24/01/2009

Cizânia


Todos sabemos que o Jazzssen está vivendo um momento de acirrada excitação e cólera. Será tudo apenas mais uma farsa ardilosa para obter a fórmula da poção mágica de nosso druida Panoramix? Seriam as chuvas torrenciais? A posse de Obama? O calor carioca, abafado e sedutor, que cisma em escorrer por cima das serras sobre nós? Talvez nunca saibamos, talvez nunca haja paz, mas quem sabe a caótica harmonia seja encontrada entre os condescendentes, os cábulas, os clementes, os implacáveis, os cândidos, os peremptórios, os nutantes, os resolutos, os enleados, os austeros, os meneáveis, os desfaçados e os desempambados que freqüentam o Jazzseen. Certo disso é que voltei a ler Cuentos Completos Y Uno Más, de Luisa Valenzuela, lançado pela Alfaguara em 1998. Como diz bem Gustavo Sainz no prólogo: “Aqui todo está em guerra. No sólo hay muchas historias que se desarrollan em los años de la llamada Guerra Sucia en el Cono Sur, sino también guerra entre parejas, guerra de viejos contra la vejez, de jóvenes contra la inmadurez, del erotismo contra la muerte, de mujeres contra su fisiología, de transexuales contra andróginos, del compromiso contra el desinterés, del lenguaje contra si mismo. Y de estas batallas surgen importantes preguntas. Todo esto bañado por uma malicia, mucha astucia, una capacidad de travesura y un rigor sin paralelo entre narradores contemporáneos.” Mas haverá sempre, eu sei disso, aqueles que nunca lerão Valenzuela.

15 comentários:

olmiro muller disse...

Lester

Acho que estão faltando a alguns comentaristas do jazzseen uma virtude chamada tolerância e outra chamada humildade. No momento em que reconhecerem estas carências, as coisas melhoram e voltam aos bons caminhos.

John Lester disse...

Concordo velho amigo. Que tal nos enviar uma resenha sobre, por exemplo, quão tolerante e humilde era Miles Davis? Posso contar com sua contribuição?

Caso decida colaborar: johnlestervix@hotmail.com

Grande abraço, JL.

PREDADOR.- disse...

Em matéria de jazz não existe a palavra tolerância. E, no prólogo do livro de Valenzuela , Saenz diz muito bem: "aqui todo está em guerra". E a guerra, no sentido figurado é claro, irá continuar. Não pode haver tolerâncias e compreensões para um Blu Blu Blu, um Stefano Bollani, um Miles Davis.... Paciência!

Vagner Pitta disse...

...mas até que tem um lado bom, vejam só:


"Y de estas batallas surgen importantes preguntas"


será, mesmo, que surgirão tão importantes perguntas?


caro predador! vc está certíssimo!
Mas pense sempre pelo lado bom das coisas, pois o nosso conhecimento sempre aumenta quando passamos a tolerar e até pesquisar aquilo que não gostamos (nem que seja para sabermos argumentar na hora de sermos indagado). Veja, por exemplo, como é aborrecedor tolerar Miles Davis tocando Time After Time!!! Mas é interessante sob o viés da pesquisa: assim entendemos até onde a criacionice de Miles pôde chegar.

Bom final de semana a todos!!!

Marília disse...

Eu sei o segredo da poção mágica... Quem quer um golinho?

FIGBATERA disse...

É isso; se até Israel e Hamas já decretaram um "cessar-fogo" (até quando?), é melhor as coisas aqui se acalmarem, né?
Viva o jazz!
Cada um com seu gosto, suas opiniões, seu conhecimento (e a turma aqui é "fodona" mesmo) e sempre contribuindo pra melhorar o nosso aprendizado; eu aqui me enriqueço a cada dia com as postagens e os comentários deste indispensável blog.
Abração a todos.

24/1/09 18:37

FIGBATERA disse...

Puxa, e estou pasmo com o pessoal que mora no Rio e ainda não sabia do som no Barril; eu que sou "mineiroca" já o frequento desde o início das temporadas de "música ao vivo". Inclusive já toquei lá em várias "canjas" com o Bertrami, Marcos Ariel, Toca Delamare, Alfredo Cardim (tb canjeando), Hamleto Stamato e já assisti algumas vezes tb o Tandeta Trio. Na próxima semana devo ir ao Rio e estarei lá novamente.
ps.:vai ver não sabem tb que o quiosque "Dink Café", na Lagoa tem música ao vivo todos os dias...

Andre Tandeta disse...

Mr. Lester,
faço questão de declarar ao Sr. um "mea culpa" em relação ao clima de barraco que infelizmente anda rondando esse espaço tão interessante e improprio para arruaças verbais . Tive uma ,ate certo ponto ,acalorada discussão sobre Miles com o Sr. João Luiz onde em nenhum momento faltamos ao respeito um com o outro ,muito pelo contrario. Mas pode ter sido o sinal,percebido de maneira inconsciente por alguns, que aqui seria como a rua principal da cidade dos filmes de bang bang onde as diferenças eram resolvidas num duelo ,na base da bala.
O que vejo agora,e só hoje eu descobri ,é um barraco entre o Edú e o Vagner Pitta ,do blog farofamoderna. Creio que não devo me meter mas não posso me omitir e darei meu pitaco,doa a quem doer . Gosto e admiro muito meu "cumpadi" Edú mas nesse caso especifico houve uma produção desproporcional de calor despreendido . Só posso aconselhar calma e moderação . Esse rapaz ,o Vagner , é um jovem cheio de energia e com uma arrogancia totalmente apropriada a idade dele, pelo que sei 25 anos. Eu acho que aos 25 eu tambem era assim ,talvez ate pior que ele e felizmente naquela longinqua epoca não havia internet. Gosto muito de defender minhas ideias e sou sempre veemente ,criador de casos e gerando muito mais calor que luz mas chamar alguem de mau carater assim num blog ,quer dizer a distancia ,eu não posso achar normal.
Quanto ao comentario acima do Olmiro,se não me engano de Porto Alegre, que falta tolerancia e humildade a alguns comentaristas do Jazzseen visto a carapuça da segunda . Humildade, como tudo na vida,é uma questão de dose e tambem uma caracteristica supervalorizada , só os santos da igreja catolica são humildes, entre os humanos é em geral da boca pra fora. Não creio que alguem alcance alguma coisa sendo humilde , não estou dizendo que devemos ser arrogantes é só calibrar a dose.
Mr. Lester contamos com sua sabia liderança pra impor ordem na casa.
Abraço

Vagner Pitta disse...

imagina, Sr Tendeta!

a minha arrogância aqui evidenciada é apenas um reflexo proporcional às atitudes do Sr Edú, colaborador que é benquisto neste e noutros espaços como o grande CJUB. John Lester, o dono deste espaço, bem soube como é meu temperamento quase sempre humilde, longânimo e aliado aos conceitos cristãos que aprendi no leito paterno (pelo menos ele teve uma idéia através de conversas que tivemos via e-mail). Mas isso não quer dizer que eu tenha que ficar omisso aos ataques, diretos e indiretos, do caríssimo Sr Edú que, com a propriedade de um Pasquale Cipro Neto, anda esparramando picuinhas baratas sobre errinhos de digitação ou ortografia, como se ele não tivesse coisa melhor a fazer. Isso é ser bom caráter?

Se isso for um bom caráter de uma pessoa idônea me avisa, pois eu na minha pouca idade de 25 anos, terei que aperfeiçoar o meu, talvez numa tentativa de chegar perto do caráter de anciães como o Sr Edú.

E estou dosando, Sr Tendeta...estou dosando...Abraços ao Sr tbm!

edú disse...

O “rapaizinho” parece querer prolongar nossa discórdia.Para sua informação , não repouso meus olhos no espaço dele há mais de dois meses e nem pretendo nunca mais na minha vida .Quem me conhece - um pouco – sabe q sou um sujeito de posições definitivas , quando tomadas.Segundo,se depender de mim, no meu limítrofe poder decisão dentro do espaço do Lester e sei q conto com sua anuência, o "rapaizinho" terá garantido todo espaço necessário para se manifestar aqui e quando achar necessário contra mim.Por mais q discorde de idéias, conceitos,atitudes e opiniões defendo a plena liberdade de expressão – sem censura prévia(oculta sobre o pretexto da moderação de comentários) ou a própria retirada desses -a qualquer custo.Isso não impede que lhe deseje todo sucesso do mundo nos caminhos q escolher.No mais , o resto me provoca imenso tédio.Mas se quiser vá me frente,mas - dessa vez - em carreira solo.

Vagner Pitta disse...

"O “rapaizinho” parece querer prolongar nossa discórdia.Para sua informação , não repouso meus olhos no espaço dele há mais de dois meses e nem pretendo nunca mais na minha vida" (sic)


OK, caríssimo ancião Edu! Embora não seja - e sei que não é - vou acatar a sua deixa como um pedido de desculpas. Quanto à sua ausência no blog Farofa Moderna...bem, gostaria de dizer o contrário, mas o blog não sentirá por isso e não perderá com isso.

O Farofa Moderna, bem como o Jazzseen, precisa de pessoas que gostem de boa música e não pessoas que vá visitar só pra reparar se a digitação está correta ou não.


Esta também é minha deixa!


Sigamos com o bom e sempre novo Jazz, senhores!!!

John Lester disse...

Prezados amigos, até parece que tenho 85 anos e um caráter retilíneo e ereto como o de um Alceu Amoroso Lima (recomendo, aqui, a leitura de Em Busca da Liberdade, Paz e Terra, 1974).

Nos meus reduzidos 40 anos - 30 dos quais ao som do jazz - considero-me um aprendiz em quase tudo e, confesso, sonho em um dia ter o vigor e a luz de um Guerreiro Ramos (recomendo, aqui, qualquer texto desse genial e esquecido sociólogo).

Tenho mais perguntas, muitas, e pouquíssimas respostas. Por exemplo: como Alfredo Bosi consegue conviver com Marco Maciel e Paulo Coelho dentro da mesma Academia?

Outro exemplo: quem é Marx e quem e Max? Praia se escreve com s ou com z? O clube de jazz Smalls se escreve com ou sem apóstrofe?

Não me sinto habilitado a prolatar qualquer sentença no caso Edù vs. Pitta. Creio que uma ADR (alternative dispute resolution) seja o caminho adequado e recomendo uma mediação bem conduzida.

Peço apenas que nos concentremos mais no jazz, a paixão comum que nos une e nos distancia.

OBS. O Smalls está com site novo, com programaçã e outras novidades. Quem conhece o clube sabe que ele andou fechado algum tempo e até o site ficou desativado por um bom tempo.

Grande abraço, JL.

Salsa disse...

Epa, acabo de chegar de aprazível descanso e encontro o clima pós (?) guerra. Vou ali ficar a par do entrevero, depois volto.

Salsa disse...

Fui ali e já voltei. Então, tá. Lester, o Smalls é um sonho de consumo pra esse visitante (aliás, a propaganda foi feita por você).
Acho que no dia cinco irei ouvir e ver mr. Tandeta e naufragar no barril de chopp.

Andre Tandeta disse...

Peço licença a Mr Lester e demais amigos. Não tenho o costume de comprar o barulho alheio mas parece que tenho que me manifestar diretamente pois sou citado nominalmente e propositalmente com grafia errada. Meu nome consta em um comentario que fiz e que esta justamente acima do comentario em questão, com a grafia errada.Todos aqui mesmo os que não me conhecem ou jamais ouviram falar de mim ,a maioria é claro, jamais grafaram errado meu nome,que não tem nada de dificil.Aqui as pessoas se respeitam.O Sr., Mr Lester, mesmo quando me cutuca com suas inteligentes ironias e gozações jamais ultrapassou a barreira do desrespeito.
Discutir ideias e opiniões com veemencia eu acho muito bom,uma nescessidade. Brigar virtualmente é uma bobagem.Se quer bancar o bobo alegre(ha uma palavra especifica para isso)fique a vontade.
Temas mais agradaveis e importantes:
Salsa ficarei esperando.Pinte la e confira.Sera muito bom tocar para voce.
Mr Lester,meus respeitos .Sou seu fã.