27/11/2006

O introspectivo Marc Copland


Ouvi, de passagem, nove cds do Marc Copland. Tudo isso para, enfim, cumprir a promessa feita há alguns dias (quando comentei sobre Greg Osby). O pianista conseguiu, em alguns momentos, entediar-me, em outros ele até prendeu a minha atenção mais um pouco. O solo, Poetic motions, deixou-me amargurado. Os cds gravados em duo (ou com sax ou trompete ou baixo) são bastante arrastados para o meu gosto. A sua tendência a solar com acordes (e fazendo aqueles lances tensos e pausados) deixando-os soarem até não agüentar mais enquanto o parceiro solta umas notinhas parcimoniosas me incomoda um bocado (depois da segunda faixa, eu começo a procurar alguma menos minimalista). As gravações em trio são menos contidas e introspectivas (Paradiso, com Peacock e Billy Hart é até interessante) e ele solta um pouco mais os dedos da mão direita. Mais me agradou um cd gravado com grupo maior (Stompin' with Savoy) que, além de uma boa e abrangente seleção de standards (Equinox, I got a rhythm, Footprints, Easy to love entre outros), traz um naipe consistente - Bob Berg (sax) e Randy Brecker (trompete) -, que força o clima das gravações para cima. Ouvi outro, Lunar, um quarteto liderado pelo pianista e pelo saxofonista David Liebman, no qual predominam composições dos líderes e versões modernosas de temas como Cry want, de Jimmy Giuffre. Como não poderia ser diferente, Liebman e Copland viajam demais pro meu gosto. Em Softly, o pianista recupera sua força na parceria com Joe Lovano, Michael Brecker, Tim Hagans (trompetista) que participam em algumas faixas; o rítmo fica por conta de Peacock e Bill Stewart - aqui também rola alguns standards. Depois eu deixarei alguma coisa no Gramophone by Salsa.
PS: O trompetista da foto é Tim Hagans.

4 comentários:

Danilo disse...

Prezado salsa,
esse pianista me parece um descendente do cruzamento entre Evans e Jarret. Achei boas as faixas que você postou. Gostaria de ouvir o trio.

John Lester disse...

Concordo em gênero, número e grau com as palavras de Mr. Salsa.

Mau Nah disse...

Salsa,
tem um disco dele sombrio mas interessante chamado "Haunted Heart" que vale a pena dar uma escutada.
Depois me fala.
Abraço,

Salsa disse...

Eu tenho esse e, como você disse, ele tem uma sonoridade sombria. É também mais cerebrino do que o Paradiso. A presença dos standards tornam-no mais apetecível (pelo menos para mim). A versão de Crescent (Coltrane) está interessante.