz em sete dias"...exagero (risos). Mas enfim, quando vc disse...

"Com arranjos de Gil Evans e Gerry Mulligan, Thornhill trouxe inovações na sonoridade e na instrumentação que seriam fundamentais para o surgimento do cool jazz, tanto é que o escorregadio Miles Davis utilizaria em 1949 os arranjadores e os músicos de Thornhill para a célebre sessão denominada The Birth of The Cool, sessão que na verdade não pretendia dar a luz a coisa alguma, representando apenas mais uma das diversas experiências que Thornhill e seus músicos já vinham desenvolvendo com Evans e Mulligan desde 1942."


...aí vejo que nós temos o mesmo ponto de vista que, acho eu, não é um mero ponto de vista mas um fato: Miles pode ter tido sorte, mas não a idéia! Inclusive no Farofa Moderna há, em algum lugar, algum trecho com idéias semelhantes no que diz respeito ao surgimento do Cool Jazz atravez das concepções de Claude Thornhill e Woody Herman (orquestras de grandes jovens visionários como o clarinetista Jimmy Giuffre).

Abraços e boas festas de fim de Ano!!

John Lester disse...

Prezados e exagerados amigos, chego a ruborizar diante de tantos e tão apaixonados elogios, todos obviamente em desacordo com a realidade.

O Jazzseen é muito mais fruto da participação de vocês, leitores atentos e críticos, do que de nossa equipe editorial.

Se algum mérito deve ser creditado, creio que seria em nome de nossos colaboradores e amigos Salsa, Edú, Francisco Grijó, João Luiz Mazzi, Olney, Roberto Scardua, Paula Nadler, Frederico Bravante, Olmiro Müller, Thiago, André Tandeta, Guzz, Reinaldo Santos Neves, Heide Wittgensz e tantos outros que expuseram seu amor pelo jazz em nossas páginas.

Quanto a mim, gostaria apenas de pedir desculpas pelas falhas cometidas, prometendo que tentarei fazer do Jazzseen um porto cada vez mais seguro e amigo.

Grande abraço, JL.

Thiago Luz Raft disse...

Havia algum tempo que não passava por aqui. Hoje quando abri o blog foi muito engraçado: P... Toca quase dez coisas ao mesmo tempo? Eu pensei que free-jazz muito louco esse heim...? Parece que entrei na Rua 52 e fiquei sentado no meio fio. Enfim desliguei todos e agora posso escolher um.

John Lester disse...

Prezado Thiago, fiquei surpreso com o que aconteceu com você: as amostras musicais que ofertamos aos visitantes não deveriam tocar automaticamente (penso que isso invade de certa forma a intimidade do navegante). Na verdade, comigo isso não acontece: eu tenho que pressionar o "play" para que a música comece a tocar.

Pesso desculpas pelo inconveniente, mas acredito que isso se deva ao seu navegador - por acaso você utiliza o Mozila?

Grande abraço, JL.

Anônimo disse...

Envio meus votos de Feliz Natal e um 2009 sem marolinhas ou mesmo Tsunamis a todos os amigos e visitantes do Jazzseen.Aproveito - daqui - também, dividir esses votos com meu amigo Sérgio do blog www.sergiosonico.blogspot.com. - um espaço irmão desse blog. Prezado JL, confere a cx que já mandei.Sim, no Mozila -q as vezes uso - acontece essa mesma -afinação de orquestra - quando se entra no Jazzseen.Edú.