13/06/2009

Lou Mecca, o quiroprático

Quiroprático, Lou Mecca desempenou a coluna de muitos pacientes, entre eles amigos músicos e, em especial, bateristas e contrabaixistas obrigados a transportar seus desengonçados instrumentos de lá para cá. Mas foi como guitarrista que utilizou melhor as mãos, chegando a ser eleito o melhor guitarrista do ano pela Corporação de Radiodifusão Canadense e o “New Star” pelos críticos da Down Beat. Só se fala em outra coisa. Foi com estas palavras que Gumercindo, o sócio mais bem informado do Clube das Terças, sentou-se à mesa naquela reunião animadíssima. Retirando de uma sacola da Casa Bonita o álbum Lou Mecca Quartet, lançado pela Blue Note em 1955, Gumercindo deixou perplexa a maioria absoluta dos sócios: então, perguntamos todos, Lou Mecca não era apenas mais uma piada do amigo? Reinaldo, tentando não demonstrar surpresa, inicia impassível e retesado discurso sobre o moço: esse massagista nasceu com o nome de Louis John Meccia, em 1926. Antes que pudesse prosseguir, é interrompido por Mestre Edù, sócio-visitante do Clube, que exigia dia, mês e local de nascimento do ilustre desconhecido. Nosso presidente informa que foi no dia 23 de dezembro, em Passaic, New Jersey, e prossegue: o pai de Lou era um trompetista clássico italiano, daí ter sido esse o seu primeiro instrumento, que começa a aprender aos oito anos, sob orientação paterna. Mas, segundo suas próprias palavras, Lou não tinha fôlego suficiente para levar adiante o estudo do trompete, voltando-se para a guitarra quando ingressa na The Master School of Music, que, por 50 cents a hora, fornecia lições e, de quebra, emprestava o instrumento. Abandonando os estudos secundários para dedicar-se à carreira profissional, começa a tocar em bares de Passaic. Nesse meio tempo, é convidado a lecionar numa escola de música em New Jersey, onde recebe uma pilha de livros e uma série de classes, desde o sax alto até a gaita de foles. Por volta de 1947, conhece o excelente guitarrista Johnny Smith que, por coincidência, também andou tocando trompete na banda do Exército. Animado, Lou volta a estudar seu antigo instrumento e chega a tocá-lo na Clifton Symphony. Sempre brincalhão, Lou confessou que, nessa época, lia música mais rapidamente do que conseguia tocá-la e, assim, não nutria nenhuma expectativa imediata de desafiar Clifford Brown para uma competição ao trompete. Sempre tocando sua guitarra pelos bares e clubes de New Jersey e arredores, Lou dedica-se cada vez mais à sua profissão de quiroprático, praticamente abandonando a música e o ensino durante 25 anos, até sua aposentadoria. Apesar disso, arranjou tempo para trabalhar com grandes músicos, entre eles Bill Evans, Teddy Charles, Ella Fitzgerald, Gil Melle, Eddie Costa, Al Cohn e Chris Conners, entre outros, além de tocar em musicais da Brodway e integrar orquestras. Levantando-se para ir ao banheiro, Reinaldo nos deixa a todos perplexos com a vastidão de sua cultura jazzística. 

Gumercindo, que chegara ali sorridente e esfregando as mãos, acreditando ter finalmente encontrado um músico de jazz não conhecido pelo Clube das Terças, entrega cabisbaixo e sorumbático o velho lp para mim, responsável por transformá-lo em cd. Para os amigos fica a faixa, que é quase uma massagem, You Go To My , com Jack Hitchcock (vib), Vinnie Burke (b) e Jimmy Campbell (d). Em sua agenda, Mestre Edù registrava a data de nascimento de Lou, dos sócios do Clube das Terças e de todos os transeuntes do shopping Centro da Praia. Sorrindo, alegou que adora aniversários.

11 comentários:

Walkyria Suleiman disse...

Menino, cada blog chique que vc faz heim! Pasmei! Olha, aquele blog que vc entrou, Eu Fiz Tokkou, é um grupo, um lance da Vila Yamaguishi. Não dá pra entender muito bem mesmo. Entre no meu outro site, que pode ser mais compreensível.....ou não!
http://walkyria-suleiman.blogspot.com/

Mas se vc quiser saber mesmo o que esse raio de Tokkou, entre aqui

http://www.associacaofelicidade.org.br/

abraços da walll

edú disse...

Após cumpridas todas as formalidades afetivas cabíveis nesse Valentine´s day, percebi ao chegar em meu lar q havia deixado de lado de indagar o número do social security(cpf canadense) de Mecca.Afinal todos os caminhos conduzem a ele.Segundo os islâmicos.

Frederico Bravante disse...

Enfim jazz!

Érico Cordeiro disse...

Mr. Lester e seu inesgotável baú de talentos.
Que guitarrinha melódica e que baterista. Nossos ouvidos agradecem!!!!
A listinha agora já tá virando um listão.

Carioca da Vila disse...

Coisa boa começar o dia pelo Jazzseen,certeza de prazer para os olhos(as resenhas)os ouvidos e as emoções!Os comentários enriquecem o Blog e ainda nos abrem portas para outros também fascinantes:do Salsa,do Grijó, do Andre Tandeta(CJUB), dos recentes e excelentes Érico (Peixoto e Cordeiro) Sérgio Sônico,Olney,Figbatera, Wagner Pitta...Sem falar das informações afinadíssimas de Mestre Edú!
Guitarra gostosa, chuva e frio...vou ficar navegando por aqui...!

Bruno Leao disse...

É um enorme prazer acordar domingo de frio e ler estes belos artigos ao som desses talentosos músicos que nunca ouvi falar!

Andre Tandeta disse...

Um recado para o Edú:
como agora ficamos todos sabendo que voce é o "rei" dos aniversarios informo que amanhã,14 de junho de 2009 Wilson Das Neves faz 73 anos. Referencia na bateria na musica brasileira,especialmente no samba, ele é um Mestre para os instrumentistas brasileiros.Com certeza o baterista que mais participações em gravações tem no Brasil,tambem um grande compositor com dois discos gravados só com musicas suas e em vias de lançar o terceiro. É uma das minhas grandes influencias ,e de muita gente. É o baterista do historico disco "Coisas Afro Brasileiras" do Maestro Moacir Santos, um dos mais importantes discos brasileiros de todos os tempos.
Abraço

John Lester disse...

Prezado Mr. Tandeta, obrigado pela nota. Parabéns e vida longa ao Mr. Neves.

Grande abraço a todos os amigos, JL.

edú disse...

Prezado Tandeta,
Wilson das Neves sempre terá destaque em minha coleção como usina criativa na participação luxuosa em trabalhos de outros artistas como o "Coisas" do Moacir Santos - lançado em cd(o lp original era do selo Forma)pela gravadora Dubas de meu “chapa” Ronaldo Bastos.Como também no maravilhoso trabalho - ele encabeçando o titulo - ao lado de Elza Soares, lançado na forma de cd por ocasião dos 100 anos da RCA.
JL,
a de junho foi enviado em pct completo.Favor conferir na cx.Abraço e bom final de semana a todos.

Salsa disse...

Eu conheci um trombonista americano (vive na itália) que também é chegado em desentortar colunas. Quebra tudo com os solos e depois remenda o estrago.
Belo som.

figbatera disse...

Ah! Isso aqui é bom demais...