02/09/2007

Interferências - Turi Collura

Apesar das terríveis dores nas pernas e da tosse incontrolável, John Lester não poderia ir deitar sem fazer alguns comentários sobre o novo álbum de Turi Collura, Interferências, gravado em 2007 no Rio de Janeiro. No site do pianista não há nada sobre o lançamento - não sei quando nem onde - tampouco sobre onde pode ser adquirido, caso já possa sê-lo. Como bom siciliano que é, Turi faz as coisas na surdina, mas faz bem feito, e o efeito é sempre letal. Com a postura típica dos grandes músicos, Turi é comedido, quase humilde, observador e atento. Sua aparente simplicidade reflete a consciência de que a música - e o jazz em especial - é, na verdade, um perpétuo desafio, onde a criatividade e a inteligência pouco valem quando não há sentimento. Por um desses felizes privilégios do acaso, passei uma longa tarde ouvindo e conversando com Turi, num magnífico churrasco promovido à beira-mar por João Luiz Mazzi, sócio-proprietário do Clube das Terças. Como se não bastasse, nessa mesma tarde os saxofones alto e tenor ficaram a cargo de Mr. Salsa, o segundo maior acionista do Jazzseen. Então, sem mais delongas, vejam o que nos diz o pai da criança:


"Neste CD, procurei tirar uma fotografia das minhas experiências musicais, vividas em diferentes lugares. Aqui se encontram misturados, ao mesmo tempo, a Sicília e o mediterrâneo, a África e o espiritualismo de Coltrane, a grande paixão pelo jazz, a música contemporânea européia e a música brasileira. Afinal, sou um homem do terceiro milênio e o efeito disso sobre minha música são composições caracterizadas por interferências que se entrelaçam. Sempre fui fascinado pela espontaneidade do gesto musical, pela casualidade que surge em um determinado momento, em um certo lugar. Isso é o que mais me interessa: o resultado de um instante único, de um sentimento traduzido em música. Chamei, para essa fotografia, tirada no Rio de Janeiro no começo de 2007, pessoas únicas, que contribuíram generosamente à realização desse trabalho gravado “à vera”, sem clique e todos juntos, com o mínimo possível de edições posteriores."


E Turi tortura, colocando pequenos trechos do álbum, como Boppin (clique e ouça). Só nos resta, agora, aguardar.

Turi e Mr. Salsa disputando o tom de Take Five

7 comentários:

Rogério Coimbra disse...

Vitória trata bem seus hóspedes e se orgulha deles. Como é agradável e inteligente o piano do Turi Collura. Assisti ao making-off no YouTube. Collura, aprazível companhia,e, para sorte nossa, fã de carteirinha do Bill Evans.

thiago disse...

Afinal de contas, eles levaram Take Five em que tom???

Salsa disse...

Há dois/três meses atrás, eu tive o prazer de ir à casa do Turi para a já tradicional feijoada anual (aos cuidados de Neusa, sua esposa), que, dessa vez, serviu de moldura para uma prévia do cd. Tenho o prazer de antecipar que se trata, realmente (e não poderia ser outra coisa), de um disco de jazz. O time que o acompanha é de primeira. Daniel Dias, trompetista, que sempre o acompanha nas apresentações das quintas no Shopping Vitória, está irrepreensível. Aguardemos o lançamento oficial.

Anônimo disse...

Não conheço infelizmente, como desconheço , ainda bem , milhares de coisas a serem brevemente reveladas no âmbito do jazz.Só pelo titúlo já aguça,sacado demais.Também tenho curiosidade de conhecer o David Feldman, segundo o LOC, o único pianista a "ombrear" ,no Brasil, com o Hélio Alves.Desse, pra minha sorte, tenho os dois cds que lançou ate hj.Edú

Manuela disse...

A melhor música.

salles disse...

Turi é hoje o melhor pianista residente em Vitória.

Turi disse...

O CD chegou! Hoje, finalmente!

Fiquei feliz com o resultado, logo procurarei colocá-lo à venda onde for possível, por enquanto está à venda pelo site: www.turicollura.com

Um abraço a todos