13/09/2007

Samba, jazz & outras bossas

A resenha de nossa amiga Paula Nadler, neta do irascível Mestre Acácio, me fez recordar de um livro lançado recentemente: Samba, jazz & outras bossas, do sincero e mordaz crítico carioca Lúcio Rangel. Não era preciso fazer mais nada na vida, considerando que foi ele quem apresentou Vinicius de Moraes a Tom Jobim, dando início à parceria mais feliz da bossa nova. No entanto, Lúcio fez muito mais. Foi, por exemplo, tio e mentor de Sérgio Porto, pai de nosso inesquecível Stanislaw Ponte Preta. Amante inarredável do samba de Cartola e Pixinguinha e do jazz de Armstrong e Jelly Roll Morton, Lúcio criticava severamente certas liberdades da bossa nova e abominava o bebop de Dizzy Gillespie. Sempre ácido com as orquestras brancas, só admitia o jazz feito por negros. Ao contrário da maioria dos colecionadores de discos - quase sempre chatos e egoístas - Lúcio era generoso e verdadeiramente apaixonado pelo que considerava ser a boa música. Foi exaltando Ismael Silva e Fats Waller e desancando Carmen Miranda e Vicente Celestino que Lúcio se tornou um dos primeiros críticos musicais do Brasil. Além disso, aprontava de todas, desde apontar o dedo para o nariz de Mário de Andrade até fazer xixi no quintal de Jacob do Bandolin, que o proibiu de frequentar suas rodas de choro durante um mês. Em menos de uma semana, Lúcio já estava perdoado. Tudo isso faz com que seu livro, embora trate pouco de jazz, seja uma referência para todos que pretendam ter uma visão divertida e sincera da música popular brasileira no período entre 1950 e 1970. Para os amigos deixo a faixa Cheese, com Dick Farney e Booker Pittman, gravada ao vivo no Auditório da Folha de São Paulo, em dezembro de 1960. A homenagem fica por conta da resenha que Lúcio escreveu sobre Booker, esse fantástico saxofonista que passou pelo Brasil e quase ninguém notou. Até!





8 comentários:

augusto carlos disse...

Já encomendei!

Anônimo disse...

Esse livro esteve nas minhas mãos,na Fnac Paulista, pra comprar.Desistí no caixa, pra colocar minhas leituras em dia e não abastecer mais as pilhas de cds e livros q estava comprando irresponsavelmente aguardando a oportunidade serena, impossível, pra mim, de uma gostosa leitura.Foi organizado pelo seu genro, o grande Sérgio Augusto.Lí alguns trechos na livraria como "filão" e me desfiz, rindo das posições infléxiveis que tinha absolutamente sobre tudo.Foi um dos descobridores, se é q precisasse disso, do nosso autor maior Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.Logo espero encontrá-lo num sebo, pra honrar a minha origem júdaica, a um preço acessível.Edú

Anônimo disse...

Não poderia deixar de registrar q o disco na Folha do Dick Farney com o Booker Pittman é um dos maiores clássicos da discografia brasileira de jazz.Ainda virginal na forma em cd.Edú

afrânio lins disse...

Eu tenho essa bolacha. Memorável a lembrança Mr. Lester.

Anônimo disse...

Tive o grande privilégio de conhecer Lúcio. Grande personagem da cultura carioca.

Pedro Lessa.

pamela disse...

Beleza!

Anônimo disse...

eu sentei na saraiva e lki toda a parte de jazz desse livro, mas o cara é do tipo que acha lester young muito moderno...

vinicius

bené da flauta disse...

Onde eu consigo esse álbum Lester?