23/10/2007

Getz - For Musicians Only

Antes de voltarmos a falar do jazz no Chile, precisamos apresentar aquilo que vamos denominar de ‘segunda fase’ de Stan Getz. Já sabemos que, entre 1943 e 1949, Getz passou por um importante período de aprendizagem com alguns dos mestres do swing: aos 16 anos toca com Jack Teagarden. Em seguida, com Stan Kenton, Jimmy Dorsey e Benny Goodman. Finalmente, parte para a banda de Woody Herman, com a qual produz duas importantes gravações: Four Brothers e Early Autumn. Considerado por muitos como um ótimo imitador de Lester Young, Getz percebe que, nesse dúbio elogio, encontrava-se também uma espécie de crítica mordaz em relação à sua capacidade inventiva e à sua personalidade própria. Disposto a mostrar que era capaz de vencer limitações e construir um estilo próprio, dotado de uma sonoridade personalíssima, parte em direção a um projeto que, mais tarde, lhe valeria a alcunha de The Sound, por ter estabelecido o som mais bonito que muitos já puderam ouvir de um sax tenor. A segunda fase de Getz, então, constitui-se do estudo, domínio e manuseio do bebop, o mais novo idioma negro produzido na costa leste.
A linguagem complexa desse novo estilo estava sendo definida por gente como Dizzy Gillespie e Charlie Parker, entre outros, como Kenny Clarke e Thelonious Monk, dois estilistas autônomos do movimento. O requisito básico da aventura bop era o virtuosismo, coisa que Getz detinha e outros não, como, por exemplo, Miles Davis. Depois de levar surras homéricas de Gillespie e Parker, Miles afundou-se na heroína e inventou o tal de jazz modal, um sistema onde até mesmo uma velhinha desdentada de 90 anos é capaz de improvisar horas a fio. Getz, ao contrário, encarou o desafio com os peso-pesados do bop, destilando frases complexas e velozes através de uma sonoridade etérea, sedutora e ímpar, imediatamente reconhecível. Em termos de gravações, podemos dizer que essa ‘segunda fase’ de Getz vai de 1949 – quando grava o excelente Stan Getz Quartets – até 1956, quando grava o emblemático álbum For Musicians Only, com Sonny Stitt (as), Dizzy Gillespie (t), Herb Ellis (g), John Lewis (p) e Ray Brown (b). Em breve, retornaremos a Getz com nova resenha. Por enquanto, deixo para os amigos a faixa Bebop do álbum For Musicians Only. Boa audição!

Bebop.mp3


  • Hoje tem Mr. Salsa no Balacobaco!

  • 15 comentários:

    augusto carlos disse...

    Beleza!

    olney disse...

    Ufa! Fiquei até sem fôlego...
    ps: faltou o nome do batera.

    Salsa disse...

    Depois de ver Cuba lançar mais um sucesso, retorno ao Brasil para dar continuidade à turnê slim&light, no balacobaco.
    Esse disco é excelente.

    abilio disse...

    Olney, o batera é Stan Levey, um mestre do west coast.

    internáuta véia disse...

    Ma-ra-vi-lha! Obrigada!

    vinicius_mq disse...

    eu tenho esse

    M.C.C disse...

    Amigos do jazzseen, vocês perderam um grande momento na terça do Balacobaco. Confiram o post no mpbjazz.blogspot.com. Tem uma foto de alguns membros do clube das terças que passaram por lá.

    Vagner Pitta disse...

    "Miles afundou-se na heroína e inventou o tal de jazz modal, um sistema onde até mesmo uma velhinha desdentada de 90 anos é capaz de improvisar horas a fio"

    hahaha...estimado colega, não é bem assim:

    1º - quem inventou o Jazz Modal não foi Miles, mas o grande George Russel...o Miles só colocou em evidenciou o sistema

    2º - a velhinha só improvisaria por horas a fio se ela tivesse criatividade e conhecimento para criar as variadas tensões harmônicas, já que o sistema modal ampliou exponencialmente as possibilidades harmônicas...


    3º - O Stan Getz podia ser um ótimo dublê de Lester Young, mas não vamos endeusá-lo tanto quanto ao bebop, já que o próprio Sonny Stitt assustava até mesmo o Charlie Parker quando tocava o estilo ao sax tenor. E tem outros mais velozes e mais fascinantes no bebop: Sonny Rollins e, principalmente, Harold Land, o qual é um tanto esquecido...


    mas, mais uma vez obrigado pelo post ! ótima dica !

    Rafael disse...

    Realmente a Jam no Balacobaco foi do "bórógódó". Muito bom mesmo.

    Abraços

    The Drumma!

    João Luiz disse...

    Quem foi se deu bem. Quem não foi "si finou-se". A jam do Balacobaco, na última terça(23/10) estava demais. Salsa e Quarteto como sempre mais os Irmãos Castro(trombone e sax tenor), Bruno e Marcos Firmino (trumpetes). Um "somzão" de primeira. E, a maioria dos sócios"babacas"do clube das terças-feiras não estavam presentes. Enfiaram o rabinho entre as pernas e foram p'ra casa ficar sob o jugo da chibata das suas caras-metades. Eu, Arcemir e Fernando marcamos presença. Viva a LIBERDADE, viva o JAZZ !

    Salsa disse...

    Irmãos Rocha, João.

    John Lester disse...

    Prezados amigos, bom dia! Infelizmente Maria Clementina, minha noiva, não me concedeu licença para ouvir Mr. Salsa. Fiquei vendo novela...

    Mas nem tudo é tristeza. Mr. Pitta, nosso mais novo visitante, mostra que tem feito a lição de casa. Já sabe até que George Russell utilizou o 'approach' modal em suas composições, em especial na sua Cubano Be, Cubano Bop, interpretada por Dizzy Gillespie em 1947 (veja, por exemplo, a lição de John Szwed em seu Jazz 101, pag. 167). Tenho certeza que Mr. Pitta trocará o buscador Google e partirá para leituras sérias. Recomendo consultar a obra Understanding Jazz, de Tom Piazza, pag. 128, onde aprenderá que Jelly Roll Morton já se utilizava do approach modal desde 1927, em sua célebre composição Jungle Blues. E não deixe de ouvir também, prezado Mr. Pitta, a belíssima faixa Love Chant, do álbum Pithecanthropus Erectus, gravado em 1957 por Charles Mingus.

    Parta, então, esforçado amigo, para duas novas obras: Jazz, A History, de Frank Tirro, onde na página 17-18 verificamos que a modalidade já era encontrada nos cantos religiosos negros desde 1926. Mas nada substituirá, caro amigo, a leitura do didático Jazz Styles: history and analysis, de Mark Gridley. Nele, e em todas as demais obras citadas, verificamos que Milestones, e sobretudo Kind of Blue, ambos de Miles, são tidos como referências absolutas da abordagem modal no jazz.

    E a tal velhinha desdentada está lá, prezado Pitta, tocando lado a lado com Miles, o maior gênio do jazz cujo único defeito era não saber tocar trompete.

    Grande abraço e parabéns pelo comentário. Ganhou nota 7,5.

    JL.

    Salsa disse...

    Lester,
    Até que ponto esse pessoal tocou modal intencionalmente? Os lídios, os frígios e os dórios, antes de cristo, tocavam apenas o que conheciam como música. Se a gente procurar, encontra "modal" até nos caipiras. Quanto ao Miles, apesar de não ser "o" instrumentista, está milhas de "não saber tocar". Deixa de ser implicante, rapá.

    João Luiz disse...

    Desculpem-me irmãos Rocha por ter trocado seus sobrenomes. Valeu Salsa.

    John Lester disse...

    Prezado Mr. Salsa, quem implica com minhas resenhas é você. Basta realizar um histórico no Jazzseen.

    Quanto a mim, quando concordo com as suas, presto meu elogio. Quando discordo, calo.

    Temperamento talvez.

    Grande abraço, JL.