13/06/2007

Benny Golson & The Jazztet

Com 78 anos de idade, mas em plena atividade, Benny Golson é indiscutivelmente um excelente saxofonista tenor. Seu som é suave e elegante, seu fraseado e solos são confiantes, flexíveis, porém sem ostentação. Golson em sua adolescência foi amigo íntimo de John Coltrane e destacou-se no Jazz no grupo Jazz Messengers durante os anos 58 e 59. Em 1959, Golson deixou Blakey para formar seu próprio grupo, “the Jazztet”. Durante os anos, Golson fez contribuições significantes para o repertório do jazz - "Along Came Betty," "Killer Joe," "I Remember Clifford," "Stablemates," "Whisper Not." Ele é, dizia Art Farmer, “um dos escritores mais melódicos que já existiram no jazz. Seu uso da harmonia para apoiar a melodia é tão grande, e as canções que ele escreve são tão boas de se improvisar sobre elas. Ninguém faz estas canções se tornarem standards. Elas se tornam standards porque as pessoas gostam de tocá-las. Elas vivem de suas próprias energias.” A seguir, uma pequena mostra do som do The Jazztet, com Art Farmer no trompete:




A seguir, entrevista com Benny Golson:
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LEONARDO - Em seu novo CD nós temos dois velhos standards, inclusive "Cherry" de Don Redman. Poderia nos falar sobre este CD e sobre os músicos que trabalharam com o Sr?
BENNY GOLSON - Este CD, "TERMINAL 1" surgiu como resultado de um convite que STEVEN SPIELBERG me fez para participar de seu último filme com Tom Hanks chamado “Terminal”. Após completar minha parte, eu entretanto achei uma boa idéia gravar um CD para comemorar o filme, daí meu título "TERMINAL 1”."CHERRY" é uma melodia que eu costumava ouvir quando criança em meu bairro na Philadelphia … Minha mãe sempre a cantava. Um velho líder de banda chamado DON REDMAN a escreveu.
BENNY GOLSON - Eu usei meu quarteto regular, mas adicionei EDDIE HENDERSON para a gravação porquê eu sabia que ele iria acrescentar muito ao CD devido ao seu estilo único de tocar. E ele acrescentou!
LEONARDO - Nos fale sobre seus trabalhos em filmes e televisão.
BENNY GOLSON - Eu deixei a cidade de New York em 1967 para ir para Hollywood escrever para televisão e filmes. Eu tinha estado estudando técnicas que teriam sido bastante difíceis de serem somente empregadas como um escritor de jazz. Eu precisei de uma avenida muito mais larga de expressão ... Hollywood era isto. Eu escrevi músicas para todos os tipos de shows que existiam, inclusive comédia. Eu escrevi música para “M*A*S*H” por três anos, e também fiz "MISSION IMPOSSIBLE" e "THE PARTRIDGE FAMILY" entre muitos outros.
LEONARDO - Como você e Coltrane se conheceram e como você o definiria?
BENNY GOLSON - John e eu nos conhecemos quando eu tinha dezesseis anos de idade e ele tinha dezoito. John era musicalmente inquieto; ele nunca estava satisfeito com o que ele havia realizado porquê ele sempre queria ir além, o que ele sempre fez em toda sua carreira como músico. Ele não era um seguidor, mas um líder criativo.
LEONARDO - Em sua página na internet existe uma história sobre você, John Coltrane e sua mãe. Qual era a canção favorita de sua mãe?
BENNY GOLSON - Quando eu conheci John ele estava tocando saxofone alto e tocava exatamente igual a JOHNNY HODGES. Quando ele veio à minha casa pela primeira vez ele tocou "ON THE SUNNYSIDE OF THE STREET." Minha mãe o ouviu e o amou. Depois disto, cada vez que ele vinha à minha casa para as minhas JAM SESSIONS ele tinha que tocar aquela música. Nós rimos sobre isto muitos anos depois.
LEONARDO - Existe uma febre mundial pelo Selmer Mark VI. Todo saxofonista iniciante deseja ter um, pois este ganhou a fama de melhor sax do mundo. Qual sua opinião sobre o MKVI? Realmente merece esta fama ou é exagero?
BENNY GOLSON - Para mim o Mark VI não era meu modelo favorito. Eu pessoalmente preferi o velho BALANCED ACTION, e anos depois o modelo “A”, e finalmente hoje o REFERENCE 34, o qual considero o saxofone definitivo no planeta. Mas esta é somente minha opinião.
LEONARDO - Que tipo de equipamento (Saxofone, boquilha, presilha) o Sr. está usando atualmente?
BENNY GOLSON - Eu tenho o saxofone Reference 36 da Selmer. Uma velha OTTO LINK que o Sr. Link fez especialmente para mim muitos anos atrás. Uma presilha OLEGG a qual faz maravilhas pra mim. E a RICO REED COMPANY em Los Angeles produz palhetas especialmente para mim, as quais a dureza vai além da fabricada para o público em geral. Eu uso uma palheta muito dura.
LEONARDO - Qual conselho daria a quem está iniciando no sax?
BENNY GOLSON - Minha recomendação seria, para aqueles que ainda estão se desenvolvendo, tentar se tornar e permanecer sendo um indivíduo enquanto se desenvolve . . . sem tentar soar parecido com mais ninguém. O seu som deve identificá-lo e não a qualquer outro. Um diamante tem mais valor que uma cópia de um diamante.
LEONARDO - Quais seus projetos futuros?
BENNY GOLSON - Eu não sei, porquê dia após dia minha mente está sempre trabalhando. O amanhã sempre revela onde eu deveria ir e o que eu deveria fazer quando eu chego lá. É uma aventura real que entra na escuridão do desconhecido. Nós freqüentemente encontramos coisas esperando por serem descobertas, coisas que nós normalmente não vemos na nossa frente.
Entrevista por e-mail em 14/01/2005 concedida a Leonardo Almada da
Toca do Sax.

7 comentários:

Rogério Coimbra disse...

Ah, Mr. Lester, saudades daqueles tempos. Esse É o disco. Mr. Golson sempre elegante e com seu refinadíssimo som e improvisos que a cada compasso é um novo tema. Melodia, pura melodia. E que maravilha de entrevista. Tive o prazer de ouví-lo no MAM-RJ, há uns 3 anos, com Mr. Curtis Fuller. Tem coisa melhor?Killer Joe, esse é o som!

augusto carlos disse...

É isso aí Sr. Rogério, bons tempos aqueles!

Obrigado Lester por mais uma resenha e músicas deliciosas.

thiago disse...

Sonzaço mr lester!

olney disse...

Uai! Eu não consegui tocar essa radiola...

Salsa disse...

Bom som, boa entrevista. Blz, Lester.

alberto disse...

Eu to ouvindo bem aqui.

olney disse...

Ah! Hoje ela tocou...e gostei!